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M2 Browning .50

Fonte: Hoje no Mundo Militar – O Mundo Militar é um canal (You Tube) exclusivamente voltado para temas atuais do mundo militar.

Edição: konner@planobrazil.com

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Rússia: Defesa define prioridades para Exército em 2017

O presidente russo Vladímir Pútin qualificou como bem-sucedidas a operação militar da Rússia na Síria e o nível de preparação das forças armadas nacionais, em reunião da pasta de Defesa para avaliar os resultados obtidos em 2016.

Pútin também ressaltou as tarefas pendentes, como o rearmamento do Exército e da Marinha e o acompanhamento de “qualquer mudança no equilíbrio de forças e da situação política e militar no mundo, especialmente ao longo das fronteiras russas”.

Missão na Síria

As Forças Aeroespaciais russas cumpriram sua principal missão e impediram o desmembramento da Síria em vários estados, segundo declarou o ministro da Defesa, Serguêi Choigu, durante discurso na reunião de quinta-feira (22).

“Nós quebramos a cadeia de ‘revoluções coloridas’ geradas no Oriente Médio e na África. Iniciamos um processo de regulação política e reconciliação entre as partes em conflito. De agora em diante, para garantir a segurança na região, um grupo aéreo de forças aeroespaciais russas vai operar constantemente a partir da base em Hmeimim, assim como um ponto de fornecimento de material que será modernizado para se tornar uma base naval da Marinha russa”, disse o ministro.

Segundo Choigu, as cidades de Hama e Homs foram libertas, e os guerrilheiros em Latákia, próximos a Damasco e em Aleppo, eliminados.

Relações com OTAN

Choigu declarou também que algumas das ações das forças armadas da Rússia são consequência da atitude hostil da OTAN.

“Em vez de unir forças na luta contra um inimigo comum, que é o terrorismo, a OTAN reconhece a Rússia como sua principal ameaça e continua expandindo seu potencial militar ao longo de nossas fronteiras”, disse o ministro.

O orçamento militar da aliança aumentou US$ 26 bilhões este ano, chegando a US$ 918 bilhões (no mesmo período, o russo sofreu um corte de US$ 52 bilhões, para US$ 48 bilhões). A OTAN se prepara para implantar no próximo ano quatro batalhões do bloco nos países bálticos e na Polônia (com 800 a 1.200 soldados cada).

Outro fator que preocupa os militares russos é a presença de um sistema de defesa antimíssil nos território da Polônia e da Romênia, com lançadores universais MK-41.

“As possibilidades desse sistema norte-americano permitem adaptá-lo facilmente para lançar mísseis de cruzeiro Tomahawk, que têm alcance de 2.400 km”, disse Choigu.

Como este míssil poderia entrar em território russo em menos de dez minutos, a pasta da Defesa decidiu implantar em suas fronteiras ocidentais três divisões de infantaria adicional (que, em tempos de paz, reúnem até 13.000 pessoas).

“As divisões de tanques terão novos modelos da classe T-72B3 e T-90. As divisões motorizadas receberão veículos de combate de infantaria BMP-3, BMP-4 e canhões autopropulsados Koalitsia. Os tanques mais antiquados serão substituídos por veículos da classe Armata. As divisões também contarão com helicópteros”, diz o coronel aposentado e especialista militar da TASS, Víktor Litovkin.

Planos para 2017

De acordo com Choigu, os agrupamentos de tropas no oeste e sudoeste do país, bem como na região do Ártico, serão reforçados em 2017.

Cinco bombardeiros estratégicos foram encomendados para exercer tais funções no Exército: um Tu-160 e quatro Tu-95MS; mais de 900 tanques e veículos blindados de diferentes modelos; e quatro regimentos do sistema e de defesa antiaérea e antimísseis S-400 Triumf, que substituirão os sistemas hoje existentes.

O comando do Ministério da Defesa russo também planeja receber duas unidades de sistemas táticos Iskander-M para as tropas terrestres e reequipar três divisões com sistemas antiaéreos Tor-M2.

Os percalços da modernização

Cerca de 60% do armamento e da tecnologia militar da Rússia foram atualizados em 2016, embora o resto dos trabalhos de modernização enfrente dificuldades.

“O programa de modernização das Forças Armadas russas, no valor de 22 bilhões de rublos [cerca de 365 milhões de dólares] poderá garantir segurança plena do país quando concluído em 2022. No entanto, existem alguns problemas a serem resolvidos”, disse à Gazeta Russa o ex-diretor do Estado Maior das Tropas de Mísseis Estratégicos, o coronel-general aposentado Víktor Esin.

A questão, segundo ex-militar, é que a Rússia não será capaz de substituir nos próximos anos as importações em algumas áreas importantes.

“A modernização das empresas é uma dessas áreas. O desenvolvimento de motores praticamente do zero para alguns sistemas é outra. As empresas conseguirão produzir motores para navios e aviões, que até agora a Rússia recebia de outros países, em 2018. No entanto, existem muitos sistemas eletrônicos para esses veículos que não poderão começar a ser fabricados no país em curto prazo”, acrescentou o especialista.

NIKOLAI LITÔVKIN

Foto: Aleksêi Nikolski/RIA Nôvosti – Ministro da Defesa da Rússia Serguei Choigu

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Gazeta Russa

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As disputas eleitorais que redefinirão a paisagem política da Europa em 2017

A paisagem política da União Europeia (UE) transformou-se radicalmente nos últimos 12 meses: o primeiro-ministro britânico David Cameron se demitiu, seu colega italiano, Matteo Renzi, também, e o presidente francês, François Hollande, anunciou sua despedida. Além disso tudo, o Reino Unido, deu adeus à União Europeia.

Sem dúvida, 2016 foi um ano de mudanças na Europa. E 2017 deve ser crucial para o bloco político formado por 28 países do continente.

França e Alemanha, os dois países mais importantes da UE em termos de população e peso econômico e político, vão às urnas para eleições gerais respectivamente em abril e setembro.

O mesmo ocorrerá na Holanda, em março, e na República Tcheca, em outubro.

E na Itália, o futuro político é incerto depois da renúncia de Renzi, derrotado no referendo sobre a reforma constitucional realizado no dia 4 de dezembro.

Se um novo governo não for formado, a terceira economia da Zona do Euro poderá convocar eleições antecipadas em 2017.

A ‘batalha’ por Paris

De todos essese pleitos, o que mais preocupa por suas potenciais consequências para o futuro da Europa é a eleição francesa, por causa do bom desempenho, nas pesquisas, da Frente Nacional, de extrema-direta.

A Frente Nacional, de extrema-direita, é uma potencial ameaça aos partidos políticos tradicionais como o Partido Socialista nas eleições presidenciais francesas. – Foto: Getty Images
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“Grande parte da atenção estará voltada para a França. A Frente Nacional é uma ameaça potencial para os partidos tradicionais na eleição presidencial”, diz Thomas Christensen, professor de Ciência Política da Universidade de Maastrich, na Holanda.

“O partido adotou uma posição bastante eurocética e Marine Le Pen (presidente do partido) falou em realizar um referendo sobre a permanência na União Europeia. No atual clima político, não se pode saber o que vai acontecer, mas poderá ser muito prejudicial para a UE”, completou.

“Em compensação, na Alemanha espera-se um grau maior de continuidade depois das eleições. É bastante improvável que o governo atual mude”, continuou, em entrevista à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Na França, o primeiro turno das eleições presidenciais será no domingo, 23 de abril. Caso nenhum candidato vença com maioria simples, haverá um segundo turno, no dia 7 de maio.

O atual presidente francês, o socialista François Hollande, já anunciou que não disputaráa eleição. Mas seu partido, que realizará primárias agora em janeiro, ainda não tem candidato.

François Fillon, candidato dos republicanos, o principal grupo da oposição conservadora, lidera as pesquisas com cerca de 30% das intenções de voto.

A apenas um ponto percentual dele está Marine Le Pen, da Frente Nacional.

Se esta tendência for mantida nos próximos meses, a França decidirá no segundo turno entre o candidato que foi primeiro-ministro entre 2007 e 2012, no governo de Nicolas Sarkozy, e a filha do histórico líder da extrema-direita Jean Marie Le Pen.

Analistas ouvidos pela BBC consideram improvável que Le Pen chegue à presidência da França – Foto: Getty Images
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Diante deste cenário hipotético, os analistas consultados acham improvável que Le Pen chegue à presidência da França.

“Na França, o fato de haver dois turnos nas eleições presidenciais torna muito mais possível que haja um pacto entre as demais forças para não apoiar o candidato da extrema-direita”, diz Pol Morillas, pesquisador de assuntos europeus no Centro para Assuntos Internacionais de Barcelona (Cidob), na Espanha.

Xenófobos e eurocéticos

Os analistas não ignoram o surpreendente resultado do plebiscito na Grã-Bretanha aprovando a saída da UE e o crescimento dos movimentos de extrema-direita de caráter xenófobo e geralmente eurocéticos.

Entretanto, os especialistas acreditam que o risco de surpresas como as de plebiscitos recentes (Grã-Bretanha, Itália) é bem menor em eleições gerais ou presidenciais.

Nos plebiscitos há apenas duas opções para o voto; em eleições gerais há mais opções – e ainda existe a possibilidade de coalizões e pactos.

Assim, se reduzem as opções de chegada ao poder dos grupos de extrema-direita. Não apenas na França, afirmam os analistas.

“Na Holanda é muito provável que Wilders (líder do Partido da Liberdade, de extrema-direita) tenha um bom resultado nas eleições. Mas o sistema proporcional holandês permitirá pactos que podem deixar a extrema-direita de fora do governo e limitar sua influência direta”, diz Morillas.

O holandês Geert Wilders, líder do Partido da Liberdade, ataca abertamente o Islã e defende a saída da Holanda da União Europeia – Foto: BART MAAT / BBCBrasil.com
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“No caso da Alemanha é pouco provável que a Alternativa para a Alemanha (FPÖ, legenda populista de direita) tenha um peso forte. No momento, parece que Angela Merkel continuará sendo a primeira-ministra”, afirmou.

Pesquisas recentes dão uma ampla vantagem à atual governante alemã, com 35% das intenções de voto contra 22% do Partido Socialista e 13% do Alternativa para a Alemanha.

Problemas que ultrapassam fronteiras

Mas quais são os grandes temas de fundo destas eleições? Existem assuntos que afetam o conjunto da Europa que vão mais além do interesse nacional e das fronteiras geográficas?

Em setembro do ano passado, os líderes da UE, exceto a primeira-ministra britânica, Theresa May, se reuniram em Bratislava, capital da Eslováquia, para discutir temas como migração, segurança, globalização e recuperação econômica – Foto: Getty Images
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“Olhando a UE no seu conjunto, vemos questões comuns como as desigualdades sociais e as políticas de austeridade, de um lado e a imigração e a integração das minorias, do outro”.

“Os dois assuntos se associam à filiação dos países à UE. De fato, existe uma tendência comum na qual os movimentos populistas tentam vincular o bloco europeu aos desafios enfrentados pela população nas questões internas dos países”, afirma Christensen.

O professor Richard Whitman, diretor do Centro Europa Global (GEC, na sigla em inglês) da Universidade de Kent, no Reino Unido, concorda que as atitudes dos candidatos diante da imigração e dos pedidos de asilo vão ser questões eleitorais decisivas.

E acrescenta dois temas de política externa à lista de preocupações comuns europeias.

“As relações com os Estados Unidos, que talvez não sejam um grande tema de campanha, serão importantes para que os candidatos se elejam. Eles vão ter que dizer como querem se relacionar com o governo Trump”.

“E outra questão será provavelmente o Brexit. Menos como tema principal de campanha, mas para estabelecer como será feita a saída do Reino Unido”, sugere. “Há partidos, como a Frente Nacional, que farão campanha por uma relação diferente entre França e UE caso ganhem. E isso é uma questão existencial para a UE.”

Os (inesperados) efeitos do Brexit

A inesperada vitória do “sim” no plebiscito sobre a saída do Reino Unido da UE, realizado em junho de 2016, foi o maior triunfo de grupos eurocéticos na Europa até o momento.

Nos meses seguintes à votação, falou-se de uma crise profunda no projeto europeu. No entanto, passados quase sete meses, o resultado do Brexit pode causar um efeito contrário na UE.

Governo de premiê Theresa May (centro) conduzirá negociação por saída da Grã-Bretanha da UE; termos da nova relação pós-Brexit pode ter peso nas campanhas das eleições gerais de outros países eueopeus – Foto: Getty Images
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“O plebiscito no Reino Unido e os problemas que desencadeou chamam a atenção de todos os eleitores da Europa. Segundo as pesquisas que vi, desde julho as atitudes em relação à UE são mais positivas”.

“As pessoas se deram conta do que está potencialmente em jogo com a saída da UE”, sugere Christensen.

“Creio que o que se espera de 2017, do ponto de vista da UE, é ver se realmente os três grandes países que seguem no bloco depois do Brexit – França, Alemanha e Itália – continuarão sendo pilares estáveis do projeto europeu”.

“Neste sentido, 2017 é um ano muito decisivo para a UE”, conclui o analista.

BBC BRASIL

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Terra

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Amizade entre Putin e Trump deve ser breve, dizem analistas

Apesar de elogios trocados pelos políticos, é provável que aproximação entre Rússia e EUA dure pouco. Rivalidade de longa data entre os dois países não deve ser superada após posse do magnata, avaliam especialistas.

Donald Trump chamou recentemente o presidente russo, Vladimir Putin, de “muito esperto”. Foi depois que o chefe do Kremlin abriu mão de responder na mesma moeda ao presidente americano, Barack Obama, após a expulsão de 35 diplomatas russos dos EUA. Antes disso, Trump já havia expressado diversas vezes sua admiração por Putin e por seu estilo autoritário de governar e de fazer política. Isso incomodou muita gente nos EUA.

Entretanto, aos olhos de muitos teve mais peso o anúncio de que Trump quer cooperar com a Rússia contra o terrorismo, ressalta Sebastian Feyock, pesquisador da Sociedade Alemã de Relações Exteriores, um think tank em Berlim. Para Trump, o maior perigo quando se trata de terrorismo islâmico vem da Síria.

“O atual governo, sob Barack Obama, se recusou a cooperar com a Rússia, porque o presidente russo apoia o regime sírio sem levar em conta as perdas”, diz Feyock. Já na campanha eleitoral, Trump se distanciou claramente do governo Obama. “Podemos concluir a partir das declarações de Trump que ele provavelmente não se importará com quais métodos serão usados pela Rússia para apoiar os militares sírios.”

Novo recomeço

Para Feyock, isso tudo soa como um novo recomeço das relações bilaterais. Vale lembrar que o próprio Obama também quis isso no início do seu mandato. Sua então secretária de Estado, Hillary Clinton, e o ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, apertaram em 2009 até um botão de reset, simbolicamente. Mas não adiantou muito.

Trump quer fazer as coisas de forma diferente. Ele diz que é um negociador, que Putin também procura fazer um bom negócio, e que eles vão chegar a um acordo. Como em muitos outros campos da política, para a opinião pública é um enigma completo se Trump realmente já tem um plano sobre isso. Claro até agora é que ele quer tornar Rex Tillerson ministro do Exterior. O CEO da empresa petrolífera americana ExxonMobil tem laços estreitos com o Kremlin. A revista alemã Der Spiegel o classifica até mesmo de “encarregado pela Rússia”.

Lavrov e Clinton: ministro do Exterior russo e secretária de Estado dos EUA apertam o botão do “reinício” em 2009

“A retórica de Trump sobre a Rússia causa enjoos aos comentaristas políticos nos Estados Unidos”, diz o cientista político Feyock. “Eles dizem que pode ser o terceiro presidente seguido que se deixa ludibriar por Putin e, no fim, os EUA acabam sendo novamente traídos pela Rússia.”

“Dia da discórdia virá”

Volker Weichsel, redator da revista Osteuropa, também vê perigo parecido. “O dia da discórdia virá”, prevê. Ele considera baixa a influência de amizades pessoais na política. “É bem possível que vejamos uma breve explosão de aproximação, ela vai se exaurir rapidamente.”

Na opinião de Weichsel, as recentes declarações de ambos os lados não devem ser levadas muito a sério. Ele acredita que fatores estruturais é que são cruciais – a situação de competição entre os dois países permanece. Porque domesticamente o regime de Putin se legitima por seu antiamericanismo. “Permanentemente se pinta uma imagem do inimigo: ‘Vamos ser atacados pelos EUA e temos que nos defender, os EUA são culpados de tudo, pelo declínio da Rússia, pela situação econômica ruim.’ Isso não será alterado por Trump.”

Ele também não acredita ser uma contradição o fato de Putin se expressar favoravelmente sobre o presidente eleito Trump. Isso porque a retórica para fora é simplesmente diferente da interna, frisa Weichsel. Para o especialista, enquanto Trump anunciar coisas que são do interesse da Rússia – como, por exemplo, uma menor influência dos EUA na Europa Oriental – não faz mal nenhum louvar Trump. “Isso tem a finalidade de apaziguamento”, avalia.

Weichsel acredita que o próximo passo da Rússia pode ser testar qual a posição de Trump em relação ao Báltico. “No momento em que Trump der um limite, a aparente aproximação vai acabar”, prevê. “O que vai acontecer até lá será crucial.”

Trump não pode, como presidente, decidir sozinho como sua política externa se posicionará em relação à Rússia. E com uma aproximação com Moscou, ele se coloca contra o próprio partido. Alguns republicanos são senadores há muito tempo e não dependem da benevolência de Trump, sublinha Feyock. Ele ressalta que esses políticos têm uma imagem consolidada – e majoritariamente bastante crítica – da Rússia.

Senador americano John McCain se encontrou com presidente ucraniano, Petro Poroshenko, em dezembro

Rota de confronto

É o caso de John McCain e Lindsey Graham, que apoiam energicamente uma comissão parlamentar de inquérito para investigar as atividades dos serviços secretos russos durante a campanha eleitoral nos EUA. McCain disse à Fox News que o Congresso dos EUA deve “reforçar as sanções contra a Rússia devido à má conduta”. “Assim, ambos os senadores se posicionaram claramente contra Trump”, diz Feyock. Trump duvida de uma interferência russa e considera supérflua uma comissão de inquérito.

Ambos os senadores estiveram nos últimos dias em uma excursão pelos Estados bálticos, Geórgia e Ucrânia para assegurar o apoio dos EUA a esses países. McCain propôs uma presença militar permanente dos EUA nos Estados bálticos e fornecimento de armas à Ucrânia para a luta contra os rebeldes pró-russos no leste do país.

“Isso mostra que o Congresso entrará em rota de confronto com o presidente na futura política dos EUA para a Rússia”, avalia Feyock. “Mesmo se Trump suspender as sanções contra a Rússia, o Congresso pode determinar suas próprias ou bloquear o presidente através da lei do orçamento, negando determinadas verbas ou forçando-o a gastar verbas para medidas específicas.”

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW

 

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O que esperar de 2017 na política internacional

Como será 2017? É difícil adivinhar, mas alguns eventos de 2016 indicam que poderá ser um ano muito difícil para o Ocidente, em meio a uma crescente dificuldade de determinar as regras que governam o jogo global.

“Acabou a era do pós-Guerra Fria marcada por um processo de globalização liderado por países ocidentais, pela predominância dos Estados Unidos e por um domínio confortável dos valores liberais internacionais”, diz Simon Fraser, que chefiou o serviço diplomático britânico entre 2010 e 2015.

O general americano Stanley McChrystal, que comandou as tropas da OTAN no Afeganistão em 2009 e 2010, argumenta que “as atuais tensões na ordem mundial que conhecemos desde o fim da 2ª Guerra Mundial refletem a descentralização ou fragmentação do poder em diversos níveis”.
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Entre alguns eventos chaves do final de 2016, estão:

  • O suposto uso pela Rússia de informações hackeadas na eleição americana;
  • A repressão a rebeldes em Aleppo oriental, na Síria, e a seus apoiadores internacionais, envolvendo o uso em larga escala de armas banidas em muitos países;
  • A decisão da China de ignorar a decisão da Conferência da ONU sobre Leis Marítimas contrária à posição de Pequim em uma disputa territorial com as Filipinas;
  • A decisão de alguns países, entre eles Rússia e África do Sul, de se retirarem do Tribunal Penal Internacional;
  • As ameaças a alguns acordos de comércio internacional, como o anúncio feito presidente eleito Donald Trump de que os Estados Unidos abandonará a Parceria Transpacífico.

O que vem acontecendo na Síria sinaliza o fracasso dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos – em chegar a um acordo sobre como acabar com essa crise.

Na verdade, desde que a ONU foi criada, em 1945, as grandes potências raramente se uniram durante uma séria crise internacional e nunca fizeram isso quando interesses vitais de um membro permanente estavam ameaçados.

O endosso da ONU em 1991 à guerra contra Saddam Hussein liderada pelos Estados Unidos é um exemplo excepcional e efêmero do apoio do Conselho de Segurança a um conflito.

Nossa noção atual da ordem internacional “é baseada em um nível atípico de domínio americano, que sempre esteve fadado a acabar”, acredita Patrick Porter, professor de Estudos Estratégicos da Universidade de Exeter, na Inglaterra.

“Essa ordem está se desmanchando de fora para dentro, conforme a transição do poder econômico do Ocidente para o Oriente torna mais difícil que o Ocidente imponha suas vontades.”

Claro que muitos saudarão o fim deste superpoder americano e de sua dominância global, que prosperaram por muitos anos após o colapso do comunismo, e o surgimento de um mundo muito mais multipolar.

Em muitos países africanos e asiáticos, também há um sentimento de empoderamento conforme uma geração de líderes educados em universidades ocidentais dá lugar àqueles com uma visão de mundo própria.

No caso da África do Sul e alguns outros países africanos que estão deixando o Tribunal Penal Internacional, isso é resultado de uma percepção de injustiça, com o ministro de Informação de Gâmbia dizendo que a corte foi usada para “perseguir africanos e seus líderes”.

Rússia e China também questionaram recentemente a competência da ONU para interferir em disputas territoriais que lhes são muito caras.

Se regras antigas vistas como tendo sido criadas por “colonizadores” ou potências ocidentais agora parecem ser menos relevantes em muitas partes do mundo, elas representam ao menos um sistema de credo com o qual muitos países estavam dispostos a se comprometer por décadas, ao menos nas aparências.

Ideologias que vêm emergindo com força – seja o pós-comunismo chinês, a noção russa de que há um destino para sua nação criada a partir de influências ortodoxas orientais ou as diferentes ideias islâmicas que baseiam as políticas sauditas ou iranianas – têm um apelo para seus próprios cidadãos, mas ninguém além disso.

A rejeição do status quo internacional é na verdade chave para muitas dessas narrativas nacionais e religiosas. Grupos não nacionais, como o Hezbollah ou o Boko Haram, para citar apenas dois, também representam desafios.

Em questões de segurança, finanças ou tecnologias, agentes de quebra do padrão são uma grande ameaça à ordem estabelecida, acredita o general McChrystal, e “é tentador pensar em uma visão pós-apocalíptica em que sobreviverão os mais fortes”.

Enquanto esses grandes desafios espreitam do lado de fora, há também o que Porter considera ser um “colapso interno”. Há hoje no Ocidente uma série de divergências. A eleição de Donald Trump gerou, por exemplo, receios de novas guerras comerciais.

Se o presidente eleito dos Estados Unidos cumprir suas diversas promessas, “estaremos nos dirigindo para um período de duras políticas internacionais: mais transacionais, com mais confrontos, impulsionadas por poderes e interesses nacionais, em vez de valores ou conceitos relativos a uma comunidade internacional”, diz Fraser.

Provavelmente, haverá mais ênfase em uma diplomacia bilateral (entre pares de Estados) do que em uma multilateral – e isso pode fazer com que as relações internacionais se pareçam mais com o que havia no século 19.

Porter argumenta que “estamos nos movendo desconfortavelmente e despreparados para uma diplomacia mais ‘normal’ historicamente, em que grandes potências competem e colaboram simultaneamente”.

A relação entre os presidentes turco, Reccep Tayip Erdogan, e russo, Vladimir Putin, é um exemplo interessante desta fase pós-ideológica dos assuntos de Estado.

Eles passaram de um estágio de confronto e sanções econômicas após a Turquia abater um jato russo para uma cooperação estratégica na Síria em 2016, depois de um encontro para aparar as arestas entre os dois países realizado na Rússia.

Foto: AMTI / BBC Brasil.com – Pequim ignorou uma decisão da ONU sobre uma disputa territorial com as Filipinas no Mar da China Meridional.

BBC Brasil

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Terra

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Ministério da Defesa russo: coalizão dos EUA destrói infraestrutura síria desde 2012

A coalizão internacional liderada pelos EUA tem realizado bombardeios sistemáticos da infraestrutura síria desde 2012 e não tem alvejado instalações petrolíferas do Daesh.

O anúncio foi feito pelo porta-voz do Ministério da Defesa russo, major-general Igor Konashenkov, na quarta-feira (04).

“O atual chefe da Agência Central de Inteligência (CIA) dos EUA, Brennan, está bem ciente do fato que, muito antes do início da campanha russa, a coalizão internacional tem destruído sistematicamente a infraestrutura econômica da Síria para enfraquecer o governo legítimo o mais rápido possível, apesar do fardo que representa para civis, resultando em milhões de refugiados”, destacou Konashenkov.

A declaração do Ministério da Defesa russo acontece depois de John Brennan ter acusado Moscou de usar a “política de terra queimada” na Síria.

“Surpreendentemente, a coalizão não atacou instalações petrolíferas capturadas pelo Daesh que permitiram aos terroristas ganhar dezenas de milhões de dólares por mês através do comércio ilegal de petróleo e recrutar mercenários por todo o mundo”, frisou Konashenkov.

“Mais tarde ou mais cedo alguém vai ser responsabilizado. É por isso que a tentativa do Sr. Brennan de atenuar o golpe dificilmente ajudará. John Brennan compreende bem os resultados reais das ações russas na Síria”, afirmou o porta-voz russo.

Graças às ações da Força Aeroespacial russa, mais de 12 mil quilômetros quadrados e 499 povoações na Síria foram libertados e 35 mil militantes, incluindo 204 comandantes, foram eliminados.

“Mas o principal resultado foi que, sem a administração cessante dos EUA, sem a CIA, foi assinado um acordo de cessar-fogo em 30 de dezembro”, ressaltou Konashenkov.

Washington e Moscou têm efetuado operações militares contra terroristas no país devastado pela guerra. A coalizão internacional liderada pelos EUA, composta por mais de 60 membros, tem realizado ataques aéreos contra alvos do Daesh no Iraque e na Síria desde agosto e setembro de 2014, respectivamente. A Rússia iniciou sua própria operação militar em 2015 a pedido do presidente sírio Bashar Assad.

Os militares russos deram início a várias tréguas nos combates terrestres. A última entrou em vigor no final de dezembro e, segundo se espera, resultará em negociações de paz entre o governo sírio e a chamada oposição moderada.

Ao mesmo tempo, Konashenkov fez lembrar que a aviação dos EUA largou bombas nucleares sobre Hiroshima e Nagasaki em 1945. Além disso, em 1962-1971 Washington levou a cabo a Operação Ranch Hand em Laos e Vietnã com uso de substâncias químicas “de fato reduzindo a cinzas tudo o que se movia”.

“Gostaria de chamar atenção ao fato de que todas as grandes guerras das últimas décadas desencadeadas pelos EUA sob pretextos falsos, na Jugoslávia, Iraque, Afeganistão e Líbia, todas elas foram acompanhadas e resultaram na destruição da infraestrutura econômica dos países pela Força Aérea dos EUA. Não é coincidência que empresas próximas à CIA e ao Pentágono são sempre as primeiras a oferecer seus serviços na reconstrução das grandes instalações econômicas”, apontou o porta-voz do Ministério da Defesa russo.

Foto: © AFP 2016/ AHMAD ABOUD

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News