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Helibras apresenta o primeiro H225M Naval armado

A Helibras abriu as portas de sua fábrica nesta terça-feira, 25, para o voo de apresentação do primeiro H225M armado da Marinha do Brasil, o mais complexo helicóptero que está sendo produzido e desenvolvido pelo Centro de Engenharia da empresa dentro do programa H-XBR. 

O protótipo BRA-05 conta com o Sistema Tático de Missão Naval, desenvolvido pela Helibras especialmente para as missões da Marinha, com radar de patrulha APS-143, sistema Chaff & Flare de contramedidas e sistema de inteligência com dois mísseis Exocet AM39 B2M2 de última geração.

O primeiro voo da aeronave reuniu o presidente da Helibras Richard Marelli, o Comandante da Marinha, Almirante de Esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira, além de convidados da Marinha, Aeronáutica, Exércitoe empresas parceiras, que puderam acompanhar o andamento do projeto. “É uma honra e uma satisfação imensa apresentar esta nova versão, pois estive a frente de todo o projeto do H225M no Brasil, antes de assumir a presidência da Helibras.

Tenho plena confiança e orgulho do trabalho que a nossa equipe está realizando aqui, em estreita colaboração com as Forças Armadas e nossos parceiros, que têm nos ajudado a construir essa versão naval, única no mundo”, ressaltou Marelli.

O desenvolvimento e a fabricação desta nova versão naval foram realizados sob a liderança da Helibras em colaboração com a ATECH e ADS, responsáveis pelo sistema tático de Missão Naval que é o coração da integração do míssil com a aeronave e sensores; e a Avibras e a Mectron, que realizam a motorização do míssil Exocet AM39 B2M2, fabricado pela MBDA.

O Sistema Tático de Missão Naval instalado no H225M permite ao comandante da missão estabelecer e avaliar no cockpit uma situação tático-operacional complexa, em coordenação com um operador no console tático na cabine do helicóptero, e autorizar o lançamento do míssil AM39 nas melhores condições.

A aeronave BRA-05 será o primeiro H225M em versão operacional a ser entregue para a Marinha, em 2018. Antes disso, já no próximo ano, os novos sistemas desta versão passarão pela avaliação e certificação da autoridade militar, o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA-IFI).

O helicóptero faz parte do contrato de 50 unidades do programa H-XBR encomendadas pelo Ministério da Defesa e Forças Armadas que estão sendo produzidas no Brasil com transferência de tecnologia e de conhecimento no país, no projeto de Cooperação & Offset, que vem sendo cumprido pela Helibras.

A empresa já entregou 26 aeronaves desse pacote que já somaram mais de 14 mil horas de voo. Sete deles estão em operação na Marinha do Brasil, dez na FAB, incluindo duas unidades do GTE e nove no Exército Brasileiro.

Yam Wanders

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Orbis Defense

 

 

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Conflitos Destaques Estado Islãmico Geopolítica Opinião

“Hillary Clinton ‘com certeza’ pode começar uma Terceira Guerra Mundial”

O diretor do jornal britânico The Independent, Sean O’Grady, escreveu uma análise sobre as possíveis consequências para o mundo com a presidência de Donald Trump ou de Hillary Clinton, afirmando que para construir a paz mundial em plena era nuclear, os EUA devem conservar e cultivar sua “relação mais importante”: o vínculo com a Rússia.

O’Grady, que diz não simpatizar com qualquer um dos dois candidatos à Casa Branca, disse entretanto que a vitória do bilionário republicano seria mais conveniente porque a candidata democrata poderia desencadear a Terceira Guerra Mundial.

Em sua opinião, a política externa de Trump, baseada no princípio de que “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”, poderia tornar possível a cooperação e até mesmo uma aliança com a Rússia. “Trump faria a paz. Os interesses dos EUA seriam definidos de tal maneira que se adaptassem a Moscou”, disse o diretor do jornal britânico.

Assim, segundo O’Grady, o objetivo que o republicano compartilha com a Rússia no sentido de neutralizar o “terrorismo islâmico” de forma contundente pode ser conseguido se existir uma cooperação mais ampla. Para o jornalista, a escolha seria mais prudente quando comparada com os planos de Clinton de parar a “agressão russa” sobre outras nações e de colocar o interesse dos EUA acima de qualquer outra consideração.

Finalmente, o artigo sugere que uma crise semelhante à dos mísseis em Cuba pode estourar novamente sob a presidência de Clinton, tendo em conta “os seus ultimatos implacáveis sobre Putin”.

Apesar das considerações, O’Grady afirma que embora Trump pareça ser a menos má das opções, em sua opinião não há nenhum candidato “claramente civilizado” com uma vida particular ilibada e que busque a paz.

Foto: © REUTERS/ Brian Snyder

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

Trump diz que política de Hillary para Síria levaria à 3ª Guerra Mundial

O candidato republicano a presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta terça-feira que o plano para a Síria da candidata democrata, Hillary Clinton, levaria à “Terceira Guerra Mundial”, por causa das possibilidades de conflito com as forças militares da Rússia, que tem armas nucleares.

Numa entrevista cujo foco principal foi política externa, Trump disse que derrotar o Estado Islâmico é a prioridade maior do que convencer o presidente sírio, Bashar al-Assad, a deixar o poder, minimizando um antigo objetivo da política norte-americana.

Trump questionou como Hillary iria negociar com o presidente russo, Vladimir Putin, depois de demonizá-lo, culpou o presidente dos EUA, Barack Obama, por uma crise nas relações norte-americanas com as Filipinas no governo do seu novo presidente, Rodrigo Duterte, lamentou a falta de unidade republicana no apoio a sua candidatura, afirmando que venceria facilmente as eleições se os líderes do partido o apoiassem.

“Se tivéssemos unidade no partido, nós não poderíamos perder esta eleição para Hillary Clinton”, disse ele.

Sobre a guerra civil síria, Trump afirmou que Hillary poderia levar os EUA para uma guerra mundial com uma postura mais agressiva para resolver o conflito.

Hillary defendeu uma zona de exclusão aérea e “zonas de segurança” no chão para proteger não combatentes. Alguns analistas temem que proteger essas áreas poderia levar a um conflito direto com os jatos russos.

“O que devemos fazer é focar no Estado Islâmico. Nós não devemos focar na Síria”, afirmou Trump, enquanto jantava ovos e linguiça no seu resort de golfe em Doral, na Flórida. “Vocês vão acabar na Terceira Guerra Mundial por causa da Síria, se nós escutarmos Hillary Clinton”, disse.

“Vocês não estão combatendo a Síria mais, vocês estão combatendo a Síria, a Rússia e o Irã, certo? A Rússia é um país nuclear, mas um país onde as armas funcionam, diferentemente de outros países que falam”, declarou.

Trump afirmou que o presidente sírio, Bashar al-Assad, é muito mais forte agora do que era há três anos. Ele disse que forçar a saída de Assad é menos importante do que derrotar o Estado Islâmico.

“Assad é secundário, para mim, em relação ao Estado Islâmico”, declarou.

OBAMA “FOCADO NO GOLFE”

Sobre a Rússia, Trump mais uma vez criticou a maneira como Hillary lidou com as relações entre o país e os EUA quando secretária de Estado, e afirmou que as críticas duras dela a Putin levantavam questionamentos sobre “como ela vai voltar e negociar com esse homem que ela descreveu como tão mal” se ganhar a disputa pela Casa Branca.

Sobre as relações com as Filipinas, Trump criticou Obama, dizendo que o presidente “quer focar no seu jogo de golfe” em vez de se engajar com os líderes mundiais.

Desde que assumiu o poder, Duterte manifestou hostilidade aberta aos EUA, rejeitando críticas contra a sua violenta repressão antidrogas, usando um xingamento para se referir a Obama, e dizendo aos EUA para não tratar o seu país “como um cão com uma coleira”.

O governo Obama tem expressado otimismo de que os dois países possam se manter como firmes aliados.

Trump disse que os mais recentes comentários de Duterte mostraram “uma falta de respeito ao nosso país”.

(Reportagem adicional de Emily Stephenson, Alana Wise e Ginger Gibson em Washington e Emily Flitter em Nova York)

Steve Holland

Reportagem adicional – Emily Stephenson / Alana Wise / Ginger Gibson – Washington / Emily Flitter – Nova York

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Reuters

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Por que o Brasil gasta mais de R$ 420 mi por ano com Superior Tribunal Militar em tempos de paz

Além de integrantes da Marinha, Aeronáutica e Exército, a Justiça Militar da União também julga civis que cometem crimes contra militares em serviço e contra as Forças Armadas
Além de integrantes da Marinha, Aeronáutica e Exército, a Justiça Militar da União também julga civis que cometem crimes contra militares em serviço e contra as Forças Armadas

As Forças Armadas do Brasil contam com cerca de 350 mil militares na ativa e uma justiça especializada que funciona há 208 anos e vai consumir R$ 430 milhões dos cofres públicos este ano.

Somente o Superior Tribunal Militar (STM), a mais alta corte responsável por julgar recursos de crimes previstos no Código Penal Militar e oficiais generais das Forças Armadas, tem 15 ministros e orçamento de R$ 419,5 milhões para 2016.

Se comparado com o Supremo Tribunal Federal, que custa R$ 554,7 milhões por ano, o STM tem quatro ministros a mais, orçamento 25% menor e uma produtividade atípica para os padrões do açodado e moroso judiciário brasileiro.

Enquanto a corte militar julga, em média, 1.200 processos por ano, o Supremo dá cerca de 8 mil decisões por mês. Os ministros do STM levam, em média, oito meses para dar uma sentença. No STF, ações penais demoram cerca de cinco anos e meio para chegar a uma decisão final, conforme levamento do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Mas por que o Brasil, mesmo em tempos de paz, mantém uma justiça especializada em julgar crimes cometidos contra as Forças Armadas e por seus representantes?

O Superior Tribunal Militar julga cerca de 1200 processo por ano, média de 87 casos para cada um dos 15 ministros
O Superior Tribunal Militar julga cerca de 1200 processo por ano, média de 87 casos para cada um dos 15 ministros

Custo e benefício

“Estamos tratando de segurança e defesa. São em sua maioria situações especiais. A justiça militar tem que ser rigorosa e severa e, quando se trata de militar, é razoável que eles sejam julgados por seus próprios pares”, defende Maria Elizabeth Teixeira Rocha, ministra do STM e ex-presidente da corte militar.

Ela pondera que uma jurisdição não pode ser medida apenas por quanto custa por ano. Afirma ainda que o problema não é o STM julgar poucos processos, mas as outras cortes estarem tão assoberbadas.

“A Justiça militar é uma Justiça pobre. Não consigo ver essa desproporcionalidade como falam”, observa Rocha.

Cerca de 85% do orçamento de 2016 aprovado para o STM está comprometido com pagamento de pessoal e encargos sociais. Dos R$ 355,5 milhões reservados para o fim deste ano, 49% serão gastos com aposentados e pensionistas, conforme dados do STM.

Para a cientista política Maria Celina D’Araújo, professora da PUC-Rio, a existência dessa estrutura em tempos de paz é um forte indicativo do prestígio que os militares desfrutam na sociedade brasileira.

“É um custo benefício que não vale a pena. Não faz sentido, é uma estrutura cara e pesada demais”, avalia a professora.

Julgamentos nas cortes militares da União envolvendo uso, porte ou tráfico de drogas aumentaram 300% em dez anos
Julgamentos nas cortes militares da União envolvendo uso, porte ou tráfico de drogas aumentaram 300% em dez anos

Tradição

A Justiça Militar da União é a mais antiga do país. Foi instituída em 1808, pouco depois de Dom João desembarcar no Brasil. A partir de 1934, deixou de ser um braço do Executivo e passou a fazer parte do Poder Judiciário.

Suas principais atribuições foram alteradas pela Constituição de 1988 e por uma lei assinada pelo então presidente Fernando Collor em 1992.

Tem duas instâncias: 20 auditorias militares e uma auditoria de correição; e o STM como corte superior. Julga apenas atos relacionados às normas, ao patrimônio e administração da Aeronáutica, Exército e Marinha, e crimes cometidos por civis contra as Forças Armadas, em áreas sob seu comando ou contra seus representantes em serviço.

Crimes cometidos pela Polícia Militar não são analisados por essa estrutura do Judiciário federal. Eles são julgados pela Justiça estadual – apenas Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo ainda mantêm cortes especializadas para policiais e bombeiros militares.

Levantamento feito pelo STM identificou crimes mais comuns julgados pela primeira instância em dez anos
Levantamento feito pelo STM identificou crimes mais comuns julgados pela primeira instância em dez anos

Um levantamento inédito feito pelo STM identificou que casos de uso, tráfico e porte de drogas nas Forças Armadas aumentaram 300% em dez anos. Cerca de 95% dos flagrados são jovens soldados temporários e recrutas de 18 anos.

Os crimes de deserção (abandono da Força), estelionato – em sua maioria golpes aplicados por civis na tentativa de fraudar a Previdência militar – e furto respondem pela maioria dos processos, segundo o mesmo estudo.

“Muitos são crimes que poderiam facilmente ser julgados pela justiça comum, não são exclusivos da carreira militar. Além disso, muitas das infrações, como as de obediência, são tratadas na esfera administrativa, fazem parte da ‘justiça do comandante’ e são resolvidas dentro do próprio quartel”, salienta a professora Maria Celina D’Araújo, defensora de criar varas especializadas em crimes militares junto à Justiça estadual e federal.

A Justiça Militar da União julga exclusivamente crimes que envolvem crimes e militares relacionados ao Exército, Marinha e Aeronáutica
A Justiça Militar da União julga exclusivamente crimes que envolvem crimes e militares relacionados ao Exército, Marinha e Aeronáutica

Na primeira instância, os julgamentos acontecem nos conselhos permanentes, quando os réus são praças, e nos conselhos especiais, quando os réus são oficiais. Os conselhos são compostos por um juiz-auditor que não é militar e por quatro militares de patente superior à do réu.

O STM, por sua vez, tem entre seus ministros dez militares da ativa (três da Marinha, três da Aeronáutica e quatro do Exército do posto mais elevado da carreira) e cinco civis (sendo três advogados, um juiz-auditor e um membro do Ministério Público Militar).

Reestruturação

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) propôs mudanças na estrutura da Justiça militar da União, apontando que o custo médio dos processos é muito superior aos dos três Estados que ainda mantêm uma estrutura similar para seus policiais militares.

Estima-se que cada processo que tramita na primeira ou segunda instâncias da corte especializada para as três Forças Armadas custa R$ 155,6 mil. O CNJ também sugeriu redução, de 15 para 11, do número de ministros que compõem o STM.

“Há necessidade de se adequar a estrutura e equalizar a carga de trabalho da Justiça Militar àquela observada nos outros ramos da Justiça”, diz o relatório concluído em dezembro de 2014.

O Conselho Nacional de Justiça sugeriu redução, de 15 para 11, do número de ministros que compõem o STM
O Conselho Nacional de Justiça sugeriu redução, de 15 para 11, do número de ministros que compõem o STM

A ministra Maria Elizabeth Teixeira Rocha rebate, dizendo que todas as determinações do CNJ são cumpridas “no que for possível”, como em termos de prazos e metas. Mas diz que muitas das atribuições da Justiça militar são constitucionais.

“Dependemos do Congresso. Estamos tentando uma reforma há dez anos. Eu sei que o Congresso não funciona em tempo real, só legisla quando pressionado”, argumenta a ministra do STM, que é uma das três civis e única mulher da corte militar.

Rocha afirma que há um consenso entre os ministros do STM no sentido de absorver parte dos casos relacionados às Forças Armadas tradicionalmente julgados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), como processos de remoção, transferência e processos administrativos disciplinares.

“Se a ideia é que Justiça boa é justiça assoberbada, acho mais razoável ampliar nossa competência. Pagamos por um anacronismo pelo qual não somos responsáveis”, reclama a ministra.

Julgamento de civis

Deserção é o crime mais comum julgado pela justiça militar da União
Deserção é o crime mais comum julgado pela justiça militar da União

Um dos pontos de maior controvérsia dentro do STM, contudo, é se civis devem ou não ser julgados pela corte militar em casos de crimes cometidos contra integrantes e contra as Forças Armadas – como, por exemplo, equipamentos ou armas roubados nos quarteis, agressão a militares em serviço ou qualquer ilegalidade cometida em um local sob administração militar.

Casos de julgamento de desacato a militares, por exemplo, saltaram de 13 em 2002 para 109 em 2011. Esse aumento expressivo pode ser explicado, principalmente, pelo aumento da atuação de militares em operações de segurança pública, em especial no Rio de Janeiro.

Segundo a professora Maria Celina D’Araújo, há orientação da ONU (Organização das Nações Unidas) para que civis não sejam julgados por cortes militares. “Parece que estamos na Idade Média, mesmo não tendo guerra”, avalia D’Araújo.

Cerca de 95% dos flagrados com drogas são soldados temporários e recrutas com 18 anos
Cerca de 95% dos flagrados com drogas são soldados temporários e recrutas com 18 anos

Esse tema divide os ministros civis e os militares dentro do STM. “Me parece anacrônico que militares julguem civis”, admite a ministra do STM, que é voto vencido entre os colegas da corte.

Ela pondera, contudo, que há casos em que isso é necessário. Cita como exemplo uma situação em que as Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia] entrem em território nacional e matem um soldado brasileiro.

Rocha diz que o STM é um tribunal legalista e que espera mudanças na lei para que os casos de civis sejam julgados apenas por civis – ainda que sejam os civis que atuam dentro da corte militar.

Fonte: BBC

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Conflitos Defesa Destaques Negócios e serviços

Exportação de munição aumenta dez vezes na Alemanha

Enquanto venda de armas de pequeno porte cai no primeiro semestre de 2016, exportação de munições passa de 25 para 283,8 milhões de euros. Argélia é o maior comprador de armamento alemão.

A exportação de munições produzidas na Alemanha aumentou dez vezes no primeiro semestre de 2016 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo um relatório divulgado nesta terça-feira (25/10). O documento será debatido na quarta pelo governo.

O relatório mostrou que houve uma queda de 12,4 milhões para 11, 6 milhões de euros na venda de armas de pequeno porte. No entanto, houve uma explosão na exportação de munições, passando de 25 milhões para 283,8 milhões de euros.

Depois da França, o Iraque e a Polônia são os países que mais compram armas de pequeno porte da Alemanha, que incluem submetralhadoras e metralhadoras. Tiros que partem desse tipo de armamento são responsáveis pela maioria das mortes no conflito na Síria, por exemplo. A Alemanha fornece ainda armas para milícias curdas peshmerga que combatem o “Estado Islâmico” (EI) em território iraquiano.

O relatório revelou também que a exportação bélica para a Turquia aumentou consideravelmente no último ano. Em 2015, início da crise de refugiados, o país ocupava a 25ª posição na lista de compradores de armamentos alemães e pulou para a oitava posição em 2016. Peças de aeronaves, drones e equipamentos militares correspondem a dois terços destas vendas.

A Coreia do Sul também passou a importar mais armas alemãs, com o aumento das tensões com a Coreia do Norte. O país saltou da décima para a quarta posição na lista. Os Emirados Árabes Unidos praticamente dobraram o volume de compra de equipamento bélico alemão, passado de 46 milhões de euros para 85 milhões de euros.

A Argélia foi o maior comprador de armas alemãs no primeiro semestre de 2016, adquirindo um volume de 1,04 bilhão de euros. Estados Unidos e Arábia Saudita ficaram em segundo e terceiro lugar respectivamente.

No início de julho, foi divulgado que nos primeiros seis meses de 2016 o governo alemão autorizou a exportação de 4 bilhões de euros em armas, quase 500 milhões a mais do que no mesmo período do ano anterior.

O vice-chanceler alemão e ministro da Economia, Sigmar Gabriel, prometeu reduzir a exportação de armas de pequeno porte durante sua gestão. Porém, a venda de equipamento bélico praticamente dobrou entre 2014 e 2015, passando de 3,97 bilhões para 7,86 bilhões de euros. Gabriel atribui o aumento a acordos firmados pela legislatura anterior.

CN/dpa/ots

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW

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América do Sul Aviação Defesa Geopolítica Negócios e serviços Rússia

Russian Helicopters terá centro de treinamento de pilotos em Lima no Peru

A empresa Russian Helicopters irá construir, até o fim de 2017, um centro de treinamento de pilotos para helicópteros Mi-171Sh pertencentes ao Exército peruano.

“A construção do centro de treinamento para pilotos de helicóptero em Lima vai começar logo após o cumprimento das formalidades exigidas pela parte peruana. A Russian Helicopters planeja completar a construção de centro no segundo semestre de 2017”, lê-se em nota divulgada pela holding russa na segunda-feira (24).

A empreiteira peruana que construirá o centro já foi definida e mantém atualmente negociações com a Rosoboronexport, a agência russa de exportação de armamentos.

“O mercado do Peru é extremamente atrativo para nós. Com o propósito de fortalecer nossas posições no mercado neste país, estamos financiando por iniciativa própria um centro de treinamento para oferecer a nossos parceiros oportunidades de treinar pessoal no território peruano dentro do menor prazo possível”, declarou o vice-presidente-executivo da Russian Helicopters, Ígor Tchetchikov.

A empresa também está disposta a realizar novas entregas de equipamentos de aviação para o Peru, segundo Tchetchikov.

Com a agência de notícias Tass

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Gazeta Russa

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América do Sul América Latina Aviação BINFAE Brasil Defesa Haiti Infantaria da Aeronautica PÉ DE POEIRA Sistemas de Armas

FAB PÉ DE POEIRA: Militares do BINFAE-RF concluem curso de preparação para Missão de Paz

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Os 26 militares de infantaria da Força Aérea Brasileira (FAB) que vão compor o 25º Contingente do Batalhão Brasileiro (BRABATT) da Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) concluíram (20/10) o Estágio Avançado de Operações de Paz (EAOP) em Jaboatão dos Guararapes (PE). Agora, aguardam o embarque para o país caribenho, previsto para o dia 02 de dezembro.

O treinamento teve início no dia 26 de setembro nas dependências do 14º Batalhão de Infantaria Motorizado. Os militares permaneceram aquartelados integrando a 2ª Companhia de Fuzileiros do Brabatt.

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No estágio, coordenado pelo Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), o efetivo participou de diversas simulações de escoltas, “static-point e check-point”, patrulhamento, entre outras situações táticas, tal como ocorre na área de responsabilidade brasileira no Haiti. A tropa foi testada diuturnamente pela direção do exercício em todos os níveis

“Passamos por diversas situações similares as quais deveremos encontrar no Haiti e o Estágio foi muito positivo. Agregou grande experiência doutrinária e tática ao nosso efetivo”, disse o Tenente de Infantaria Vinícius Duarte da Silva Fonseca, Comandante do Pelotão da Força Aérea.

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Esta é a segunda vez que um pelotão composto por militares do Batalhão de Infantaria da Aeronáutica Especial do Recife (BINFAE-RF) “Batalhão Guararapes” integra a MINUSTAH. O BINFAE-RF foi o primeiro pelotão da FAB a integrar uma Força de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU) em 2011.

Fonte: FAB

Edição Pé de Poeira

Leia também:

 FAB PÉ DE POEIRA: Força Aérea Brasileira volta a enviar tropa de Infantaria para o Haiti

FAB PÉ DE POEIRA: Infantaria da Aeronáutica e sua participação na missão de paz da ONU no Haiti.

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Defesa Destaques Estados Unidos Infantry Fighting Vehicles Sistemas de Armas

A American Company AM General apresenta o “Hawkeye Howitzer” 105 mm

Este sistema foi desenvolvido tendo por alvo forças militares de outras nações. Não há exigência de um equipamento deste tipo para o Exército dos EUA.

Tendo por base o Humvee 1152A1, a arma de 105 milímetros está montada sobre uma plataforma circular giratória com capacidade para disparar em 360 ° utilizando uma tecnologia híbrida que proporciona um recuo suave.

O alcance é de 11.500 metros, se for com munição padrão, mas com munição especial/alcance estendido, chega a 16.000 metros. Ele também pode ser usado para fogo direto, com um alcance máximo de 2.000 metros.

Todo o sistema de controle é digital, o que inclui uma câmera digital para o fogo direto, e a movimentação do obus é feita de forma eletrônica.

Com baixo custo para aquisição e operação, é um aparelho ideal para forças militares com baixo orçamento, mas que desejam melhorar seu poder de fogo.

Edição: konner@planobrazil.com

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Conflitos Defesa Destaques Geopolítica Mísseis Sistemas de Armas Ucrânia

Kiev quer recriar o escudo nuclear da Ucrânia

O líder do Partido Radical da Ucrânia, Oleg Liashkó, declarou que a decisão do parlamento ucraniano em manter o país livre de armas nucleares é um grande erro do passado e instou que a Ucrânia precisa recuperar a qualquer custo o seu escudo nuclear.

“25 anos atrás, a Suprema Rada (parlamento ucraniano) aprovou uma declaração sobre a condição não nuclear da Ucrânia. Estou convencido de que isso foi um dos nossos maiores erros no processo de restauração da nossa soberania” – escreveu Liashkó em sua página no Facebook.

O político ucraniano destacou que “as armas nucleares e um poderoso exército seriam hoje as principais garantias da independência” da Ucrânia. Nas suas palavras, atualmente até os próprios signatários do Memorando de Budapeste têm vergonha de mencioná-lo.

“Portanto, devemos reconstruir a todo custo o nosso escudo nuclear. Simplesmente não há outra maneira real para proteger de forma permanente a nossa pátria” – garante Liashkó.

Em 1994, através da assinatura do Memorando de Budapeste, firmado entre Rússia, EUA, Grã-Bretanha e Ucrânia no âmbito do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, Kiev aceitou abdicar de seu importante arsenal nuclear, que havia sido herdado da União Soviética, em troca de garantias de sua integridade territorial por parte das três maiores potências nucleares do planeta.

Foto: © Sputnik/ Anton Denisov – Míssil balístico russo/soviético RSD-10 ‘Pioneer’ – Codinome OTAN SS-20 ‘Saber’ com capacidade nuclear de alcance intermediário.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

 

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Conflitos Defesa Haiti Segurança Pública Sistemas de Armas Vídeo

MINUSTAH: Militares Chilenos reforçam a segurança da capital Haitiana.

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Ghost Especial para o Plano Brasil

O Batalhão Brasileiro de Força de Paz BRABAT foi reforçado, pelo Comando da MINUSTAH, com uma Companhia do Batalhão Chileno (CHIBAT – sigla em inglês), composta, também, por militares de El Salvador e Honduras, caracterizando o esforço conjunto (entre os militares das Forças Armadas brasileiras) e combinado (integrado por militares de outros países).

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A Companhia Chilena de Infantaria Mecanizada “O’Higgins” é composta por 128 homens além de viaturas blindadas Mowag e veículos de apoio. A missão da Companhia Chilena será de garantir a segurança na região de Porto Príncipe, controlando e apoiando as iniciativas para a restauração da estabilidade no país, além de oferecer ajuda humanitária e proteção. 

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A tropa Chilena ficará aquartelada nas instalações do BRABAT na capital Haitiana. O Brasil deslocou cerca de 400 militares do BRABAT para a Região Sudoeste do Haiti desde o dia 5 de outubro, em apoio às ações de ajuda humanitárias coordenadas pela Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH – sigla em francês), e em apoio à Defesa Civil haitiana. Devido a isso o Comando da Minustha decidiu reforçar o patrulhamento na capital Haitiana e em outras cidades.

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25 de Outubro de 1984: Suborno derruba presidente do Parlamento alemão

No dia 25 de Outubro de 1984, Rainer Barzel (CDU) renunciou à presidência do Bundestag (câmara baixa do parlamento alemão), depois da comprovação de ter aceito suborno e envolvimento em doações não declaradas ao partido.

Desde 1964, Rainer Barzel liderava a bancada dos partidos da União Democrata-Cristã e União Social-Cristã (CDU/CSU) no Bundestag (parlamento alemão). Em 1971, assumiu também a presidência da União Democrata-Cristã.

O Escândalo Flick, como ficou conhecido na Alemanha, foi o primeiro caso público de doações ilegais a um partido. O objetivo do empresário Friedrich Karl Flick era evitar que seu conglomerado pagasse altas somas em impostos.

Quando o escândalo foi divulgado, criou-se uma CPI no Bundestag. O caso acabou culminando com processos por sonegação de impostos, a ruína de carreiras políticas e a venda do conglomerado Flick para o Deutsche Bank. Inclusive o ex-chanceler federal Helmut Kohl esteve envolvido.

Transferências bancárias para políticos

O escândalo começou a ser investigado depois de uma denúncia feita em 13 de janeiro de 1975. O comerciante Peter Müllenbach sentia-se traído pelo sócio e por isso o denunciou à Receita. O fiscal Klaus Förster começou uma ampla investigação, que desembocou na revelação do escândalo.

Numa lista do ex-contador de Flick, foram descobertas várias transferências bancárias em favor de políticos. Um dos beneficiados era o então governador da Baviera, Franz Joseph Strauss, que recebeu um total de 925 mil marcos. Em janeiro de 1975, Flick havia vendido ações da Daimler-Benz no valor de mais de 1,9 bilhão de marcos (29% do capital da empresa).

Uma brecha na legislação, entretanto, permitia a isenção de imposto sobre a transação, desde que o dinheiro fosse reinvestido em projetos de incentivo econômico. O então ministro da Economia, Hans Friderichs, e seu sucessor, Otto Lambsdorff, permitiram que o capital fosse reaplicado na compra de ações, sem pagar taxas.

Demissão do Ministro da Economia

Anos mais tarde, uma comissão parlamentar de inquérito descobriu que Eberhard von Brauchitsch, assessor de Flick, pagava propinas regulares a políticos em Bonn. Entre os beneficiados, estavam o então ministro da Economia, Otto Lambsdorff, e seu antecessor, Hans Friederichs. A CPI obrigou-os a pagar altas multas. Lambsdorff renunciou em junho de 1984 e Friederichs perdeu o cargo de porta-voz da presidência do Dresdner Bank.

Brauchitsch, por seu lado, não pôde mais se eleger à presidência da poderosa Confederação da Indústria Alemã (BDI), e Rainer Barzel renunciou em 1984 à presidência do Bundestag, assumida um ano antes. A CPI havia aberto um inquérito contra um escritório de advocacia por suspeitar de um negócio simulado para acobertar o envolvimento entre Flick e Barzel.

Na realidade, até 1980, o escritório havia repassado quase 1,7 milhão de marcos a Barzel como sendo “transações político-econômicas”. Ao mesmo tempo, Flick pagou 1,75 milhão de marcos ao escritório de advocacia, a título de “despesas gerais”.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW

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Sem dinheiro para manter poços, Venezuela vê petróleo virar fumaça

A cidade de Punta da Mata, um decadente polo petrolífero na Venezuela, tem um brilho sinistro à noite, iluminada pelas chamas de dezenas de poços que queimam petróleo e gás preciosos por falta de equipamentos em condições de processá-los.

Todo mês, as colunas de fumaça da cidade ficam maiores, um desperdício flagrante num momento em que a Venezuela, dona das maiores reservas de petróleo do mundo, precisa desesperadamente de dinheiro para importar os alimentos e remédios que escasseiam no país. Os poços estão, literalmente, queimando dinheiro.

Para piorar, para cada barril de petróleo leve queimado em Punta de Mata, a Venezuela precisa gastar dólares importando diluentes para misturar ao petróleo pesado produzido no sul.

“É pura má administração”, diz Carlos Bellorin, analista de petróleo da consultoria IHS Inc., em Londres. “Não há outra explicação racional para o desperdício.”

A má conservação dos campos mais antigos, como os de Punta de Mata, responsáveis pela maior parte da receita da Venezuela, é uma das principais razões por que a produção de petróleo do país está caindo mais rapidamente do que a dos demais grandes produtores de petróleo, com exceção da Nigéria, um país assolado por rebeliões.

A produção de petróleo bruto da Venezuela caiu 11% nos 12 meses encerrados em setembro, para 2,3 milhões de barris por dia, segundo dados do governo, e a consultoria Medley & Associates espera que o recuo se acelere nos próximos 12 meses. A não ser que haja um aumento nos preços do petróleo, a queda na produção vai agravar a já séria crise do país, cuja economia deve contrair mais 10% neste ano.

O governo está com dificuldades para obter os dólares suficientes para importar bens básicos e pagar quase US$ 16 bilhões em dívida externa entre agora e o fim de 2017.

Nos campos de petróleo que pontuam a savana no leste do país, bombas de produção seguem paradas devido à falta de peças, balsas de transporte de petróleo abandonadas enferrujam nas praias e trabalhadores que ganham US$ 9 por semana frequentemente não trabalham todos os turnos.

No total, o número de sondas de petróleo em funcionamento na Venezuela caiu 25% no ano encerrado em setembro, segundo a empresa americana de serviços de petróleo Baker Hugues Inc. Hoje há mais sondas operando em Omã, onde as reservas comprovadas são apenas 1,7% das existentes na Venezuela.

“Eu não acredito que este governo seja capaz de estabilizar a produção mesmo se os preços do petróleo começarem a subir”, diz Luisa Palacios, analista da Medley para a Venezuela.

O presidente socialista Nicolás Maduro atribui a crise econômica do país aos Estados Unidos, que ele acusa de ter orquestrado o colapso dos preços do petróleo para ajudar a economia americana. A queda nos preços do petróleo, de US$ 100 o barril em meados de 2014 para cerca de US$ 50 em junho, corroeu perto de 65% da receita com exportações da Venezuela, prejudicando os investimentos, diz o governo.

A produção global, por outro lado, caiu apenas 0,5% desde o início da queda nos preços, segundo o Fundo Monetário Internacional. Muitos produtores, como a Rússia e o Irã, na verdade, elevaram a produção.

Os trabalhadores do setor em Punta de Mata, que já foi o maior polo produtor de petróleo da Venezuela, culpam as expropriações do governo, a corrupção e a queda dos salários pelo recuo da produção na Venezuela, que vem abalando a PDVSA.

Prestadoras internacionais de serviços de petróleo, como Schlumberger Ltd., Halliburton Co. e Baker Hugues, que já ajudaram a PDVSA a perfurar e iniciar a produção de poços de Punta de Mata, foram quase todas embora, deixando para trás bilhões de dólares em faturas não pagas ou ativos encampados pelo governo.

Depois que as empresas estrangeiras começaram a deter as operações das sondas de perfuração e os trabalhadores especializados foram embora da área de Bacia de Monagas do Norte, que inclui Punta de Mata, a produção de petróleo local caiu 70% em dez anos, a maior retração do país, segundo gerentes da PDVSA.

Afetada pelo aperto financeiro, a PDVSA concluiu ontem uma operação de swap considerada crucial para evitar um default, estendendo a maturidade de quase US$ 3 bilhões em títulos de dívida. Ela originalmente havia oferecido a troca para US$ 5 bilhões em dívida, mas não conseguiu atrair um número suficiente de investidores.

A estatal praticamente já deixou de pagar sua dívida interna. No fim de 2015, a PDVSA devia US$ 19 bilhões a prestadores de serviços, de operadoras de sondas até fornecedores de alimentação para empregados, segundo seu relatório anual mais recente.

Depois de realizar uma baixa contábil de US$ 500 milhões no país, a Schlumberger, maior prestadora de serviços de petróleo do mundo, começou a reduzir suas operações em campos mais antigos em junho. Ela demitiu centenas de funcionários, paralisou algumas sondas e informou que apenas trabalharia para a PDVSA quando recebesse pagamentos antecipados. A partir deste ano, a Halliburton só vai operar com a PDVSA em sociedade com um acionista estrangeiro e quando tiver uma chance maior de ser paga, segundo dois engenheiros da empresa na Venezuela.

A Schlumberger e a Halliburton não quiseram comentar sobre suas operações no país. O presidente da PDVSA, Eulogio del Pino, diz que a empresa está investindo na redução da queima de gases e trabalhando para atrair mais firmas pequenas para assumir os poços mais antigos.

Ele diz que a produção de petróleo e líquidos de gás do país terminará o ano em 2,7 milhões de barris diários, queda de 2% ante a média de 2015.

Na década de 90, Punta de Mata era uma cidade em ascensão fervilhante de profissionais do setor de petróleo. A cidade possuía um campo de golfe, quadras de tênis e um aeroporto nos arredores, com voos diretos para o Caribe nos fins de semana.

Julio Vargas, que era engenheiro de petróleo da Schlumberger, deixou a empresa em abril para ganhar mais dinheiro servindo café em Sydney, disse ele na Austrália, durante uma entrevista por telefone.

“A desmoralização nos campos é absoluta”, disse o engenheiro de exploração Luis Herrera, que recentemente deixou a Halliburton depois que seu salário caiu para US$ 100 por mês.

Para tentar reverter a queda da produção de poços antigos, a PDVSA fechou um contrato de US$ 3,2 bilhões com três empresas em setembro, inclusive a Schlumberger, para perfurar 480 poços no Cinturão de Petróleo do Orinoco. Para garantir o pagamento, as firmas vão receber uma fração de cada barril que a PDVSA vender desses poços.

Bellorin, o analista da IHS, diz que a estratégia não vai elevar muito a receita do país. Os bilhões gastos no Orinoco seriam mais bem aproveitados na manutenção de poços de petróleo leve mais antigos, como o de Punta de Mata, diz.

ANATOLY KURMANAEV

Colaborou María Ramírez, de Puerto Ordaz, Venezuela.

Foto: Miguel Gutierres para THE WALL STREET JOURNAL

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: WSJ

Nos EUA, petrolíferas ‘zumbis’ impedem recuperação

Seus proprietários podem estar quebrados, mas as grandes minas de carvão da Bacia do rio Powder, no Estado americano de Wyoming, continuam produzindo. A mesma história agora se repete em campos de petróleo da costa do Golfo do México e em poços de gás de xisto de outras regiões dos Estados Unidos.

Investidores da indústria petrolífera há muito alimentavam esperanças de que o colapso dos preços do petróleo se resolveria à medida que produtores mais fracos quebrassem, estancando o excesso de oferta. Mas, apesar do aumento do número de pedidos de recuperação judicial do setor nos EUA, o impacto deles nos mercados do combustível é praticamente inexistente.

Cerca de 70 empresas americanas de petróleo e gás iniciaram processos de recuperação judicial em 2015 e 2016. Elas agora produzem o equivalente a cerca de 1 milhão de barris por dia, aproximadamente o mesmo que produziam antes de quebrar, segundo a Wood Mackenzie, firma de pesquisa e consultoria do setor. Isso representa cerca de 5% da produção de petróleo e gás atual do país.

Essa capacidade de resistência tem mantido os estoques em alta e colocado um freio nos preços.

A cotação do barril chegou à faixa de US$ 50 em meados do ano, mas tem tido dificuldade de avançar muito além dessa marca. Ontem, os futuros de petróleo caíram 0,65% em Nova York, fechando em US$ 50,52 o barril.

A teoria de que as recuperações judiciais nivelariam o mercado “era equivocada”, diz Roy Martin, analista de pesquisa da Wood Mackenzie. “E as pessoas começam a se dar conta disso agora.”

O processo de recuperação judicial americano foi projetado justamente para salvar as empresas que têm condições de sobreviver, e muitas firmas do setor de petróleo estão usando os tribunais para aliviar sua pesada carga de dívidas, adaptar-se aos tempos de vacas magras e continuar produzindo.

Peabody Energy Corp., Arch Coal Inc. e Alpha Natural Resources Inc. — três das cinco maiores produtoras de carvão dos EUA — iniciaram processos de recuperação judicial nos últimos 18 meses. Elas responderam por 36% de todo o abastecimento de carvão dos EUA no primeiro semestre de 2015. Este ano, a produção diminuiu apenas em linha com o resto da indústria e a participação das três empresas no primeiro semestre permaneceu inalterada, em quase 33% do total produzido, segundo a consultoria IHS Global Energy. A Arch Coal e a Alpha Natural Resources saíram da recuperação judicial recentemente.

“É frustrante”, diz Adam Wise, diretor-gerente da John Hancock Financial Services, firma de serviços financeiros que ajuda a administrar uma carteira de cerca de US$ 7 bilhões em investimentos ligados a títulos e ações do setor de energia. “Muitas dessas empresas continuam operando como operavam antes da recuperação. Isso definitivamente não ajuda.”

O petróleo atingiu um recorde de baixa este ano e, embora tenha se recuperado um pouco, a faixa de US$ 50 o barril é só a metade do nível de três anos atrás. O excesso de oferta continua golpeando o mercado e forçando analistas a descartar previsões anteriores de que o preço chegaria a US$ 60 ou US$ 70 hoje.

Mesmo contando com reduções recentes, produtores e importadores de petróleo acrescentaram 18 milhões de barris aos estoques dos EUA neste ano, elevando o total ao volume quase recorde de 469 milhões de barris, segundo os dados mais recentes da Agência de Informação sobre Energia dos EUA.

O prolongado declínio dos preços levou muitas empresas à recuperação judicial, mas também forçou cortes substanciais de custos que ajudaram os produtores a manter poços e minas rentáveis.

Desde 2012, a Peabody Energy demitiu 1.650 funcionários e cortou seus gastos anuais de US$ 997 milhões para US$ 111 milhões. Como resultado, três grandes minas na bacia do rio Powder registraram uma margem de lucro de US$ 3,46 por tonelada em 2015, ante US$ 3,45 em 2011. As operações da Peabody na região produzem mais de 100 milhões de toneladas por ano, o suficiente para abastecer 16 milhões de residências com energia, diz a mineradora.

No setor de petróleo, a Midstates Petroleum Co. entrou em recuperação judicial e começou a perfurar um novo poço no dia seguinte. A empresa interrompeu os serviços de algumas sondas de perfuração em antecipação ao processo judicial, mas continuou operando após iniciá-lo. Muitas empresas continuaram a honrar alguns contratos de serviços de sondas e poços, programando a perfuração de poços com meses de antecedência, e ainda precisam produzir receitas para pagar credores.

Outras empresas que passaram pelo processo de recuperação agora estão voltando rapidamente à estabilidade e até ao crescimento. Hálcon Resources Corp., SandRidge Energy, Inc., Goodrich Petroleum Corp. e Penn Virginia Corp. recentemente saíram dos tribunais de concordata, após passar de dois a seis meses em reestruturação. Juntas, elas se livraram, aproximadamente, de US$ 7 bilhões em dívidas.

A Goodrich planeja elevar a produção “drasticamente”, diz seu diretor-presidente, Robert Turnham. A recuperação recente nos preços do gás no país torna a perfuração mais rentável, e a empresa está empregando novas técnicas para economizar dinheiro. Uma mudança no processo de fraturamento hidráulico, ou “fracking”, por exemplo, ajudou a reduzir o tempo de extração em mais da metade, diz Turnham.

Os bancos credores do setor, sem disposição de tomar posse dos ativos utilizados pelas empresas de petróleo como garantia para seus empréstimos, também têm colaborado com as empresas em dificuldades. Durante a recuperação judicial, Halcón, SandRidge, Goodrich e Penn Virginia conseguiram captar um total de US$ 1,3 bilhão em dívida, a maior parte em renovações de linhas de crédito por seus bancos.

JOHN W. MILLER

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: WSJ

 

 

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Países do Reino Unido debatem termos do Brexit em meio a divergências

Os líderes de Escócia, Irlanda do Norte e País de Gales se reuniram com a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, nesta segunda-feira para debater que papel as três nações terão no processo de desfiliação da União Europeia, o chamado Brexit –um tema espinhoso que pode desencadear uma crise constitucional.

May propõe criar um novo comitê para dar aos três governos, que têm graus variados de autonomia em relação a Londres, um canal formal para expressar suas opiniões sobre como o relacionamento futuro do Reino Unido com a UE deve funcionar.

“O país está enfrentando uma negociação de tremenda importância, e é imperativo que essas administrações façam seu papel de forma que isto funcione”, disse May em um comunicado que seu escritório divulgou antes da reunião.

O que está em jogo é a união de três séculos entre a Inglaterra, onde a maioria votou a favor do Brexit, e a Escócia, onde a maioria preferia permanecer no bloco.

A primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, disse nesta segunda-feira que quer uma “participação relevante” na estrutura de tomada de decisões e que cada uma das quatro assembleias do Reino Unido tenha direito a votar o pacote de negociação proposto.

Sturgeon afirmou que seu governo está se preparando para todas as possibilidades, inclusive a independência do Reino Unido, depois que este se separar da UE.

Na Irlanda do Norte, que também votou pela permanência na UE, existem temores de que o Brexit possa minar um acordo de paz de 1998 e reinstaurar uma fronteira problemática com a República da Irlanda.

Especialistas vêm alertando para o risco de uma crise constitucional se May não levar em conta a posição de cada uma das quatro nações do Reino Unido quando conduzir as negociações dos termos do Brexit.

“Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte não podem ser tratados como qualquer outro lobby ou grupo de interesse. Igualmente, esses governos terão que aceitar que Westminster terá a palavra final”, opinou o Instituto para a Governança, um centro de estudos independente, em um relatório.

O novo comitê proposto por May seria presidido pelo ministro do Brexit, David Davis, e incluiria representantes desses três governos. A premiê britânica propõe que ele se reúna no final de novembro e ao menos mais uma vez antes do Natal.

A porta-voz de May disse nesta segunda-feira que o Reino Unido precisa de uma posição única de âmbito nacional para as tratativas do Brexit e que sua chefe espera que os governos de Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte não minem as conversas gerais sobre a desfiliação realizando suas próprias negociações.

Kylie MacLellan

Reportagem adicional de Elisabeth O’Leary)

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Reuters