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Cinco anos sem Muammar al-Gaddafi — E a Líbia é um estado falido, o império do caos

Cinco anos depois que uma multidão enfurecida linchou até a morte o ditador Muammar Kadafi, a guerra e a divisão política dominam a Líbia, que se transformou em bastião dos grupos jihadistas no norte da África e paraíso para as máfias que lucram com o tráfico de pessoas no Mar Mediterrâneo.

Um caos que aumentou ainda mais no último fim de semana depois que milícias leais ao antigo Executivo islamita de Trípoli, tachado de rebelde, atacaram um dos principais complexos da cidade e desafiaram o frágil governo de União Nacional, designado há seis meses pela ONU.

“Sempre sonhamos com a possibilidade de que houvesse uma revolução, pensávamos o tempo todo em como fazê-la, mas Kadafi era muito forte e o país estava muito cansado, portanto nos surpreendemos quando alguém o fez”, explicou à Agência Efe o ex-deputado Nasser Seklani.

“Sim, estávamos felizes em termos nos livrado de Kadafi. Mas, cinco anos depois, começamos a nos perguntar quem fez de verdade a revolução e sentimos que não foi uma revolução líbia, mas uma decisão internacional, e isso nos dá um desgosto tremendo”, acrescentou Seklani.

Antigo oficial do exército de Kadafi e um dos primeiros a aderir à revolta, Seklani é hoje um dos milhares de líbios ricos e formados que poderiam ajudar a reconstruir o país e que, no entanto, o abandonaram para se exilar na Tunísia.

Preso pelo ditador entre 1980 e 1988, este homem de 62 anos acreditou que a revolta abriria um novo caminho e, por isso, reuniu um grupo de amigos e familiares e colocou sua fortuna a serviço de um novo partido, com o qual conseguiu ser eleito deputado nas primeiras eleições livres.

“O que as Nações Unidas estão fazendo agora prova esta teoria. Pois nas reuniões destes dias, o que a ONU tenta é impor essa gente que esteva fora e que os líbios rejeitam porque elas vêm para trabalhar em favor de EUA, Europa, Catar e não do povo”, opinou o antigo militar.

Cinco anos depois que forças internacionais sob comando da ONU ajudaram os rebeldes a derrubar Kadafi, a Líbia é um estado falido, vítima do caos e da guerra civil, no qual dezenas de milícias lutam pelo poder e pelo controle dos recursos naturais.

O país tem na atualidade três governos: dois na capital Trípoli, que competem pela liderança no oeste do país, e outro em Tobruk, que domina as regiões do Leste e controla os principais poços de petróleo.

Dos dois em Trípoli, o primeiro foi formado após um acordo de paz fracassado auspiciado pela ONU e assinado em Dezembro por integrantes do antigo governo da capital e por uma pequena fração do parlamento em Tobruk.

Apesar de contar com pleno apoio das Nações Unidas, EUA e UE, esse governo carece de apoio popular e da legitimidade que deveria ser proporcionada pela Câmara em Tobruk.

Desde que foi formado em Abril, sua única conquista foi forjar uma aliança de milícias, lideradas pela poderosa cidade de Misrata, para tentar expulsar o braço líbio do grupo jihadista Estado Islâmico da cidade de Sirte, que os extremistas controlam desde Fevereiro de 2015.

O segundo governo da capital é conhecido como Congresso Nacional Geral (CNG), uma entidade de ideologia islamita que governou o país durante os primeiros anos, mas que não reconheceu o resultado do pleito realizado em 2014.

Os integrantes do CNG atacaram edifícios oficiais no último fim de semana e ordenaram a saída do governo de unidade, ao qual acusaram de ser responsável por aumentar a crise política e de ser incapaz de melhorar as condições de vida da população, que sofre constantes e longas interrupções no fornecimento de energia elétrica.

Já no Leste, o homem forte é o marechal Khalifa Hafter, um antigo integrante da cúpula da ditadura de Kadafi que foi recrutado na década de 1980 pela CIA, a agência de inteligência dos EUA, e se transformou no principal opositor no exílio, que agora se opõe aos dois governos em Trípoli.

Hafter, com quem a ONU agora tenta contato para incluí-lo nos planos de paz após evitá-lo por meses, participa dos combates em Benghazi e advertiu que não vai parar até chegar à capital.

Os grupos jihadistas também estão tirando proveito do conflito e se estenderam por todo o país, assim como as máfias de tráfico de pessoas, que fizeram da Líbia sua melhor plataforma de lançamento para a imigração ilegal no Mar Mediterrâneo.

De acordo com diversos órgãos internacionais, mais de 15 mil pessoas morreram em frente ao litoral da Líbia desde 2015 tentando emigrar para a Europa.

Mohamad Abdel Qadeer/Javier Martín

EFE

Edição: konner@planobrazil.com

 Fonte: YAHOO

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Defesa Destaques Estados Unidos História Infantry Fighting Vehicles Opinião Sistemas de Armas Tecnologia Vídeo

M1 Abrams – O “cavalo de batalha” do Exército dos EUA

Fonte: Hoje no Mundo Militar – O Mundo Militar é um canal (You Tube) exclusivamente voltado para temas atuais do mundo militar.

Edição: konner@planobrazil.com

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Brasil Destaques Opinião

[ Brasil ] Eduardo Cunha: A delação das delações, se resolver falar, derruba o governo

Se resolver falar, ex-deputado pode atingir pessoas ligadas ao presidente da República e o próprio Michel Temer. “Cunha é a delação das delações, ele pode derrubar o governo”, afirma deputado oposicionista.

A Operação Lava Jato, que há meses vinha se aproximando da cúpula do PMDB e provocando arranhões no governo, colocou nesta quarta-feira (19/10) um membro do alto escalão do partido na prisão: o ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. Pouco depois da detenção, a pergunta que mais se ouvia no meio político era: Cunha vai seguir o exemplo de outros presos e delatar para aliviar a pena?

O ex-deputado foi o articulador original do processo de impeachment contra a ex-presidente Dilma Rousseff e usou sua influência para convencer os colegas a votar contra a petista. Agora, sua capacidade de “influência” está em contar o que sabe. Motivos para isso ele tem.

“O Ministério Público já parece ter reunido elementos suficientes para garantir uma primeira condenação. A única possibilidade que ele tem de abrandar a pena é falar”, afirma o cientista político Ricardo Ismael, da PUC-Rio. “Isso é mais um sinal que a instabilidade não deve dar trégua para Michel Temer. Existe uma inquietação em Brasília.”

Ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha

A prisão ocorreu num momento delicado para o governo do presidente Michel Temer, que se esforça para aprovar seu pacote de reformas. Oposicionistas declararam rapidamente que enxergam Cunha como uma potencial bomba a ser lançada contra Temer. “Cunha é a delação das delações, ele sem dúvida pode derrubar o governo Temer”, disse o deputado oposicionista Ivan Valente (PSol-SP). “Ele sabe tudo sobre o PMDB.”

“O Michel é Eduardo Cunha”

Antes mesmo da prisão, Cunha já vinha emitindo sinais sobre seu potencial para enfraquecer o governo. Dias após a sua cassação, fez insinuações contra o secretário do Programa de Parcerias e Investimentos, Moreira Franco, um dos homens fortes de Temer e considerado o cérebro do seu programa de reformas.

O ex-deputado disse que Moreira estava envolvido em irregularidades no Fundo de Investimento do FGTS, que financia obras de infraestrutura no país. “Na hora em que as investigações avançarem, vai ficar muito difícil a permanência do Moreira”, disse Cunha, que cultiva uma mágoa por Franco, a quem responsabiliza em parte pela sua cassação.

Mas Cunha parece não ter munição só contra pessoas do círculo do presidente. Ao longo de uma década, ele assumiu o papel de arrecadador informal de doações para o PMDB, ajudando também a angariar verbas para a campanha de Temer à vice-Presidência da República em 2014. Já Temer, na sua condição de presidente do PMDB desde 2001, também dividiu responsabilidades com a tesouraria do partido, dando seu aval para as doações.

Caso uma eventual delação de Cunha revele que elas tiveram origem ilícita, Temer pode ser diretamente envolvido. O vice ainda enfrenta uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que investiga irregularidades nas contas da sua chapa com Dilma em 2014. Aliados de Temer tentam separar as contas de Dilma e do presidente, com o objetivo de poupar o peemedebista. O plano pode ir por água abaixo se forem lançadas novas suspeitas.

Temer mantém oficialmente distância em relação ao ex-deputado, mas cultivava uma relação amistosa antes do início da crise política. Em uma gravação, o ex-ministro Romero Jucá, um aliado de Temer, explicitou a proximidade. “O Michel é Eduardo Cunha”, disse. Além do presidente, Cunha é próximo de dezenas de deputados, a quem ajudava a arrecadar doações. Se resolver denunciar seu ex-colegas, pode renovar mais uma vez a instabilidade da base governista, que assolou o governo Dilma.

Cunha nega delação, mas costuma mudar de ideia

Logo após a prisão, o advogado de Cunha afirmou que a “delação não está no nosso radar”. O próprio Cunha afirmou repetidamente que não pretende seguir esse caminho. “Só faz delação quem é criminoso. Eu não sou criminoso”, disse em setembro. Só que o histórico demonstra que ele costuma mudar de ideia quando confrontado. Em abril de 2015, afirmou que era contra o impeachment. Meses depois, quando deputados petistas resolveram apoiar sua cassação, resolveu aceitar o pedido. Em junho deste ano, negou diversas vezes que renunciaria à Presidência da Câmara. Duas semanas depois, renunciou.

Antes de Cunha, outros políticos presos optaram pela delação. O mais conhecido é o ex-senador Delcídio do Amaral (ex-PT, hoje sem partido). Preso em novembro de 2015, seu acordo foi homologado menos de quatro meses depois. A divulgação deu impulso para o avanço do processo de impeachment de Dilma.

Não há previsão de que uma eventual delação de Cunha caminhe tão rapidamente. Nos bastidores, procuradores da Lava Jato consideram que, por causa de seu papel de liderança em esquemas de corrupção, Cunha terá entregar um grande volume de informações novas e provas consistentes – e também não deve escapar de cumprir pena.

A Lava Jato já travou outras negociações duras com atores tão centrais como o ex-deputado. A delação dos executivos da Odebrecht, por exemplo, arrasta-se desde o ano passado. Para Cristiano Maronna, vice-presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, os procuradores contam com um fator a mais para pressionar Cunha. “A mulher e filha também estão sofrendo problemas com a Justiça. Isso pode ser um incentivo para que ele fale”, afirmou.

Foto: Ex-deputado Eduardo Cunha é escoltado para o avião que o levaria para Curitiba.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW

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Destaques Estados Unidos Geopolítica Rússia Síria

Hillary propõe zona de exclusão aérea ‘negociada’ na Síria

A candidata democrata à presidência dos Estados Unidos, Hillary Clinton, repetiu nesta quarta-feira a proposta de criar uma zona de exclusão aérea na Síria, mas disse que a mesma deveria ser negociada, e não imposta.

Clinton disse que a negociação é necessária, ao reconhecer as “legítimas preocupações” de provocar um conflito com o regime sírio ou com sua aliada Rússia, que têm avançados sistemas de armas.

“Penso que uma zona de exclusão aérea salvaria vidas e aceleraria o fim do conflito”, disse a democrata no terceiro debate presidencial com o rival republicano Donald Trump, em Las Vegas.

“Isto exigiria muita negociação e também deixaria claro aos sírios e aos russos que nosso propósito é propiciar zonas seguras no terreno”, disse.

Moscou deu poucos sinais de aceitar voluntariamente deixar em terra seus aviões ou os do regime sírio, o que provoca dúvidas sobre como Hillary poderia alcançar seu objetivo.

O presidente Barack Obama e os comandantes militares americanos rejeitaram o papel de polícia no espaço aéreo da Síria, mas aqueles que apoiam a ideia afirmam que a medida deteria os bombardeios indiscriminados de civis em Aleppo e outras cidades.

Para impor uma zona de exclusão aérea como a aplicada nas regiões norte e sul do Iraque após a primeira Guerra do Golfo seria necessário neutralizar os sistemas de defesa aérea da Síria.

Trump disse que o presidente sírio Bashar al-Assad era “mais rude e mais inteligente que ela e Obama”.

“Todos pensavam que ele sairia há dois anos, há três anos. Ele agora se alinhou com a Rússia. Ele agora se alinhou com o Irã, a quem tornamos muito poderosos”, disse o candidato republicano.

Repetindo a posição de Moscou, Trump criticou Clinton e Obama por pedir a Assad que deixe o poder.

Foto: Hillary discursa no último debate presidencial, em Las Vegas / EUA

AFP

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: YAHOO

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China Destaques Estados Unidos Geopolítica

Presidente filipino anuncia em Pequim ‘separação’ dos EUA

O presidente filipino, Rodrigo Duterte, anunciou nesta quinta-feira em Pequim sua “separação” dos Estados Unidos, tradicional aliado de Manila, confirmando uma guinada diplomática em direção à China.

Duterte, acompanhado por uma delegação de 400 pessoas, está em Pequim para uma visita de Estado de quatro dias.

A viagem representa uma retomada das relações entre China e Filipinas, que nos últimos anos esfriaram por conta da disputa pela soberania de algumas ilhas no Mar da China Meridional.

“Anuncio minha separação dos Estados Unidos”, afirmou Duterte em um fórum econômico, poucas horas depois de uma reunião com o presidente chinês Xi Jinping, declaração recebida com aplausos.

Ao falar sobre a divergência territorial com a China, Duterte comentou que deseja “adiar (o assunto) para outra vez”, com o objetivo de priorizar a cooperação econômica. O filipino disse a um canal de TV chinês que busca a “ajuda” do gigante asiático neste setor.

A China comemorou a posição. O presidente Xi Jinping recebeu Duterte em um ambiente solene no Palácio do Povo, na Praça Tiananmen (Paz Celestial).

Duterte chamou o encontro com Xi Jinping como “histórico”.

“Vai melhorar e desenvolver as relações entre os dois países”, disse.

Criticado por Estados Unidos, União Europeia (UE) e ONU por sua campanha de combate ao crime, que provocou mais de 3.700 mortes, segundo uma contagem oficial, Duterte tem o apoio da China para esta política.

“Pequim apoia o novo governo filipino em sua luta para proibir as drogas, contra o terrorismo e a criminalidade, e está disposta a cooperar neste tema com Manila”, afirmou o ministério das Relações Exteriores

Na quarta-feira, Rodrigo Duterte afirmou em um discurso para a comunidade filipina em Pequim que seu país, colônia americana até 1946, teve poucos benefícios em sua aliança com os Estados Unidos.

“Vocês ficaram em meu país por interesse próprio. Chegou a hora de dizer adues, amigo”, afirmou em referência a Washington.

“Não irei mais aos Estados Unidos. Seria apenas insultado”, completou Duterte.

Em reação à informação, os Estados Unidos afirmaram que não receberam qualquer pedido do governo de Manila a fim de modificar seu status de cooperação.

“Não recebemos ainda um pedido pelos canais oficiais que vise a modificar nossa assistência ou nossa cooperação com as Filipinas”, indicou à AFP um alto funcionário americano, que não quis ser identificado.

Duterte tem intensificado suas atitudes hostis para com os Estados Unidos.

No início do mês, desafiou a agência de inteligência americana, a CIA, a tentar derrubá-lo e prometeu mais mortes em sua campanha contra o tráfico de drogas.

Em um discurso exaltado, Duterte insistiu na teoria que seus oponentes, locais e estrangeiros querem expulsá-lo do poder para acabar com a violência de que é acusado.

Disse que não se deixará intimidar e que sua campanha contra as drogas, na qual uma média de 33 pessoas são assassinadas por dia, não vai ser interrompida.

“Querem me derrubar? Querem usar a CIA? Vão em frente”, declarou Duterte, que já acusou a CIA de conspirar para matá-lo.

Desde sua posse, no final de junho, Duterte multiplicou seus insultos contra os Estados Unidos.

“Não gosto dos americanos”, afirmou Duterte no domingo. “Eles me repreendem publicamente, por isso digo a eles: ‘vão se f*..”, afirmou, já acenando com a possibilidade da diplomacia filipina se voltar para Pequim e Moscou.

Uma pesquisa publicada este mês aponta que os filipinos aprovam de forma quase unânime os cem primeiros dias de governo Duterte.

Os grupos de defesa dos direitos humanos denunciam que os assassinatos extrajudiciais estão fora de controle e atinge tanto traficantes quanto drogados.

Duterte insiste que a polícia só mata em defesa própria e que os assassinatos são ajustes de contas entre bandidos.

Ludovic EHRET

Foto: Rodrigo Duterte discursa em Pequim / China

AFP

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: YAHOO

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Conflitos e Historia Militar Destaques História Navios

Mistério da Primeira Guerra Mundial perto de ser desvendado

Engenheiros dizem ter descoberto o lendário submarino alemão que, segundo seu comandante, teria sido atacado por um monstro marinho enquanto navegava na costa escocesa em 1918.

Engenheiros de cabos náuticos podem, por acaso, ajudar a solucionar um dos maiores mistérios da Primeira Guerra Mundial: o intrigante afundamento de um submarino alemão por um barco patrulha britânico, na costa da Escócia, em 1918.

O submarino foi achado, como anunciado nesta quarta-feira (19/10), pelos engenheiros náuticos que trabalham em um projeto para fazer uma ligação de cabos de energia entre Escócia e Inglaterra. 

As imagens sonares mostram uma embarcação surpreendentemente preservada, quase cem anos depois de ter sido afundada.

“Esses destroços são do famoso UB-85 ou de seu ‘submarino irmão’ UB-82”, afirma Innes McCartney, um arqueólogo náutico da Universidade de Bournemouth.

O UB-85, que supostamente teria sido atacado por um monstro marinho enquanto navegava, era um dos 375 submarinos alemães que navegaram na Primeira Guerra Mundial. Sabe-se que ao menos 12 embarcações britânicas e alemãs afundaram na região.

O submarino UB-85, que navegava na superfície do mar em 30 de Abril de 1918, foi afundado pelo barco patrulha britânico HMS Coreopsis.

Para a surpresa dos britânicos, não houve a necessidade de trocar tiros, já que a tripulação alemã simplesmente se rendeu. Mas por que o submarino estaria na superfície do mar em plena luz do dia?

Após a rendição, o comandante Günther Krech teria dito aos britânicos que um monstro misterioso havia danificado a sua embarcação de forma tão severa que ela não tinha mais condições de submergir e, por isso, havia se tornado uma presa fácil.

Ele contou a história de como o submarino estava recarregando suas baterias à noite quando “um monstro estranho emergiu do mar com grandes olhos, situados em um tipo de crânio pontiagudo, com uma cabeça pequena e dentes que brilhavam ao luar”.

Krech, diz a lenda, explicou que a tripulação chegou a lutar contra o monstro marinho, mas que ele era tão grande que fez o submarino inclinar para estibordo, até desaparecer. Mas o dano à embarcação já tinha sido feito.

“Nós estamos certamente próximos de resolver o chamado mistério do UB-85 e a razão de seu afundamento – por falha mecânica comum ou algo que é menos fácil de ser explicado”, conta McCartney.

Mas talvez uma grande criatura do mar pode realmente ter destruído o submarino. Gary Campbell, responsável pelos Registros Oficiais de Observação do Monstro do Lago Ness, diz que a história contada pelo comandante alemão pode ser verdade.

“A área onde o ataque ocorreu tem uma história de observações de monstros do mar”, afirma.

Se foi ataque de um monstro marinho ou não, “as imagens que obtivemos dos escâneres submarinos são incrivelmente detalhadas”, conta Peter Roper, da companhia ScottishPower.

E, além disso, há ainda uma fascinante história por trás da embarcação. “Eu estou provavelmente no lado dos historiadores que acreditam que a simples captura da embarcação é mais fácil de ser explicada do que um ataque por um monstro do mar”, afirma Roper. “‘Uma criatura marinha atacou meu submarino’ pode ser uma das desculpas mais fantasiosas de todos os tempos.”

Foto: 1°- Submarino alemão SMS U-Boat-74, 1918 – Meramente ilustariva

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW

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Conflitos Estados Unidos Geopolítica Síria

Caças da Turquia atacam milícia curda apoiada por EUA na Síria

Caças da Turquia alvejaram um grupo de milicianos liderados por curdos e apoiados pelos Estados Unidos no norte da Síria com mais de 20 ataques aéreos de quarta para quinta-feira, enfatizando as pautas conflitantes dos dois aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em um campo de batalha cada vez mais complexo.

Os caças visaram posições das Forças Democráticas da Síria (SDF), que têm liderança curda, em três vilarejos no nordeste da cidade de Aleppo, que as SDF capturaram do Estado Islâmico, informou na quarta-feira o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.

Os militares turcos confirmaram que seus aviões de guerra realizaram 26 ataques aéreos em áreas tomadas recentemente pela milícia curda Unidades de Proteção Popular (YPG, na sigla em curdo), a força mais potente das SDF, e que mataram entre 160 e 200 combatentes.

O Observatório, grupo de monitoramento sediado no Reino Unido, relatou um saldo muito menor de 11 mortos e dezenas de feridos. Autoridades da administração liderada por curdos que controla a maior parte do nordeste sírio disseram que dezenas de pessoas foram mortas.

Os EUA vêm apoiando as forças encabeçadas pelos curdos em sua luta contra o Estado Islâmico, o que enfurece Ancara, que vê o YPG como uma extensão dos militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo), que mantêm uma insurgência de três décadas no sudeste da Turquia.

Ece Toksabay / Angus McDowall

Foto: Meramente ilustrativa

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Reuters

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América do Sul América Latina Brasil Defesa Sistemas de Armas Vídeo

Welcome To The Jungle: Quinze países participam do Estágio Internacional de Operações na Selva

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Manaus (AM) – O Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) realizou, entre os dias 19 de setembro e 14 de outubro, o Primeiro Estágio Internacional de Operações na Selva (EIOS), que contou com 21 militares de 15 nações amigas.

Participaram militares dos seguintes países: Alemanha, Bolívia, Canadá, China, Espanha, Estados Unidos da América (EUA), Guiana, Índia, Japão, Nigéria, Polônia, Portugal, Reino Unido, Sri Lanka e Vietnã. A maioria desses militares possuem experiências recentes em conflitos, como no Afeganistão e no Iraque, e reconhecem a referência internacional do CIGS em formar combatentes de selva.

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Foram quatro semanas de intensas atividades, divididas em três fases: a primeira com técnicas de vida na selva, a segunda com técnicas especiais e, finalizando, duas semanas de operações. As atividades ocorreram nas bases de instrução do CIGS, localizadas em áreas de selva, no interior da Floresta Amazônica.

Os estagiários enfrentaram dificuldades impostas pelo treinamento, pelas poucas horas de sono e pelas condições climáticas extremas, de grande calor e umidade, sendo que o sol forte foi uma das maiores dificuldades, principalmente aos militares provenientes de regiões de climas frio.

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Na primeira fase, os estagiários tiveram instruções de como sobreviver na selva. Aprenderam a obter alimentos de origem animal e vegetal e técnicas de caça e de armadilhas; receberam instruções de orientação utilizando bússola para o deslocamento no interior da selva, de rastreamento de homens e animais; foram ensinados a construir abrigos com materiais da selva e a obter água e fogo; além disso, também tiveram instruções de primeiros-socorros.

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A segunda fase, de técnicas especiais, os destaques foram os módulos de tiro, utilizando o novo armamento de fabricação Brasileira, o IA 2. Os estagiários tiveram a oportunidade de utilizar o armamento nas diversas instruções de tiro. Realizaram desde tiros parado, até em progressão de ataque e de defesa, em formações de combate, tiros dentro da selva, tiros de esclarecedor e tiros de emboscada.

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Tiveram, ainda, instruções aeromóveis, realizando rapel, helocasting, saltando da aeronave Black Hawk nas águas do Rio Puraquequara, e fast hope, simulando uma decida rápida numa clareira de selva. Na parte de lutas, aprenderam Krav Magá, técnica israelense de defesa pessoal e combate corpo a corpo. Ainda na segunda fase, tiveram instruções de infiltração aquática noturna, utilizando o método da espinha de peixe, e natação com jangadas durante o dia. A fase foi completada com instruções de deslocamento no interior da selva, com o uso de búfalos para o carregamento de suprimentos, armamentos e munições.

Na fase de operações, os militares colocaram em prática os ensinamentos que aprenderam nas demais fases e completaram a formação nas atividades de planejamentos para o cumprimento de missões. Realizaram missões de emboscadas, de neutralização com emprego de meios fluviais e técnicas de infiltração por fast hope e patrulhas de longo alcance, finalizando o ataque em localidade e a exfiltração através de selva com distâncias de evasão de até 12 km.

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Para fechar o EIOS, ocorreu, no dia 14 de outubro a formatura de encerramento, com a entrega de diplomas aos concludentes e de brindes aos destaques. O momento marcante da cerimônia foi quando o estagiário Robert Illinc, Capitão do Reino Unido, proferiu, pela primeira vez no CIGS, a Oração do Guerreiro de Selva no idioma inglês.

Na ocasião da entrega dos brindes, o Sargento de Infantaria Gabriel Daniel Dugas, do Canadá, foi escolhido como destaque-geral e o Segundo Sargento de Artilharia Michael Gene Johnson, dos EUA, como melhor companheiro. “Foi muito difícil, mas aprendi muito. A equipe de instrutores é muito profissional e não fazia distinção entre postos e graduações, éramos todos alunos, sem distinção”, elogiou Dugas.

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No final da formatura e para marcar o término do Estágio, os militares se posicionaram diante das Bandeiras de seus países e foi realizado o arriamento de todas elas, cabendo ao Coronel R1 Nilton Corrêa Lampert, 11º Comandante do CIGS, a honra do arriamento da Bandeira do Brasil. A solenidade de encerramento também celebrou os 50 anos de formação dos primeiros guerreiros de selva, que foram representados pelo Cel Lampert.

Participaram da cerimônia de encerramento em local de destaque o Cônsul da Polônia, José Moura Teixeira Lopes; o Comandante Interino da Universidade da Força Aérea e Comandante da Escola de Comando e Estado Maior da Força Aérea, Brigadeiro do Ar Arnaldo Augusto do Amaral Neto; o Comandante do 2º Grupamento de Engenharia, General de Brigada Paulo Roberto VianaRabelo; o Coronel Edmundo Palaia Neto, 21º Comandante do CIGS.

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Interação doutrinária entre os participantes

O EIOS possibilitou a troca de conhecimentos doutrinários e de técnicas, táticas e procedimentos empregados em ambiente de selva. Cada nação amiga teve a oportunidade de passar seus conhecimentos e de aprender novos métodos utilizados pela Doutrina Militar Terrestre Brasileira.

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De acordo com o Tenente-Coronel Amorim, Chefe da Divisão de Doutrina e Pesquisa, a interação foi importante não só para o CIGS, mas para o Exército Brasileiro como um todo, pois tivemos a oportunidade de trocar experiências distintas entre os Exércitos, travar contato com doutrinas de toda a parte do mundo, uma vez que havia países de todos os continentes, e observar novas técnicas, táticas e procedimentos utilizados nos combates atuais e em outras Escolas de Guerra na Selva, como a dos EUA, do Reino Unido e da Índia.

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Para o estagiário da Alemanha, Capitão Ferdinand Koch, a interação foi importante para conhecer um pouco das atividades militares de outros países, uma vez que ele nunca havia participado de um exercício militar com tantos países juntos.

O objetivo dessa atividade foi plenamente alcançado não só por promover a troca de ensinamentos e experiências, mas pela integração e obtenção de lições aprendidas, possibilitando a contínua inovação doutrinária da Força Terrestre brasileira.

Fotos: Cap Luís Gustavo e Sd Couchman

Fonte: EB

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Rússia apresenta novo veículo blindado de última geração Medved, “Urso” em russo

Rússia apresenta novo veículo blindado de última geração Medved (urso, em russo), cujas características fazem jus ao nome. Embora seu uso ainda não seja indicado para atuação plena em combate, veículo poderá ser empregado em operações antiterroristas.

As proporções do equipamento, com quase 6 metros de comprimento e 2,5 metros de largura – quase três vezes a de um automóvel de passageiros comum –, atraíam de longe a atenção dos visitantes do Fórum Ármia-2016, em meados de setembro.

No entanto, apesar do tamanho avantajado, sua massa é comparável ao peso de um tanque leve e chega a 12 toneladas.

Em termos de capacidade, o Medved pode transportar, além do motorista, até 8 pessoas equipadas para combate e protegidas por uma blindagem especialmente resistente.

Blindagem e versatilidade

Os designers do Medved dedicaram especial atenção à blindagem, que incorpora soluções modernas: um pequeno volume de ar é conservado entre duas camadas de metal e, graças a isso, reduz a força destrutiva das balas capazes de perfurar a blindagem.

Assim, o Medved é um dos tipos de blindados de transporte mais protegidos contra balas – durante os testes, até os vidros e as ranhuras das portas foram integralmente preservados.

O armamento do veículo, que não é fixo, também faz dele um blindado praticamente universal. Dependendo da situação, diferentes tipos de armas podem ser montadas em sua plataforma móvel, desde metralhadoras de diferentes calibres até mísseis guiados antitanque.

Lições de guerra

A necessidade de criar uma nova geração de veículos blindados tornou-se evidente após os resultados de diversos combates, especialmente no Cáucaso do Norte. Os veículos blindados antigos eram facilmente danificados por minas e possuíam um armamento muito fraco.

A experiência malsucedida do uso de tanques durante confronto em Grózni, capital da Tchetchênia, em 1994, foi um dos principais fatores para o surgimento do novo blindado.

Durante o desenvolvimento do projeto, foi dada atenção especial à necessidade de proteção contra minas. O formato especial da parte inferior do veículo, sua grande distância em relação ao chão e a blindagem adicional permitem agora que resista a explosões potentes.

Nos testes realizados no polígono do Ministério da Defesa, por exemplo, uma mina terrestre com carga explosiva de 7 kg de TNT foi detonada sob as rodas do veículo. Sua estrutura não só resistiu, como foi capaz de garantir a sobrevivência da tripulação que poderia conter.

Além do mais, o Medved é equipado com dispositivos especiais que possibilitam desativar artefatos explosivos controlados por rádio, assim como um sistema de cortina de fumaça, fornecendo proteção a todos os veículos de transporte a seu redor.

Perspectivas de uso

Apesar das inovações, a blindagem do Medved ainda não é suficientemente resistente para participar de ações plenas de combate. A proteção contra minas e balas que perfuram a blindagem não garante, porém, o abrigo contra um tiro direto de um lançador de granadas.

Para eliminar essa deficiência, segundo os projetistas, seria indispensável uma blindagem adicional. É justamente nisso que atualmente está trabalhando a equipe da fábrica de veículos de Arzamas, responsável pela fabricação desses veículos.

No entanto, o que potencialmente poderia se tornar um obstáculo para o uso dos blindados Medved no campo de batalha, não impede sua utilização em outras esferas.

O Ministério do Interior e a recém-criada Guarda Nacional (Rosgvardia) já manifestaram desejo de incorporar o novo veículo blindado, inclusive para uso em operações antiterroristas.

Além disso, durante a mostra recente, delegações das pasta de defesa de alguns países, incluindo Argentina e Níger, também revelaram interesse de importá-lo.

ALEKSANDR VERCHÍNIN

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Gazeta Russa

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BRICS preparam modelo de avaliação para agência de rating própria

Depois de estabelecer o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) do BRICS, os países do grupo já acordaram sobre a criação de uma agência de classificação de risco para, segundo os proponentes, desafiar a hegemonia ocidental no mundo das finanças.

“Congratulamos os especialistas que analisam a possibilidade de criar uma agência de rating independente do BRICS baseada em princípios orientados para o mercado, a fim de reforçar ainda mais a arquitetura da governança global”, lê-se na declaração conjunta emitida após a 8ª cúpula de líderes do BRICS, em Goa.

“Acreditamos que a criação de instituições do BRICS seja fundamental para nossa visão compartilhada de transformar a arquitetura financeira global baseando-se nos princípios de justiça e equidade”, diz o comunicado.

As negociações referentes à criação do órgão tiveram início em 2015, durante a cúpula do grupo em Ufá, na Rússia. Na época, porém, os líderes não definiram um roteiro.

Para os observadores, ao incluir a cláusula relativa à agência de classificação na Declaração de Goa, as cinco nações teriam, enfim, sinalizado o início do processo real para criação da estrutura, embora a China expresse receio sobre sua credibilidade.

No entanto, ainda não está claro quem assumirá o papel de liderança na criação da nova agência. Apesar de a proposta ter sido incluída na declaração final de Goa, o memorando de cooperação para instituir a agência não foi oficialmente assinado.

Segundo especialistas financeiros dos países do BRICS, o estabelecimento da nova estrutura não é uma tarefa fácil e pode levar não só anos, como até mesmo décadas.

“Harmonizar a regulamentação é um desafio, pode levar dez anos ou até mais”, diz Aleksêi Ketchko, CEO do Sberbank na Índia. “Encontrar o modelo de negócios e a metodologia também são grandes questões.”

Países do grupo BRICS

Contra o trio poderoso

Em discurso no fórum financeiro do BRICS em Goa, o presidente do NBD, K.V. Kamath, apoiou a ideia criar uma agência independente.

Segundo Kamath, as metodologias utilizadas pelas agências de rating globais restringem o crescimento em países emergentes e afetam, inclusive, a classificação de bancos multilaterais, como o NDB.

Especialistas em finanças e autoridades de países em desenvolvimento destacam com frequência que a metodologia utilizada pelas três principais agências globais – Standard & Poor, Moody’s e Fitch –, que hoje têm participação de mais de 90% na área de classificação de risco, apresenta falhas inerentes.

Além de evidenciar o padrão duplo usado por esses órgãos, os países os culpam pelo alto custo de empréstimos. Em geral, as nações emergentes apresentam indicadores macroeconômicos fracos e classificação inferior a seus correspondentes ocidentais.

Para além dos BRICS

Os especialistas concordam que os países precisam deliberar sobre o modelo de avaliação da agência para assegurar a sua transparência.

Considerando às críticas em relação às agências de classificação de risco de crédito existentes, a credibilidade da futura estrutura do BRICS dependerá de parâmetros mais elevados para regulação e governança em nível de diretoria.

Para tanto, os economistas acreditam que os países deverão garantir não só a transparência nos negócios e na governança, mas autorizar que analistas independentes e profissionais da indústria financeira dos cinco membros gerenciem o órgão e assegurem que seus produtos e serviços não sejam distorcidos.

Segundo Anatóli Valetov, vice-chefe da secretaria de Moscou para Relações Econômicas Internacionais, a agência de classificação de crédito irá, assim, somar-se ao processo de institucionalização do grupo de emergentes.

“Essa discussão não deve ser limitada apenas aos países do BRICS, mas deve incluir todos os países em desenvolvimento que não estão satisfeitos com o viés de agências globais de classificação de risco”, diz.

Analistas ressaltam que a estrutura do BRICS poderá, eventualmente, tornar-se um instrumento de avaliação não só para os membros do grupo, mas para todos os mercados do Sudeste Asiático, América do Sul e África.

ALEKSANDRA KATS

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Gazeta Russa

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Conflitos Destaques Geopolítica Rússia Síria Ucrânia

Alemanha, França, Rússia e Ucrânia estabelecem próximos passos para o avanço do processo de paz no leste ucraniano

Após cinco horas reunidos, líderes da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia estabelecem próximos passos para o avanço do processo de paz no leste ucraniano. Porém, conversa com Putin sobre Síria foi difícil, diz Merkel.

Depois de quase cinco horas de reunião, em Berlim, os líderes da Alemanha, França, Rússia e Ucrânia chegaram nesta quarta-feira (19/10) a um acordo sobre um novo roteiro para o processo de paz no leste ucraniano.

“Não houve milagres, mas concordamos sobre trabalhar num roteiro para avançar as negociações de paz”, ressaltou a chanceler federal alemã, Angela Merkel, numa coletiva de imprensa ao lado do presidente francês, François Hollande, após o fim da reunião.

Hollande destacou que o roteiro terá como base o acordo de Minsk, firmado em 2015 com a intermediação da Alemanha e França, que contribuiu para amenizar os conflitos entre os separatistas pró-Rússia e as tropas do governo no leste da Ucrânia.

Entre as propostas previstas no novo roteiro para a paz, estão a criação de zonas de desmobilização em ambos os lados e medidas para melhorar a situação humanitária na região.

Segundo o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, afirmou à agência de notícias russa Tass, o roteiro prevê ainda uma missão policial que deverá ser enviada para a região de Donbass. Detalhes sobre a operação serão acertados com a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que monitora o conflito no leste da Ucrânia.

O documento será preparado pelos ministros do Exterior da Rússia, Ucrânia, França e Alemanha, e deverá ficar pronto até o final de novembro.

Apesar do acordo de Minsk, os combates ainda prosseguem na Ucrânia, minando os esforços para viabilizar uma solução política para o impasse na região. O novo roteiro pode avançar as negociações para uma solução do conflito.

A Rússia, que anexou a península da Crimeia em 2014, apoia a insurgência dos separatistas no leste ucraniano, que já causou quase 10 mil mortes. Moscou nega, porém, acusações de que teria enviado tropas e armamentos para o país vizinho para reforçar os rebeldes.

Tema delicado

O conflito na Síria também entrou na pauta da primeira visita do presidente russo, Vladimir Putin, à Alemanha desde 2013. Depois que Poroshenko deixou o encontro às 23h15 (horário local), Merkel, Holande e Putin continuaram reunidos por quase duas horas.

Merkel afirmou que a conversa sobre a Síria foi difícil, mas clara. A chanceler federal condenou os bombardeios no país e afirmou que os ataques são “acontecimentos bárbaros” para a população.

“O que está acontecendo em Aleppo é um crime de guerra. Uma das nossas primeiras exigências é o fim dos bombardeios realizados pelo regime e pela Rússia”, acrescentou Hollande.

Durante as negociações, Putin afirmou que a Rússia está disposta a prorrogar o cessar-fogo humanitário de oito horas em Aleppo, programado para começar às 8h desta quinta-feira. O líder russo propôs ainda acelerar a adoção de uma nova constituição na Síria para facilitar novas eleições.

Merkel e Hollande não descartaram a possibilidade de endurecer as sanções contra Moscou devido a esses ataques. O tema poderá entrar na agenda da cúpula da União Europeia (UE) marcada para esta quinta-feira em Bruxelas.

CN/dpa/rtr/afp

Foto: Merkel recebe Putin em Berlim

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW

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Estados Unidos Opinião

EUA: Trump põe em dúvida se aceitará resultado das eleições

Atrás nas pequisas, republicano tenta recuperar fôlego e usa último debate para intensificar ataques a Hillary e reforçar narrativa de que pleito pode ser manipulado. Democrata acusa rival de ser fantoche de Putin.

O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite nesta quarta-feira (19/10) que manterá “em suspense” sua posição sobre aceitar ou não uma eventual derrota nas eleições presidenciais, que serão realizadas no dia 8 de Novembro.

Questionado pelo moderador do embate sobre a antiga tradição americana, o magnata, que vem perdendo fôlego nesta reta final da campanha, afirmou apenas que decidirá o que fazer “na hora”.

Em recentes discursos, realizados após pesquisas de opinião mostrarem vantagem de Hillary Clinton, Trump vem repetindo a seus apoiadores que as eleições presidenciais podem estar sendo manipuladas. Ele ainda acusou a mídia americana de ser “desonesta e corrupta” e de “envenenar” a cabeça dos eleitores.

As declarações foram classificadas por Hillary Clinton como “assustadoras”. “Sempre que Donald acha que as coisas não estão indo na direção dele, ele diz que há manipulação contra ele”, rebateu. “Foi assim até com um Grammy que ele achava que deveria ter levado por seu programa de TV por três anos seguidos, e que ele tuitou depois dizendo que havia sido manipulado.”

“Deveria ter ganho os prêmios, mesmo”, interrompeu o republicano, arrancando risos da plateia.

Ofensas

A frase foi um dos únicos momentos descontraídos do último debate entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos, realizado em Las Vegas. Sob clima bastante tenso, Hillary Clinton e Donald Trump não se cumprimentaram com o tradicional aperto de mãos, trocaram olhares atravessados e elevaram o tom das acusações ao longo da uma hora e meia em que estiveram sob os mesmos holofotes. Nos minutos finais, Trump chegou a disparar para adversária: “Que mulher asquerosa”.

Pressionado pela crescente desvantagem nas urnas, Trump voltou a atacar Hillary por, segundo ele, ter criado terreno para a formação do “Estado Islâmico”, nos tempos em que era secretária de Estado. Ele ainda chamou de “ato criminoso” a ocultação de mais de 40 mil emails oficiais, enviados por meio de servidor privado, quando ela ocupava o primeiro escalão do governo Barack Obama.

“Ela não deveria sequer estar concorrendo à presidência”, disse Trump, citando a história de que Bill Clinton teria interceptado a procuradora-geral dos Estados Unidos, Loretta Lynch, em um aeroporto pouco antes de o FBI decidir não condenar Hillary pela destruição dos emails. No debate anterior, Trump chegou a dizer que, se fosse presidente, Hillary estaria “na cadeia”.

Imprensa acompanha debate em Las Vegas: candidatos discutiram em clima tenso

“Fantoche de Putin”

Diante dos ataques, a democrata voltou a criticar a relação do adversário com o presidente da Rússia, Vladimir Putin – o qual, segundo Trump, não tem “o menor respeito” nem pela ex-secretária de Estado nem pelo presidente Barack Obama.

“É porque eles preferem ter um fantoche como presidente dos Estados Unidos”, afirmou Hillary, acusando o oponente de estimular espionagem cibernética russa contra o povo americano.

Segundo ela, o vazamento do conteúdo de seus polêmicos emails por meio do Wikileaks evidencia uma suposta interferência estrangeira nas eleições americanas em favor de Trump. Ela ressaltou ainda que 17 agentes do serviço de inteligência, militares e civis, confirmaram a origem russa e a intenção de influenciar a corrida presidencial.

Imigração e mulheres

Os candidatos falaram sobre aborto – Trump foi mais vago e disse ser a favor de que os estados definam, enquanto Hillary foi enfática ao declarar que o governo “não tem que se meter” na decisão da mulher – , sobre a segunda emenda da Constituição americana (que permite a posse de armas) e voltaram a explicar seus planos para a economia americana. Enquanto Trump defende menos impostos e renegociação de acordos internacionais, Hillary defende maiores taxações sobre os mais ricos e manutenção das alianças.

Ao comentar um dos temas cruciais nas eleições deste ano – imigração – Trump ainda acusou a adversária de pretender instaurar uma política de “fronteiras abertas”, no que Hillary devolveu afirmando que o republicano quer “separar famílias”. O magnata voltou a prometer leis rígidas contra imigrantes e a falar na construção de um muro na fronteira dos EUA com o México, a fim de barrar a entrada de imigrantes ilegais e criminosos em território americano.

O moderador do debate, o âncora da Fox News Chris Wallace, levantou ainda uma questão que tem sido a principal dor de cabeça da campanha de Donald Trump: declarações de mulheres de que o candidato teria abusado sexualmente delas. “Essas acusações são totalmente falsas”, afirmou o magnata, afirmando acreditar que a campanha de Hillary Clinton estaria por trás das histórias. “Ninguém respeita mais as mulheres do que eu.”

Apesar de questionada sobre acusações de assédio sexual contra o marido, Bill Clinton, Hillary acabou desviando o assunto e conseguiu não responder à pergunta.

Segundo pesquisa CNN/ORC divulgada logo após o debate, 52% das pessoas ouvidas acreditam ter sido Hillary Clinton a vencedora da noite. Outros 39% afirmam ter sido Donald Trump.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW