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Por um dia, Jeep volta a fabricar o lendário Jipe Willys

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Que tal uma viagem para 75 anos atrás no túnel do tempo? Foi algo parecido com isso que a Jeep realizou na sua fábrica de Ohio, nos Estados Unidos, como evento comemorativo relativo aos 75 anos do mitológico Jipe Willys.

Essa fantástica iniciativa da Jeep foi realizada para a fabricação de um conceito do Jeep Wrangler, baseado no Jipe Willys de 1941 e totalmente caracterizado com o tema da 2ª Guerra Mundial. Aliás, a história do que nós conhecemos hoje como “jipe” é algo bem complexo, como você poderá ver no vídeo ilustrativo abaixo, que mostra a linha do tempo dessa evolução.

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Na verdade, tudo começou em 1941 quanto a Willys-Overland Motor Company foi escolhida pelo governo dos Estados Unidos para produzir o Willys MB, veículo importante que ajudou os Aliados no conflito e acabou ficando conhecido como jipe. O Wrangler foi um nome criado para o modelo 1987, quando a Jeep ainda pertencia à American Motors, como substituto da antiga série CJ que estava em linha desde 1944.

Voltando ao modelo revelado durante as festividades, o conceito do Wrangler apresenta peças e detalhes do antigo jipe de 1941. Com as cores e emblemas do Exército americano, ele não possui portas e santantônio. Os parachoques e retrovisores apresentam o visual clássico. Os assentos seguem o mesmo padrão. Além disso, o Jeep Wrangler 75th Salute tem rodas de aço de 16 polegadas e pneus mud de uso militar.

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O seu motor é o tradicional V6, 3.6 Pentastar, com 289cv e 36,9kgfm de torque. O câmbio é manual de seis velocidades. Em breve, esse conceito ficará exposto no Museu da Jeep.

Veja agora as imagens da merecida homenagem ao lendário Jipe Willys, inclusive com vídeo dele saindo da linha de produção. O segundo vídeo mostra a evolução histórica de todos os modelos de jipes até hoje. O que você achou dessa ideia da Jeep?

PS: Depois, assista também a esse vídeo raro mostrando a antiga linha de montagem dos Jipe Willys no Brasil.

Fonte: AutoVideos

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Africa Conflitos Destaques Opinião

Líbios começam a sentir falta de Muammar al-Gaddafi

Muitos líbios começam a sentir falta da época em que o país era governado com mão de ferro por Muammar Kadhafi, cinco anos depois de sua deposição e morte, em um país dividido e mergulhado no caos.

“Nossa vida era melhor sob Kadhafi”, afirma Faiza al Naas, uma farmacêutica de Trípoli, ao se lembrar dos 42 anos durante os quais o líder líbio permaneceu no poder.

Al Naas confessa, em seguida, a vergonha que sente em dizer isso quando pensa em todos os “jovens que deram sua vida para libertá-los do tirano”, referindo-se aos rebeldes que combateram as forças de Kadhafi até sua morte, em 20 de outubro de 2011.

Desde a queda de Kadhafi, a Líbia sofre com insegurança e penúria. A vida cotidiana dos líbios está pautada pelos cortes de eletricidade e pelas longas filas de espera diante dos bancos devido à falta de liquidez.

O país está afetado pelas lutas de influência, tão cruéis quanto impunes, entre as diversas milícias e tribos que compõem a sociedade líbia.

A Líbia, um rico país petrolífero com fronteiras porosas, se converteu em uma plataforma de todo tipo de contrabandos, de armas a drogas passando, sobretudo, pelo lucrativo tráfico de migrantes africanos que buscam chegar à Europa.

Aproveitando o caos posterior à queda de Kadhafi, extremistas de todo tipo, em particular do Estado Islâmico e da Al-Qaeda, se implantaram solidamente no território líbio.

No plano político, o país está dividido entre duas autoridades rivais que disputam o poder.

Por um lado o Governo de União Nacional (GNA), formado após um acordo apadrinhado pela ONU e instalado em Trípoli, a capital do país.

Pelo outro uma autoridade rival instalada no leste da Líbia, uma zona controlada em grande parte pelas forças do marechal Khalifa Haftar, que em setembro passado tomou o controle dos terminais petrolíferos.

Khalifa Haftar assenta sua legitimidade no Parlamento, baseado no leste, mas reconhecido tanto pelo GNA quanto pela comunidade internacional.

Haftar sustenta que é o único capaz de restabelecer a ordem no país, de salvar a Líbia, assim como reconquistou uma parte de Benghazi, que estava nas mãos de grupos extremistas.

Seus opositores acusam Haftar de ter um único objetivo: tomar o poder e instaurar uma nova ditadura militar.

“Os líbios são obrigados a escolher entre dois extremos: o caos das milícias e os extremistas islamitas” ou “um regime militar”, lamenta o analista líbio Mohamed Eljarh, do centro Rafik Hariri para o Oriente Médio.

Khalifa Haftar não consegue, no entanto, acabar com as milícias próximas à Al-Qaeda ainda presentes em Benghazi e, por sua vez, as forças favoráveis ao GNA, baseadas em Misrata (oeste), também não podem liquidar os focos de resistência do Estado Islâmico em Sirte.

Os especialistas temem que, uma vez terminado o combate aos extremistas, os dois grupos se enfrentem diretamente para controlar o país.

“É difícil imaginar que o país possa alcançar a estabilidade rapidamente devido às divisões, mas também à vontade dos protagonistas de controlar as localidades que opõem resistência”, afirma Mattia Toaldo, especialista da Líbia no European Council on Foreign Relations.

Após décadas de “regime autoritário, repressivo e centralizado” de Kadhafi, os líbios se resignam, aparentemente, a “outra forma de autoritarismo, mais descentralizado e caótico, seja sob a autoridade das milícias ou de Aftar”, destaca.

“A situação atual é a consequência lógica de 42 anos de destruição e de sabotagem sistemática por parte do Estado”, sustenta Abderrahmane Abdelaal, um arquiteto de 32 anos, que critica os que sentem nostalgia da era Kadhafi.

Por sua vez, os partidários de Kadhafi afirmam nas redes sociais que a atual anarquia prova que o líder líbio era um “visionário” que havia advertido e previsto que, após sua saída, a Líbia afundaria no caos.

Rim TAHER

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: YAHOO

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Aviação BINFA Brasil Infantaria da Aeronautica PÉ DE POEIRA

FAB PÉ DE POEIRA: BINFA-14 “Batalhão Bandeirante” homenageia militar que participou do Batalhão GLO da FAB durante a RIO 2016.

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Paralelo a atuação nas atividades ocorridas na capital paulista, o BINFA-14 “Batalhão Bandeirante” também se fez presente na segurança dos Jogos Olímpicos 2016 em solo carioca.

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A participação, discreta porém imprescindível, se deu através do CB SGS FÉLIX na composição do Batalhão de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) da Força Aérea Brasileira (FAB), que atuou por mais de 2 meses em razão do evento. Parabéns ao CB FÉLIX pela missão e por ter escrito o nome do BINFA-14 BATALHÃO BANDEIRANTE em mais esse capítulo da história.

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Colaborou Reduto dos Carcarás

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Aviação BINFA Brasil Infantaria da Aeronautica PÉ DE POEIRA

FAB PÉ DE POEIRA: BINFA-14 “Batalhão Bandeirante” encerra estágio de Polícia da Aeronáutica

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Ocorreu no dia 17/10, a brevetação dos militares que concluíram o Estágio de Polícia da Aeronáutica (EPA) 2ª Turma de 2016. Além da brevetação, ocorreu ainda a entrega de prêmios ao 1º colocado e também ao destaque da turma. A cerimônia foi presidida pelo Sr. Comandante do BINFA-14 e contou com a participação dos Recrutas do CSFD 2/16.

Colaborou Reduto dos Carcarás 

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Aviação Conflitos Iraque Rússia Sistemas de Armas

Helicópteros russos participam da operação em Mossul

O porta-voz do governo iraquiano, Saad al-Hadithi, informou que helicópteros de fabricação russa estão participando da operação para libertar a cidade de Mossul dos terroristas do Daesh (proibido na Rússia).

“São uma parte do potencial militar iraquiano, outras também participam das operações militares do Exército para libertar Mossul”, disse.

O porta-voz indicou que os helicópteros de fabricação russa são usados pela aviação militar do país há muito tempo. Anteriormente, o vice-chefe do Serviço Federal de Cooperação Técnico-militar da Rússia, Victor Punchuk, afirmou que o fornecimento de helicópteros Mi-28NE para o Iraque ocorreu com êxito.

Já o porta-voz do Estado de operações conjuntas das instituições de defesa do Iraque, brigadeiro-general Yahya Rasul al-Zubaidi, destacou que os helicópteros militares Mi-35 e Mi-28NE desempenham um papel importante na libertação do país do controle do Daesh.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

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Conflitos Estado Islãmico Estados Unidos Iraque Opinião

Bagdá: Ofensiva para libertar Mossul acontece mais rapidamente do que o esperado

As forças iraquianas estão fazendo um progresso inesperadamente rápido em direção à cidade de Mossul para libertá-la do controle do grupo terrorista Daesh. Quem afirma é o porta-voz do primeiro-ministro iraquiano.

“A velocidade com que as forças iraquianas estão se movendo excede as expectativas dos comandantes” disse o Saad Hadithi à agência RIA Novosti.

O porta-voz destacou que o governo iraquiano tomou todas as precauções necessárias para garantir a segurança dos civis de Mossul durante a operação antiterrorista.

“Muito antes do início da operação, o governo tomou medidas militares e humanitárias para que os civis não sofram durante a operação militar em Mossul”, disse Hadithi.

Em 17 de Outubro, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, anunciou o início de uma operação militar para retomar a cidade de Mossul do controle do Daesh (proibido na Rússia).

Mossul, considerada a segunda maior cidade do Iraque, tem cerca de 700 mil habitantes. O exército iraquiano, milícias xiitas e curdas, apoiados pela força aérea da coalizão internacional liderada pelos EUA, tentam, desde o mês de março, libertar a cidade do Daesh, ocupada desde junho de 2014.

Foto: © REUTERS/ Azad Lashkari

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

Pentágono acha que Daesh fugiu da cidade iraquiana de Mossul

Os chefes do grupo terrorista Daesh (proibido na Rússia e em vários outros países) abandonaram a Mossul, cidade no norte do Iraque.

O respectivo anúncio foi feito, na quarta-feira (19), pelo general americano Gary Volesky que chefia a operação antiterrorista Inherent Resolve.

“Temos dados que indicam que Daesh abandonou a cidade”, comunicou o general durante um briefing.

Ao mesmo tempo, Volesky destacou que os militantes estrangeiros permanecem em Mossul.

O general americano acrescentou que “durante a madrugada, os helicópteros Apache começaram a apoiar a operação das forças de segurança iraquianas” para libertar Mossul.

Em 16 de Outubro, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, anunciou o início da operação militar para libertar Mossul dos combatentes do Daesh. Militares iraquianos, forças policiais e forças curdas, com apoio aéreo da coalizão liderada pelos EUA, começaram um ataque maciço sobre a cidade.

Foto: © AFP 2016/ AHMAD AL-RUBAYE

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

 

 

 

 

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Conflitos Iraque Síria

Erdogan evoca passado Otomano e promete combater inimigos da Turquia no exterior

Ressentido por conta da exclusão de uma ofensiva liderada pelo Iraque contra o Estado Islâmico em Mosul e de ganhos da milícia curda na Síria, o presidente da Turquia, Tayyip Erdogan, alertou nesta quarta-feira que o país “não vai esperar que a espada esteja voltada contra nós”, podendo agir sozinho para erradicar inimigos.

Em um discurso em seu palácio, Erdogan conjurou a imagem de uma Turquia constrangida por poderes estrangeiros que “querem nos fazer esquecer nossa história otomana e Selcuk”, em uma alusão à época em que os antepassados do país tinham territórios ao longo da Ásia Central e do Oriente Médio.

“A partir de agora não esperaremos que os problemas batam às nossas portas, não esperaremos que a espada fique contra nossos ossos e peles, não esperaremos que organizações terroristas venham e nos ataquem”, disse a centenas de “muhtars”, administradores locais, em geral leais ao governo.

“Quem quer que apoie a organização terrorista divisionista, os erradicaremos”, disse, referindo-se a combatentes curdos do partido PKK.

Os combatentes são autores de uma insurgência contra a Turquia que já dura três décadas e possuem bases no norte do Iraque e afiliados na Síria.

“Deixem que eles se movam para qualquer lugar até que nós os achemos e os destruamos. Estou dizendo muito claramente: eles não terão um único lugar para encontrar paz no exterior.”

Erdogan tem adotado um tom cada vez mais beligerante em seus discursos nos últimos dias, frustrado com o fato de a Turquia, membro da Otan, não estar mais envolvida no ataque apoiado pelos Estados Unidos em Mosul e enfurecida pelo apoio de Washington a combatentes curdos contra o Estado Islâmico na Síria.

Ele está se aproveitando de uma onda de patriotismo que emergiu quando uma tentativa de golpe falhou em tirá-lo do poder em julho. Sua mensagem por uma Turquia forte tem repercutido bem entre seus ardentes apoiadores.

Orhan Coskun / Nick Tattersall

Foto: Presidente turco Tayyip Erdogan, discursa durante reunião com mukhtars no Palácio Presidencial em Ancara, Turquia – 19 de Outubro de 2016. Murat Cetinmuhurdar / Palácio Presidencial / Handout via REUTERS

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Reuters

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Defesa Geopolítica Meios Navais Navios Opinião Rússia Sistemas de Armas Sistemas Navais Tecnologia

Algumas das armas mais perigosas na Marinha da Rússia

Especialistas da Marinha norte-americana indicaram os navios e armas do arsenal da Marinha russa que consideram mais perigosos, informou o jornal russo Izvestia citando Michael Petersen, professor e diretor do Instituto de Estudos do Potencial Naval da Rússia.

Segundo Petersen, para os EUA os mais perigosos são os submarinos Yasen, as fragatas do projeto 22350 Admiral Gorshkov, bem como os mísseis Tsirkon e Kalibr.

Os navios do projeto 22350 são fragatas de longo alcance e o desenvolvimento de fragatas deste tipo acontece pela primeira vez após a dissolução da União Soviética.

O chefe e fundador do Instituto de Estudos Marítimos da Rússia (RMSI na sigla em inglês) explicou que, enquanto o desenvolvimento de navios de superfície russos é considerado como parte do sistema defensivo, o aparecimento de submarinos nucleares tão “poderosos e perigosos” como os Yasen torna-se razão de sérias preocupações de Washington.

O RMSI foi inaugurado no estado americano de Rhode Island apenas um mês atrás com a função anunciada de coletar e trabalhar informação militar detalhada nos interesses da Marinha dos EUA, bem como dos seus aliados da OTAN.

Além disso, o professor destacou que agora a Marinha russa atingiu um novo nível de desenvolvimento e os EUA devem estudá-lo de forma cautelosa.

“Apesar das dificuldades que observamos em décadas precedentes, a Marinha russa atingiu em termos de preparação de pessoal e potencial tecnológico um nível que permite competir com qualquer Marinha do mundo”, concluiu Petersen.

Os submarinos russos do projeto 885 Yasen são submarinos nucleares multifunção de quarta geração equipados com mísseis de cruzeiro. A missão principal do Yasen é atacar submarinos e navios, bem como liquidar alvos terrestres com seus mísseis.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

 

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Conflitos Destaques EVENTOS História Opinião Terrorismo

Há 75 anos começavam as deportações de judeus para os campos nazistas

Só em Berlim, trens que partiram da plataforma 17 da estação Grunewald levaram 50 mil pessoas para os campos de concentração. Uma testemunha que escapou do terror luta para manter viva a memória do Holocausto.

Horst Selbiger se preparou longamente para o discurso que fará nesta quarta-feira (19/10) para os convidados da cerimônia que lembra o início das deportações de judeus para os campos de concentração nazistas. Ele falará diante de inúmeras celebridades, entre elas o presidente do Bundestag (Parlamento alemão), Norbert Lammert.

Selbiger, de 88 anos, conhecia pessoalmente muitas das pessoas que foram enviadas para a morte a partir da chamada plataforma 17, em Berlim. Entre elas estão amigos próximos e muitos parentes. Ele e seus pais tiveram sorte, pois não foram deportados.

Para preparar seu discurso, Selbiger viajou de Berlim até o destino dos primeiros “transportes para o Leste”, a cidade de Lodz, na Polônia – chamada de Litzmannstadt durante a ocupação nazista na Polônia. “E, então, tudo voltou à memória”, conta Selbiger em seu pequeno apartamento em Berlim. “É incrível a brutalidade com que esses nazistas agiam e levavam, às câmaras de gás, pessoas que eram completamente inocentes.”

“Nós, crianças, sabíamos o que acontecia muito antes dos adultos”, diz Selbiger

“Reassentamento”

A deportação sistemática de judeus da Alemanha para o Leste começou em meados de outubro de 1941. Ou seja, meses antes da Conferência de Wannsee, onde o assassinato sistemático de judeus foi meticulosamente planejado.

Nos documentos oficiais dos nazistas sobre a deportação, eles descrevem a medida eufemisticamente como “reassentamento”, “evacuação” ou “transferência”. Na verdade, as pessoas eram levadas ao encontro da morte, aos guetos, aos campos de concentração pela então companhia ferroviária alemã, a Deutsche Reichsbahn. No início, elas eram transportadas em velhos vagões ferroviários; mais tarde, em vagões superlotados usados para transportar gado.

O primeiro transporte de Berlim deixou a estação de trem Grunewald em 18 de outubro de 1941, a partir da plataforma 17. Eram 1.089 crianças, mulheres e homens que foram deportados para a então Litzmannstadt. O terror nazista vitimou, ao todo, 50 mil judeus de Berlim.

Plataforma 17 da estação Grunewald em Berlim, de onde partiam os trens para os campos de concentração – Foto: fotocommunity

Memória como missão

Hoje, a antiga estação é um memorial nos arredores da capital. É neste lugar que Selbiger fará o seu discurso. “A plataforma 17 é, para mim, o lugar de onde emanava todo o sofrimento. Nós, crianças, sabíamos mais do que os adultos. Sabíamos, no mais tardar desde 1941, que os judeus estavam sendo mortos como se fossem parasitas.”

Os adultos, relata Selbiger, queriam enganar a si mesmos. Mas Selbiger – então com 13 anos – e seus colegas de escola observavam já havia muito tempo como os judeus eram deportados. “Nós, crianças, sabíamos o que acontecia muito antes dos adultos.”

Selbiger nasceu em 1928 em Berlim. Sua mãe não era judia, mas ele foi educado religiosamente por vontade do pai. Selbiger frequentou uma escola judaica até ela ser fechada. A partir de 1942 foi obrigado a fazer trabalhos forçados. Em fevereiro de 1943 foi preso e escapou por pouco – assim, como seus pais – da deportação para Auschwitz.

Há anos, Selbiger é voluntário e dá palestras, trabalhando para manter viva a memória do Holocausto. Ele foi cofundador da organização de autoajuda Child Survivors Deutschland – Crianças que sobreviveram à Shoah. “Foram deportadas e assassinadas 61 pessoas com o sobrenome Selbiger. Entre elas, o meu primeiro amor. E todas essas pessoas pedem para que a história delas seja contada. E é isso que vou fazer enquanto eu puder”, afirma.

Foto: Deportação de Judeus na cidade alemã de Bielefeld, em 13 de Dezembro de 1941.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW

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Conflitos Destaques Estado Islãmico Iraque Opinião Síria Terrorismo

“Do sangue de Mossul poderá surgir um perigo maior do que aquele representado hoje pelo EI”

“Estado Islâmico” (Daesh) continuará sendo um problema tanto no Oriente Médio como em outras partes do mundo, especialmente na Europa, com mais foco em ações terroristas isoladas e menos na manutenção de território.

Os resultados do primeiro dia da campanha para retomar Mossul foram excelentes, afirmou o general iraquiano Najm al-Jabouri. Ele assegurou que alguns vilarejos nas imediações da metrópole, tomada pelo “Estado Islâmico” (Daesh) no verão de 2014, já foram libertados. Cerca de 60% dos lançadores de foguetes e minas terrestres em torno da cidade foram destruídos, segundo militares iraquianos ouvidos pelo jornal Al-Araby Al-Jadeed. “Nas primeiras horas da ofensiva, tivemos ganhos territoriais substanciais e pouca resistência do EI (Daesh)”, afirmou o porta-voz do Exército.

É difícil prever como a batalha por Mossul vai evoluir nas próximas semanas e meses. No entanto, é possível tirar algumas conclusões com base no que aconteceu até agora. E de acordo com especialistas, elas dão poucos motivos para acreditar que o grupo estará logo derrotado e fora de ação. Ao contrário, o EI (Daesh) continuará sendo um problema tanto no Oriente Médio como em outras partes do mundo, especialmente na Europa – embora não mais em sua forma atual, mas numa nova, modificada.

“É previsível que o EI (Daesh) não conseguirá mais manter sua pretensão de ser um Estado ou califado”, afirma Reuven Erlich, diretor do Centro de Informação sobre Inteligência e Terrorismo do Center for Special Studies em Herzliya, Israel. Segundo ele, a milícia jihadista estará cada vez mais sob pressão no Iraque e na Síria, o que vai obrigá-la a abandonar sua atual estrutura. Entretanto, a organização não vai se dissolver. “Nas novas circunstâncias, o EI (Daesh) voltará a ser uma organização terrorista sunita, como era em seu início, só que com capacidades operacionais muito melhoradas”, avalia o especialista.

Erlich afirma que o EI (Daesh) vai prosseguir suas atividades executando ações menores e mais localizadas. Além disso, o grupo será beneficiado pela futura situação política e social da região, com uma série de Estados instáveis, especialmente Iraque, Síria, Iêmen e Líbia, cujos governos serão incapazes de proporcionar segurança e serviços públicos básicos aos seus cidadãos. “Isso vai continuar atraindo simpatizantes e recrutas para o EI (Daesh)”, avalia Erlich.

Sucessos ideológicos

Os analistas do McCain-Institute for International Leadership, da Universidade do Arizona, tem opinião semelhante. Embora a perda territorial vá enfraquecer o EI (Daesh) significativamente, a ideologia do grupo terrorista ficará preservada e continuará a atrair pessoas. “Assim, é possível que o EI continue inspirando terroristas em todo o mundo, numa escala sem precedentes”, afirmam. O sucesso do EI (Daesh) pode ser medido pela campanha presidencial americana, onde ele se tornou uma questão central.

Para os especialistas, o EI (Daesh) conseguirá manter sua reputação em todo o mundo depois que seu “califado” for destruído, sobretudo através da internet. Segundo o jornalista Abdel Bari Atwan, autor de Islamic State: The Digital Caliphate (Estado Islâmico: o califado digital), o EI (Daesh) tem 100 mil contas no Twitter, nas quais difunde diariamente 50 mil mensagens. Adam Hanieh, da London School of Oriental and African Studies (SOAS), calcula que o EI (Daesh) lance todos os dias 40 novas publicações nas redes sociais – incluindo textos, vídeos, galerias de fotos e áudios.

Entre essas mensagens está uma convocação feita pelo antigo chefe de propaganda do EI (Daesh) , Taha Sobhi Falaha, ou Abu Muhammad al-Adnani, morto recentemente num bombardeio no norte da Síria. Em abril, ele convocou seus seguidores a matar “infiéis” e acrescentou que aqueles que não dispuserem de bombas ou armas deveriam usar pedras, cortar gargantas ou queimar carros e casas.

Erlich avalia que esse tipo de propaganda tem potencial para atrair terroristas que agem de forma individual, os chamados lobos solitários. Além de ataques espetaculares de grandes dimensões, como os que aconteceram em Paris em novembro de 2015, pode-se esperar também numerosos ataques menores, que não são nem planejados nem executados pelo EI (Daesh) , mas inspirados na organização.

Exemplos desse tipo de atentado não faltam em 2016 e incluem o ataque com um machado num trem regional no sul da Alemanha, o ataque a um clube noturno frequentado por homossexuais em Orlando, além do massacre executado por um jovem tunisiano em Nice, com 86 mortos e mais de 200 feridos.

“O sangue de Mossul”

Perigos consideráveis também são esperados pelo diretor do FBI, James Comey. Ele afirma que o “califado” do EI (Daesh) será destruído, mas pondera que, em meio ao caos de seu colapso, surgirão centenas de pessoas muito perigosas, e estas não vão limitar suas ações ao Oriente Médio. “Nos próximos dois a cinco anos haverá uma diáspora terrorista jamais vista”, alerta.

Pesquisadores do McCain Institute acreditam que há ainda um perigo adicional, criado pela geração de crianças nascidas nos territórios controlados pelo “Estado Islâmico” (Daesh) . “Essa geração não vai conhecer nada além de terrorismo e, portanto, representar uma ameaça de longo prazo.”

A batalha por Mossul não vai impedir nenhuma dessas ameaças. Ao contrário, deverá reforçar o extremismo ainda mais. O analista político Tallha Abdulrazaq escreve no Al-Araby Al-Jadeed que a cidade poderá se tornar sinônimo de um inferno muito pior do que aquele que aflige o povo de Aleppo. “Do sangue e das cinzas de Mossul poderá surgir um perigo muito maior do que aquele representado hoje pelo EI (Daesh)”, afirma.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW

UE alerta para risco de retorno de jihadistas

Comissário de Segurança Julian King expressa preocupação com o retorno de combatentes europeus do “Estado Islâmico” (Daesh) que vierem a ser expulsos de Mossul. Mesmo se forem poucos, eles representam uma ameaça séria, afirma.

Como parte de sua primeira visita à Alemanha depois de ter se tornado comissário europeu para a Segurança, em 19 de Setembro, o britânico Julian King percorreu nesta terça-feira (18/10) as dependências do Centro Conjunto de Defesa contra o Terrorismo em Berlim.

E terrorismo – particularmente a perspectiva de que combatentes da organização jihadista “Estado Islâmico” (Daesh) estejam retornando da Síria e do Iraque para a Europa – esteve no centro do encontro posterior com o ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière.

“Precisamos redobrar os nossos esforços para lidar com essa ameaça, e, em particular, temos de redobrar os nossos esforços para dissuadir as pessoas de apoiar o Daesh”, disse King, usando o acrônimo árabe para o EI. “Precisamos redobrar o trabalho que estamos fazendo para reforçar os controles nas nossas fronteiras, incluindo cidadãos da UE.”

Em entrevista ao jornal alemão Die Welt antes de seu encontro com De Maizière, King alertou que, se as tropas iraquianas retomarem o bastião jihadista de Mossul, combatentes extremistas europeus poderiam voltar e lançar ataques terroristas na Europa. King acrescentou que o número desses combatentes provavelmente é pequeno, mas que eles representam uma ameaça séria, para qual a Europa precisa estar preparada.

Ao Die Welt, King afirmou haver aproximadamente 2.500 pessoas oriundas da UE lutando pelo EI (Daesh), embora no início deste ano o jornal inglês The Telegraph tenha publicado um número de cerca de 6 mil combatentes. Um estudo realizado pelo Centro Internacional de Combate ao Terrorismo em Haia, publicado em Abril, especificou que o número de combatentes jihadistas da Alemanha é superior a 238.

De Maizière reconheceu que o “Estado Islâmico” (Daesh) tem ameaçado executar atentados no continente europeu, mas argumentou que a provável queda de Mossul não necessariamente elevará o grau de perigo. “Não vejo nenhuma ameaça adicional à Alemanha por causa dos combates por lá”, afirmou.

Ameaças conhecidas e desconhecidas

O ministro alemão do Interior insistiu que a Alemanha tem leis para interceptar nas suas fronteiras qualquer combatente jihadista que esteja retornando. “É claro que sabemos quais pessoas saíram da Alemanha e que podem ter tido experiências de combate”, afirmou. “É por isso que nós temos leis para impedi-los de viajar e para levá-los sob custódia quando retornam. E isso ocorre semanalmente.”

Potenciais terroristas que chegam à Alemanha pela primeira e são desconhecidos para as autoridades de segurança representam um problema diferente. Mas De Maizière argumentou que a Alemanha está bem preparada, referindo-se também à prisão do suspeito de terrorismo Jaber al-Bakr, que chegou ao país como um refugiado da Síria.

“A boa cooperação entre as autoridades de segurança, tanto de forma internacional como nacional, faz com que seja possível reconhecer pessoas perigosas e impedi-las de atacar, como tem sido demonstrado de forma bem-sucedida na Alemanha recentemente”, disse o ministro alemão.

Mas De Maizière se esquivou de responder se a batalha por Mossul poderá gerar uma nova onda migratória para a Alemanha, atrelada aos riscos inerentes de segurança.

Foto: Comissário europeu para a Segurança Julian King, ao lado do Ministro do Interior da Alemanha, Thomas de Maizière.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW