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Conflitos Geopolítica Rússia Ucrânia

Líderes de França, Alemanha, Ucrânia e Rússia discutirão conflito ucraniano

“Estou muito otimista? Sim. Estou muito otimista com o futuro da Ucrânia, mas infelizmente nem tanto com a reunião de amanhã, mas ficaria muito feliz de ser surpreendido” – Poroshenko.

Os líderes de Alemanha, França, Rússia e Ucrânia irão se reunir em Berlim na quarta-feira para debater o plano de paz de Minsk para pôr fim ao conflito no leste ucraniano, atualmente em um impasse, mas autoridades rapidamente minimizaram as expectativas de qualquer avanço.

O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault, disse que a reunião terá como meta estabelecer um cronograma para eleições na região de Donbass, no leste da Ucrânia, e se concentrar em um desengajamento militar ainda maior.

Mas o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, falando em Oslo, alertou para que não se tenha “expectativas muito grandes” em relação ao encontro, num momento em que o Kremlin critica a Ucrânia por não respeitar suas obrigações decorrentes do acordo de cessar-fogo de Minsk.

Os combates entre soldados ucranianos e rebeldes apoiados pela Rússia já mataram mais de 9.600 pessoas desde 2014, apesar da trégua acertada em Minsk, capital de Belarus, em fevereiro de 2015 –incidentes de troca de tiros e outros episódios de violência continuaram ao longo de uma linha de demarcação.

As conversas irão acontecer pouco mais de um ano depois de os quatro líderes terem se encontrado pela última vez no assim chamado “Formato Normandia”, e tendo como pano de fundo o aumento das tensões entre Rússia, Europa e Estados Unidos no tocante ao papel de Moscou no conflito da Síria.

Uma fonte do governo alemão disse que a primeira-ministra Angela Merkel e o presidente francês, François Hollande, também irão discutir o conflito sírio com o presidente russo, Vladimir Putin. Ayrault confirmou isso, dizendo que é preciso continuar pressionando a Rússia a respeito da Síria.

Na semana passada, Merkel afirmou que só fazia sentido coordenar uma reunião com os quatro líderes se houvesse progresso em temas de segurança e política na crise ucraniana.

Uma fonte diplomática europeia disse que as expectativas não são grandes, mas que é importante manter o diálogo aberto, especialmente levando em conta as tensões crescentes a respeito da Síria.

Michelle Martin / Andrea Shalal

Andreas Rinke – Berlim

John Irish – Paris

Stine Jacobsen – Oslo

Foto: Chanceler alemã Angela Merkel, Presidente da Rússia Vladimir Putin, Presidente francês François Hollande e o Presidente da Ucrânia Petro Poroshenko.  – Reunião em 17 de Outubro de 2014 Milão / Itália, durante o 10º encontro Ásia-Europa (ASEM).

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Reuters

 

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Conflitos Geopolítica Opinião Rússia

Por que as relações entre Rússia, UE e OTAN se deterioraram?

O secretário-geral da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), Lamberto Zannier, acredita que a UE e a OTAN não envolveram a Rússia em suas estratégias.

Durante discurso no fórum AlpEuregio na Câmara Federal de Economia da Áustria, na terça-feira (18), o chefe da organização destacou que, “de fato, a UE e a OTAN se concentraram em suas estratégias, não incluindo a Rússia neste processo”.

Segundo ele, como consequência, “eles compreenderam que este processo exerce uma influência negativa sobre as relações com a Rússia”.

Ao mesmo tempo, Zannier acrescenta que “esta atitude dificilmente poderá ser revista, mesmo se conversar com a Rússia e com alguns dos seus vizinhos amedrontados”.

“Ambas as partes falam de ameaça – a Rússia considera como ameaça a ampliação da OTAN, enquanto alguns membros da OTAN acham que a ameaça vem da Rússia. É difícil trabalhar desta forma”, conclui.

Foto: © Sputnik/ Grigoriy Sisoev

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

Aproximação da OTAN às fronteiras da Rússia foi um erro

A decisão da OTAN de ampliar sua presença no leste e a possível adesão da Ucrânia e Geórgia à aliança militar foi um grande erro do Ocidente, o qual provocou a crise ucraniana e piorou as relações russo-americanas.

A declaração foi feita pelo professor em Ciência Política da Universidade de Chicago John Mearsheimer na plataforma de debates do Clube Valdai de Discussões Internacionais.

Na opinião dele, o anúncio de uma eventual inclusão da Ucrânia na OTAN se tornou a “causa profunda” da crise em Donbass.

“A Rússia nunca permitiria que isso acontecesse. Não sei o que os americanos e países europeus pensavam ao sugerir a ampliação da OTAN através da inclusão da Geórgia e da Ucrânia. Acho que isso foi um grande erro”, declarou Mearsheimer.

Entretanto, o politólogo aponta que antes do início da crise ucraniana em fevereiro de 2014 ninguém no Ocidente falava que a Rússia pretendia invadir o território dos países situados a oeste. Ninguém falava de uma intervenção militar russa na Ucrânia ou nos Países Bálticos.

Mearsheimer fez lembrar que em 1999 a Polônia, Hungria e a República Tcheca entraram para a Aliança Atlântica, e em 2004 a lista dos países membros da OTAN foi ampliada após a entrada dos Países Bálticos, da Bulgária e Romênia no bloco.

“Quer dizer, não foi Rússia que começou se movimentando para oeste, foi o Ocidente que começou se movimentando para leste”, conclui o politólogo.

Foto: © AFP 2016/ GEORGES GOBET

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

 

 

 

 

 

 

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Forças Armadas participam de seminário sobre segurança nos Jogos Olímpicos

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A Força Aérea Brasileira (FAB) participa, na quarta-feira e quinta-feira (19 e 20/10), de seminário sobre as lições aprendidas na segurança dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. O evento realizado no Comando Militar do Planalto, em Brasília (DF), contará com a participação do ministro da Defesa, Raul Jungmann, e de autoridades das Forças Armadas e instituições de segurança.

No encontro, será feito um balanço das ações do eixo de Defesa Nacional, que durante os Jogos atuou de forma integrada com os eixos Inteligência e Segurança Pública, com destaque para as inovações que ainda não tinham sido implementadas nos outros grandes eventos, tais como o uso de interferidores de sinais de drones e o aprimoramento das ações de Enfrentamento ao Terrorismo.

Na programação do evento estão palestras e oficinas. Uma delas será realizada pelo Comando Geral de Operações Aéreas (COMGAR), que vai debater os seguintes temas: Defesa Aeroespacial, Defesa e Artilharia Antiaérea, Drones, Interferidores e Operações Aéreas com helicópteros.

Serviço:
Seminário Lições Aprendidas na segurança dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016
Data: 19 e 20 de outubro
Hora: 9h
Local: Comando Militar do Planalto – Setor Militar Urbano, s/n
Informações: (61) 3312-4071

Fonte: FAB

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Geopolítica História Opinião

18 de Outubro de 1989: Renuncia o último chefe de Estado da República Democrática Alemã, Erich Honecker

“O Muro ainda existirá daqui a 50 anos e continuará existindo em 100 anos!”

A frase foi dita por Erich Honecker exatamente nove meses antes de ser pressionado pela população da República Democrática Alemã a renunciar aos cargos de chefe de Estado e de partido.

No ano de 1989, depois da desintegração da União Soviética, começaram as fugas em massa e as manifestações pacíficas que desembocaram na queda do Muro de Berlim. Alguns membros do regime comunista na Alemanha Oriental até defenderam a introdução urgente de reformas, mas foram bloqueados por Honecker.

Três pessoas reconheceram a necessidade de desenvolver uma estratégia para afastar o chefe do partido, no cargo desde 1971 e no governo desde 1976: Günter Schabowski, do partido comunista em Berlim, Egon Krenz, braço direito de Honecker, e Harry Tisch, do sindicato único.

Protestos de rua

As tradicionais manifestações das segundas-feiras nas grandes cidades tinham cada vez mais adeptos. A de Leipzig, por exemplo, havia atraído 120 mil pessoas no dia 16 de outubro. Na reunião do politburo, no dia seguinte, compareceram apenas 11, a metade dos membros da cúpula do partido único.

Depois de iniciada a reunião, eles surpreenderam Honecker ao sugerir um novo item na pauta: a deposição do chefe de governo. Honecker, perplexo, tentou seguir na presidência da mesa.

Ignorando a sugestão, esperou a ajuda de seus apoiadores. Estes, já avisados através de telefonemas no dia anterior, viram que não conseguiriam se impor e preferiram se calar. A reunião terminou com a decisão unânime de prosseguir no dia seguinte.

No dia 18 de outubro, Erich Honecker acabou pedindo ao Comitê Central o afastamento do cargo por motivos de saúde. Para sua sucessão na liderança do Estado e do partido foi eleito Egon Krenz.

O rumo da história, entretanto, não se deixou corrigir. Três semanas mais tarde, os alemães-orientais pulavam o Muro de Berlim, desencadeando o processo de reunificação da Alemanha, dividida desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW

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Artigos Exclusivos do Plano Brasil Conflitos Defesa Geopolítica Rússia Sistemas Navais

Almirante Kuznetsov comanda grupo de batalha que se desloca para o Mediterrâneo

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E. M.Pinto

 

Informações: Rustam – Moscou

 

Neste sábado passado, 15 de Outubro de 2016, foi relatado que o Porta Aviões Russo, Almirante Kuznetsov, retornou ao mar depois efetuar diversos testes e treinamentos da sua ala aérea e que agora, comanda uma considerável força de ataque composta por diversos navios de superfícies e submarinos.

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Segundo a Agência Russa de Notícias, Interfax, o navio partiu de sua base naval no comando da Frota do Norte, acompanhado de navios de combate e que se dirige para Mar Mediterrâneo, mais precisamente para a costa da Síria.

A missão capitaneada pelo navio tem duração estimada entre quatro e cinco meses e será acompanhada por navios de inteligência, o navio tanque oceânico Sergey Osipov e rebocadores de salvamento, além de submarinos e Destroyers  e cruzador do grupo de escolta.kuznetsov-gooing-to-syria-4O que poderia ser mais uma missão do “sucateado” navio russo, na verdade esconde por si novidades. A missão que o Kuznetsov vai executar no Mediterrâneo e Síria não é somente uma “saída da Garagem” para flexionar músculos e demarcar territórios como se vincula na mídia europeia.

kuznetsov-gooing-to-syria-3Um pouco do que podemos saber sobre esta operação, pode ser sentida ao analisarmos a composição da Ala Aérea embarcada do Porta Aviões Russo, que transporta um grupamento aéreo heterogêneo como antes nunca operou, nem mesmo nos áureos anos da extinta URSS.

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A ala aérea de asa fixa é composta por mais de 15 novos caças, entre eles, os novíssimos MiG-29KR e MiG-29KUBR, que segundo informações, terão seu batismo de fogo no conflito sírio operando a partir do Mar.

https://www.youtube.com/watch?v=DoC1botLDYI

Além do novos caças embarcados, a defesa da frota estará garantida pelos SU-33 que segundo algumas fontes, seriam aposentados após a inclusão dos MIG 29 navais; Entretanto, um extenso programa de revitalização os permitirá operar por um bom tempo como o caça de defesa da Frota e aeronave de ataque naval, sendo que para a segunda função, a inclusão de um novo míssil de cruzeiro foi estudada para lhe dotar desta capacidade.

kuznetsov-gooing-to-syria-8Além destas aeronaves, o grupamento aéreo embarcado é composto por aeronaves de asas rotativas que somam mais de 12 aeronaves entre elas os KA 31 e KA-27 AEW e ASW e a inédita composição de helicópteros de ataque  Ka-52K (A versão embarcada do Ka-52,Alligator) que segundo informações também serão testadas no conflito sírio operando a partir do navio.

kuznetsov-gooing-to-syria-14Apesar de não ser alardeada pela mídia, o que se esconde por traz da missão expedicionária do grupo capitaneado pelo Almirante Kuznetsov, é o fato de que a frota e seus componentes terão a importante missão de estudar e avaliar cada novo sistema de arma num teatro operacional real.

Isto inclui a operação do grupo de escoltas composto por Destroyers e pelo cruzador Pedro o Grande  que se juntou a frota vai avaliar a capacidade defensiva antiaérea, anti superfície e anti submarina.

kuznetsov-gooing-to-syria-6Por esta razão, a simples passagem da Frota pelo intermédio do Golfo de Biscaia, resultou num protesto de Londres que enviou para interceptá-la e acompanhá-la dois de seus mais modernos navios de guerra o HMS  Duncan e HMS Richmond, além de acionar a patrulha marítima da OTAN para monitorizar todo o movimento do grupo naval russo em águas britânicas.

A suíte de guerra eletrônica e coordenação de combate, interferência, comando e controle da frota será extensivamente testada ao longo de sua passagem e isto despertou os protestos dos países por onde a frota passará efetuando escuta e inteligência eletrônica.

Não há dúvidas de que o aprendizado desta força expedicionária serão utilizados nos futuros programas Storm e Leader referentes aos porta aviões  e  Destroyers a serem desenvolvidos pela Rússia na próxima década assim como as operações de combate neste novo cenário.

O conflito na síria servirá de base para a Marinha Russa desenvolver doutrinas de combate à longo raio, muito diferente do que a Rússia vinha desempenhando até o momento e podem acenar para o que o futuro espera. Justamente agora que a suspensão do acordo de cessar fogo na síria foi rompido e no momento em que as tensões entre os Estados Unidos e seus Aliados se deterioram, a Rússia marca a sua posição e parece não se intimidar com as ameaças.

kuznetsov-gooing-to-syria-1O Almirante Kuznetsov juntamente com sete outros navios passou esta manhã  ao largo da costa norueguesa em águas internacionais a oeste de Andoy em Nordland e segundo informações, outros navios devem se juntar a frota assim como os submarinos que integrarão a defesa submarina.

 

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América do Sul América Latina Brasil Sistemas de Armas Vídeo

Made in Brazil: Mercedes Benz/Engesa LG-1519 6×6 “MAMUTE”

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O modelo Mercedes Benz/Engesa LG-1519 6×6 foi uma militarização do modelo civil de mesmo nome feita pela Engesa utilizando uma transmissão e suspensão do tipo boomerang desenvolvida para o projeto do blindado Sucuri, que não entrou em produção, e pneus 14.00×2-18PR com rodas raiadas de aço.

 

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Engesa EE-17 Sucuri.

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Este veículo foi desenvolvido como trator de artilharia para obuseiros de 155 mm M114 e transportador de equipamento pesado para os batalhões de engenharia, equipado com um motor diesel OM-355/5 de 5 cilindros e 215 HPs a 2.200 rpm, 5 marchas a frente e 1 a ré, podendo carregar um máximo de 32 toneladas, sendo sua capacidade “off-road” (QT) de 5 toneladas, pesando vazio cerda de 10,9 toneladas.

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Primeiro Protótipo do Mercedes Benz/Engesa LG-1519 6×6

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Foram equipado com uma carroceria Bernardini com rolete para facilitar a movimentação de volumes pesados, um gancho para reboque na traseira, cabina com teto de lona e pára-choque dianteiro reforçado. Está sendo substituído no EB a partir de 2014 pelo modelo VW Constellation 31.320 6×6 de 10 toneladas QT.

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O Brasil vai enviar tropas para outra missão de paz após deixar o Haiti?

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Por 

A missão de paz da ONU no Haiti pode ser encerrada em 2017. Com essa perspectiva em vista, integrantes do governo brasileiro cogitam a possibilidade de enviar tropas terrestres para outra operação de paz das Nações Unidas – possivelmente no Líbano ou na África.

Mas ainda não está claro quando isso acontecerá ou mesmo se ocorrerá – em um cenário de crise econômica e tentativa de implementação de uma política de austeridade no Brasil.

A ONU anunciou nesta semana que a missão no Haiti vai se estender até abril de 2017 e as autoridades do país divulgaram nesta sexta-feira um novo calendário eleitoral devido aos estragos causados pelo furacão Matthew.

Se avançar, a ideia também deverá encontrar resistência de movimentos sociais e partidos políticos de esquerda – que criticam as missões de paz por supostamente defenderem interesses de potências estrangeiras e empresas.

Membros de alto escalão das Forças Armadas e do Ministério da Defesa trabalham com a ideia de fazer parte de alguma missão da ONU no oeste da África – possivelmente no Mali.

Já diplomatas do Ministério das Relações Exteriores entendem que a participação em outra missão só deve ocorrer se houver uma “justificativa grande” para o envolvimento brasileiro. Se uma das missões atuais da ONU tiver que ser escolhida, eles são mais favoráveis à Unifil, no Líbano – país com o qual o Brasil tem laços mais fortes, possui embaixada e já comanda a Força Tarefa Naval da ONU.

A pasta também defende que a operação tenha a característica de “manutenção” da paz – em contrapartida das missões mais robustas de “imposição” da paz – para estar de acordo com a tradição e a lei brasileira.

Entre 1947 e 2015, o Brasil enviou mais de 48 mil militares para 47 missões da ONU, segundo levantamento da pesquisadora Eduarda Hamann, do Instituto Igarapé. Os maiores contingentes de tropas foram enviados para o Haiti, países de língua portuguesa, como Angola e Timor Leste, e para o Líbano.

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Hoje, o Brasil tem cerca de 1,3 mil militares engajados em missões da ONU. A maioria deles está no Haiti (cerca de 850).

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Membros do governo e analistas concordam que, por motivos econômicos, o Brasil só seria capaz de se engajar em uma nova missão de paz depois que as Nações Unidas encerrarem a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti).

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Viaturas do Batalhão de Infantaria de Força de Paz (Brabat ). Após o terremoto de 12 de janeiro de 2010, o governo brasileiro decidiu reforçar o efetivo militar no país e criou um novo batalhão brasileiro – o Brabatt 2. À época, o país assistiu à chegada de 20 mil militares de 10 países diferentes, em meio ao cenário de destruição: 240 mil mortes, 1,5 milhão de desabrigados, 600 mil desalojados, e a fuga de 4 mil presos.

O Conselho de Segurança da ONU determinou que o mandato da missão no Haiti seja estendido até abril de 2017.

A esperança é que até lá seja possível realizar eleições democráticas e empossar um novo presidente.

Porém, isso não significa que o mandato não possa voltar a ser estendido. Isso já ocorreu várias vezes.

O último plano da ONU era tirar seus capacetes azuis do país em outubro de 2016. Mas o ciclo eleitoral previsto para ser concluído no início do ano foi cancelado devido a denúncias de fraude e ondas de violência. Desde então o país tem um governo provisório.

Para agravar a situação, o furacão Matthew provocou nova catástrofe humanitária dias antes do final do mandato da Minustah e provocou novo adiamento da votação. O primeiro turno das eleições que deveria ter ocorrido no dia 9 de outubro foi adiado para 20 de novembro.

 Companhia Brasileira de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY) . Desde que os primeiros militares brasileiros chegaram a capital Porto Príncipe, tiveram enorme desafio de contribuir para construção da paz neste país caribenho.
Companhia Brasileira de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY) . Desde que os primeiros militares brasileiros chegaram a capital Porto Príncipe, tiveram enorme desafio de contribuir para construção da paz neste país caribenho.

Há muitas justificativas para ficar mas, por outro lado, a missão vive o que os analistas chamam de uma situação de “fadiga”. Muitos países doadores de recursos e tropas entendem que a situação de segurança já está controlada e estão pouco satisfeitos com as sucessivas crises políticas e institucionais do Haiti.

Por causa disso, surgiram rumores não confirmados nos meios militares e diplomáticos de que a missão militar seria encerrada em 2017 mesmo que o atual ciclo eleitoral não seja completado. A Minustah poderia ser substituída então por uma missão política.

Integrante da Minustah pendura bandeira conjunta do Brasil, da ONU e do Haiti em centro de combate ao cólera, em Porto Príncipe, capital do Haiti, em 25 de abril. Na imagem abaixo (de Logan Abassi), crianças brincam na favela de Cité Soleil, também na capital haitiana, em agosto de 2013
Integrante da Minustah pendura bandeira conjunta do Brasil, da ONU e do Haiti em centro de combate ao cólera, em Porto Príncipe, capital do Haiti, em 25 de abril. Na imagem abaixo (de Logan Abassi), crianças brincam na favela de Cité Soleil, também na capital haitiana, em agosto de 2013

África ou Oriente Médio?

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A Força-Tarefa Marítima (FTM) da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) foi criada em 2006 de acordo com a Resolução 1.701/2006 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em atendimento à solicitação do Governo Libanês. Imagem:Defesanet

Um integrante da cúpula do Ministério da Defesa afirmou à BBC Brasil que a pasta tem grande interesse em participar de uma missão de paz no oeste da África após a retirada do Haiti.

Essa área do planeta é considerada de interesse estratégico do Brasil, de acordo com a Política Nacional de Defesa.

Essa intenção é reforçada pelo fato de o Brasil ser um dos alvos de um esforço diplomático crescente da França para angariar apoio e tropas para missões de paz em suas ex-colônias no continente africano.

Fontes dos meios diplomático e militar, que pediram para não serem identificadas, afirmam que haveria um interesse específico dos militares brasileiros pela Minusma, a missão de paz da ONU no Mali.

Essa missão envolve proteger a população realizar eleições em um país que luta para reestabelecer sua integridade territorial após a expansão de grupos extremistas islâmicos – como a Ansar Dine e a al-Qaeda do Maghreb Islâmico.

Diplomatas do Itamaraty consideram a missão de “altíssimo risco” e dizem que ela não se encaixa exatamente na política brasileira de se envolver apenas em missões de manutenção de paz.

Após lembrar das dificuldades para reunir verbas para uma nova missão, os diplomatas dizerem que mandar tropas terrestres para a Unifil, no Líbano, seria um projeto mais viável.

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Isso porque o Brasil tem mais laços culturais com o Líbano devido ao grande número de imigrantes daquele país que se estabeleceram no Brasil.

Além disso, desde 2011 o país comanda a Força-Tarefa Naval – uma esquadra de navios da ONU que tenta impedir o contrabando de armas por mar para o Líbano. Uma dessas embarcações é brasileira e abriga uma tripulação de cerca de 250 militares.

Desde então já se cogitava o envio de tropas terrestres para participar de outros setores da Unifil.

Moeda de troca

Mas por que o Brasil iria querer enviar unidades militares para outra missão de paz?

“Participar de missões de paz é uma moeda de troca na política externa do Brasil”, disse o pesquisador Hector Saint-Pierre, da Unesp.

“Isso facilita a vida do Itamaraty. É a moeda que o diplomata usa numa negociação para que o Brasil participe do cenário internacional”.

Outros benefícios são treinar tropas nacionais em situação real de conflito e prestar solidariedade a uma nação menos favorecida, de acordo com o pesquisador.

Ele afirmou que o Brasil tem se destacado nessa área. A Minustah é considerada pela ONU uma missão de sucesso, a Força-Tarefa Naval do Líbano é a primeira do gênero e um general brasileiro – Carlos Alberto do Santos Cruz – comandou na República Democrática do Congo (2013-2015) a primeira missão de caráter declaradamente ofensivo de capacetes azuis da ONU.

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O General Carlos Alberto dos Santos Cruz deixou a missão no fim de 2015; desafios de sucessor são grupos armados e eleição.

Segundo Hamann, do Instituto Igarapé, o Brasil sempre participou das missões de paz da ONU e intensificou sua atuação nos últimos 25 anos. Essa atuação ajuda a fortalecer o sistema multilateral da ONU – em contrapartida à atuação unilateral de potências mundiais no cenário internacional.

“Nós alcançamos um papel elevado. (Não participar de mais missões) poderia afetar a reputação brasileira. Afetaria nosso soft power“.

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Oposição

Já Zé Maria de Almeida, presidente do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado) diz que a participação em missões de paz do formato atual é equivocada.

“Estamos sendo subservientes em relação às potências mundiais. Os Estados Unidos não tinham condições políticas para enviar tropas (para o Haiti) e nós ficamos com a tarefa inglória. Estamos fazendo segurança para empresas americanas”, disse.

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Iveco LMV Espanhol destruído por uma mina terrestre no sul do Líbano. O cenário do componente terrestre da UNIFIL e bem diferente do encontrado na MINUSTAH. Se caso o Brasil optar por enviar tropas para esta missão estará operando em um ambiente totalmente novo.

O PSTU e um grupo de movimentos sociais foram algumas das primeiras entidades a se opor à participação brasileira no Haiti.

“Temos obrigação moral e política de ajudar o povo haitiano, mas deveríamos colocar os recursos das tropas para construir hospitais e casas no Haiti.”

Ele afirmou que haverá campanha contra eventuais novas missões de paz.

Modelo de missão

A visão do PSTU não é a adotada pela maioria dos analistas. Mas, mesmo os defensores das missões de paz dizem que o modelo de operações adotado pela ONU poderia sofrer mudanças.

A principal crítica é que, em teoria, as missões são multidimensionais e abrangem aspectos necessários ao desenvolvimento do país auxiliado – como a reestruturação do Judiciário, da segurança, do saneamento, etc.

Mas na prática nem todas as missões seriam flexíveis o bastante para atingir a complexidade que deu origem ao conflito, segundo Saint-Pierre.

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Barreiras

Além da oposição de setores da sociedade há outros fatores que poderiam dificultar uma nova missão.

A ONU reembolsa os países pela participação de tropas em suas operações (em média, US$ 1,3 mil por mês por combatente). Países como o Uruguai usam esse reembolso como uma fonte de renda para manter suas próprias forças armadas.

Mas segundo um levantamento de Hamann, do Instituto Igarapé, o reembolso corresponde a 40% do dinheiro investido pelo Brasil. Segundo ela, o país investe muito na fase de preparação do militar, que não é remunerada pela ONU.

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Outro fator é que o Brasil está atrasado com os pagamentos regulares para a manutenção da ONU. Isso pode influenciar ao negociar um papel mais importante na organização.

Há ainda a crise econômica e a tentativa de contenção de recursos que incluir até o fechamento de embaixadas brasileiras.

Mas se o projeto avançar, quem “venceria” o debate sobre o país escolhido?

Os especialistas ouvidos pela BBC Brasil não têm uma resposta, mas dizem que o Ministério da Defesa deve pressionar muito por uma missão na África.

Mas, segundo Hamann, o histórico de participação do Brasil em missões indica que o Itamaraty tradicionalmente tem um peso muito grande no processo decisório.

Fonte: BBC

Edição: Plano Brasil

Leia Também: FAB PÉ DE POEIRA: Infantaria da Aeronáutica e sua participação na missão de paz da ONU no Haiti.

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Tupolev Tu-95 – Ícone da Guerra Fria retorna à cena internacional

Fonte: Hoje no Mundo Militar – O Mundo Militar é um canal (You Tube) exclusivamente voltado para temas atuais do mundo militar.

Edição: konner@planobrazil.com

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Rússia anuncia pausa humanitária na cidade de Aleppo / Síria

Moscou e Damasco irão interromper ataques por oito horas para permitir evacuação de civis, feridos e combatentes de região controlada por rebeldes. Para Estados Unidos e ONU, pausa humanitária deve ser mais longa.

O Ministério russo da Defesa anunciou nesta segunda-feira (17/10) uma pausa humanitária de oito horas nos ataques a rebeldes na cidade síria de Aleppo. O cessar-fogo temporário valerá para os bombardeios conduzidos por Moscou e para as tropas do governo da Síria.

“Em 20 de Outubro, das 8h até as 16h, na zona de Aleppo será declarada uma pausa humanitária”, disse o general russo Sergei Rudskoi à imprensa local. O militar afirmou que o objetivo da ação é permitir “a passagem livre dos civis e a evacuação dos doentes e feridos, e também a saída dos combatentes” da parte leste da cidade, controlada pela oposição ao regime sírio.

Para a saída dos civis, aos quais o Exército russo garante “a total segurança, atendimento médico” e estadia em refúgios temporários, serão habilitados seis corredores, e para os combatentes, outros dois.

“O primeiro passa pela estrada de Castello, enquanto o outro atravessa o sul da cidade. Por ditos corredores, os combatentes podem ir para a zona de Idlib”, acrescentou Rudskoi.

A Rússia decidiu anunciar a pausa humanitária depois das consultas no Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a saída do grupo Frente al Nusra de Aleppo, proposta pelo enviado da ONU  para a Síria, Staffan de Mistura.

Rudskoi também afirmou que o Frente al Nusra reforçou seus ataques contra as zonas residenciais da cidade, onde os civis que tentam deixar a região são fuzilados em execuções públicas sumárias.

Pouco tempo

As Nações Unidas, apesar de pediram um cessar-fogo humanitário de 48 horas, saudaram a iniciativa russa. “Qualquer diminuição da violência, dos confrontos, qualquer pausa que seja implementada é bem recebida”, afirmou o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric. “Claro que há a necessidade de uma pausa mais longa para podermos levar os comboios de ajuda humanitária”, acrescentou.

Já o Departamento de Estado americano afirmou que o cessar-fogo humanitário anunciada, além de ser muito curto, é tardio. “Se o plano visa uma pausa de oito horas no sofrimento incessante da população de Aleppo, é um pouco tarde para isso”, disse o porta-voz Mark Toner.

Desde a quebra do cessar-fogo humanitário, acordado internacionalmente, no mês passado, a Rússia e as forças do presidente Bashar al-Assad estão bombardeando intensamente regiões controladas por rebeldes em Aleppo.

Os Estados Unidos e alguns países europeus acusaram Moscou e Damasco de cometer atrocidades e crimes de guerra. A Rússia nega as acusações e afirma que o Ocidente está sendo cúmplice de terroristas.

CN/efe/rtr/afp

Foto: Aleppo / Síria – Um mês de bombardeios

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW

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Por que usar o termo ‘Daesh’ em vez de “Estado Islâmico”?

Com frequência cada vez maior, líderes internacionais referem-se ao grupo terrorista que ocupa boa parte do norte da Síria e do Iraque como Daesh, deixando de lado as várias outras denominações conhecidas, como Estado Islâmico, IS, ISIS ou ISIL.

Na França, por exemplo, os governantes praticamente só usam esse termo, que também costuma ser priorizado pelo secretário de Estado dos EUA, John Kerry.

Ao usar o termo Daesh em vez de Estado Islâmico, esse líderes ocidentais rejeitam a pretensão do grupo de ser um Estado e califado e o tratam como aquilo que ele de fato é: uma associação terrorista. Além disso, os jihadistas não gostam da palavra Daesh, que tem uma conotação pejorativa. Nos seus territórios, o uso dela é proibido.

A existência de tantos nomes e siglas para designar essa organização terrorista tem a ver com a história do grupo, que trocou de nome diversas vezes.

As origens do autointitulado Estado Islâmico remontam à queda de Saddam Hussein, em 2003. Naquele ano, o jordaniano Abu Musab al-Sarkawi criou o grupo extremista sunita Jama’at al-Tawhid wal-Jihad para combater a presença americana no Iraque. O grupo é responsável pelo ataque à central da ONU em Bagdá, em 19 de agosto de 2003, no qual morreram 22 pessoas, incluindo o diplomata brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

Em outubro de 2004, o Jama’at al-Tawhid wal-Jihad jurou fidelidade à Al Qaeda e trocou pela primeira vez de nome, passando a se chamar Tanzim Qaidat al-Jihad fi Bilad al-Rafidain, sendo mais conhecido como Al Qaeda no Iraque.

Em janeiro de 2006, o grupo se uniu a vários outros numa organização chamada Majlis Shura al-Mujahideen fi al-Iraq. Com a morte de Zarqawi, em junho, o novo líder passou a ser o egípcio Abu Ayyub al-Masri.

Foi em outubro de 2006 que essa organização central foi substituída pelo Estado Islâmico no Iraque, ou Ad-Dawla al-Islamiya fi al-Iraq. Em inglês, a sigla ISI passou a ser utilizada pela imprensa para se referir ao grupo. Em maio de 2010, Abu Bakr al-Baghdadi virou o novo líder.

Em abril de 2013, Baghdadi decide fusionar o ISI com a organização Jabhat al-Nusra, também conhecida como Frente al-Nusra e de forte presença na Síria. Assim, ele dá ao novo grupo o nome de Al-Dawla al-Islamiya fi al-Iraq wa al-Sham, ou Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Como Al-Sham designa a Síria histórica, também chamada de Grande Síria ou Levante, o nome do grupo era traduzido pela imprensa às vezes como Estado Islâmico no Iraque e no Levante e às vezes como Estado Islâmico no Iraque e na Síria, dando origem às siglas, em inglês, ISIS e ISIL.

A Frente al-Nusra, porém, não concordou com a fusão com o ISI e jurou fidelidade à Al Qaeda. A decisão levou Baghdadi a romper com a Al Qaeda e, desde então, os dois grupos são inimigos. Baghdadi manteve, porém, o novo nome do seu grupo.

Em junho de 2014, a organização passou por sua última renomeação. Baghdadi declarou um califado nos territórios conquistados, que passavam a ser chamados de Estado Islâmico, numa referência não ao grupo, mas ao Estado que este pretendia criar na região ocupada.

A renomeação nunca se impôs no mundo árabe, que preferiu manter o uso da palavra Daesh para se referir ao grupo. O termo tem sua origem na sigla em árabe para Al-Dawla al-Islamiya fi al-Iraq wa al-Scham, ou Daiish ou ainda Da’ish. A pronúncia lembra a palavra árabe dahes, que significa “aquele que semeia a discórdia” ou “aquele que tenta impor sua vontade”, ou ainda a palavra daes, que significa “aquele que pisoteia”. Por isso, passou a ser usada, de uma forma também irônica, por quem se opõe ao grupo.

Coluna Zeitgeist

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW