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“Rússia não pode ser isolada” – Vladímir Pútin

Devido a seu tamanho e peso na política global, a Rússia não pode ser isolada do resto do mundo, declarou o presidente Vladímir Pútin durante Fórum de Investimento “Russia Calling”, realizado em 12 de Outubro, em Moscou.

“No que diz respeito ao isolamento… Eles não têm motores ou gasolina para percorrer todas as nossas fronteiras! Como alguém pode falar do isolamento quando se trata da Rússia?”, disse o presidente quando perguntado sobre possíveis novas sanções contra o país devido ao conflito na Síria.

“Quaisquer restrições econômicas ditadas pela política são prejudiciais a todos”, completou.

O presidente não negou, porém, que a economia russa esteja sofrendo com sanções ocidentais.

“As sanções representam, acima de tudo, uma ameaça à exportação de tecnologias”, disse.

Segundo Pútin, nos últimos anos, o país conseguiu uma “estabilidade macroeconômica” que é refletida na redução bem-sucedida da inflação pelo Banco Central.

“No início de outubro 2016, a taxa de inflação anual foi de 6,4%, enquanto no mesmo período do ano anterior, o indicador foi de 15,7%”, disse, ressaltando que, em 2017, o Banco Central deve alcançar sua meta de inflação, de 4%.Outros sinais de estabilidade, de acordo com Pútin, são a redução da volatilidade da moeda nacional e o aumento das reservas internacionais do Banco Central, que hoje estão avaliadas em US$ 400 bilhões.

“Em 1 de Janeiro de 2016, as reservas não ultrapassavam US$ 368 bilhões”, disse o presidente.

Durante os primeiros 8 meses de 2016, a entrada líquida de investimentos estrangeiros no setor não financeiro triplicou, totalizando US$ 3,8 bilhões, enquanto a saída líquida de capitais caiu para um quinto, de US$ 48 bilhões para US$ 9,6 bilhões.

“Conseguimos equilibrar o orçamento de 2017 com um déficit de 3%. É um nível aceitável, mesmo para as principais economias do mundo”, disse.

Petróleo e cooperação com a Ásia

Segundo o presidente russo, o congelamento dos volumes de produção de petróleo beneficiará não apenas a Rússia, mas a economia mundial em geral.

“Se os países membros da OPEP assinarem o acordo final sobre o congelamento, apoiaremos essa iniciativa”, declarou Pútin.

Ele também afirmou que, hoje, o comércio da Rússia com a Ásia e a América Latina corresponde a apenas 28% da balança comercial do país no exterior.

“No entanto, há uma tendência de melhoria nessas taxas”, completou.

Para ele, o futuro dos investimentos na economia russa dependerá do desenvolvimento de altas tecnologias e da preparação de pessoal qualificado.

A exportação de tecnologias para outros países, que, hoje, está limitada devido às sanções econômicas, ajudará a desenvolver o setor e aumentar os investimentos estrangeiros.

KIRA EGOROVA

Foto: Mikhail Metzel / TASS

konner@planobrazil.com

Fonte: Gazeta Russa

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Conflitos Destaques Opinião Rússia Ucrânia

Importante comandante separatista russo é morto no Donbass leste da Ucrânia

Um proeminente comandante separatista russo foi assassinado no leste da Ucrânia na manhã de Domingo, disseram seus aliados nesta segunda-feira, acusando forças do governo ucraniano de tê-lo morto para tentar desestabilizar um cessar-fogo já frágil.

Arseny Pavlov, cidadão da Rússia que atendia pelo nome de guerra “Motorola”, foi explodido no elevador de seu edifício de apartamentos de Donetsk junto com seu guarda-costas, de acordo com Eduard Basurin, vice-ministro da Defesa do governo da autoproclamada República Popular de Donetsk.

Donetsk é a maior cidade da região ucraniana de Donbass, que militantes pró-Rússia tomaram em 2014 e onde confrontos e bombardeios diários põem em xeque um acordo de cessar-fogo precário firmado em 2015.

“A bomba foi colocada acima da cabine do elevador. A explosão se concentrou dentro da cabine”, disse Basurin à Reuters.

Quatro homens mascarados e armados assumiram a responsabilidade pelas mortes em um vídeo publicado na internet. Os homens, que aparecem ao lado de uma bandeira pertencente a um grupo neonazista pró-ucraniano, disseram que seu próximo alvo é Igor Plotnitsky, líder da autoproclamada República Popular de Luhansk, assim como Alexander Zakharchenko, primeiro-ministro da República Popular de Donetsk.

Zakharchenko disse que o assassinato equivale a uma declaração de guerra da Ucrânia e prometeu vingança.

Maria Tsvetkova / Pavel Polityuk

Foto: © AFP 2016/ VASILY MAXIMOV

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Reuters

Quem era o miliciano Motorola para Donbass e quais foram as circunstâncias de sua morte?

 

Arsen Pavlov, ou simplesmente Motorola, cidadão russo e miliciano de Donbass, foi morto no Domingo (16). A Sputnik apresenta detalhes da vida e morte de uma das personagens mais famosas e mediáticas do conflito no leste da Ucrânia.

O que se sabe sobre o assassinato de Motorola?

Arsen Pavlov, um dos comandantes das milícias independentistas de Donbass, foi morto na cidade de Donetsk, capital da autoproclamada República Popular de Donetsk (RPD). No elevador do edifício onde vivia o miliciano foi detonado um artefato explosivo. Na sequência do atentado ele morreu e algumas outras pessoas sofreram ferimentos.

Segundo dados das autoridades de Donetsk, a bomba foi ativada à distância. A república autoproclamada responsabilizou um grupo de agentes subversivos ucranianos pelo incidente.

O líder da RPD, Aleksandr Zakharchenko, manifestou no ar do canal televisivo russo NTV que as autoridades da república sabem o nome da pessoa que encomendou o homicídio:

“[O inquérito] nos possibilita saber não só quem o encomendou, nós aliás já sabemos isso, mas também quem executou este homicídio. Não haverá indulto para vocês [os culpados], acreditem”, sublinhou Zakharchenko.

Acusações contra a Ucrânia

O líder de Donetsk também afirmou que com o homicídio de Arsen Pavlov Kiev declarou de novo a guerra contra a RPD.

“Eu considero assim: [o presidente ucraniano] Pyotr Poroshenko violou a trégua e declarou guerra contra nós”, declarou.

O representante plenipotenciário da República Popular de Donetsk Denis Pushilin concorda com Aleksandr Zakharchenko:

A Ucrânia não pode organizar uma verdadeira ofensiva porque sabem que irão perder, e por isso eles regressam [à tática de] atos terroristas.

“Isso pode provocar algum agravamento [da situação em Donbass]”, sublinhou Pushilin.

O assessor do chefe do Serviço de Segurança ucraniano Yuri Tandit também comentou a situação à televisão ucraniana 112 Ukraina:

“A pessoa que cometeu crimes contra a integridade da Ucrânia, e tinha praticamente um mandado de prisão emitido por nós, foi morto hoje em um prédio residencial” – disse ele.

Entretanto, nenhuma entidade policial ou militar ucraniana reivindicou a morte de Motorola.

Quem era Motorola e por que ficou famoso?

Arsen Pavlov, cidadão russo, era um dos milicianos mais antigos da rebelião em Donbass. Ele fazia parte de uma pequena entidade chefiada pelo primeiro ministro da Defesa da República Popular de Donetsk Igor Strelkov, que organizou a revolta popular na cidade de Slavyansk, em Donbass, na primavera de 2014. Ele era famoso por filmar ele próprio as hostilidades em Donbass, demonstrando sua coragem e profissionalismo militar, de acordo com os outros milicianos, inclusive o próprio Strelkov.

Além disso, ele participou dos confrontos no Aeroporto de Donetsk, onde já comandava o batalhão Sparta, e da batalha de Debaltsevo. Foi condecorado com a Cruz de S. Jorge da República Popular de Donetsk.

Pavlov recebeu o apelido de Motorola durante o serviço militar anterior no exército da Rússia, no qual era soldado do serviço de telecomunicações de fuzileiros navais. Também se sabe que o Motorola participou da segunda guerra da Chechênia nas fileiras do exército da Federação da Rússia.

Em Junho deste ano foi realizado um atentado falhado contra Motorola, na sequência de uma explosão no território de um centro traumatológico em Donetsk foram danificados alguns veículos, mas o próprio miliciano escapou são e salvo.

Lembramos que em 1 de Setembro, em Donbass entrou em vigor mais um regime de cessar-fogo. Ele foi aprovado pelas partes durante a reunião do grupo de contato em Minsk em 26 de Agosto. O cessar-fogo foi planejado para coincidir com o início do ano letivo. Apesar do estado de cessar-fogo, surgiram múltiplos relatos de violações da trégua.

Além disso, o grupo de contato para a regularização de situação na Ucrânia assinou em 21 de Setembro, em Minsk, um acordo sobre o afastamento de forças e armas das partes em conflito em Donbass. A retirada devia ter começado em 1 de Outubro, mas não foi possível completar o processo. Tanto a milícia independentista como os militares ucranianos se acusam mutuamente de violação do regime de cessar-fogo.

Em Abril de 2014, as autoridades da Ucrânia lançaram uma operação militar contra as autoproclamadas repúblicas populares de Donetsk e Lugansk, no leste do país. Estas regiões proclamaram sua independência após o golpe de Estado ucraniano em Fevereiro de 2014. Segundo os dados da ONU, as vítimas do conflito já somam mais de 9,6 mil pessoas.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik  News

 

 

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Conflitos Destaques Estado Islãmico Iraque

Forças iraquianas lançam ofensiva para expulsar “Estado Islâmico” de Mosul

Forças do governo do Iraque iniciaram nesta segunda-feira uma ofensiva apoiada pelos Estados Unidos para expulsar o Estado Islâmico de Mosul, cidade do norte do país, uma batalha de grande importância para retomar o último grande bastião dos militantes em solo iraquiano.

Dois anos depois de os jihadistas tomarem a cidade de 1,5 milhão de habitantes e declararem um califado a partir da localidade que abarcou áreas do Iraque e da Síria, uma força de cerca de 30 mil combatentes iraquianos, curdos peshmerga e de tribos sunitas começou a avançar.

Helicópteros lançaram sinalizadores e explosões foram ouvidas no fronte leste da cidade, onde a Reuters testemunhou combatentes curdos seguirem adiante para ocupar vilarejos afastados.

Uma campanha aérea encabeçada pelos EUA ajudou a expulsar o Estado Islâmico de grande parte do território que o grupo mantinha, mas se acredita que entre 4 e 8 mil militantes continuam em Mosul. Moradores contatados por telefone refutaram reportagens de canais de televisão árabes segundo as quais os membros do grupo partiram.

“O Daesh está usando motos em suas patrulhas para escapar da detecção aérea, e os passageiros do banco traseiro usam binóculos para verificar edifícios e ruas de longe”, disse Abu Maher, empregando um acrônimo árabe para se referir ao Estado Islâmico.

Ele e outros contatados estavam improvisando defesas e vinham estocando comida em antecipação ao ataque, que autoridades dizem poder durar semanas ou até meses. Os moradores não informaram seus nomes completos e a Reuters não pôde confirmar seus relatos de forma independente.

Os EUA previram que o Estado Islâmico irá sofrer “uma derrota duradoura”, já que as forças iraquianas montaram sua maior operação desde que as tropas norte-americanas se retiraram do país em 2011 e uma das maiores no Iraque desde a invasão de 2003 que derrubou Saddam Hussein.

Mas a ofensiva, que assumiu uma importância considerável para o presidente dos EUA, Barack Obama, às vésperas do fim de seu segundo mandato, está repleta de riscos –entre eles o conflito sectário entre a população majoritariamente sunita da cidade e as forças xiitas que se aproximam e a possibilidade de uma grande quantidade de baixas entre os civis de Mosul.

A rede de TV Al-Jazeera, sediada no Catar, exibiu o vídeo do que disse ter sido um bombardeio em Mosul iniciado depois de um discurso do primeiro-ministro iraquiano, Haider Abadi, mostrando foguetes e rastros luminosos de projéteis no céu noturno e sons altos de disparos.

“Anuncio hoje o início das operações heróicas para libertar vocês do terror e da opressão do Daesh”, disse Abadi em um discurso na TV estatal.

“Iremos nos encontrar em breve em Mosul para comemorar a libertação e sua salvação”, acrescentou o premiê, cercado pelos principais comandantes das Forças Armadas.

ÊXODO

O Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) disse nesta segunda-feira que até 100 mil iraquianos podem se deslocar para Síria e Turquia para fugir do ataque ao Estado Islâmico em Mosul.

O Acnur emitiu um apelo por mais 61 milhões de dólares para tendas, acampamentos, itens de inverno e fornalhas para deslocados dentro do Iraque e novos refugiados que precisam de abrigo nos dois países vizinhos.

Babak Dehghanpisheh / Ahmed Rasheed

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Reuters

 

 

 

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Brasil Destaques Segurança Pública Terrorismo

Brasil: Departamento de Polícia Legislativa recebe alerta de bomba na Câmara dos Deputados em Brasília

O acesso ao Salão Verde da Câmara dos Deputados, área bastante movimentada e frequentemente utilizada para entrevistas com parlamentares por se localizar entre a Presidência da Casa e o plenário, foi liberado após uma varredura do Departamento de Polícia Legislativa descartar a presença de explosivos.

O departamento havia recebido uma ligação anônima, afirmando que uma bomba explodiria às 13h desta segunda-feira. Policiais legislativos passaram a fazer uma varredura e determinaram o esvaziamento do local.

“Por precaução, para a gente poder fazer uma varredura bem feita, a gente esvaziou o Salão Verde. Já fizemos uma varredura completa do local, sabemos que está completamente limpo”, afirmou o diretor do Departamento de Polícia Legislativa, Paul Deeter.

Segundo ele, a denúncia não trazia mais detalhes e tratou-se de uma situação de “praxe”. Deeter acrescentou que o telefone público de onde partiu a ligação foi rastreado.

Maria Carolina Marcello

  • Brasília é a capital federal do Brasil e a sede do governo do Distrito Federal. A capital está localizada na região Centro-Oeste do país, ao longo da região geográfica conhecida como Planalto Central.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Reuters

 

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China Destaques Espaço Tecnologia

China inicia sua missão espacial mais extensa

Dois astronautas deverão permanecer 33 dias em órbita, iniciando os preparativos para uma futura estação espacial chinesa. País tenta se estabelecer como potência no espaço.

A China lançou nesta segunda-feira (17/10) a missão espacial tripulada Shenzhou 11, com dois astronautas que deverão passar mais de um mês em órbita no laboratório Tiangong 2.

O foguete “Longa Marcha” partiu sem problemas da base de lançamento de Jiuquan, no deserto de Gobi, e em dois dias, deverá se acoplar ao laboratório espacial, lançado ao espaço no mês passado.

A sexta missão espacial tripulada da China deverá ser a mais longa, com duração de 33 dias. O astronauta Jing Haipeng, que vai completar 50 anos durante a missão, realiza sua terceira viagem espacial, acompanhado do estreante Chen Dong, de 37 anos.

A Shenzhou 11 tem como objetivo verificar o funcionamento dos sistemas do laboratório chinês e iniciar os preparativos para uma futura estação espacial, que Pequim espera colocar em funcionamento até 2022.

Haipeng e Dong também realizarão experiências científicas propostas por estudantes do ensino secundário de Hong Kong, além de projetos em colaboração com instituições acadêmicas em áreas como medicina, física espacial ou botânica.

Para os chineses, o programa espacial é um símbolo de sua emergência como potência mundial e espacial. O país anunciou em abril que planeja para em torno de 2020 o envio de uma nave espacial para a órbita de Marte, que deverá pousar no Planeta Vermelho e lançar uma sonda para realizar explorações na superfície.

Com essas iniciativas, Pequim tenta alcançar os avanços da pesquisa espacial dos Estados Unidos e da Europa. Apesar das desconfianças quanto aos verdadeiros propósitos do programa espacial chinês, o país insiste que a iniciativa tem apenas fins pacíficos.

RC/rtr/lusa

Foto: Os astronautas Jing Haipeng (dir.), que irá completar 50 anos no espaço, e o estreante Chen Dong, de 37 anos.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: DW

http://www.planobrazil.com/china-foi-lancado-foguete-longa-marcha-2f-com-laboratorio-espacial-tiangong-2/

 

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Destaques Economia Geopolítica Negócios e serviços Opinião

Recuo da globalização pode causar próximo colapso das bolsas

O enfraquecimento da globalização está forçando gestores de ativos a repensar suas estimativas para a direção futura das bolsas.

As cotações das ações nos mercados de todo o mundo vêm há quase 30 anos sendo impulsionadas pela aceleração do comércio global e o fluxo mais livre de capitais, que estimulam o crescimento econômico e permitem que as empresas tenham acesso a novos mercados e tirem proveito de economias de escala.

Mas em vista da desaceleração no comércio mundial e agitações políticas que vão desde a decisão do Reino Unido de deixar a União Europeia até a conflituosa eleição presidencial americana, alguns gestores de recursos temem que a freada da globalização seja a próxima pedra no caminho do mercado global de ações.

Esse receio é evidente na gestora britânica Barings, que todo ano, no inverno europeu, reúne seus principais gestores em sua sede, em Londres, para elaborar previsões de investimentos para os próximos dez anos.

A firma, que administra US$ 275 bilhões em ativos, prevê para 2017 outra queda no que chama de “prêmio de globalização” sobre o valor das ações — ou até mesmo a anulação desse prêmio.

“Acreditamos que a globalização provavelmente atingiu o auge”, diz Marino Valensise, líder do grupo multiativos da Barings. “O mercado não vai gostar.”

Com políticas protecionistas ganhando força e iniciativas de incentivo ao comércio emperradas, o comércio global vai registrar neste ano seu crescimento mais baixo desde 2007, segundo a Organização Mundial do Comércio. Recentemente, o Fundo Monetário Internacional alertou que as tendências contra o comércio, como alta de impostos, poderiam causar danos duradouros à economia mundial.

Alguns receiam que os efeitos possam atingir os lucros das empresas.

A MSCI, provedora de índices globais de ações, estima que, se as políticas protecionistas e os déficits orçamentários no mundo em desenvolvimento aumentarem consideravelmente nos próximos dois anos, o valor das ações pode recuar mais de 17% nos Estados Unidos e quase 20% na Europa.

Michael O’Sullivan, diretor de investimento do banco suíço Credit Suisse na Europa, diz que os investidores têm pela frente um cenário “pós-globalização”. “Para os mercados, a desaceleração da globalização significa ainda mais incerteza”, diz ele.

Empresas de todo o mundo, de transportadoras até o setor manufatureiro, já apontaram a desaceleração do comércio e o aumento do protecionismo como fatores que estão corroendo os lucros.

A americana Deere & Co., por exemplo, maior fabricante do mundo de tratores e colheitadeiras, afirmou neste ano que medidas protecionistas e as restrições ao comércio poderiam afetar seus resultados.

Não era para ser assim.

As cotações das ações saltaram nas bolsas do mundo no início dos anos 90, depois da queda do Muro de Berlim e do fim da Guerra Fria. O comércio mundial teve forte crescimento, o McDonald’s Corp. começou a vender mais hambúrgueres na China e a Ford Motor Co. pôde fabricar carros a um custo menor na Tailândia.

O valor das ações nos EUA, por exemplo, saltou acima da média dos 120 anos anteriores, sob a premissa de que o comércio global continuaria se expandindo e o fluxo de mercadorias, serviços e capitais através das fronteiras se tornaria cada vez mais fácil, diz Christopher Mahon, diretor de pesquisa de alocação de ativos do grupo multiativos da Barings.

O prêmio de globalização significa que as ações nos EUA são coletivamente negociadas a um índice preço/lucro quase uma unidade inteira maior do que teriam na ausência da globalização, estima a Barings. O índice preço/lucro, obtido pela divisão da cotação das ações pelo lucro por ação, é um parâmetro comum para avaliar se as ações estão caras ou baratas.

Amparada por dados econômicos, previsões e pesquisas, a Barings calcula o prêmio com base numa análise do histórico das cotações, fazendo ajustes para o impacto de fatores como inflação e política monetária.

A equação, porém, está mudando.

A Barings já cortou o prêmio de globalização pela metade nos últimos dez anos, e as previsões das empresas para o valor das ações estão caindo com ele. Outros gestores de fundos afirmam que estão ficando mais seletivos, evitando setores e países que veem como mais propensos a sofrer com a desaceleração.

“A globalização está sob um ataque cada vez maior”, diz Stefan Scheurer, estrategista sênior de mercado na gestora Allianz Global Investors.

O’Sullivan, do Credit Suisse, diz que há uma boa correlação entre o ciclo de lucros dos EUA e o comércio global. “Nos últimos dois anos, tivemos lucros em queda e desaceleração no comércio”, diz ele.

As receitas fora dos EUA respondem por mais de 30% do faturamento total das empresas que compõem o índice de ações S&P 500, segundo a firma de dados FactSet.

As transportadoras globais de contêineres, que estão enfrentando o pior ano do setor desde a crise financeira de 2008, já mencionaram que a fraqueza do comércio é a grande culpada pelos lucros em queda.

O número de medidas protecionistas implementadas no mundo todo neste ano subiu para 338, segundo o Global Trade Alert, grupo britânico que monitora o comércio global. É o maior número registrado até este ponto num ano desde que o grupo começou a coletar os dados, em 2009, quando houve só 61 medidas no mesmo período.

Investidores argumentam que, mesmo que a globalização esteja em declínio na maior parte do Ocidente, outras regiões continuarão se abrindo para o comércio, criando oportunidades de investimento. Sandra Crowl, que é membro do comitê de investimento da gestora francesa Carmignac, cita a Argentina como exemplo de país que pode se beneficiar de uma abertura comercial mesmo que outros, como os EUA, tornem-se mais protecionistas.

O’Sullivan, do Credit Suisse, diz que, para se proteger do recuo da globalização no longo prazo, os investidores podem migrar das multinacionais para campeãs nacionais, como empresas de internet da China ou as companhias aéreas da América Latina.

Os gestores da Barings favorecem outra estratégia: migrar das ações para os ativos de renda fixa, como títulos de dívida, que são supostamente mais resistentes a turbulências.

RIVA GOLD / GEORGI KANTCHEV

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: WSJ

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Submarinos Classe Scorpène e o “S-BR”

Fonte: Hoje no Mundo Militar – O Mundo Militar é um canal (You Tube) exclusivamente voltado para temas atuais do mundo militar.

Edição: konner@planobrazil.com