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Acidentes e Catástrofes Destaques Geopolítica Haiti

Companhia Brasileira de Engenharia de Força de Paz auxilia os trabalhos no Haiti após Furacão Matthew

Militares brasileiros desobstruem estrada. Foto: UN-MINUSTAH

A passagem do Furacão Matthew pelo Caribe nos últimos dias, deixou um rastro de destruição, avarias e um triste saldo de mais de 842 mortos. Até o momento não se tem um número exato da quantidade de pessoas mortas, mas calcula-se que cerca de 350.000 pessoas ficaram desabrigadas.

Desde o terremoto que desestruturou o país em janeiro de 2010, o Haiti não vivia uma situação catastrófica como essa. A MINUSTAH trabalha com o governo local, prestando a assistência necessária a população atingida, no entanto segundo informações o governo Haitiano tem tido dificuldades em enfrentar os diversos problemas causados pela tempestade tropical, deixando muitos haitianos isolados, irritados e desamparados.

Imagem mostra o antes e depois da inundação na região de Jeremie.
Imagem mostra o antes e depois da inundação na região de Jeremie.

A prioridade da Companhia de Engenharia brasileira, componente militar da MINUSTAH neste momento é a desobstrução de estradas e vias que dão acessos as comunidades mais remotas, uma tentativa de abrir as rotas de abastecimento, facilitando assim a chegada das equipes de apoio que assistência humanitári aos desabrigados. As áreas mais afetadas forma no interior do país: Miragoâne, Les Cayes e Jeremie, todas isoladas e devastadas.

Companhia Brasileira de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY) opera com máquinas pesadas nos trabalhos de remoção de barreiras. Foto: UN-MINUSTAH
Companhia Brasileira de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY) realiza a retirada de barreira que obstruía estrada. Foto: UN-MINUSTAH
Companhia Brasileira de Engenharia de Força de Paz (BRAENGCOY) realiza a retirada de barreira que obstruía estrada. Foto: UN-MINUSTAH
Fuzileiro Naval brasileiro auxilia nos trabalhos de assistência humanitária em região atingida. Foto: UN-MINUSTAH

Autoridades das Nações Unidas alertaram ainda para um possível surto de Cólera que poderia ocorrer no país nos próximos meses em decorrência das inúmeras inundações. ONG’s internacionais também trabalham no país à fim de auxiliar na distribuição de comida e água potável. Também são esperados helicópteros americanos que nesta semana iniciaram uma campanha em auxílio à população caribenha, afetada pela tormenta.

O difícil acesso as áreas mais atingidas dificulta um balanço do número exato de vítimas, mas estima-se que o número de mais de 840 pessoas mortas aumente nos próximos dias. A situação no país é tão grave, ao ponto do Comandante do Componente Militar da MINUSTAH: General Ajax Porto Pinheiro ter declarado que o país sofreu além das perdas humanas um desastre ambiental de proporções que lembram o terremoto de 2010.

NOTA DO EDITOR: Ao povo haitiano e a todos os militares envolvidos na MINUSTAH a nossa solideriedade e apreço.

Com informações do G1 e BBC.

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Africa Defesa Destaques Geopolítica

Alemanha anuncia base militar no Níger

Uma semana depois que os EUA confirmaram estar construindo uma base militar no Níger, a Alemanha anunciou planos para ter sua própria base no empobrecido país do Oeste Africano.

Bernd von Münchow-Pohl, embaixador alemão para o Níger, fez o anúncio em um discurso em Niamey, a capital do país, na quarta-feira (5), segundo informou a AFP.

“Com o estabelecimento de uma base aérea militar alemã em Niamey em apoio à missão MINUSMA no Mali, que o Níger tem apoiado desde o início, um novo capítulo na nossa cooperação começou”, disse o diplomata.

MINUSMA é a sigla para a missão de paz da ONU no Mali.

Von Münchow-Pohl afirmou que a Alemanha está “pronta para se envolver mais na região do Sahel [e] assumir ainda mais responsabilidade”. O embaixador disse ainda que o Níger é “um parceiro central” para a Alemanha e “um país-chave na luta contra o terrorismo e a migração ilegal”.

O embaixador alemão também anunciou que a chanceler alemã, Angela Merkel, visitará o Níger nos próximos dias.

No final de Setembro, os EUA confirmaram estar construindo uma nova base em Agadez, no centro do país, ao custo de US$ 50 milhões, como diz o Pentágono, ou de US$ 100 milhões, segundo relatou o Intercept em 30 de setembro.

Os EUA já mantém drones Reaper armados em uma base aérea em Niamey, a partir de onde apoia uma operaçao anti-terrorismo da França com foco nos países da região do Sahel —Mali, Chade, Burkina Faso, Níger e Mauritânia.

Imagem: Mapa Político do Norte da África, Médio Oriente e Península Arábica. O mapa mostra os países com suas fronteiras internacionais, as capitais nacionais e as grandes cidades.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

 

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Destaques Geopolítica Opinião

Por que razão António Guterres como novo secretário-geral da ONU foi consenso

Ontem, o Conselho de Segurança da ONU indicou oficialmente o candidato ao cargo de secretário-geral da organização. Por que razão o candidato português se tornou a figura mais consensual aos olhos dos membros do órgão principal da ONU?

O cientista político russo Aleksandr Konkov, disse ao serviço russo da Rádio Sputnik que, pelos vistos, António Guterres tornou-se uma figura de compromisso. Não havia muitos favoritos na corrida ao cargo, muitos países apoiavam a ideia de nomear um político da Europa de Leste. Além disso, muitos esperavam que a direção da ONU fosse assumida por uma mulher.

“Aparentemente, a sua vantagem principal é ter sido alto comissário das Nações Unidas para os refugiados por 10 anos. Pelos vistos, todos opinam, e em particular os líderes dos países-membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, que o problema dos refugiados permanecerá na agenda nos próximos cinco anos, o número de conflitos não diminuirá”, disse.

O compromisso não está na figura escolhida mas no papel que a ONU exercerá nos próximos anos.

“Nos últimos anos há muitas discussões sobre o futuro da ONU e o compromisso já mencionado reflete o compromisso de que a Organização tratará mais de assuntos humanitários, do destino das pessoas que se tornam vítimas inocentes dos jogos dos políticos e que os assuntos políticos serão resolvidos pelo Conselho de Segurança que no futuro deverá também resolver o assunto da reforma da ONU”, declarou.

Na opinião do especialista, a escolha de Guterres não é acidental. Ele realizou uma campanha pré-eleitoral eficiente, visitou muitos países e encontrou-se com quase todos aqueles dos quais dependia a escolha <…>.

“Um fato importante é que não havia esqueletos no armário <…>.”

Uma das candidatas, Irina Bokova, que era considerada uma das possíveis vencedoras da eleição, recebeu um golpe nas costas do seu próprio país. Apareceram muitas informações pouco agradáveis em relação a ela na Bulgária, o que se refletiu no processo de votação. Outros candidatos também receberam avaliações negativas e Guterres tornou-se uma figura mais favorável para todos.

“Não convém esperar que o novo secretário-geral tenha qualquer peso político real. A história de todos os oito antigos secretários-gerais mostra isso. <…> O secretário-geral da ONU deve ser um moderador da discussão global em relação a todos os assuntos”, disse Konkov.

As suas principais qualidades necessárias são o profissionalismo e capacidade de ouvir as várias partes sem assumir quaisquer compromissos. Estas tarefas estão de acordo com as possibilidades do novo secretário-geral da ONU, concluiu o analista.

Foto: © AFP 2016/ JOSE MANUEL RIBEIRO

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

 

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Conflitos Defesa Defesa Anti Aérea Geopolítica Mísseis Rússia Síria Sistemas de Armas

Rússia enviou S-300 à Síria após interceptar planos dos EUA de atacar bases da Síria

A porta-voz oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, afirmou hoje (7) que a Rússia tomou a decisão de posicionar seu sistema de defesa aérea S-300 na Síria depois de ter interceptado planos dos EUA de bombardear bases aéreas das forças sírias.

“Os S-400 já estão lá faz tempo e todos achavam normal isso, ninguém dizia que tratava-se de um “show”. Eles estão lá há muito tempo e acho que todos sabiam disso. Já os S-300 apareceram depois de especialistas próximos ao governo americano terem vazado informações um atrás do outro. Essas informações tinha certo embasamento e indicavam que eles [EUA] iriam bombardear aeródromos sírios com mísseis de cruzeiro” – disse a porta-voz em entrevista ao canal Dozhd.

A diplomata acrescentou que os S-300 foram enviados à Síria “levando em conta que a Rússia tem equipamentos e realiza uma operação da Força Aeroespacial, e que ninguém sabe para onde vai esse míssil [dos EUA], incluindo, às vezes, os próprios americanos, considerando o seu erro em Deir ez-Zor”.

O envio de S-300 russos à Síria foi anunciado na terça-feira (4) pelo Ministério da Defesa da Rússia. O sistema visa a garantir a segurança contra ataques aéreos da base marítima russa em Tartus e de navios russos próximos à costa síria.

Anteriormente, o representante do Ministério da Defesa da Russia, Igor Konashenkov, havia informado que aviões da coalizão internacional antiterrorista realizaram em 17 de setembro quatro ataques contra tropas sírias na região de Deir ez-Zor, resultando na morte de 62 militares.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

 

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AC-47 FANTASMA, O PESADELO DAS FARC

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Os DC-3 “Fantasmas” estão em operação na Colômbia desde 1991 (FAC)

Força Aérea da Colômbia ainda mantém em operação a versão armada do veterano DC-3

É difícil acreditar que o mesmo avião que lançou paraquedistas nas praias da Normandia, do decisivo Dia D da Segunda Guerra Mundial, em junho de 1944, ainda continue voando de forma efetiva e, sobretudo, devastadora. A Força Aérea da Colômbia é o último operador da versão militar do Douglas DC-3 em sua versão mais endiabrada, a canhoneira voadora AC-47T “Fantasma”.

No mesmo ano do Dia D, o governo da Colômbia comprou dos Estados Unidos 60 modelos C-47 Dakota, a versão de transporte militar do DC-3, então um avião fundamental no curso do conflito. Mais de 70 anos depois, os últimos C-47 da frota colombiana, em vez de aposentados, foram modernizados e armados.

Na década de 1980, com a intensificação das insurgências guerrilheiras e o narcotráfico, as forças armadas do país na América do Sul sentiram a necessidade de um meio específico para enfrentar essas ameaças, quase sempre escondidas na imensidão da Amazônia colombiana.

Nesse tempo, a Força Aérea dos Estados Unidos já contava com uma longa experiência em combate contra forças insurgentes. Os primeiros aprendizados vieram na Guerra do Vietnã, onde o conceito da canhoneira voadora ganhou fama, criado justamente a partir do DC-3, na versão AC-47 Spooky (Assustador), para combater os vietcongs entrincheirados nas florestas.

Do AC-47, o formato foi adaptado no cargueiro médio Fairchild AC-119 (Shadow) e em seguida no Lockheed C-130 Hercules, como AC-130 Spectre (Espectro), que se tornou um dos aviões mais armados da história, com uma variada gama de armamentos, como metralhadoras de grosso calibre e até um obus de 105 mm.

A versão armada do DC-3 foi usada pela primeira vez durante a Guerra do Vietnã (Domínio Público)
A versão armada do DC-3 foi usada pela primeira vez durante a Guerra do Vietnã (Domínio Público)

Canhoneiras contra as FARC

No final dos anos 1980, a Colômbia passava por um conturbado momento combatendo as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) e até mesmo o cartel de Medellín, de Pablo Escobar, que atuavam em locais de difícil acesso no país. A Força Aérea da Colômbia (FAC) decidiu pela compra do AC-130, mas a venda foi barrada pelos EUA. A solução foi adaptar os C-47 para o padrão de combate.

O primeiro dos sete AC-47 encomendados pela FAC foi entregue em 1991. Apesar do aspecto clássico dos anos 1940, era uma aeronave completamente diferente. O modelo foi modificado pela Basler Turbo, de Oshkosh, nos EUA, ao custo de US$ 5 milhões por avião.

Os Fantasmas foram criados a partir de antigos modelos C-47 de transporte, da década de 1940 (FAC)
Os Fantasmas foram criados a partir de antigos modelos C-47 de transporte, da década de 1940 (FAC)

A começar pela estrutura, os DC-3 colombianos tiveram as fuselagens aumentadas em 88 cm e asas foram reforçadas e alongadas nas pontas, o que permitiu instalar tanques de combustível maiores. Já os antigos motores radiais a pistão foram substituídos por modernos turbo-hélices Pratt & Whitney, e a cabine de comando foi reconstruída com equipamentos avançados.

Para entrar em combate, a veterana aeronave recebeu uma câmera de busca infravermelho e um conjunto de metralhadoras .50, instaladas no lado esquerdo da fuselagem e disparadas enquanto o avião circula em volta do alvo. Os DC-3 da Colômbia são equipados até com radar, percebido pelo nariz mais avantajado, devido ao radome.

Na imagem é possível observar a câmera infravermelho, logo abaixo do radome (Dakota Hunter)
Na imagem é possível observar a câmera infravermelho, logo abaixo do radome (Dakota Hunter)

Fantasmas na Colômbia

Com a FAC, os DC-3 de combate ganharam o nome “Fantasma”, em alusão ao perfil de suas missões, realizadas sempre à noite. Até o recente acordo de paz entre o governo colombiano e as FARC, os AC-47 vasculhavam em silêncio as regiões mais remotas da Colômbia em busca de guerrilheiros, rastreando seus movimentos com câmeras de infravermelho e, após encontrá-los, surpreendê-los com uma chuva de balas.

O Fantasma normalmente voa com uma tripulação de sete militares – piloto, co-piloto, navegador, engenheiro de voo e três artilheiros. O DC-3 modernizado pode permanecer voando por 10 horas. Além da opção de abrir fogo contra inimigos, os AC-47 da Colômbia também já entraram em ação como controladores aéreos e marcadores de alvos, com flares, para ataques coordenados de outras aeronaves – o principal “parceiro” do Fantasma na FAC é o Embraer Super Tucano.

O Fantasma leva três metralhadoras .50, no lado esquerdo da fuselagem (Dakota Hunter)
O Fantasma leva três metralhadoras .50, no lado esquerdo da fuselagem (Dakota Hunter)

A FAC ainda mantém em operação seis Fantamas, distribuídos em três esquadrões pelo país – pelo menos um deles é armado com um canhão de 20 mm. Desde a modernização no início da década de 1990, o país perdeu apenas um AC-47, em janeiro de 2016, durante uma decolagem mal-sucedida, em Tres Esquinas. O incidente não deixou mortos nem feridos.

O DC-3 modernizado pode permanecer voando por até 10 horas (FAC)
O DC-3 modernizado pode permanecer voando por até 10 horas (FAC)

Os Fantasmas da FAC são pelo menos duas vezes mais velhos que suas tripulações, mas isso não quer dizer que sua aposentadoria se aproxima. Mesmo que a Colômbia e as FARC cheguem a um acordo definitivo de paz, a capacidade dos velhos DC-3 em vasculhar a selva pode mantê-lo no ar por muitos anos, desta vez focado na busca de traficantes de drogas.

Fonte: airway

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Aviação

Força Aérea Real Tailandesa encomenda mais dois H-225M Caracal

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A Royal Thai Air Force (RTAF) encomendou mais dois helicópteros multifunção EC725 (H225M Caracal), cuja entrega está agendada para 2019. As aeronaves são equipadas para “fast roping”, possuem guincho de carga, holofote e sistemas eletro-óticos para otimizá-las para missões de Busca e Salvamento em Combate (C-SAR), Busca e Salvamento (SAR) e transporte de tropas. Os novos helicópteros juntar-se-ão à frota já existente de quatro do mesmo modelo.

Fonte: S&D

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Conflitos Defesa Destaques Geopolítica Rússia Síria

Grupo aéreo das Forças Armadas da Rússia no território sírio é por tempo indeterminado

A Duma de Estado (câmara baixa do Parlamento russo) ratificou o acordo entre Moscou e Damasco sobre a permanência por tempo indeterminado do grupo aéreo das Forças Armadas da Rússia no território sírio.

O acordo sobre a base aérea de Hmeymim foi celebrado em 26 de Agosto.

“O grupo de aviação russo está isento de todos os impostos diretos e indiretos e tem imunidade total a respeito da jurisdição civil e administrativa da Síria; os bens móveis e imóveis, arquivos e documentos do grupo de aviação russo são intangíveis”, diz o documento.

A ratificação do acordo foi apoiada por 446 deputados de 450. O grupo aéreo foi colocado na República Árabe da Síria a pedido de Damasco.

Moscou vai usar a base gratuitamente e irá realizar abastecimentos do equipamento necessário e munições para a base sem pagar direitos aduaneiros ou quaisquer outras taxas, diz o memorando.

“A operação do grupo aéreo se realiza de acordo com as decisões do seu comandante e o plano aprovado por ambas as partes.”

A Rússia começou sua campanha aérea contra o Daesh na Síria em 30 de Setembro de 2015 a pedido do presidente sírio, Bashar Assad.

Edição: konner@planobrazil.com

Fonte: Sputnik News

 

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Geopolítica Negócios e serviços Opinião

Como um príncipe saudita fez o barril de petróleo superar US$ 50

O segundo príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, enviou no mês passado seu ministro da Energia a uma reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo com uma missão quase impossível: fechar um acordo com o rival Irã sem comprometer a capacidade do reino de disputar participação de mercado, dizem pessoas a par do assunto.

A medida representou uma mudança na estratégia do poderoso filho do rei Salman, que está levando adiante a guerra da Arábia Saudita contra os rebeldes apoiados pelo Irã no Iêmen. O príncipe Mohammed, de 31anos, impediu várias tentativas de acordos de produção de petróleo com a Opep este ano em meio aos temores da Arábia Saudita em relação à crescente oferta iraniana depois do fim das sanções ocidentais.

O acordo fechado em Argel na semana passada irá cortar entre 1% e 2% da produção de 33,2 milhões de barris por dia dos 14 países que formam o cartel, a primeira vez que a Opep permite limitar a produção em oito anos. Os preços do petróleo subiram, com as cotações americanas superando a marca de US$ 50 por barril ontem pela primeira vez desde o fim de junho. Desde o acordo da Opep, em 28 de setembro, a alta já chega a 13%.

Os preços do petróleo também foram impulsionados nos últimos dias por uma redução significativa no volume de petróleo armazenado nos EUA.

A Agência de Informação sobre Energia dos EUA anunciou na quarta-feira que os estoques americanos de petróleo bruto caíram 3 milhões de barris na semana encerrada em 30 de setembro, recuando pela quinta semana consecutiva. Este é outro sinal de que a demanda está finalmente nivelando o excesso de oferta que fez os preços despencarem em 2014.

Mas o acordo da Opep pegou os observadores do mercado de surpresa depois de dois anos de indecisões do cartel. Ele levantou dúvidas entre analistas sobre se a Arábia Saudita está revertendo sua política de brigar por participação de mercado em uma era de preços baixos.

Segundo pessoas a par do assunto, o príncipe Mohammed não autorizou uma grande mudança na estratégia saudita de participação de mercado. Embora caberá ao país a maior parte dos cortes propostos pela Opep, tendo de reduzir a oferta em até 400 mil barris diários até o fim do ano, o reino planejava realizar esses cortes de qualquer forma, dizem as pessoas.

O ministro de Energia saudita, Khalid al-Falih, apenas pôde oferecer um retorno da produção do reino para níveis mais sustentáveis depois dos recordes registrados no primeiro semestre, de acordo com as fontes.

Enquanto isso, o Irã aceitou fixar um limite ainda não definido à sua produção pela primeira vez. Outros membros da Opep também concordaram com o corte, em volumes ainda a serem determinados.

Tentativas de ouvir o príncipe Mohammed não tiveram sucesso. Falih não respondeu a pedidos de comentários.

Uma autoridade do Ministério de Energia saudita negou que Falih tenha recebido ordens do príncipe Mohammed, mas disse que “Falih está constantemente consultando o rei sobre políticas de petróleo, o príncipe herdeiro e o segundo príncipe herdeiro”.

O acordo da Opep “não vai realmente mudar a estratégia saudita para o petróleo nem é um grande comprometimento do reino”, diz uma autoridade árabe do setor de petróleo. “O reino ainda conseguirá atender a demanda de todos os seus clientes confortavelmente nesses níveis e sem perder participação de mercado.”

Na quarta-feira, por exemplo, a Arábia Saudita reduziu os preços que cobra pelo petróleo em mercados importantes na Ásia e na Europa, intensificando sua rivalidade por fatia de mercado com o Irã, Iraque, Angola e outros membros da Opep. Os cortes sauditas nos preços são geralmente igualados ou superados por esses países para que possam permanecer competitivos.

Operadores de petróleo estão observando se outros países que não são membros da Opep, como a Rússia, irão aderir aos cortes de produção. A Rússia, que produz mais petróleo bruto que qualquer outro país, vai discutir possíveis cortes com a Arábia Saudita e outros membros da Opep na próxima semana, em uma conferência em Istambul.

O príncipe Mohammed é o segundo na sucessão do trono saudita e é responsável por um portfólio extenso de políticas, incluindo econômica e de defesa. Ele também comanda o Conselho Supremo da Saudi Arabian Oil Co., o principal órgão decisor da maior empresa de petróleo do mundo, e tem estado profundamente envolvido nas decisões de políticas sobre petróleo nos últimos 12 meses.

O príncipe impediu a Arábia Saudita de fechar um acordo sobre produção de petróleo com a Rússia e outros membros da Opep no Qatar, em abril.

Pessoas a par da elaboração da estratégia saudita dizem que o reino foi obrigado a agir depois que mais de dois anos de preços do petróleo em queda começaram a pesar no bolso do cidadão saudita comum, que se acostumou a um estilo de vida subsidiado. A Arábia Saudita também precisa de dinheiro para continuar a guerra com o Iêmen.

O príncipe Mohammed se encontrou com o presidente russo Vladimir Putin durante a reunião do G-20 na China, em setembro. Depois da reunião, os ministros de Energia dos dois países anunciaram um acordo para estabilizar o mercado.

Falih queria tornar a Opep relevante de novo e temia que o cartel pudesse entrar em colapso este ano sem sequer ter tomado alguma iniciativa, dizem pessoas a par do assunto. Ele se reuniu com o príncipe Mohammed para consultá-lo sobre a reunião em Argel, segundo as pessoas.

“Falih ganhou o sinal verde de Mohammed bin Salman para fazer isso acontecer”, diz uma pessoa a par do assunto.

O acordo fechado em Argel ainda pode fracassar. A Opep tem uma longa história de concordar com cortes de produção e depois voltar atrás. O Irã está tentando elevar a produção, assim como os membros da Opep Nigéria e Líbia, onde problemas de segurança reduziram a oferta.

A alta nos preços do petróleo pode ajudar os produtores americanos de xisto, que podem derrubar os preços gerando uma oferta nova da commodity.

Robin Mills, diretor-presidente da consultoria Qamar Energy, de Dubai, diz que a estratégia saudita parece ter sido alterada, mirando agora menos os EUA e mais os rivais da Opep, como o Irã. “Eu veria isso como um afastamento definitivo da estratégia de participação de mercado em termos de Opep versus países de fora da Opep”, diz. “Mas, dentro da organização, é uma continuidade da estratégia de participação de mercado, pelo menos visando impedir o Irã de tomar muito mercado da Arábia Saudita.

SUMMER SAID

Colaboraram Benoit Faucon e Sarah Kent

Edição: Konner/Plano Brasil

Fonte: WSJ

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América do Sul Conflitos Destaques Geopolítica Navios

Presidente da Colômbia Juan Manuel Santos leva Nobel da Paz

Comitê Nobel destaca esforços do líder colombiano para alcançar a paz após mais de 50 anos de guerra civil no país. Prêmio é concedido apesar da rejeição da população a acordo com as FARC.

O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz de 2016, anunciou o Comitê Nobel nesta sexta-feira (07/10) em Oslo, na Noruega. Santos foi destacado por seus “esforços resolutos” para alcançar a paz no país após 52 anos de guerra civil, que deixou mais de 200 mil mortos.

Após mais de cinco anos de negociações, o governo colombiano chegou a um acordo de paz com as as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), assinado no último dia 26 de Setembro. A população do país, no entanto, rejeitou o pacto em consulta popular no último domingo. Muitos eleitores viram o acordo como brando demais em relação aos guerrilheiros das Farc.

Mesmo assim, Santos continuou mostrando otimismo em relação à paz no país.Nesta quarta-feira, ele se reuniu com líderes da oposição ao acordo e ressaltou que pretende atender as propostas de ajuste ao acordo o máximo possível.

“A paz na Colômbia está perto e nós vamos alcançar uma paz estável, duradoura e com um apoio mais amplo dos cidadãos”, disse Santos.

Para o Comitê Nobel, a rejeição popular ao acordo não significa que o processo de paz tenha morrido. “O povo colombiano não disse ‘não à paz’, ele disse não a esse acordo em particular”, declarou Kaci Kullmann Five, presidente do comitê.

Apesar da vitória do “não”, “Santos aproximou o conflito sangrento de uma solução pacífica”. O Nobel da Paz também deve ser visto como “um tributo ao povo colombiano, que, apesar das grandes dificudades e abusos, não perdeu a esperança numa paz justa, e a todas as partes que contribuíram para o processo de paz”, declarou Kullmann Five.

Recorde de indicações

Neste ano, o Comitê do Nobel comunicou que recebeu um número recorde de indicações para o Nobel da Paz: 376, incluindo 228 pessoas e 148 organizações. Além de Santos, entre os cotados estavam a chanceler federal alemã, Angela Merkel, o papa Francisco, owhistleblower Edward Snowden, os moradores de ilhas gregas que ajudaram refugiados, simbolizados na figura do pescador Stratis Valiamos, e o grupo de voluntários Defesa Civil Síria, conhecido por seus capacetes brancos.

Alguns analistas haviam retirado a Colômbia de sua lista de favoritos após a vitória do “não” no plebiscito. O prêmio não fez menção ao líder das Farc Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como Timochenko, que assinou o acordo com Santos.

Em 2015, o vencedor do Nobel da Paz foi o Quarteto para o Diálogo Nacional na Tunísia.Este inclui organizações-chave da sociedade civil tunisiana: a União Geral dos Trabalhadores da Tunísia (UGTT), a Confederação de Indústria, Comércio e Artesanato da Tunísia (Utica), a Liga dos Direitos Humanos da Tunísia (LDHT) e a Ordem Nacional dos Advogados da Tunísia (Onat). Para o Comitê Nobel, as quatro instituições criaram um processo político alternativo e pacífico num momento em que o país estava à beira de uma guerra civil.

Assim como os demais prêmios Nobel, o da Paz tem o valor de 8 milhões de coroas suecas (930 mil dólares). Os laureados também recebem uma medalha e um diploma na cerimônia de entrega dos prêmios no dia 10 de dezembro, aniversário do fundador da premiação, Alfred Nobel, morto em 1896.

LPF/lusa/rtr/afp/ap

Foto: Reuters – Medalhão dourado com imagem em relevo de Alfred Nobel.

Edição: Konner/Plano Brasil

Fonte: DW

Santos, o presidente que luta pelo acordo de paz

Após população dizer “não” a pacto de paz com as Farc por estreita margem em plebiscito, presidente colombiano não desiste e procura pôr fim a um conflito que durou mais de cinco décadas e deixou 220 mil mortos.

A biografia do presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, sugere que ele “se preparou toda a sua vida para ser presidente da República, como era o seu tio-avô Eduardo Santos no passado”.

É o que afirma o site La Silla Vacía, que se diz especialmente preocupado com “como se exerce o poder na Colômbia”. Finalmente, em 20 de Junho de 2010, Santos derrotou, no segundo turno, o candidato do Partido Verde Antanas Mockus e se tornou o sucessor de Álvaro Uribe (2002-2010).

“Ele recebeu uma votação superior a 9 milhões de votos, a mais alta obtida por um candidato na história da democracia colombiana”, destaca o site da Presidência. Entre suas promessas de campanha estava liderar um governo de unidade nacional que realizasse a transição da “política de segurança democrática” – elaborada por seu antecessor e implementada por Santos desde que ocupou o Ministério da Defesa – para a “prosperidade democrática”.

Esse curso levou Santos a anunciar, em novembro de 2012, o início oficial dos diálogos de paz entre seu governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o maior grupo guerrilheiro do conflito armado colombiano. Três anos mais tarde, em 23 de Setembro de 2015, em Havana – sede das negociações de paz –, Santos apertaria a mão do líder das Farc, Rodrigo Londoño Echeverri, conhecido como “Timochenko”, depois de colocar como meta a assinatura da paz em seis meses.

Família rica e estudos no exterior

Membro de uma proeminente família colombiana ligada à política e ao jornalismo, Santos nasceu em Bogotá em 10 de Agosto de 1951. Filho de Enrique Santos – um dos diretores e donos do jornal El Tiempo, o periódico mais importante do país –, o atual presidente estudou no Colégio San Carlos, em Bogotá, e foi cadete da Escola Naval de Cartagena. Depois, continuou sua formação no exterior.

Ele estudou economia e administração de empresas na Universidade de Kansas, nos EUA. E fez, ainda, pós-graduação na London School of Economics, no Reino Unido; na Universidade de Harvard e na Escola Fletcher de Leis e Diplomacia da Universidade Tufts, também nos EUA.

Santos e Londoño (dir.) apertam as mãos após assinarem acordo de paz em Cartagena

Diplomacia econômica, jornalismo e política

Uma vez concluído os estudos, “comecei a promover o café colombiano no exterior e, posteriormente, me dediquei ao jornalismo durante uma década. Finalmente, em 1991, lancei-me à política, ocupando diferentes cargos”, resumia Santos e sua equipe de campanha, em primeira pessoa, antes de sua reeleição em 2014.

O atual presidente foi chefe da delegação de seu país junto à Organização Internacional do Café (OIC), em Londres. Santos foi ministro de Comércio Exterior e, depois, teve seu nome colocado na disputa para a Presidência da República durante o governo de César Gaviria, no início da década de 1990.

Ele foi, ainda, ministro da Fazenda e, depois, de Defesa Nacional durante os governos de Andrés Pastrana e Álvaro Uribe, já nos anos 2000. E, após ter dirigido o Partido Liberal Colombiano, fundou em 2005 o Partido Social de Unidade Nacional (conhecido como Partido de La U), considerado hoje a maior força política do país.

O site da presidência ressalta que ele exerceu as funções de colunista e subdiretor do jornal El Tiempo, do qual sua família era a principal acionista. Durante esse período, ele cobriu o frustrado processo de paz entre o governo de Belisario Betancur (1982-1986) e as guerrilhas, assim como a onda narcoterrorista de Pablo Escobar e a Assembleia Constituinte de 1991, lembra o site La Silla Vacía.

Posteriormente, ele foi presidente da Comissão de Liberdade de Expressão da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), e chegou a publicar títulos como La Tercera Vía, em coautoria com o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, e Jaque al Terror (Ameaça ao terror, em tradução livre), onde descreve seu combate contra as Farc desde que se tornou ministro da Defesa.

Negociações de paz

Como presidente, Juan Manuel Santos levou a cabo uma ambiciosa agenda que inclui a lei de vítimas de conflitos armados, de ordenamento territorial, de terras e, ainda, as reformas da lei de regalias, política e judiciária.

Apesar de vivenciar como ministro da Defesa o escândalo dos “falsos positivos” – casos de execuções de civis por parte de militares, em que 4.475 execuções extrajudiciais foram realizadas por membros ativos e aposentados das Forças Armadas –, Santos nunca aceitou nenhuma responsabilidade política pelas acusações feitas por seus subordinados.

Ele criou uma comissão de investigação e implementou políticas para deter o assassinato seletivo de inocentes apresentados pelas forças militares como guerrilheiros mortos em combate. Por isso, alguns setores lhe reconhecem atualmente como o ministro que revelou o escândalo e colocou fim a estas práticas.

Mas, sem dúvida, a sua “obra” – que tem sido a mais elogiada ou criticada por políticos e cidadãos colombianos nos últimos anos – é a implementação de um processo de paz para encerrar o conflito de mais de cinco décadas entre o governo colombiano e guerrilhas como as Farc e o Exército de Libertação Nacional (ELN).

O plano de paz foi especialmente aplaudido no cenário internacional. E na Colômbia – embora tenha sofrido ataques e protestos contra a totalidade ou aspectos específicos dos acordos com as Farc – sua reeleição de 2014 foi interpretada como uma validação do processo de paz que ele insistiu em referendar.

As negociações com as FARC foram travadas ou suspensas por várias vezes devido a ações militares ou exigências divergentes de ambas as partes que – apesar da data inicialmente fixada ter vencido – seguiram se mostrando convencidas de que chegariam bem perto. Mas, em plebiscito realizado no dia 2 de outubro, a proposta de paz recebeu o “não” de 50,21% da população, enquanto o “sim”, de 49,78%.

Apesar da negativa da maior parte dos eleitores, Santos expressa otimismo e criou comissões para tratar das questões que os opositores rejeitaram no acordo e buscar uma solução para o impasse. Caso consiga encontrar um caminho, Santos será reconhecido como o presidente que, depois de mais de cinco décadas de conflitos e milhares de mortos, obteve a paz na Colômbia.

Edição: Konner/Plano Brasil

Fonte: DW

Paz está próxima, afirma presidente colombiano

Após reunião com opositores do acordo de paz assinado entre o governo e as Farc, Santos se mostra otimista. Encontro estabelece criação de comissões para analisar propostas da oposição e resolver impasse.

O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, expressou otimismo nesta quarta-feira (05/10), após uma reunião com líderes da oposição ao acordo de paz assinado entre o governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), incluindo o ex-presidente Álvaro Uribe.

“A paz na Colômbia está próxima e nós vamos alcançar uma paz estável, duradoura e com um apoio mais amplo dos cidadãos”, disse Santos.

Na reunião, foi estabelecida a criação de comissões para tratar de questões que os opositores rejeitaram no acordo e buscar uma solução para o impasse. “Ouvimos durante quatro horas com muita atenção as suas preocupações. Todas elas e outras que não foram abordadas serão analisadas”, disse Santos.

O presidente ressaltou que pretende atender as propostas de ajuste ao acordo o máximo possível. Ele acrescentou que a decisão procura não só encontrar um caminho para estabelecer a paz, mas sim fortalecê-la.

Uribe também avaliou positivamente o encontro e disse que Santos está disposto a fazer mudanças. “É melhor conseguir a paz para todos os colombianos do que um acordo somente para a metade da população”, acrescentou.

O ex-presidente solicitou ainda que a ONU continue acompanhando o processo de paz no país. “Pedimos que as Nações Unidas acompanhem esta nova etapa da democracia colombiana, porque o resultado de domingo rejeitou o acordo, mas reafirmou o desejo unânime de paz”, declarou.

A opção pelo “não” foi a vencedora no plebiscito de domingo sobre o acordo de paz com as Farc, com 6.431.376 votos, 50,21% do total, enquanto o “sim” obteve 6.377.482, que correspondem a 49,78%.

CN/efe/rtr/afp

Edição: Konner/Plano Brasil

Fonte: DW

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Caça russo soviético Sukhoi Su-17 / 22

Sukhoi Su-17, denominação Su-22 para exportação, codinome OTAN Fitter. É um caça russo de ataque ao solo e seu primeiro voo foi em 1965. Foi o primeiro caça soviético com asas de geometria variável, sendo exportado em grande quantidade para países do Leste da Europa, muitos ainda continuam em serviço até hoje.

Su-22M-4 – Polônia

Su-22UM-3K – Polônia

A geometria variável das asas possibilitava uma velocidade final mais alta em comparação com a asa tipo delta, porém, sacrificava o pouso e a manobrabilidade em voo.

https://www.youtube.com/watch?v=U9fb0Y-JuH8