Defesa & Geopolítica

4ª Mostra BID Brasil – Análise Plano Brasil

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Abertura 4 Mostra BID Brasil

Por Luiz Medeiros, Anderson Barros e Tito Lívio Barcellos Pereira – Equipe Plano Brasil especial em Brasília

 

 

Realizada nos dias 27, 28 e 29 de Setembro no Centro de Convenções Ulysses Guimarães a 4ª Mostra BID Brasil promovida pela ABIMDE foi mais uma vez uma grande oportunidade para a indústria nacional de defesa mostrar suas soluções para o mercado (seja interno ou externo).

O evento contou com cerca de 100 empresas expondo as mais diversas soluções para Defesa e Segurança, em uma área de mais de 4.700m² e contou com público de mais de 3000 pessoas entre adidos militares, militares brasileiros e membros da academia.

O evento registrou pequeno aumento na quantidade de expositores e contou com equipamentos maiores em exposição em área interna além da já tradicional exposição em área externa.

Parte da Área externa da mostra

Parte da Área externa da mostra

Desde sua primeira edição em 2012 o evento somente cresceu, mas agora passou por uma pequena modificação em sua dinâmica e agora será realizado a cada 2 anos, aproveitando assim a dinâmica da LAAD que ocorre em anos “ímpares” e cobrindo uma lacuna dos anos “pares” para garantir uma constante visibilidade para os produtos da indústria brasileira de defesa em eventos realizados dentro do território nacional.

Ministro Jungmann em visita ao stand do Exército

Ministro Jungmann em visita ao stand do Exército

ABERTURA

A abertura do evento contou com a presença do Ministro da Defesa, Raul Jungmann e também com os presidentes da Apex-Brasil, Roberto Jaguaribe, e Abimde, Carlos Frederico Queiroz de Aguiar.

Durante essa cerimônia pode-se colocar como ponto alto a fala do Ministro da Defesa sobre o trabalho do ministério para incentivar o setor especialmente quando o Ministro Jungmann citou a revisão de agenda regulatória para o setor, indo de encontro com a revisão que está sendo efetuada na END (Estratégia Nacional de Defesa).

Comandante da Força Aérea Brasileira Nivaldo Luiz Rossato

Comandante da Força Aérea Brasileira Nivaldo Luiz Rossato

Na fala do presidente da Apex-Brasil o ponto mais interessante foi a exposição de que o setor de defesa destina uma fatia maior de seu faturamento para Pesquisa Desenvolvimento e Inovação, em uma média uma cifra de 10% do faturamento, o que simboliza um percentual razoavelmente superior a média nacional de outros setores.

Do lado da Abimde, novo presidente Carlos Frederico Queiroz Aguiar reforçou a importância do evento e tocou em um ponto crítico quanto ao Governo, onde o setor de defesa carece de que o Governo trabalhe em melhores políticas públicas para o setor, além da necessidade de que o Ministério da Defesa atue para fomentar políticas de aquisição integrada entre as forças.

No restante os discursos abordaram a temática já conhecida das outras edições do evento, ressaltando a importância do segmento industrial de defesa e tendo do lado do Governo (Ministério da Defesa) o compromisso com o setor e do lado da Abimde a cobrança de que esse compromisso seja levado à cabo.

O EVENTO

Presença do Público

Presença do Público

Com cerca de 100 expositores dos mais diversos segmentos na Indústria de Defesa, de botas à aeronaves, a feira teve boa movimentação em todos os dias. Expositores já consagrados tiveram em seus stands verdadeiros pontos de peregrinação, como a Imbel, Taurus e Embraer. Alguns outros expositores ficaram em posição menos “favorecida”, mas a dinâmica do espaço facilitava a movimentação para que todos os expositores pudessem ser bem visitados e visualizados, mesmo aqueles mais afastados da entrada e da área “central” da mostra.

A ausência da Odebrecht Defesa e Tecnologia com stand próprio foi relativamente coberta com a presença de algumas das suas soluções dentro das áreas de outros expositores, como no stand da Marinha por exemplo.

Soluções para a Marinha do Brasil na 4ª Mostra BID Brasil

Soluções para a Marinha do Brasil na 4ª Mostra BID Brasil

Os stands das três forças tiveram expressiva presença do público e com foco no do Exército para as soluções da Imbel em rádios comunicadores, que fazem parte do projeto COBRA e uma opção de modernização para o EE-9 Cascavel, o veículo ficou em evidência e com diversas demonstrações de movimentação de sua torre.

Motor Foguete L-75

Motor Foguete L-75

Na Força Aérea um foco interessante ao motor de foguete L-75, em ponto central no stand, e logo a frente na área central da entrada na área interna da Mostra o mock-up do caça Gripen, em posição clara de destaque no evento, com seu cockpit aberto para visualização do que será o futuro WAD (Wide Area Display) da aeronave.

A Marinha trouxe a sua bem conhecida maquete esquemática do submarino nuclear e apresentou o desenvolvimento do projeto MANSUP, além de um foco interessante nos desenvolvimentos do CASNAV em soluções de simulação e gerenciamento.

A tônica bem evidente em diversas das soluções apresentadas no evento denotaram uma certa veia “temática”. Na edição passada da Mostra BID havia sido colocado um foco em simulação, desta vez o evento não possuiu um tema destacado mas as soluções apresentadas demonstraram um “tema” por si, a modernização e revitalização.

Com diversas empresas apresentando soluções em modernizações de equipamentos já em uso pelas Forças Armadas Brasileiras, algumas outras apresentando soluções em revitalização e manutenção de equipamentos. Uma parcela razoável do evento se focou nisso, algo relativamente natural dadas as circunstâncias mais restritas do país no presente momento.

Essa tônica de modernização/revitalização não retirou a importância de empresas que trouxeram soluções novas, produtos novos e nem mesmo o “brilho” de uma importante mudança do evento com a sua “internacionalização”, marcada principalmente pela presença da empresa Sueca SAAB. A companhia sueca que está envolvida com a Embraer e outras empresas nacionais no âmbito do F-X2 trouxe um stand próprio e com soluções em defesa anti-aérea.

EE-9U Cascavel Modernizado

EE-9U Cascavel Modernizado

Uma curiosidade importante e novidade desse evento foi a presença do Pólo de Defesa de Santa Maria, iniciativa do município do Rio Grande do Sul com suporte não somente da prefeitura mas também do governo do Estado em um projeto bastante interessante e consistente para o desenvolvimento da região sob a esteira da indústria de defesa.

ANÁLISE

Ao caminhar pelos corredores que estiveram bem preenchidos, com média diária superior à mil pessoas, foi possível verificar um setor de defesa que mesmo ainda sentindo as dificuldades do momento passado pelo país já consegue vislumbrar algum horizonte de melhora para algum momento futuro. Diferentemente das edições de 2013 e 2014 onde o pessimismo era forte e corrente no setor industrial a posição agora é de atenção mas com menos pessimismo do que anteriormente.

Evolução em estrutura com credenciamento possível em máquinas de auto-atendimento

Evolução em estrutura com credenciamento possível em máquinas de auto-atendimento

Colocando a experiência pessoal de quem esteve presente em todas as edições do evento é claro e visível a evolução não somente do evento, sua organização e estrutura, mas principalmente desse clima nos expositores. Ainda que esteja muito longe de ser um clima bom, a consciência de tempos difíceis agora possuí uma expectativa de que algumas engrenagens voltem ao seu devido movimento em breve e indústria brasileira seguirá seu rumo.

A bandeira do Brasil ao fundo da área interna de exposições e o mock-up do Gripen da FAB

A bandeira do Brasil ao fundo da área interna de exposições e o mock-up do Gripen da FAB

4 Comments

  1. Jorge Knoll says:

    O que tem de lindo o Cascavel Modernizado, e de operacional face a nova tecnologia, não seria oportunizar produzí-lo novamente, fica a minha indagação.
    Acredito que sairia mais barato que o Guarani, além de completar o arsenal do EB

  2. Jorge Knoll says:

    Quantos blindados Cascavel o EB ainda tem em estoque?

  3. César A. F. says:

    Poderia dizer sobre o clima de velório com o anunciado congelamento de investimentos da União pelos próximos 20 anos por parte do Meirelles, o que significa, nada mais, nada menos, do que a morte da nossa Base Industrial de Defesa.

  4. Acho importante que esse tipo de evento deveria ser também aberto ao público em geral
    para para difundir e popularizar o tema defesa.

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