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Conflitos Estados Unidos Geopolítica Opinião Síria

Invasões dos EUA no Oriente Médio: Nenhum sucesso, apenas consequências gravíssimas

Depois de duas guerras, várias intervenções menores e milhões de dólares entregues aos aliados no Oriente Médio, será que os interesses dos EUA na região estão assegurados? Serão agora os EUA um país mais seguro? Analistas debatem um dos problemas mais polêmicos da atualidade.

A relação de Washington no Oriente Médio se baseia em duas premissas, explicou Chris Preble, do Instituto Cato, que dirigiu o debate. A primeira é a ideia de que a referida área geográfica é de grande importância para os Estados Unidos; a segunda premissa afirma que Washington é capaz de continuar a fazer pressão para garantir os seus interesses na região.

De acordo com Preble, o Oriente Médio não possui uma grande relevância, pois não há países na área que ameacem a existência dos EUA. Além disso, muitos acreditam que a América do Norte não pode, efetivamente, mudar esta região.

“Invadir, ocupar países e esperar transformá-los é uma ideia muito tola: não funciona”, disse Andrew Bacevich, da Universidade de Boston. De fato, a estratégia de derrubada de regimes tem um monte de consequências. Em muitos casos, os países que tentaram se beneficiar da invasão norte-americana ficaram em estado pior do que estavam.

Para, além disso, o processo só tem produzido uma quantidade enorme de ressentimentos e criado áreas sem governo, onde esse ressentimento se aumenta, frisou Barry Posen, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

Posen considera que é pouco provável que uma abordagem diferente altere a situação. Washington testou várias abordagens: foi experimentada a mais cara, de grande escala e ocupação prolongada, com consequências catastróficas. Foi utilizada uma abordagem mais barata: derrubar Kadhafi e abandonar o país, o que também resultou em consequências graves. E foram realizados financiamentos a vários grupos rebeldes em guerras subsidiárias, como está decorrendo agora na Síria, de consequências igualmente fatais.

Isto continua acontecendo, disse John Mearsheimer, porque o país está “extremamente seguro, por isso […] pode causar caos e destruição, caos que resulta em ataques em muitos lugares, como na Europa, e que se espalha por todo o Oriente Próximo”, enquanto a maioria dos americanos não paga um preço direto por isso.

Como resultado da gestão da política exterior norte-americana, as Forças Armadas do país podem se intrometer nos problemas de outros países sem se preocupar com um possível contra-ataque.

Foto: © @FuriousKurd

Fonte: Sputnik News

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Conflitos Estado Islãmico Estados Unidos Geopolítica Iraque

EUA irão enviar mais soldados para batalha contra “Estado Islâmico” em Mosul

O primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, disse nesta quarta-feira que o governo dos Estados Unidos enviará mais soldados para ajudar as forças locais na batalha para retomar Mosul do Estado Islâmico, que deve acontecer mais perto do final do ano.

“O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi consultado sobre um pedido do governo iraquiano por um aumento final no número de treinadores e conselheiros sob o comando da coalizão internacional no Iraque”, disse Abadi em comunicado.

Abadi se reuniu com Obama e o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, na semana passada nos bastidores da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York, embora não esteja claro se o acordo foi selado na ocasião.

Tampouco se sabe quantas tropas norte-americanas foram solicitadas, e não houve confirmação imediata da Casa Branca ou do Pentágono.

O general do Exército dos EUA Joseph Votel, que supervisiona as forças de seu país no Oriente Médio, disse à Reuters em julho que os militares norte-americanos pretendem pedir soldados adicionais para o Iraque.

Atualmente os EUA têm ao menos 4.400 soldados em solo iraquiano, parte de uma coalizão liderada por Washington que proporciona amplo apoio aéreo, treinamento e aconselhamento aos militares do Iraque, que entraram em colapso em 2014 diante do avanço súbito do Estado Islâmico rumo a Bagdá.

As forças iraquianas, incluindo as forças curdas peshmerga e as milícias xiitas majoritariamente apoiadas pelo Irã, retomaram cerca de metade deste território ao longo dos últimos dois anos, mas Mosul, a maior cidade controlada pelo grupo ultrarradical em seu autoproclamado califado, provavelmente será a maior batalha ocorrida até o presente.

Comandantes dos EUA e do Iraque dizem que a ofensiva sobre a cidade pode começar na segunda metade de outubro.

O nível atual de tropas dos EUA no Iraque ainda é uma fração das 170 mil mobilizadas no auge da ocupação de nove anos que derrubou Saddam Hussein em 2003, desencadeando uma insurgência apoiada pela Al Qaeda e mergulhando o país em uma guerra civil sectária.

Stephen Kalin e Ahmed Rasheed

Edição: Konner/Plano Brasil

Fonte: Reuters

 

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Defesa Infantry Fighting Vehicles Rússia Sistemas de Armas Tecnologia Vídeo

“Caça Tanques” 2S25 Sprut-SD: Cerca de 20 t. com 125mm de destruição

O “caça tanques” russo 2S25 Sprut-SD, foi projetado para ser operado por unidades paraquedista, terrestre e força de fuzileiros navais.

Baseado no chassis do BMD-3, que também é fabricado pela Volgogradb, porém, com poder de fogo bem maior.

Sua arma principal de 125mm, está equipada com um carregador automático, capaz de disparar munições utilizadas pelo T-90.

Pesando cerca de 20 Toneladas e alcançando cerca de 70 k/h, se destaca por ser uma arma de grande poder de destruição, contudo, de grande flexibilidade e agilidade, em qualquer tetro de operações. 

https://www.youtube.com/watch?v=J7zA1FCgvQk

 

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Economia Estados Unidos Geopolítica Negócios e serviços Opinião

Por que a Econômia dos EUA cresce tão pouco?

Os funcionários da Walmart têm muita responsabilidade pelo fato de o FED (banco central norte-americano) não ter aumentado as taxas de juros na última quarta-feira. E os seus fregueses também.

Maior rede de hipermercados dos Estados Unidos, a Walmart é também o maior empregador do país, e, portanto, um bom termômetro para se mediar a sua situação econômica.

As vendas, em suas lojas dentro do país, acumulam oito trimestres consecutivos de crescimento, ainda que em ritmo lento, inferior a 2%, e a diminuição dos preços de alimentos têm forte impacto nos números. As famílias não gastam com satisfação e seus funcionários, apesar de algumas melhoras recentes, têm, em geral, salários bastante baixos, não sendo, portanto, grandes consumidores. E sem consumidores, os ganhos das empresas é que são afetados.

Por isso, o FED prefere aguardar por mais sinais de força econômica para voltar a aumentar os juros. Se a maior potência do mundo registra uma situação praticamente de pleno emprego e Wall Street atinge ganhos recordes, por que a economia cresce de forma tão lenta?

“Há bastante trabalho, mas os salários não aumentam, o poder aquisitivo da classe média está estagnado há 30 anos, e isso freia o crescimento”, explica Mauro Guillén, da faculdade de negócios Wharton, da Pensilvânia. Além disso, as expectativas de uma redução nos preços de produtos importantes para as famílias, como automóvel, casa e tecnologia, estão segurando muitas decisões de compras, sendo que a economia dos EUA é sustentada em 70% pelo consumo interno. “Uma economia tão dependente do consumo interno requer que a classe média se mova, pois os pobres não consomem e os ricos, embora o façam, são muito poucos”, acrescenta.

A recuperação da economia após a crise de 2008 não só tem sido a mais lenta, como também a mais pobre na história dos Estados Unidos. Para os próximos anos, não se espera um ritmo de crescimento superior a 2%. No ano passado, a taxa foi de 2,4%, mas o FED acaba de reduzir a sua expectativa em relação a 2016 (de 2% para 1,8%) e calcula mais 2% para os dois próximos exercícios. Já em 2019, o crescimento voltaria para o pobre 1,8%.

A produtividade de um iPhone

Dentre as razões para esse crescimento lento, sempre aparece a questão da produtividade. Quando o Produto Interno Bruto (PIB) de um país cresce, é porque há mais pessoas e mais capitais investidos ou porque há uma melhora na eficiência dos recursos já empregados. Nos Estados Unidos, a população não aumenta, e a que existe está praticamente toda empregada, daí uma produtividade muito contida. Além disso, como os salários são baixos, esses trabalhadores também não os revertem em consumo o suficiente para estimular o crescimento das empresas em que trabalham. “Embora em curto prazo os salários possam subir mais do que a produtividade, a médio e longo prazo isso não é sustentável”, assinala Guillén.

A produtividade aumentou apenas 0,5%, em média, nos últimos quatro anos. Se for considerada desde 1947, essa média chega a 2,1%. Patrick Newport, do IHS, admite de forma transparente que os economistas não têm conseguido compreender plenamente por que a produtividade dos EUA apresenta essa redução. Não se trata de um fenômeno exclusivamente norte-americano, já que o mesmo tem ocorrido, e até com mais intensidade, em outras economias industrializadas, como as europeias.

E há pelo menos duas teorias a respeito. Uma delas diz que, por mais impressionantes que possam ser as invenções como o iPhone ou o buscador do Google, por mais que os drones ou os carros sem motoristas nos deixem boquiabertos, o seu impacto em termos de produtividade de uma empresa é quase inexistente em comparação com o que acontecia no século passado: “O motor de combustão interno, a eletricidade, o sistema rodoviário, o avião ou a conexão das casas com os sistemas de abastecimento de água, gás e energia… tudo isso aconteceu antes de 1970”, lembra Newport.

Além disso, muitas das invenções recentes não se mostraram tão radicais em termos de produtividade quanto as inovações do passado porque, como lembra Guillén, a economia se desindustrializou, em favor de uma presença maior do setor de serviços, no qual, por ser tão dependente de mão-de-obra, é mais difícil obter avanços.

Austeridade fiscal

Também há quem afirme que não é nada fácil medir o impacto do Google como buscador ou que não somos capazes de avaliar todas as implicações de um medicamento que cura a hepatite C ou mesmo a diminuição da mortalidade infantil. Sendo um problema de produtividade ou de medição, a tendência é, de todo modo, “preocupante no longo prazo, pois a produtividade é necessária para uma melhora do nível de vida”, alerta Josh Bivens, diretor de pesquisa do Economic Policy Institute.

Se aplicada a chamada regra dos 72 –que calcula os anos necessários para duplicar um investimento ou um valor dentro de um ritmo de crescimento anual determinado–, com uma produtividade crescendo 2% ao ano o nível de vida de um país leva 36 anos para aumentar em 100%. Mas, se esse ritmo se mantém no 0,5% atual, essa mesma duplicação levará 144 anos para acontecer.

Os Estados Unidos também têm enfrentado os impactos da austeridade. Não é a mesma que foi adotada por países como a Espanha ou Portugal, mas ela é um fato, e o sua contribuição para o freio no crescimento é, para Josh Bivens, bastante subestimada. Na versão norte-americana, a austeridade fiscal tem sido imposta pela Lei de Controle Orçamentário de 2011 e tem feito diminuir muito o gasto público em comparação com outros momentos de saída de crises. O que afeta o investimento, o qual, por sua vez, afeta o consumo dos clientes da Walmart, motor de uma grande economia que já acumula vários anos de marcha lenta.

AMANDA MARS

Foto/Montagem: Janet Yellen – Chefe do Federal Reserve

Edição: Konner/Plano Brasil

Fonte: El País

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Destaques Estados Unidos Geopolítica Opinião

Geopolítica – O que ela ganha, e o que ela perde, com a corrida à Casa Branca

À medida que as eleições presidenciais nos EUA avançam e os debates ficam mais acalorados, pessoas ao redor do mundo discutem como o resultado afetará a geopolítica global. Analista político compartilha suas ideias sobre a real importância da campanha.

Há exatos 12 anos, em meio a outra campanha eleitoral dos EUA, acontecia em Nova York uma conferência sobre relações internacionais. George W. Bush e John Kerry, atual secretário de Estado, estavam na corrida pela presidência. A campanha ocorria um ano e meio após a invasão dos Estados Unidos ao Iraque, e a maioria dos participantes do evento imploravam aos mais poderosos, bem como aos eleitores, para libertar o país do suposto “mal” chamado Bush.

No calor da discussão, um representante de um dos países africanos presentes se levantou e disse enfaticamente: “Já que a humanidade depende tanto de quem será o futuro presidente dos EUA, por que, então, ele não é eleito pelo mundo inteiro?”.

A proposta não foi recebida com risos – mas com aprovação. Na época, Bush era extremamente impopular no cenário internacional; no caso de uma “votação universal”, ele não teria qualquer chance de ganhar. Aliás, ao contrário do que ocorreu em seu próprio país, onde um mês depois foi reeleito para cargo por mais quatro anos.

12 anos depois

A questão do representante africano refletia perfeitamente a percepção da situação que se formou após a Guerra Fria. Qualquer candidato que fosse vencedor, mesmo sendo impopular, viria a se tornar o político mais importante do mundo.

Hoje, 12 anos depois, todos os países estão novamente de olhos atentos à campanha presidencial norte-americana. No entanto, pela primeira vez em um quarto de século, os adversários diferem visivelmente em sua compreensão do papel que os Estados Unidos deveriam desempenhar na arena internacional.

Quando vários players externos começaram a questionar o axioma da liderança global dos EUA, o movimento deflagrado era visto como parte do processo de disseminação da democracia. Mas o surgimento de diversas camadas sociais no Ocidente que não entendem por que é necessário empreender tantos esforços no estrangeiro – quando se tem tantos problemas internos – abalou os alicerces da ordem.

É por isso que a atual campanha eleitoral nos Estados Unidos é, de certo modo, única. Não se pode negar que ainda é dirigida ao eleitor local, mas também é voltada para o público estrangeiro, que deve ser convencido de que Washington não tem a intenção de renunciar à sua liderança global. Para ser sincero, falta, no entanto, o entendimento de como que essa liderança conseguirá se sustentar no futuro.

Ideologia do cinismo 

Uma interessante controvérsia se desenrolou esta semana entre o presidente dos EUA, Barack Obama, que falou perante a Assembleia Geral da ONU, e o ex-secretário geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, que publicou um artigo no “The Wall Street Journal”.

Discursar na ONU é comum para Obama. Ele sempre enfatiza o papel de destaque de seu país, listando todas as suas grandes contribuições para a humanidade. Mas também sabe se conter. Obama costuma reiterar que os EUA não são onipotentes, que o mundo unipolar não é norma, mas sim exceção, e que Washington cometeu erros.

A dualidade de Obama e sua busca por uma abordagem equilibrada mostram que ele, mais do que qualquer um de seus compatriotas, percebe o quão multidimensional o mundo de hoje é.

No entanto, o que é importante para um acadêmico raramente beneficia um político.

Obama, que começou como a encarnação de uma nova era, vem constantemente tentando reduzir as expectativas das pessoas e, ao mesmo tempo, é cobrado a apresentar uma posição precisa e que gere resultados evidentes.

No final, todo mundo acaba infeliz – não só os seus adversários, que o qualificam como fraco e evasivo, como seus partidários, que acham que o chefe de Estado tem feito muito pouco do alto de sua posição.

Por outro lado, Rasmussen, como qualquer outro seguidor de uma ideologia neoconservadora, parece entender de tudo. As ameaças estão aumentando, os terroristas estão ficando mais fortes, a Rússia se torna mais audaciosa, e a China vem disputando o poder global – em suma, alguém deve colocar um ponto final em tudo isso.

“O mundo precisa de uma polícia se a liberdade e a prosperidade prevalecerem contra as forças de opressão, e o único candidato capaz, confiável e desejável para essa posição são os Estados Unidos”, escreveu o dinamarquês em seu artigo, pedindo ao país que “acorde”.

Não é necessário fazer uma análise profunda do texto de Rasmussen – trata-se de mero material de propaganda dirigida ao eleitor. Porém, cabe aqui um comentário.

Entre os problemas que exigem o envolvimento dos EUA em nome da preservação da ordem, Rasmussen cita o caso da Líbia, que, em suas palavras, “entrou em colapso e tornou-se um terreno fértil para terroristas”. Não sei quem lhe aconselhou a usar esse exemplo, mas, se considerarmos o histórico de conflitos na região, a declaração soa incomensuravelmente cínica.

Tempo urge no mundo todo

Obama e Rasmussen concordam, porém, em um ponto: é importante que o país não adote abordagens isolacionistas. Não é à toa que ambos apoiam Hillary Clinton, embora utilizando métodos e discursos completamente distintos.

Obama se dirige às pessoas que perderam a confiança no futuro, na tentativa de atrair os potenciais eleitores de Trump. Sua ideia é mostrar que o governo norte-americano compreende os anseios do povo. Já Rasmussen, fala àqueles que não precisam ser persuadidos – seu apoio deve apenas ser reforçado.

Mas a situação é muito mais grave: a mudança nos paradigmas sociopolíticos que vem se desenhando claramente nos Estados Unidos e no mundo todo indica que a classe dominante também está rachada.

A fatalidade anunciada em relação às próximas eleições é provavelmente exagerada. Afinal, quem ganhar não quebrará o sistema. Hillary não será capaz de retornar à década de 1990 (pela qual tanto anseia) nem Trump aos seus amados anos cinquenta.

A inércia da máquina do governo ainda é grande, apesar de sua agitação perante à imprevisível reação das massas. Só que a transição gradual para uma fase diferente é inevitável.

Tudo começou com Obama, que tentou combinar slogans tradicionais com uma política diferente. Isso continuará com o próximo presidente e, provavelmente, ganhará um nova roupagem na década de 2020. Isto é, caso o sucessor de Obama não saia da trilha só para provar a Rasmussen que Washington não está mais dormindo.

Fiódor Lukianov 

Foto: AFP / Casa Branca

  • Fiódor Lukianov é editor-chefe da revista Russia in Global Affairs e presidente do Conselho de Política Externa e de Defesa, um grupo independente de reflexão com sede em Moscou.

Edição: Konner

Fonte: Gazeta Russa

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Aviação Conflitos Rússia Ucrânia

Sistema antiaéreo Buk que abateu MH17 veio da Rússia

A equipe de Investigação Conjunta (JIT), que está a investigar o incidente do avião MH17 no leste da Ucrânia, em 2014, está apresentando na quarta-feira (28) um relatório preliminar contendo informações sobre o tipo de míssil que atingiu o Boeing da Malaysia Airlines e o exato local de lançamento.

Equipe de Investigação Conjunta (JIT) declara que sistema de mísseis Buk, com que foi abatido o avião MH17 em 2014, foi trazido do território da Rússia.

O avião do voo MH17 foi abatido no leste da Ucrânia por um sistema de mísseis Buk, que foi trazido da Rússia e, consequentemente, voltou para lá, disse o diretor da Divisão de Investigação Criminal Nacional da Polícia Nacional dos Países Baixos Wilbert Paulissen nesta quarta-feira.

“Com base nos resultados da investigação criminal, se pode concluir que o voo MH217 foi abatido no dia 17 de julho, 2014, por um míssil da série 9M38 lançado a partir de um BUK que foi trazido do território da Federação da Rússia, e depois do lançamento, posteriormente, foi devolvido para a Federação da Rússia “, disse ele a repórteres.

De acordo com o oficial, a investigação acredita que o míssil foi lançado do território controlado pelos independentistas de Donbass e não das regiões controladas pelas Forças Armadas da Ucrânia.

Wilbert Paulissen disse também que as conversas gravadas entre milícias de Donbass foram cedidas pelos serviços ucranianos.

Entretanto, a promotoria geral dos Países Baixos não relaciona oficialmente o acidente MH17 com ações da Federação da Rússia ou cidadãos do país.

“No momento,  cerca de 100 pessoas estão relacionadas de uma ou de outra forma com o acidente e o transporte do Buk. Já as identificámos. Algumas foram responsáveis pelo transporte, outras facilitaram o processo”, disse o procurador-geral dos Países Baixos.

Ele sublinhou que isto não torna essas pessoas automaticamente suspeitas: “Precisamos de perceber bem se a equipe que operava o Buk agia de modo autônomo ou recebia instruções de cima”.

A equipa de Investigação Conjunta está planejando publicar seu relatório após a conferência de imprensa.

O avião que fazia o voo MH17 caiu com 298 pessoas a bordo no dia 17 de julho de 2014 no Leste da Ucrânia, quando seguia para Kuala Lumpur a partir de Amsterdã, não deixando sobreviventes. A Ucrânia e a República autoproclamada de Donetsk se têm culpado mutuamente da derrubada do MH17.

A maioria das vítimas eram cidadãos holandeses. Por isso, o país  foi escolhido para chefiar o grupo internacional de investigação do acidente.

Edição/Imagem: Konner 

Fonte: Sputnik News

Voo MH17 – República Popular de Donetsk: conclusões da comissão sobre catástrofe são erradas

O vice-chefe das milícias de Donetsk, Eduard Basurin, declarou que a comissão que investiga a catástrofe do voo MH17 malaio em Donbass tirou conclusões erradas.

Mais cedo, o grupo internacional de investigação divulgou que o míssil que abateu o avião não foi lançado do território controlado pelas Forças Armadas da Ucrânia. “Após o Boeing ter sido abatido, apareceu a declaração do lado americano sobre o fato de que este foi abatido a partir do território controlado pela milícia, citando o fato que eles têm imagens de seus satélites. Dois anos passados, essa imagem nunca foi vista por ninguém. Após ter sido feito um apelo à Ucrânia para que esta entregasse os materiais dos seus radares e quais eram as aeronaves que se encontravam nesse momento no ar, ninguém entregou nada. Mas começaram imediatamente declarando que ele foi abatido por um sistema Buk do território controlado pela milícia. Acho que eles conscientemente levam até um beco sem saída, a comissão já é pela segunda vez que tira conclusões erradas”, disse Basurin aos jornalistas.

O Boeing 777 do voo MH17, de Amsterdã para Kuala Lumpur, caiu no dia 17 de julho de 2014 na região de Donetsk, na Ucrânia, em circunstâncias ainda não esclarecidas, matando todos os passageiros e tripulantes a bordo — 298 pessoas. Os participantes do conflito armado no Donbass negam sua participação na catástrofe, acusando os seus adversários – o exército da Ucrânia.

O porta-voz do presidente russo Dmitry Peskov comentou as recentes conclusões da comissão, dizendo que a investigação da queda do Boeing malaio na região de Donetsk em 2014 é acompanhada por especulações, ocultações e recusas de apresentar as provas de radar por uma série de países.

O chefe das tropas radiotécnicas russas, major-general Andrei Koban, disse que Kiev tem dados sobre a situação no espaço aéreo no local da catástrofe do voo MH17, não só de fontes civis, mas também de militares.

Fonte: Sputnik News

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Destaques Geopolítica História Opinião

Morre aos 93 anos, ex-presidente de Israel Shimon Peres

Último representante da geração que fundou o Estado israelense, ex-premiê foi uma das figuras mais importantes do país. Suas escolhas políticas lhe renderam um Nobel da Paz, mas foram também tema de constante debate.

Morreu na madrugada desta quarta-feira (28/09), aos 93 anos, o ex-presidente e ex-primeiro-ministro Shimon Peres, uma das figuras políticas mais importantes da história de Israel, vencedor do Nobel da Paz de 1994 por seus esforços para a resolução do conflito com os palestinos.

O estado de saúde de Peres se deteriorou seriamente no início do mês, quando foi vítima de um derrame no dia 13 de setembro. Ele estava internado num hospital em Tel Aviv há duas semanas, e sua situação era acompanhada com apreensão em Israel.

Peres foi um dos membros fundadores do Estado de Israel em 1948 e um homem que dedicou sua vida à política, tendo chefiado quase todos os ministérios-chave em seu país, da Defesa às Finanças, passando pelas Relações Exteriores.

Ele ocupou cargos públicos em 12 ocasiões, durante as mais de seis décadas em que esteve ativo na política israelense. Por três vezes assumiu o posto de primeiro-ministro – uma vez de forma interina – mas foi como presidente que atingiu o auge de sua popularidade.

Sua maior marca como político: nunca ter deixado de acreditar que poderia haver uma solução pacífica para o conflito com os palestinos – o que lhe rendeu um Nobel da Paz. Sua forma de encarar o tema, porém, também foi alvo de críticas. Muitas vezes ele foi chamado de o “pai das armas nucleares de Israel”.

No espaço de tempo entre a chegada com seus pais aos territórios palestinos, em 1934, e sua morte, a carreira de Peres foi motivo de debate: sem ele, não teria havido alguns assentamentos na Cisjordânia ou o reator nuclear de Dimona.

Shimon Peres, nascido Szymon Perski, deveria ter sido agricultor, segundo o desejo de seus pais. Ele nasceu em Wiszniewo, um vilarejo judaico no que era então território polonês (hoje Belarus). Quando seus pais deixaram a cidade rumo à Palestina, eles enviaram o filho de 11 anos para a escola agrícola Ben Shemen, no nordeste de Israel.

“Eu sempre tive a sensação de ter crescido em Israel”, disse uma vez Peres sobre a sua infância. Quando adolescente, ele estava mais interessado em política e religião e se tornou um membro do atual Partido Trabalhista – sempre perseguiu o sonho de um Estado democrático, mas também judaico.

Shimon Peres foi um presidente moderno; um homem que olhava para o Ocidente e que queria desenvolver o Estado judaico. Ele era o último representante da geração que fundou o Estado de Israel contra todos os obstáculos. E exerceu seus cargos com dignidade e sabedoria, perseguindo uma visão de um novo Oriente Médio.

Carreira política precoce

David Ben-Gurion, primeiro chefe de governo de Israel, confiava em Peres e o enviou para comprar armas no exterior durante a guerra entre árabes e israelenses em 1948. Essa era uma tarefa estratégica que não se podia esperar, necessariamente, que um jovem de 25 anos viesse a cumprir. Outros de sua geração o criticaram por não ter lutado na linha de frente por um longo tempo.

Em 1956, ele ajudou a planejar a Guerra de Suez, na qual Israel invadiu o Egito, seguido pela França e pelo Reino Unido. Em acordo secreto no início de 1957, o então primeiro-ministro francês, Guy Mollet, prometeu a Peres a expertise para um grande reator no deserto de Neguev, perto da cidade de Dimona. Peres jamais teve a permissão para falar sobre isso em público.

Em 1970, Peres se tornou ministro dos Transportes e Comunicações e, quatro anos mais tarde, foi nomeado ministro da Defesa no governo de Yitzhak Rabin. Ao renunciar, Rabin passou seu posto a Peres, que serviu então como primeiro-ministro por vários meses até que fossem realizadas novas eleições. Ele também levou seu partido à derrota em três eleições gerais (1981, 1988 e 1996).

Foi Peres que aprovou a construção do primeiro assentamento – Kedumim – na Cisjordânia. Entre 1977 e 1992, ele foi presidente do Partido Trabalhista de Israel, mas nunca levou a legenda a ganhar uma eleição geral. Pelo contrário: sua candidatura em 1977 provocou o fim de muitos anos de hegemonia trabalhista.

O posto de chefe de governo foi então para o Likud. Depois de novas eleições, Peres se tornou primeiro-ministro (1984-1986) por meio de acordo de rotação num governo de unidade. Por três vezes, ele foi ministro do Exterior, entre 1986 e 2002.

Em 2000, concorreu para um mandato de sete anos como presidente de Israel, mas foi derrotado. No final, Peres conseguiu retornar, ficando na Presidência entre 2007 e 2014. Aqueles que haviam anunciado sua morte política estavam errados.

Shimon Peres e Yasser Arafat assinaram o Acordo de Paz de Oslo em 1993

Nobel e pacifismo

Shimon Peres foi um duro crítico da invasão israelense no Líbano em 1982 e apoiou fortemente o ponto de vista de que a questão palestina só poderia ser resolvida de forma política, não militar.

Na década de 1990, ele voltou cada vez mais sua atenção para o processo de paz, apesar de o papel que desempenhou anteriormente na aquisição do reator nuclear por parte de Israel e na política de assentamentos não ter sido esquecido.

Repetidamente, ele apelou tanto a israelenses quanto a palestinos para se juntarem ao processo de paz. “Nem foguetes nem bombas podem nos impedir de trazer a paz para o Oriente Médio”, era o seu credo.

Ele foi o arquiteto do Acordo de Paz de Oslo, assinado com os palestinos em 1992, e recebeu o Prêmio Nobel da Paz junto a Yitzhak Rabin e Yasser Arafat. Quando Rabin foi assassinado em 1995, Peres assumiu interinamente, por pouco tempo, o cargo de primeiro-ministro.

Depois de perder a eleição, em 1996, ele fundou o Centro Peres para a Paz, num esforço de buscar a distensão entre Israel e seus vizinhos árabes. Aos 84 anos, ele desistiu da política partidária e concorreu para presidente. Os céticos estavam preocupados com a sua idade, mas Peres queria ser chefe de Estado.

O resultado, no entanto, foi uma surpresa: Moshe Katzav, um novato político, derrotou Peres e se tornou presidente em 2000. Posteriormente, a mídia israelense passou a afirmar que Peres sempre parecia estar à frente nas pesquisas de opinião, mas nunca ganhava uma eleição.

Quando Katzav foi forçado a renunciar, em 2007, na sequência de acusações de estupro e assédio sexual, o caminho para a presidência estava finalmente aberto a Peres. Ele continuou no cargo até 2014, já com 90 anos de idade.

“Eu já exerci quase todos os cargos eletivos. Eu sofri reveses. Mas eu também alcancei objetivos e espero que esses tenham contribuído para a nação, para a sua paz e segurança”, declarou certa vez.

Edição: Plano Brasil

Fonte: DW

Shimon Peres, uma vida por Israel

Ele serviu ao Estado israelense por quase sete décadas, tendo ocupado quase todos os cargos políticos do país. Sua meta mais recente era a paz com os palestinos.

Shimon Peres nasceu em 1923 em Wiszniew, cidade que então pertencia à Polônia. Filho de um comerciante de madeira, ele emigrou para a Palestina em 1934, junto com os pais. Inicialmente foi pastor e tesoureiro de um kibutz, Ainda jovem, tornou-se membro da organização paramilitar judaica Haganá.

Peres foi primeiro-ministro israelense por três vezes – sem ganhar uma eleição. Em 1977, ele assumiu o cargo por alguns meses após a renúncia de Rabin, até a realização de novo pleito. O mandato entre 1984 e 1986 se baseou em acordos (na foto, durante visita a Washington, com o presidente dos EUA, Ronald Reagan). E, depois do assassinato de Rabin, em 1995, Peres voltou a ser chefe de governo.

O ápice da carreira política de Peres aconteceu em 13 de setembro de 1993, quando Israel e a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) assinaram uma declaração de princípios. Os acordos de Oslo foram, por longo tempo, um marco no processo de paz. Pela primeira, vez, ambas as partes se reconheciam mutuamente. Os palestinos devem ganhar seu próprio Estado, e Israel, a paz.

Em Dezembro de 1994, Shimon Peres (c), então ministro do Exterior, recebeu o Prêmio Nobel da Paz juntamente com Yasser Arafat (e) e o primeiro-ministro Yitzhak Rabin. O trio é homenageado pelos acordos de Oslo.

O primeiro-ministro israelense, Yitzhak Rabin, foi assassinado em 4 de novembro de 1995, durante uma manifestação pela paz em Tel Aviv. Peres assumiu a posto de seu parceiro político e liderou, por apenas um dia depois, uma reunião de gabinete. A cadeira de Rabin permaneceu vazia. Seis meses depois, Peres perdeu a eleição para Benjamin Netanyahu.

Após dois turnos de votação, Peres é eleito presidente de Israel pelo Knesset, em 2007. Sete anos antes, ele havia perdido para o novato político Moshe Katzav. Após ser acusado de estupro e assédio sexual, Katzav renunciou, deixando o caminho livre para Peres.

Em 1945, Shimon Peres se casou com Sonya Gelman. O casal teve três filhos e vários netos. Depois de 62 anos ao seu lado, Sonya se separou do marido em 2007. Avessa à vida pública, ela sonhava com uma aposentadoria tranquila e não queria acompanhar Peres até o palácio presidencial, em Jerusalém. Ela morreu em 2011.

Em Janeiro de 2009 ocorreu um momento de tensão entre Turquia e Israel durante um debate no Fórum Econômico Mundial, em Davos. Peres fez um apelo inflamado pela guerra na Faixa de Gaza. Quando o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, quis rebater, o moderador do evento interrompeu o debate, devido a limitações de tempo. Então, Erdogan deixou furioso o palco.

Perto do fim de sua presidência, Peres mostrou mais um vez, em junho de 2014, como a paz com os palestinos é importante para ele. A convite do papa Francisco, ele se encontrou no Vaticano com o presidente Mahmoud Abbas. Neste momento, Peres é o presidente mais velho do mundo. Ele pretendia continuar trabalhando pela paz no Oriente Médio, mesmo depois de encerrar a carreira política.

Autoria: Christian Wolf

Edição: Plano Brasil

Fonte: DW

Líderes mundiais lembram Shimon Peres como visionário e estadista

Ex-presidente e ex-primeiro ministro de Israel é lembrado por seus esforços pela paz e como alguém que escreveu a história. “Uma luz se apagou, mas a esperança que ele nos deu permanecerá para sempre acesa”, diz Obama.

Após o anúncio da morte do ex-primeiro-ministro e ex-presidente de Israel Shimon Peres, na madrugada desta quarta-feira (28/09), aos 93 anos, líderes de várias nações se manifestaram sobre o ex-estadista, lembrado como um “visionário” e “um gênio com grande coração”. Peres foi um dos fundadores do Estado de Israel, em 1948, e recebeu o Nobel da Paz em 1994 por seus esforços para a resolução do conflito com os palestinos.

O presidente israelense, Reuven Rivlin, descreveu o antecessor como “um homem que carregou toda uma nação com as asas da imaginação, com as asas da visão”. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, por sua vez, definiu Peres como “o último de nossos pais fundadores”. “Ele não viu a história acontecer. Ele a escreveu”, disse o premiê.

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama elogiou Peres como alguém que representou a essência de Israel. “Há poucas pessoas com quem dividimos este mundo que mudam o curso da história da humanidade, não apenas por meio de seu papel nos acontecimentos humanos, mas  porque expandem nossa imaginação moral e nos forçam a esperar mais de nós mesmos”, disse. “Meu amigo Shimon era uma dessas pessoas. Uma luz se apagou, mas a esperança que ele nos deu permanecerá para sempre acesa.”

O ex-presidente americano Bill Clinton e sua esposa e candidata democrata à presidência, Hillary Clinton, afirmaram ter perdido “um verdadeiro e precioso amigo”, chamando-o de “um gênio com um grande coração, que usou seus dons para imaginar um futuro de reconciliação e não de conflito”.

“Grande estadista”

O ministro alemão do Exterior, Frank-Walter Steinmeier, afirmou que “o mundo perdeu um grande estadista, Israel, um de seus pais fundadores, e a Alemanha, um amigo e parceiro muito estimado”. O ministro destacou o engajamento de Peres em prol da amizade entre Alemanha e Israel.

“Suas contribuições para Israel, a terra de sobreviventes que ele ajudou a construir e moldou durante décadas com suas palavras e atos, são difíceis de mensurar”, declarou Steinmeier.

O presidente alemão, Joachim Gauck, enviou condolências a Rivlin, nas quais destacou que a vida do ex-líder israelense, a serviço da paz e da reconciliação, pode servir de exemplo para os jovens de hoje.

“Nós, alemães, vamos nos lembrar particularmente de sua disposição para a reconciliação. Apesar das atrocidades cometidas pelos alemães contra a família e o povo dele durante o Holocausto, Simon Peres nos estendeu a mão”, destacou Gauck.

Seu homólogo francês, François Hollande, chamou Peres de visionário. “Ele impressionava seus interlocutores com sua capacidade de propor iniciativas ousadas e novas ideias para alcançar esses ideais.”

Solução de dois Estados

A chefe da diplomacia da União Europeia, Federica Mogherini, afirmou que a memória do ex-líder israelense pode ser honrada com um “compromisso diário com a reconciliação”, “preservando e dando continuidade à sua visão de uma solução de dois Estados”.

Mogherini salientou ainda que Peres “nunca perdeu a esperança na paz e nunca deixou de trabalhar para que essa esperança se tornasse realidade”. “Mesmo nos piores momentos, a sua sagacidade, a sua ironia, a sua procura obstinada pelo diálogo foram uma fonte de inspiração para muitos em todo o mundo, incluindo eu mesma”, salientou, lembrando que ele sempre defendeu que a única via para a segurança do povo israelense é a paz com os palestinos.

O funeral de Peres, a ser realizado em Jerusalém nesta sexta-feira, deverá contar com a presença de diversos líderes internacionais. Segundo o Ministério israelense do Exterior, a lista inclui: Obama, o secretário de estado americano, John Kerry, Hillary e Bill Clinton, o príncipe Charles, Gauck, Hollande, o primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, o premiê australiano, Malcolm Turnbull, e o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto. O papa Francisco também deve comparecer.

Peres foi vítima de um derrame no dia 13 de setembro. Ele estava internado num hospital em Tel Aviv há duas semanas, e sua situação era acompanhada com apreensão em Israel.

LPF/dpa/lusa/ap/epd

Edição: Plano Brasil

Fonte: DW

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Após 50 anos Barack Obama nomeou primeiro embaixador dos EUA em Cuba

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nomeou nesta terça-feira o diplomata de carreira Jeffrey DeLaurentis para ser o primeiro embaixador dos país em Cuba em mais de cinco décadas, no que deve virar uma batalha feroz no Congresso, com oposição dos republicanos à abertura para a ilha de governo comunista.

A nomeação de DeLaurentis, principal autoridade do país na embaixada dos EUA em Havana desde que as relações foram restauradas em 2015, foi a mais recente decisão de Obama para ir o mais longe possível para normalizar os laços entre os antigos inimigos da Guerra Fria, antes de deixar o cargo em janeiro.

A indicação precisa de aval do Senado controlado pelos republicanos, o que é visto como um longo caminho, especialmente num ano de eleição presidencial e dada a forte resistência esperada por parte de legisladores cubano-americanos, como o senador Marco Rubio, da Flórida, e o senador Ted Cruz, do Texas.

“A liderança de Jeff tem sido vital ao longo da normalização das relações entre Estados Unidos e Cuba, e a nomeação de um embaixador é um passo adiante para uma relação mais normal e produtiva entre os dois países”, disse Obama em comunicado.

DeLaurentis era amplamente apontado como o favorito de Obama para o cargo. Mas ele evitou nomeá-lo até agora, apesar de Cuba ter indicado seu próprio embaixador em Washington pouco após as embaixadas terem sido reabertas nas capitais dos dois países. Será o primeiro enviado dos EUA a Cuba em 55 anos.

Matt Spetalnick

Foto: Jeffrey DeLaurentis – U.S. Department of State 14/08/2015 – Embaixada EUA em Havana, Cuba.

Edição/Imagem: Plano Brasil

Fonte: Reuters