Defesa & Geopolítica

O esforço russo na Síria

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Por: César A. Ferreira

Muito se escreve, mundo afora, sobre o esforço depreendido pela Federação Russa em apoio a República Árabe da Síria em favor do governo local, reconhecido como representante legal, em meio a guerra civil. Poucos, no entanto, detalham este esforço. Vamos então aos detalhes deste movimento russo.

Primeiro devemos perceber que  as ações se dividem em  contingente expedicionário, logístico e meios estratégicos. A Força expedicionária russa consiste de meios da VKS, fuzileiros navais, regimentos de artilharia de campanha e de defesa aérea. Os meios logísticos empregados são tanto uma frota que perfaz a rota Sebastopol – Latakia/Tartus, como aeronaves de transporte, que descarregam na base aérea de Bassel Al-Assad.  É interessante notar que as rotas utilizadas para o suprimento aéreo, contornam totalmente a Ucrânia e a Turquia, mas atravessam o espaço aéreo da Bulgária e da Grécia. Outra rota utilizada corta o mar Cáspio e passa pelo norte do Irã, nesta rota os transportes geralmente contam com a cobertura de escoltas de caças F-14, ou F-4, por parte da IRIAF.

Os meios aéreos desdobrados para a Base Aérea Bassel Al-Assadcompreendem 8 aeronaves SU-24M, e 3 aeronaves SU-24M2, 10 SU-25 SM, 2 SU-25 UM, 4 SU-30 SM, 4 SU-34, 12 helicópteros de ataque modelo Mi-24P e 3 Mi-8 AMTsh. Esta força destacada contém com a proteção dos Fuzileiros Navais da Frota do Mar Negro, que contam com o apoio de 6 Carros de Combate T-90S, 26 BTR-82A, 2 Gaz-2975 “Tigr”, 2 M-65 Lynx, 2 UAZ-469, 1 Kamaz 6350, 10 Kamaz 4350, 10 Gaz-66, 6 peças de artilharia (152mm) 2ª65 MSTA-B, rebocadas por outros 6 caminhões Kamaz 6350. Contam ainda com a proteção de meios de interferência eletrônica e de baterias antiaéreas para defesa de ponto e longo alcance, sendo os meios antiaéreos compostos por uma bateria S-400, protegida por 03 veículos do sistema Pantsyr S-1.

O dispositivo de artilharia antiaérea da Força Expedicionária da Federação Russa, sem sombra de dúvida é a estrela maior, alvo de todas as polêmicas posteriores ao evento com a emboscada aérea ao Su-24M2 (designativo 83). Trata-se do decantado S-400, sistema que cobre com facilidade o raio de 250 km (míssil 48N6). Os seus componentes são 01 viatura mãe para o radar 92N6E, cuja função é o controle de fogo e orientação dos mísseis do sistema, 01 veículo portador do radar de varredura de campo, banda UHF, Kasta 2E1 (radar de varredura, componente do sistema Pantsyr S-1, cada veículo com 12 mísseis 57E6), uma bateria com 04 veículos Pantsyr S-1 (unidades de proteção do sistema S-400), 01 veículo base para o radar 3D de aquisição de alvos 96L6E, 01 posto de comando 55K6E, 01 veículo supridor 22T6E2, 04 veículos lançadores múltiplos 5P85 (quatro lançadores cada, para mísseis 48N6). Além destes componentes temos 01 radar VHF 2D 1RL131, destinado ao controle de tráfego aéreo, mas que como o Kasta é capaz de varrer e captar caças com desenho stealth, 01 radar altímetro 1RL132 (complementa o 1RL131), cobertos pelo sistema de contra-medidas eletrônicas Krasukha-4 (01).

Ponte aérea e bombardeiros estratégicos

O esforço russo, no entanto, não se restringe à sua Força Expedicionária, havendo missões com a força bombardeiros estratégicos, provindos deEngels (Base Aérea), bem como com a montagem de uma ponte aérea, contando com transportadores An-124, Il-76 e até mesmo o improvável Il-62. O Na-124 foi o responsável pela entrega do S-400 em questão de horas após o affair SU-24M2.  As rotas desta ponte aérea contornam a Ucrânia em sua totalidade, como evitam também o espaço aéreo turco, todavia sobrevoam a Polônia, Bulgária e a Grécia, nações da OTAN, mas que nem por isso se mostram hostis à rota de suprimento. Outra rota dá-se pelo mar Cáspio e sobrevoa o Irã. Em geral, nestes voos há escoltas da IRIAF com caças F-14A e F-4E, idem para as missões de bombardeio, onde os transportadores russos receberam escoltas dos iranianos, notadamente com os caças F-14A. As missões de bombardeiro, sobejamente divulgadas na mídia marcaram o batismo de fogo do Tu-160, precisamente no dia 17 de novembro ultimo. 02 duas aeronaves tomaram a missão, o mesmo se deu nos dias subsequentes, sempre com um elemento  (duas aeronaves), os demais bombardeiros envolvidos foram  12 Tu-22M3, tanto no dia 17, como nos dias 18 e 19, e o venerável Tu-95MS, 3 no dia 17 e dois no dia 19.  No ataque efetuado no dia 20, foram escalados 12 Tu-22M3, 8 SU-34, 01 Tu-95MS, 02 Tu-160, sendo supridos por dois reabastecedores Tu-78M. Esta formação recebeu escolta de caças da IRIAF composta por 04 F-14A e 04 F-4E e F-4D. As escoltas da VKS foram proporcionadas por caças 04 Su-27 SM3 e 04 SU-30SM.

Transportador militar russo dirige-se para a Síria. O navio em questão, primeiro plano, é um Project 775 “Ropucha”. Foto: internet.

Transportador militar russo dirige-se para a Síria. O navio em questão, primeiro plano, é um Project 775 “Ropucha”. Foto: internet.

Atividade Naval

A Força Expedicionária da Federação Russa na Síria, ainda que bastante limitada, exige um apoio logístico de monta, que não pode apenas depender da ponte aérea. Por isso, uma intensa atividade naval, um verdadeiro “Expresso Damasco” se dá em direção à costa síria. Notadamente fazem parte os navios de desembarque de Carros de Combate. Dentre destacam-se aqueles do Project 775, mais conhecidos como “Ropucha Class”, construídos na Polônia. Estes navios podem abrigar até 24 veículos blindados ou transportar pouco mais de uma centena de infantes. Outro transportador que faz a linha para Tartus e Latakia é o Project 1171 Tapir, mas conhecido pelo nome código da OTAN, “Alligator”. É capaz de transportar uma vintena de Carros de Combate, ou 350 infantes completamente equipados. Da classe Project 775 foram avistados os seguintes vasos: 031-Aleksander Otrakovaskiy; 130-Korolev; 142-Novocherkassk; 151-Azov; 127-Minsk; 158-Cesar Kunikov; este último protagonista de uma nota de protesto da chancelaria turca, devido a presença de um infante com um MANPAD, enquanto da travessia no Mar de Mármara. Da classe Tapir: 150-Saratov e 152-Nikolay Filchenkov.Somam-se aos transportadores militares uma série de navios auxiliares e cargueiros civis.

O efetivo militar marinho, afora os transportadores, constam presentes na Esquadra do Mediterrâneo os seguintes vasos: 121-Moskva (Classe Slava, Cruzador Lança-Mísseis), 810-Smetlivy (Classe Kashin, Destroyer), 808-Pytlivy (Classe Krivak, Fragata); 801-Ladny (Classe Krivak, Fragata),além do submarino convencional, project 636 Rostov-On-Don, que recentemente disparou uma salva de mísseis 3M-54 Kalibr. Da flotilha do Mar Cáspio, afamadas por terem lançado salvas de mísseis de cruzeiroKalibr, participaram e participam das ações as covertas: 021- Grad Sviyazhsk, 106-Veliki Ustyug e 022-Uglich (Classe Buyan-M), além da fragata leve da classe Gepard, 693-Dagestan.

Em meio aos esforços russos, percebem-se no outro lado da fronteira algumas forças turcas desdobradas, com o intuito de proteger o trânsito de insurgentes turcomanos e da Al-nusra, presentes na região, são eles 10 Carros de Combate M-60 (Sabra), e uma unidade de guerra eletrônica HX 77 Koral. A Turquia enviou estes meios após o evento por ela mesmo desencadeado, quando realizou uma invasão do espaço aéreo sírio com o intuito de emboscar um elemento de Su-24M2, que resultou no abate e morte do Tenente=Coronel Peshkov.

Abaixo o infográfico com as informações desta matéria:

infogrc3a1fico

Fonte: DG

21 Comments

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  2. ,..A Rússia, está mostrando bem + agresiva na sua geopolítica externa e c firmeza de próposito..só falta a China flexionar seus músculos militares…Quem viver verá.Sds. 🙂

  3. Só o desvio de rota que as aeronaves russas são obrigadas a fazer para chegar no espaço aéreo internacional sírio já DUPLICA o gasto de combustível dos aviões da urssinha do Vlad Putin.

    Ou, em verso:
    “No meio do caminho havia uma Turquia;
    Havia uma Turquia no meio do caminho”.
    🙂 🙂 🙂

    Ponto para os turcos, o Erdogan e a OTAN.

    • Eu acho que petróleo não é problema para Russia já que tem de sobra no seu vasto espaço territorial.

      • É…
        .
        O que você acaba de dizer tem como base a, – LÓGICA.
        .
        Convenhamos…, artigo de LUXO, em se tratando de algumas “mentes” que “assombram” por aí…
        .
        Saudações,
        .
        konner

      • nao eh problema da Rússia mas eh da Síria aliada da mesma Russia… E se te roubassem petróleo e você nao pudesse se defender…

      • Rafa_positron says:

        Cara…. é o Vader

        ele toma remédio, rapaz

        adianta

        o cerebro do adolescente é todo carcomido

      • Deixei uma resposta pra você lá no tópico do Queen Elizabeth, seu verme, rsrsrs…

    • Não entendi, o que Erdogan e a OTAN ganham com isso?

    • É o jeito né! 😀

      Torcer pra Rússia quebrar ($$$)… pq no mano a mano nem OTANzinha e nem os USAmericanalhas conseguem derrubar… 😀 😀 😀

      “Chora maaaais” https://www.youtube.com/watch?v=lRxl0NQthEk

      • Acho que pode sim caro Warpath:

        Aéreos:

        Aeronaves de caça: 3.706
        Aeronaves de ataque: 646
        Guerra eletrônica: 201
        Bombardeiros: 171
        AEW: 124
        Helicópteros de ataque: 1.291

        Terrestres:

        Efetivos: 2.400.000 (aproximadamente)
        Carros de combate: 14.011
        Veículos armados (IFVs, APCs, AVs, IMVs e etc.): 90.766
        Artilharia rebocada (obus): 4.500
        Artilharia autopropulsada (obus): 3.934
        Lançadores de foguetes múltiplos (rebocados e autopropulsados): 2.531
        Sistemas de defesa antiaérea (rebocáveis ou autopropulsados, excluindo os portáteis): 7.971

        Navais:

        Porta-aviões: 12
        Porta-helicopteros: 14
        Submarinos de ataque: 119
        Cruzadores: 22
        Destróieres: 73
        Fragatas: 139
        Corvetas: 53

      • Os russos possuem pouco mais de 700 caças ativos entre suas forças (VVS, marinha e etc…) segundo o site http://www.globalfirepower.com/aircraft-total-fighters.asp

        A OTAN tem 3700.

    • Esse lixo sempre do lado do mal, do terrorismo, esse tem muita sorte de não ser meu vizinho.

      • Pega eu, hehehehe…

        Seu verme…

      • Quer dizer que se vc morasse numa favela (se é que não mora) vc acabaria com o tráfico de drogas e a bandidagem? Cabra macho, não quero ser seu inimigo! Chupa, Churry Norris!

      • Vai falar que tu ia convidar o gajo pra jantar fora ???… vc é dessas que dá em cima dos vizinhos porque é feia demais pra ir pra balada arrumar um macho ???… 🙂

  4. Ilya Ehrenburg says:

    É preciso entender que uma guerra sempre é custosa, todavia, existem meios para minimizar os seus custos. Por exemplo, incluir na tabela de voos de treinamento anual as missões, fazendo das mesmas um treino. Aplicar rotatividade de pessoal. Enviar armas próximas do descarte, facilitando o rodízio norma de material estocado e por aí vai…

    Ademais, a Rússia é produtora autossuficiente de derivados de petróleo, querosene não faz falta e pode ser gasto com largueza.

    Por fim, digo algo que deveria estar claro: para os russos a guerra na Rússia significa dar guerra aos mesmos alucinados jihadistas que barbarizaram na Chechênia e no Daguestão na década de noventa. Para eles é uma guerra de verdade, portanto, poupar não tem significado.

  5. A Máquina Troll says:

    e a guerra de informação/propaganda começa a chegar no fundo do poço/cumulo do ridículo senhores….milhões de doutrinados, alienados ou ignorantes acreditarão nisso…que o regime de Assad compram dos saqueadores as próprias riquezas que saqueiam de seu pais…como é que pode um pais comprar as próprias riquezas de seu território que foram saqueadas dela….vejam senhores a importância da instrução, educação de berço e senso critico na formação de um sujeito nos dias de hoje:

    Petróleo do Estado Islâmico está indo para Assad, diz autoridade dos EUA

    Por Guy Faulconbridge e Jonathan Saul

    LONDRES (Reuters) – Militantes do Estado Islâmico se dedicam a um comércio de petróleo cujo valor pode chegar a até 40 milhões de dólares por mês, com volumes significativos vendidos para o governo do presidente da Síria, Bashar al-Assad, e parte do produto chega a cruzar a fronteira e a entrar na Turquia, disse Adam Szubin, autoridade do Tesouro norte-americano.

    “O Estado Islâmico está vendendo uma grande parte do petróleo para o regime de Assad”, afirmou Szubin, subsecretário para Terrorismo e Inteligência Financeira do Tesouro dos Estados Unidos, na Chatam House, em Londres, nesta quinta-feira.

    “Os dois estão tentando matar um ao outro, e eles ainda estão engajados num comércio de milhões e milhões de dólares.”

    “Os volumes sobre os quais estamos falando e a quantidade de dinheiro que nós estamos falando são bem razoáveis”, declarou Szubin.

    Ele disse que “de longe a maior quantidade” de petróleo do Estado Islâmico termina sob o controle de Assad, enquanto outra parte é consumida internamente em áreas controladas pelo grupo, e outra parte vai para regiões curdas e a Turquia.

    “Parte está cruzando a fronteira para a Turquia”, afirmou ele.

    Militantes do Estado Islâmico têm levantado mais de 500 milhões de dólares no mercado negro de petróleo e saquearam até 1 bilhão de dólares de bancos na Síria e no Iraque, declarou ele, em declarações preparadas.

  6. O cara tem um pinico na cabeça… coisa boa é que não vai ter lá dentro.

  7. Ghost

    Valeu pela postagem bem detalhada dos equipamentos em utilização

  8. Na verdade os russos não tem outra saída senão se meterem nessa roubada, só que vai custar MUITO CARO pra eles… é simples assim… ainda mais agora que tão QUEBRADINHOS… só que a pergunta que se tem que fazer é: será que o esforço valerá a pena num futuro próximo ???…

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