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“Há uma obsessão na mídia local por denegrir o Brasil”

Primeiro, ele confiava na memória. Depois, até espaços em branco em cardápios de restaurantes foram sendo preenchidos em centenas de viagens. Foi só um ano e meio depois de estrear como chanceler do governo Lula que Celso Amorim ganhou um presente: “Quem me deu um caderninho foi a Dilma. No Equador. Ela era ministra de Minas e Energia e ela me disse: ‘Olha aqui, para você escrever’.”

Desse caderninho e dos que se seguiram, Amorim retirou as anotações para refletir, anos depois, sobre três momentos de sua passagem pelo Itamaraty entre 2003 e 2010. O resultado está em “Teerã, Ramalá e Doha – Memórias da política externa ativa e altiva” (Benvirá), a ser lançado no mês que vem.

No livro, Amorim revisita a tentativa do Brasil e da Turquia de mediar a negociação do programa nuclear iraniano , em 2010, um momento de protagonismo global mas controverso de sua gestão, os movimentos da diplomacia local no mundo árabe e o papel brasileiro nas negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio).

Na entrevista abaixo e no livro, o ex-ministro de 72 anos sublinha o que julga ter sido um papel ambíguo da então colega Hillary Clinton na questão. Ele relata que a secretária de Estado tentou, sem sucesso, dissuadi-lo da tarefa de conseguir o acordo com Teerã, que previa o enriquecimento de urânio para pesquisa médica tendo o Brasil e Turquia como fiadores — Istambul seria ainda intermediária e guardiã do material. O acordo foi, depois, rejeitado pelos EUA, apesar de cumprir os requisitos pedidos inicialmente, em carta, por Barack Obama. Para o ex-chanceler, um fator para o recuo americano em relação à proposta turco-brasileira foi a agenda política própria da democrata.

Amorim queixa-se, como no livro, da cobertura da imprensa brasileira deste caso e de outros. Para ele, é excessivamente negativa, uma “obsessão” local, o tratamento depreciativo do Brasil na grande mídia ­ (e não só sob Lula).

Já desvencilhado das funções de ministro da Defesa de Dilma desde dezembro, o ex-chanceler explica por que resolveu falar publicamente da crise de recursos do Itamaraty. Mostrou-se frustrado porque as diretrizes de expansão do corpo diplomático brasileiro e certas iniciativas globais lançadas por ele não tiveram seguimento no governo da sucessora de Lula.

Pergunta. Por que o sr. quis escrever sobre a iniciativa do Brasil e Turquia na questão iraniana? Foi para evidenciar a troca de posição de Hillary Clinton especialmente?

Há uma obsessão pelo autodenegrimento na mídia brasileira, deve ser uma coisa da psicologia coletiva. Eu acho que é pior com o PT, mas mesmo sem o PT era assim.

Resposta. Achei que era importante reunir de uma maneira mais ou menos sistemática as minhas anotações e as minhas lembranças. Comecei a fazer isso na época em que tinha saído o acordo provisório do P5+1 com o Irã (sobre o programa nuclear iraniano, em 2013). Recebi dois pesquisadores americanos que estavam escrevendo sobre ‘oportunidades perdidas’. Eles tinham escrito sobre (Jimmy) Carter e Cuba nos anos 70 e vieram falar comigo sobre Irã, por isso tive a ideia do título (do capítulo: ‘Declaração de Teerã: oportunidade perdida?’). É evidente que no curso da narrativa eu tive a preocupação de esclarecer como eu vi tudo se passar. Foram criados muitos equívocos. Como é que o presidente escreve uma coisa e quinze dias depois um ministro diz uma coisa diferente? Eu dou duas explicações possíveis, e eu confesso que a primeira a que eu me inclinei foi achar que Hillary não conhecia em detalhe (a carta de Obama que propunha os termos de um possível acordo com o Irã). Não é impossível, mas não é comum, porque lá eles são muito coordenados. Depois, pensei que poderia ter sido uma coisa diferente, como quem diz: ‘Obama escreveu mesmo, mas não tem importância. Estou aqui eu. Eu sou secretária de Estado e estou dizendo’.

P. Em retrospectiva, o que o sr. e o Brasil poderiam ter feito diferente?

R. Nós fomos até onde podíamos com a nossa capacidade diplomática, nossa capacidade de persuasão. Não acho que teríamos outra coisa a fazer. Até porque não era uma agenda nossa, e no livro eu deixo isso claro. O Obama é quem pediu. Eu me interessava, tinha participado daqueles episódios do Iraque. Eu achava que o Brasil tinha, sim, capacidade para ajudar a resolver o problema, desde que houvesse disposição das partes. Quando o Obama pediu, pareceu que era uma oportunidade. Nós temos uma vocação universalista na política externa e o Irã é um país importante. Dados os preconceitos e as atitudes muito tímidas que a opinião pública brasileira, e sobretudo a mídia brasileira, estimula, o Irã era, não digo essencial, mas útil para que o Brasil estivesse envolvido positivamente em uma questão universal. O que houve foi uma mudança de comportamento político, mas nós produzimos o que ninguém acreditava que nós fôssemos produzir, que o P5 + 1 não tinha produzido, que a Rússia não tinha produzido. Enfim, seria um gol. O fato de não ter sido gol não quer dizer que você não tem que chutar. Se não chutar, não vai fazer gol nunca.

P. O sr. falou da mídia e a crítica à imprensa brasileira é muito presente no livro. O que se escreve aqui tem tanto peso assim?

Enfim,  (com o Irã) seria um gol. O fato de não ter sido gol não quer dizer que você não tem que chutar. Se não chutar, não vai fazer gol nunca.

R. A mídia tem uma influência na opinião pública. Você pode dizer que hoje em dia, talvez, é menos importante do que foi no passado, que há outras fontes de informação, redes sociais, etc., mas obviamente tem um peso. As pessoas às vezes fazem perguntas estapafúrdias de quem nunca entendeu nada porque só leu a mídia brasileira. Não estou falando uma coisa da minha cabeça. Conversando com embaixador estrangeiro aqui, depois até de sair da Defesa, ele fez um comentário: ‘Nunca estive num país em que a mídia fosse tão unanimemente contra o governo quanto é no Brasil.’ Vou até complementar isso, embora, você sabe, eu tenha trabalhado com Lula, Dilma, seja ligado ao PT: Eu acho que é pior com o PT, mas mesmo sem o PT era assim. Eu dizia isso e meus amigos do PT não gostavam muito, não, mas é a verdade.

Cito um exemplo: uma vez eu estava na OMC, quando aconteceu aquele episódio da Vaca Louca no Canadá logo depois da questão da Bombardier e a Embraer. Claro que eles negaram até à morte que houvesse ligação entre as duas coisas, mas, para mim, tinha, e eles não tinham fundamento na questão da Vaca Louca. Eu convoquei uma reunião de um dos comitês fitossanitários que tem lá na OMC e era uma coisa fora do comum que um embaixador fosse a esse tipo de reunião mais técnica. Cinco ou seis países apoiaram o Brasil e o Canadá, exclusivamente, criticou o Brasil. Manchete no outro dia num dos grandes jornais: ‘Brasil é criticado na OMC’. Isso era na época do Fernando Henrique. Não posso nem dizer (que era coisa contra o PT). Há uma obsessão pelo autodenegrimento, deve ser uma coisa da psicologia coletiva, que eu acho que se acentuou com um governo popular, que não é de elite, mas não é só com ele, não.

P. Mas o sr. não acha que é melhor isso que uma coisa à americana, de imprensa patriótica fechada com o governo, o que pode acabar em desvios?

R. Não acho que deve ser fechada. Acho que deve ser objetiva. Dou esse exemplo porque ele é emblemático. Nunca fizemos o que a mídia queria, mas temos de lidar com a opinião pública. Tudo foi pintado de uma maneira totalmente diferente do que era, que o Brasil queria ser amiguinho do Irã, voluntarismo, Chávez. Uma misturada na cabeça.

P. Os relatos do livro sobre as iniciativas globais do Brasil na sua gestão contrastam com a leitura atual da política externa, de recolhimento e também de crise financeira, como o sr. escreveu em artigo para a Folha de S. Paulo. Por que decidiu falar da crise no Itamaraty?

Às vezes tem isso: o Brasil é pioneiro e depois fica para trás. Sobre Cuba, por exemplo, temos de continuar lá com nossos investimentos. Com o Irã as portas comercialmente estavam muito abertas para o Brasil, e depois teve um recuo.

R. Escrevi porque achei que tinha obrigação de escrever. Fui ministro de Relações Exteriores por nove anos e meio. Não é quantidade que faz a qualidade, mas fui o chanceler mais longevo da República ou até do Império. Eu me sinto responsável pelos jovens que entraram no Itamaraty ou que querem entrar no Itamaraty em grande parte motivados pela nossa política externa, mas que precisam de um mínimo de meios materiais para fazer essa política. Todo dia que eu abria o jornal tinha uma notícia negativa. Tenho muita confiança no Mauro (Vieira, novo chanceler). Ele tem tudo para ser um excelente ministro. Ele tem muito conhecimento da política externa, da diplomacia. Trabalhou comigo duas vezes. Foi chefe de gabinete. Conheço ele muito bem. Ele é muito hábil, e talvez seja mais hábil que eu. Eu falo muito o que eu penso, e isso de repente até cria resistências. Não sei. Eu acho que ele vai conseguir melhorar. Provavelmente, isso vai acontecer gradualmente. Não quero fazer esse julgamento. Achei que minha palavra poderia ter algum peso, estimular os jovens a ir para frente. Quem sabe isso também chega aos ouvidos de outras pessoas.

Houve vitórias também. Um dado muito importante recente foi a criação do Banco dos Brics. As reações da presidenta Dilma sobre a espionagem americana foram muito corretas.

P. O sr. nunca recebeu o convite para voltar para o Itamaraty?

R. Não recebi o convite.

P. Se tivesse recebido, teria voltado?

R. Quero deixar isso muito claro: não pleitearia, e não pleiteei. Cheguei a comentar, não com a presidenta, mas cheguei a comentar que o problema aí não era tanto o nome, mas ter condições. Não pleitearia até pelas condições do país. Dificilmente eu teria como fazer um trabalho, a meu ver, tão positivo como eu fiz naquela época, tem também o momento do Brasil, do mundo naquela época. Eu não poderia recusar porque eu teria um sentimento de responsabilidade com relação às pessoas, sobretudo os jovens. Só em quatro concursos entraram 400 pessoas, 40% do quadro do Itamaraty. Como eu poderia dizer, se fosse convidado: ‘Agora não é comigo, não, porque eu já cansei’.

P. Quantos às vagas no Itamaraty e os postos na África, há quem diga que o governo Lula deu um passo maior que a perna, que não era sustentável, e que a crise agora reflete isso. O que sr. diz?

R. Hoje em dia não está na moda citar Marx, mas vou citar uma frase dele que eu muito certa: a humanidade só coloca problemas que ela pode resolver. Você não pode querer, de antemão, resolver todos os problemas. Essas questões iam surgindo e a gente ia resolvendo. Eu confiava que as coisas continuassem no mesmo sentido. Evidente que você não pode deixar o embaixador sozinho na África, porque senão você faz das críticas, como se diz em inglês, uma profecia autocumprível. Se bem que, na hora de eleger o doutor Graziano (da FAO) e o Azevêdo (na OMC), ter embaixador na África ajuda, mesmo que ele não estiver fazendo nada, mas é claro que ele precisa fazer alguma coisa. Precisa de recursos para a Agência Brasileira de Cooperação, precisa ter condições de trabalho adequadas, que as pessoas não fiquem com medo de pegar malária. Isso pode acontecer com qualquer um, mas porque não tem ar condicionado porque não pagou a conta de luz não tem cabimento. Você tem que dar os estímulos adequados, as pessoas têm de saber que vão para um posto difícil e que depois terão recompensa, seja nas condições de vida materiais, seja em promoções.

Não acho que foi passo maior que a perna. Isso é a visão de quem não quer fazer nada. No mesmo ano em que aumentamos de 1.000 para 1.400 diplomatas, os EUA aumentaram de 10.000 para 14.000. Não estou dizendo que temos de ser do mesmo tamanho, mas também não podemos ter 1.000.

P. O sr. acha que faltou esse entendimento no governo Dilma?

R. Não vou julgar. Eu fui ministro do governo Dilma. Não sei se as circunstâncias não permitiram. Não cabe a mim dizer. Eu sei o que eu esperava fazer, que era preciso ter um apoio grande, era preciso que a outra lei que criava mais 400 vagas tivesse sido implementada _se não no ritmo que a gente fez, num ritmo um pouco menor, cinco, seis anos, sei lá. Motivação é fundamental.

P. E gestos de prestígio da presidenta? No seu livro, o sr. cita várias vezes o entusiasmo de Lula.

R. Lula gostava muito do Itamaraty. Ele foi até lá muitas vezes. Isso realmente estimula, ajuda as pessoas. Não quero fazer críticas. Volto a dizer: a própria escolha do Mauro demonstra, na minha opinião, que a presidenta Dilma está empenhada em ter uma boa política externa. Eu só tenho que ter esperança. Vamos ver se isso se concretiza. Isso depende da habilidade de cada um.

P. Em meio à crise, o governo cortou verbas de viagem, também não compareceu a uma discussão sobre a guerra na Síria, em Genebra. Isso não é frustrante para o senhor, que dedicou um capítulo do livro à movimentação diplomática brasileira no Oriente Médio?

R. Eu lamento. Você não constrói condições para ser convidado para uma reunião de poucos países sobre a Síria em poucos dias, você constrói em dez anos. É importante. Não vou negar que, nesse episódio específico, fiquei pensando: ‘Puxa vida, devíamos ter ido’. Às vezes tem isso: o Brasil é pioneiro e depois fica para trás. Sobre Cuba, por exemplo, temos de continuar lá com nossos investimentos. Com o Irã as portas comercialmente estavam muito abertas para o Brasil, e depois teve um recuo. O nosso trabalho na África. Tudo isso é recuperável. A história não é linear. Ela tem ciclos. Dá trabalho retomar ciclos. Mas quero dizer que houve vitórias também no Governo. Um dado muito importante recente foi a criação do Banco dos Brics. Esse é um dado novo. Realizar as coisas é muito difícil, porque eu conheço as resistências, inclusive da nossa área econômica. É um passo muito importante. As reações da presidenta Dilma sobre a espionagem americana foram muito corretas.

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Generais e diplomatas de pijama

O mais longevo chanceler da história brasileira passou quatro discretos anos à frente do Ministério da Defesa, entre 2011 e 2014. No cargo, teve a tarefa de comandar a pasta enquanto o governo criava a Comissão Nacional da Verdade, para apurar as violações de direitos humanos entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988.

As três Forças Armadas foram acusadas de obstruir a informações e arquivos da ditadura. Os chefes militares não compareceram ao lançamento do relatório e jamais pediram desculpas pelas violações. Amorim, no entanto, recebeu elogio da comissão pela mediação.

“Tivemos uma colaboração importante, claro que pela pressão da própria sociedade, representada pela própria Comissão da Verdade”, diz o ex-ministro. “Cada momento histórico é o seu momento histórico. É possível que se avance mais. O Estado brasileiro já reconheceu que houve essas violações, então não pode ninguém negar que houve. As Forças Armadas são parte do Estado brasileiro, que é um só.”

Amorim disse que não enfrentou resistência dos militares da ativa, numa pasta que, segundo os especialistas da área, segue sem subordinação total ao poder civil. Segundo ele, os problemas, em sua “maioria”, se resumiram às manifestações dos militares da reserva, que protestaram durante sua gestão. “Ai, os generais de pijama! Eu já tinha tido problemas com os embaixadores de pijama”, ironiza, em referência a suas diatribes públicas com proeminentes diplomatas ligados ao PSDB durante o governo Lula.

Fonte: El País

 

 

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Video: Documentario sobre a Atuação do General Santos Cruz no Congo.

Documentário da TV Al Jazeera sobre a atuação do General Santos Cruz no Congo.

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Vídeo: ENGESA EET4 OGUM

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Rapidinhas da Venezuela: Infanteria de Marina recebe 15 novas lanchas

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A Quinta Brigada de Infanteria de Marina Bolivariana Capitán de Fragata Tomás Machado pertencente ao Comando de Infantaria de Marina de La Armada de Venezuela recebeu um lote de 15 embarcações táticas do tipo Guardían G25 produzidas na Venezuela. As embarcações foram construídas nas instalações da Unidad Coordinadora de los Servicios de Carenado de La Armada (Ucocar) localizada na Base naval Contra Almirante Agustín Armario em Puerto Cabello.

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As embarcações são baseadas no modelo Guardian 25 desenvolvidas e fabricadas pela Empresa BRUNSWICK COMMERCIAL GOVERNMENT PRODUCT, INC, com sede na cidade de EDGEWATER, FLÓRIDA, (EUA) da qual a Infanteria de Marina já opera mais de 70 unidades. As Lanchas tem seu casco fabricado em Fibra de vidro medem cerca de 7 metros sendo que sua motorização fica a cargo de dois motores de popa MERCURY OPTIMAX de 200 CV e, podem atingir a velocidade de até 78 km/h, com autonomia de 4 horas de navegação.

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Possui capacidade de transportar 12 militares armados e equipados. As embarcações podem ser equipadas com três Metralhadoras MAG 7,62 mm e uma Metralhadora .50 ou Lançador de Granadas 40 mm A Quinta Brigada de Infanteria de Marina Fluvial tem como sede a cidade de Ciudad Bolívar capital do Estado de Bolívar e no seu ambito operacional esta unidade tem como responsabilidade o patrulhamento atuando na defesa do território venezuelano em ambiente fluvial, sendo que sua principal área de atuação   é o Rio Orinoco e de seus afluente ate o seu desague no oceano atlântico.

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Abaixo temos um vídeo da Guardian 25

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Fonte: FAV Club

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Africa Conflitos Geopolítica

Itália está “pronta para lutar” na Líbia

A Itália está pronta para se juntar a uma força liderada pela Organização das Nações Unidas (ONU) para combater “uma ameaça terrorista ativa”, após os recentes avanços de uma facção na Líbia que jurou lealdade a militantes do Estado Islâmico, afirmou o ministro das Relações Exteriores, Paolo Gentiloni, nesta sexta-feira.

Em entrevista à emissora de televisão SkyTG24, Gentiloni disse que a Itália apoiou os esforços do enviado especial da ONU, Bernardino Leon, para trazer as facções em conflito à mesa e tentar mediar um cessar-fogo.

Mas ele disse que se as negociações fracassarem, a Itália “está pronta para lutar, naturalmente, no contexto de uma missão internacional”.

“Não podemos aceitar a ideia de que há uma ameaça terrorista ativa a apenas algumas horas de barco da Itália.”

A situação na Líbia, já caótica, “está se deteriorando”, Gentiloni disse, acrescentando que a Itália “não pode subestimar” a possibilidade de um ataque de militantes do Estado Islâmico.

Nos últimos dias, as autoridades italianas fizeram declarações genéricas sobre a disposição de liderar uma força da ONU na Líbia, mas os comentários de Gentiloni nesta sexta-feira marcam uma postura mais agressiva.

Gentiloni falou após relatos da imprensa nesta sexta-feira de que os militantes que juraram lealdade aos Estado Islâmico no Iraque e na Síria haviam tomado o controle de emissoras de rádio e televisão em Sirte, uma cidade costeira na metade do caminho entre Trípoli e Benghazi.

Até recentemente, a facção do Estado Islâmico parecia ter poder limitado e estar confinada principalmente em Derna, disse ele.

A disputa pelo poder na Líbia, que tem sido o foco das negociações da ONU, é entre um governo reconhecido internacionalmente e uma administração rival criada em Trípoli depois que um grupo armado tomou a capital no ano passado.

Ambos os lados têm apoio de brigadas que ajudaram a derrubar o líder autocrata Muammar Gaddafi em 2011, mas, desde então, têm se enfrentado num conflito complexo que envolve tribos, antigas tropas de Gaddafi, militantes islâmicos e forças federalistas.

Traficantes de pessoas no país aproveitaram o caos para enviar dezenas de milhares de refugiados e imigrantes em pequenos barcos superlotados para a Itália.

Mais de 300 imigrantes morreram tentando chegar à Itália a partir da Líbia em águas agitadas nesta semana. A agência de refugiados da ONU diz que pelo menos 218 mil imigrantes atravessaram o mar Mediterrâneo de barco no ano passado e 3.500 vidas foram perdidas.

Reportagem: Steve Scherer

REUTERS

Fonte: Terra

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Conflitos Geopolítica Ucrânia

Ucrânia: Separatistas acusam Kiev de violar o acordo de trégua em Donbass

Representantes das milícias de Donetsk e Lugansk disseram hoje que, pouco depois do anúncio do regime de cessar-fogo, tropas ligadas ao governo da Ucrânia realizaram novos ataques no leste do país.

Segundo declarações de Eduard Basurin, porta-voz das forças de combate de Donetsk, o líder da autoproclamada república popular, Alexander Zakharchenko, convocou uma reunião de emergência para discutir o problema. As hostilidades, de acordo com ele, teriam recomeçado por volta das 2h (horário local), quando grupos armados subordinados a Kiev, na cidade de Debaltsevo, abriram fogo contra os separatistas, que tiveram que responder na mesma medida para evitar um massacre.

De acordo com o serviço de imprensa de Donetsk, zonas em torno do aeroporto local e das cidades de Yenakiyevo e Horlivka também estão sendo bombardeadas.

Fone: Sputnitk

Cessar-fogo na Ucrânia é mantido, apesar de violações

Acordo de paz estaria sendo “de modo geral, observado”. Na região de Debaltsevo, ataques de artilharia ocorreram poucas horas após o início da trégua. Exército e separatistas trocam acusações de violações do acordo.

Poucas horas após o início do cessar-fogo, à meia noite deste domingo (15/02), forcas militares da Ucrânia e separatistas se acusam mutuamente de violações da trégua.

O governo ucraniano confirmou que o cessar-fogo estaria sendo “de modo geral, observado”, mas informou que as forcas ucranianas teriam sofrido dez ataques desde o inicio do prazo. Ainda assim, Kiev qualificou estes incidentes como fatos isolados.

O presidente ucraniano Petro Poroshenko, em pronunciamento à nação, afirmou esperar que esta “última chance para o início de um longo e complicado processo de paz” não seja desperdiçada. O porta-voz das Forcas Armadas do país, Vladyslav Selezynov, assegurou que a ordem do presidente para que a trégua fosse iniciada foi imediatamente cumprida pelos militares ucranianos.

O departamento de Estado dos EUA informou que imagens feitas no leste ucraniano forneciam evidências seguras de que forças militares russas lançaram ataques de artilharia e mísseis contra o exército ucraniano próximo a cidade de Debaltsevo, palco de violentos combates nos últimos dias.

“Estamos seguros que se trata de militares russos e não de separatistas”, afirmou a porta-voz do departamento de Estado, Jen Psaki.

O chefe dos serviços de segurança da Ucrânia, Valentyn Nalyvaichenko, informou que menos de uma hora após o início da trégua, uma tropa de cossacos formada por cidadãos russos efetuou disparos de artilharia na região. Debaltsevo é um importante centro ferroviário, localizado entre os dois bastiões dos rebeldes, Donetsk e Lugansk.

Acordo de Minsk prevê punições

Os rebeldes também acusam as forças ucranianas de violar a trégua. O líder separatista Eduard Basurin justificou os ataques das milícias pró-Rússia na região de Debaltsevo ao afirmar que “no interesse de evitar mortes entre a população civil, ataques precisos estão sendo efetuados contra posições do inimigo”. Ele sustenta que a região é território dos rebeldes.

Ao comentar as declarações de Basurin, o porta-voz do presidente russo Vladimir Putin, Dmitry Peskov, afirmou que as medidas previstas quanto a violações do cessar-fogo deverão ser estritamente obedecidas. “Todas as conseqüências das ações foram mencionadas no pacote de medidas para a implementação do acordo de Minsk. Todos os termos devem ser incondicionalmente observados”, ressaltou.

 

Fonte: DW.DE

 

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Conflitos Geopolítica Opinião Rússia Ucrânia

Rússia ganha batalha após Acordos de Minsk “II”

Apesar da propaganda do Ocidente, que mostra a Rússia como ‘agressor’ na crise ucraniana, Moscou ganhou o respeito de seus interesses na Europa e uma trégua no conflito, acordada por líderes europeus, opina o cientista político indiano.

Os Acordos de Minsk, assinados por representantes do governo ucraniano e os líderes das autoproclamadas Repúblicas de Donetsk e Lugansk, tornaram-se um sucesso diplomático da Rússia, escreve no seu artigo Melkulangara Bhadrakumar, colunista do site analítico Strategic Culture Foundation, ex-diplomata e cientista político.

Segundo ele, as condições dos Acordos de Minsk confirmam que Moscou entrou nas negociações com uma posição de partida bastante forte, contrariamente às informações difundidas pelos meios de comunicação ocidentais.

O principal resultado e conquista da diplomacia russa no que toca à resolução do conflito entre Kiev e os líderes das repúblicas autoproclamadas, acredita o cientista político, foi o acordo de manutenção do diálogo sobre o estatuto das regiões do Sudeste.

“Sem dúvida, a Rússia beneficiou [das negociações], porque a posição inflexível do Kremlin em negar as ambições territoriais na Ucrânia foi confirmada. Por outro lado, a Rússia defende o princípio de integridade territorial da Ucrânia e vai segui-lo até ao fim, desde que haja paridade na observância dos  interesses legítimos de Moscou e do Ocidente. Os líderes da França e da Alemanha parecem compreender esta posição”, opina o analista.

Fonte: Sputnik

Quem será mais favorecido pelo acordo de paz?

Atirador Sniper separatista aldeia de Vergulivka em Debaltseve leste da Ucrânia

Bridget Kendall

Embaixada americana na Ucrânia divulga fotos de satélite mostrando artilharia russa perto de Debaltseve

Poucas horas antes da entrada em vigor de um cessar-fogo negociado pelos líderes da Rússia, Ucrânia, França e Alemanha, os combates entre forças do governo e separatitas continuam intensos na Ucrânia.

A cidade de Debaltseve está em chamas, sofrendo bombardeio pesado de forças separatistas.

A embaixada americana na Ucrânia divulgou fotos de satélite que mostram artilharia russa posicionada próximo à cidade.

Kiev acusa Moscou de apoiar os rebeldes com armas e tropas, mas a informação é negada pelo governo russo.

Também há informações de combates em Mariupol e explosões no em Donetsk, onde estão sediados os separatistas.

O acordo de paz firmado nesta semana em Kiev prevê que um cessar fogo entre em vigor à meia noite deste sábado (20h de Brasília).

Acordo

Mas caso o tratado seja levado adiante, quem será o maior beneficiado? Os separatistas e a Rússia? Ou a Ucrânia?

Em teoria o acordo dá uma vantagem tática imediata aos rebeldes – à Rússia, por consequência.

Pelo tratado, os rebeldes têm que fazer sua retirada da frente de batalha a partir da linha de cessar-fogo definida em um acordo anterior, de setembro do ano passado.

Já as forças ucranianas têm que retrair a partir da linha de frente que controlam atualmente.

Isso quer dizer que o exército ucraniano terá que aceitar se retirar do território pelo qual vinha lutando, frente ao avanço rebelde ocorrido nos últimos meses.

O presidente ucraniano Petro Poroshenko afirmou que esse não foi o único ponto do acordo no qual suas demandas não foram totalmente atendidas.

Separatistas podem sair favorecidos a curo prazo se acordo de paz sair do papel

Ele também havia requisitado um cessar-fogo imediato – mas o que ocorreu foi uma intensificação dos combates até a entrada em vigor da trégua, dois dias depois da assinatura do acordo.

Kiev também queria o compromisso de que todas as tropas estrangeiras fossem retiradas da região. Isso está no texto do tratado, mas será que o presidente Vladimir Putin se comprometerá com esse ponto, uma vez que Moscou nega que suas forças ou armamentos estejam em território ucraniano?

E embora esteja previsto que a Ucrânia retome o controle de suas fronteiras com a Rússia – uma demanda chave, para impedir a entrada de armamentos russos no país – isso não deve acontecer antes do fim de 201,5 e sob certas condições.

Primeiro, uma nova Constituição ucraniana deve entrar em vigor. Ela terá que dar às regiões rebeldes o direito de formar suas próprias forças policiais, apontar seus juízes e realizar comércio internacional com a Rússia.

Atirador Sniper separatista em Debaltseve leste da Ucrânia

Longo prazo

Mas apesar da imediata vantagem russa no acordo, se todas as etapas do tratado forem cumpridas ele pode ser favorável à Ucrânia a longo prazo.

Isso porque o documento pressupõe a soberania da Ucrânia – o que significa em último caso que todos os territórios rebeldes e fronteiras deverão voltar ao controle de Kiev em algum momento.

As autoproclamadas repúblicas de Donetsk e Luhansk não são mencionadas no documento. Também não há referência a sugestões ocorridas anteriormente de que as regiões rebeldes possuam governos próprios – um cenário favorável à Rússia, para diminuir a influência de Kiev no leste do país.

Pelo contrário, agora Moscou está incentivando a reintegração das regiões rebeldes à Ucrânia, o que incluiria a restauração dos laços econômicos com Kiev, cortados no ano passado.

Isso geraria a reabertura de bancos e o pagamento de salários e de pensões, além da retomada de outros serviços – fazendo com que muitos residentes da região não dependam da ajuda humanitária russa.

Atirador Sniper ucraniano não muito longe de Debaltseve

Aposta de Putin

Possivelmente devido aos atuais problemas econômicos da Rússia, Putin pode ter calculado que não seria vantajoso se sobrecarregar a longo prazo para sustentar a região de Donbas.

Outra tese é a de que Moscou tenha avaliado que pode ser favorável manter áreas de influência dentro do território ucraniano para aumentar seu poder na política ucraniana.

Mas tudo isso ainda está no terreno hipotético. A questão que gera mais pressão hoje é: o acordo de paz conseguirá sair do papel? O cessar-fogo assinado em setembro do ano passado falhou, então o que pode impedir que o novo tratado fracasse?

Uma esperança é a de que houve mudanças de contexto. Desde setembro, o conflito piorou e muitos temem que ele possa sair do controle. Em termos políticos e econômicos as áreas controladas pelos rebeldes estão menos ligadas ao resto da Ucrânia.

Internacionalmente, a fenda entre a Rússia e o Ocidente aumentou de forma alarmante – ao ponto do presidente americano pensar em enviar armas para a Ucrânia.Senso de urgência

Essas mudanças acrescentaram um senso de urgência e de desespero à diplomacia nesta semana. Elas também motivaram os líderes da França e da Alemanha a se oferecer como garantidores do processo.Foi isso que persuadiu os presidentes Putin e Poroshenko a viajarem para Minsk e fez os quatro líderes passarem a noite discutindo para chegar a um cessar-fogo.

Como muitos participantes disseram, essa pareceu a última chance de negociar a paz. Continuar no mesmo rumo levaria ao abismo.

Há muitas armadilhas e fraquezas nessa tentativa de acordo. Não seria necessário fazer muito para derrubar esse castelo de cartas. Mas o medo de um novo fracasso pode dar uma pequena chance a esse potencial acordo.

Bridget Kendall: Analista diplomática da BBC News

BBC BRASIL

Fonte: Terra

 

 

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Vídeo: F-18 Hornet no Hornet Ball 2014 em Sydney Austrália

 

https://www.youtube.com/watch?v=H2lpwFZyXMQ

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Conflitos Geopolítica Ucrânia

Horas antes do cessar-fogo combates prosseguem na Ucrânia

Nas cidades de Mariupol e Debaltsevo, controladas pelo governo de Kiev, autoridades denunciam violentos ataques poucas horas antes do acordo de paz entrar em vigor. G7 ameaça punir violações do cessar-fogo.

Poucas horas antes do inicio do cessar-fogo, que passará a valer partir da primeira hora deste domingo (15/02) no leste da Ucrânia, ataques violentos ocorreram em duas cidades da região, controladas pelo governo de Kiev.

Em Debaltsevo, o chefe da polícia local alertou que os separatistas realizam bombardeios intensos no local, na manhã deste sábado. “Os rebeldes estão destruindo a cidade. Há bombardeios ininterruptos em áreas residenciais e edifícios. A cidade está em chamas”, afirmou o chefe de polícia através de uma rede social. Ele também informou que mísseis atingiram a sede da polícia.

Debaltsevo, um centro ferroviário estratégico localizado entre as cidades de Donetsk e Lugansk – bastiões dos separatistas – tem sido alvo de violentos combates nos últimos dias, que levaram milhares de civis a abandonarem o local.

Na cidade portuária de Mariupol, autoridades denunciaram que ataques de artilharia atingiram áreas próximas ao local. A cidade é considerada um alvo estratégico dos separatistas pró-Moscou, que teriam como objetivo criar um corredor entre o território russo e a Península da Crimeia, anexada pela Rússia há 11 meses.

Os ataques ocorrem poucas horas antes do início do cessar-fogo estabelecido entre os rebeldes e o governo de Kiev, após uma maratona de negociações entre os líderes da Ucrânia, Rússia, Alemanha e França.

G7 ameaça punir violações do acordo

Os líderes do G7, o grupo formado pelo Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos, ameaçaram punir aqueles que não observarem o cessar-fogo na região.

Através de nota divulgada nesta sexta-feira, o grupo expressou sua preocupação com o aumento da violência antes do acordo de paz entrar em vigor.

“Todas as partes envolvidas devem interromper atividades que possam obstruir o início do cessar-fogo nos próximos dias”, afirma a nota do G7. O grupo alertou que milícias separatistas apoiadas por Moscou operam além dos limites estipulados, “causando inúmeras mortes de civis”.

“O G7 está de prontidão para adotar medidas adequadas contra aqueles que violarem o acordo de Minsk […] em particular contra aqueles que não observarem o acordo de cessar-fogo e a retirada de armamentos pesados”.

Fonte: DW.DE

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Geopolítica Opinião

Le Point: OTAN fará um favor ao mundo se deixar de fomentar conflitos

A OTAN faz todo o possível para entrar no conflito ucraniano, escreve o colunista do jornal francês Le Point Pierre Beylau.

“Os dirigentes da OTAN… agitam regularmente um trapo vermelho, incham o peito e fazem afirmações que fomentam hostilidade. Eles farão um grande favor ao mundo se ficarem calados”, acredita o jornalista.
O colapso da URSS, do ponto de viste de Beylau, provocou suores frios aos generais e burocratas civis da OTAN, que prosperam somente à conta de um inimigo. Naquela altura, sublinha o colunista, a Aliança “devia ser jogada para o despejadouro insondável da História”. Porém, segundo Beylau, a OTAN aparentemente decidiu fixar a sua posição estratégica convidando novos membros e “expandindo a geografia da sua influência potencial sobre o planeta inteiro”.Beylau escreve que a Aliança “encontrou um novo osso para cravar os dentes”, e esse osso é a Ucrânia.No início a Rússia reagiu de maneira bastante calma à expansão da OTAN, mas a ideia de adesão da Geórgia e da Ucrânia à OTAN “ultrapassaram a linha vermelha para Moscou”. Isto foi uma provocação por parte da OTAN, diz o artigo.

Fonte: Sputnik

 

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Ministro da Defesa da Rússia constatou interesse de Cuba na área militar e naval

Após a reunião com líder cubano, o ministro da Defesa russo constatou interesse em ampliar a cooperação na área militar e naval.

As relações bilaterais de Cuba e Rússia na área técnico-militar se desenvolvem de maneira construtiva, anunciou o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, durante reunião com o presidente cubano, Raúl Castro.

“As nossas relações na área militar se desenvolvem de modo construtivo. Gostaríamos de agradecer a parte cubana pela recepção prestada aos navios militares russos durante a chegada ao porto de Havana. Estamos interessados na ampliação da cooperação militar e naval”, disse Shoigu.

Segundo o ministro, já existe uma grande experiência de treinamento de quadros cubanos em universidades militares russas. “Enxergamos boas perspectivas nessa área de cooperação”, informou a autoridade russa.

“Estamos sistematicamente desenvolvendo a nossa parceria na área técnico-militar”, destacou Shoigu. Ele convidou as delegações militares cubanas a participar das competições internacionais de Biatlo de Tanques, dos jogos militares, da quarta conferência de segurança internacional e do fórum Exército-2015, eventos a serem realizados este ano na Rússia.

O chefe de Estado cubano disse que as delegações militares do seu país certamente participarão desses eventos.

 

Fonte: Sputnik

 

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Conflitos Geopolítica Opinião Rússia

O segredo da principal “arma” da diplomacia russa

Aleksei Meshkov vice-chanceler russo

Tamanha pressão sobre os países da UE na questão das sanções antirrussas e os motivos de uma possível decisão de alguns membros da OTAN para fornecer armas letais à Ucrânia, são os tópicos da entrevista que Aleksei Meshkov, vice-chanceler russo, concedeu à correspondente da RIA Novosti, Maria Kiseleva, por ocasião do Dia dos Diplomatas.

– Como o senhor costuma comemorar o Dia do Diplomata, celebrado na Rússia em 10 de fevereiro?

— Estou muito feliz por ter sido um dos integrantes da equipe das pessoas que estiveram na origem da instituição deste feriado em nosso país. Com certeza, a sua história ainda não é muito longa, mas os diplomatas, ao nos aproximarmos cada ano desta data, analisamos o que temos feito no período anterior. Para nós, o Dia é importante do ponto de vista da aprovação do nosso trabalho pela liderança do país.

No que diz respeito à celebração, no sentido próprio da palavra, para nós este feriado é, mais bem, digamos, intimamente gremial. Isso é mais importante do que organizar alguns eventos pomposos, tanto mais que hoje em dia, quiçá, não seja uma altura para gastar dinheiro em quaisquer shows de gala especiais. O principal é que as pessoas estejam em boa forma e ativas. E em Dias como este, é claro, recebemos para tal uma nova carga de entusiasmo.

– Diplomatas estrangeiros, imagino, têm inveja, já que tal feriado não existe quase em nenhum país do mundo.

— Têm, sim. Os colegas com quem tenho falado nas recepções diplomáticas que organizámos nos últimos anos no exterior para os nossos colegas estrangeiros, não percebem este Dia como um feriado dos diplomatas russos, mas sim como de todos os diplomatas em geral. E até certo ponto, realmente, têm inveja de nós.

– Qual é, na sua opinião, a principal “arma” do diplomata russo?

— A principal arma do diplomata russo sempre tem sido e continua sendo o conhecimento. Se o diplomata tem um domínio real da matéria, domina os dados reais, a situação real e a informação real, é muito difícil fazer-lhe frente recorrendo aos clichês puramente ideológicos, usados, infelizmente, com tanta frequência no último período por nossos parceiros ocidentais.

– A UE quer colaborar com a Rússia no âmbito de alguns temas, como o antiterrorismo, por exemplo, e no âmbito de outros não quer, sendo suspendido um número de programas de cooperação. Como a Rússia vê tal política seletiva de Bruxelas?

— Na minha opinião, a UE quer trabalhar conosco em todas as questões, mas muitas vezes tem medo de ficar à margem da corrente geral quando se trata de certas atitudes antirrussas.

Somos pragmáticos. Eu não posso imaginar por que razões não devemos cooperar com a UE, os EUA e com outros países para combater o terrorismo. Para mim, o principal consiste em contribuirmos para evitar a morte de nossos cidadãos, para que o terrorismo se transforme em uma tendência marginal nos assuntos mundiais.

Por isso, não consideramos necessário fechar quaisquer áreas de cooperação com a União Europeia por razões puramente reputacionais ou ideológicas. Se estas áreas são de interesse para nós, estamos prontos para trabalhar nelas.

Se alguém tenta nos impor seletivamente os temas em que não estamos interessados e, ao mesmo tempo, congela na prática as áreas que representam um valor real, naturalmente, não vamos trabalhar em tal área.

– Quer dizer, a União Europeia mostra tal seletividade?

— Eu não iria colocar todo o peso da culpa nos ombros da UE, este é um comportamento comum do Ocidente. Queremos isso de sua parte, estamos prontos para isso e o tema que é de menor interesse deve ser congelado.

– Como Moscou avalia passos semelhantes do Ocidente?

— Nós somos realistas. Ao contrário de alguns dos nossos parceiros, conhecemos bastante bem a história, passámos por um período — que não foi nada fácil — dos anos 1980 e 1990, de modo que estamos acostumados a ver as coisas de maneira prática e sensata. Cada um dos nossos enfoques é alicerçado, claro, no nosso interesse nacional. Ficamos surpresos quando alguns dos nossos parceiros atuam em detrimento dos seus interesses nacionais. No nosso caso, nada de semelhante é observado.

– Eles procedem assim seguindo os ditames dos EUA?

— Eu não diria que tudo se resuma aos ditames dos Estados Unidos. Às vezes, isso tem a ver com as atitudes explicitamente russófobas da certas elites políticas na nova Europa.

– A chefe da diplomacia da UE, Federica Mogherini, disse que a UE está totalmente solidária no que diz respeito às relações com a Rússia. É realmente assim? Será patente no seio da UE o consenso em matéria de sanções contra a Rússia?

— Devemos olhar o assunto binocularmente. O resultado é sempre, como se costuma dizer, evidente e palpável, pois a União Europeia sabe encontrar decisões consensuais. Outra coisa são os procedimentos usados para produzir essas decisões consensuais. Se fosse uma decisão expressa de forma consciente e independente através do voto a favor de cada um dos Estados, então se poderia dizer que a posição sobre tal decisão seria solidária. Mas quando sabemos da enorme pressão exercida sobre os Estados que consideram essa decisão como errada, mediante uma variedade de métodos de pressão, cujo uso só se pode lamentar, é um assunto bem diferente.

– Aliás, a liderança da União Europeia exerce pressão sobre certos países?

— Não só a liderança da UE. Certos países da UE sofrem uma enorme pressão que, por vezes, se transforma mesmo em chantagem econômica, forçando os países a tomar esta ou aquela decisão. Estamos bem conscientes de que ninguém irá admitir publicamente que essa decisão tinha sido tomada sob pressão.

– Como irá responder a Rússia se os países membros da OTAN, em particular os Estados Unidos, começarem a fornecer armas letais à Ucrânia?

— Em primeiro lugar, todos os que dizem que vão enviar armas letais à Ucrânia, as armas, sublinho, tecnologicamente muito difíceis de manejar, todos eles devem pensar em duas questões. A primeira é: a quem eles vão dar treinamento? E como o vão fazer? A segunda: se eles não são capazes de preparar essas pessoas num abrir e fechar de olhos, haverá, portanto, mais instrutores estrangeiros justamente na linha de frente.

Se alguém sabendo que esse treinamento exige meses, então ele não é partidário de uma solução política. Ou seja, esse alguém aposta em uma continuação militar do conflito interno ucraniano e assume a responsabilidade pelo destino de seus próprios cidadãos enviados para a Ucrânia.

– Quer dizer, os países que admitem a possibilidade de envio de armas, na prática se opõem a uma solução política?

— Em primeiro lugar, eles se opõem a uma solução política diplomática. Em segundo lugar, eles partem do princípio que o conflito deve continuar, pois é perfeitamente compreensível que entre a tomada de decisão sobre o fornecimento de tais armas e o uso delas no campo de batalha vai passar certo tempo. Portanto, quem está prestes a dar tal passo não está interessado em que a paz se estabeleça na Ucrânia.

Além disso, nós estamos bem cientes das peculiaridades da vida política nacional ucraniana. Quem sabe onde poderão acabar essas armas? E por último, o que na realidade não é o último, mas sim o mais importante, em tal caso se tratará de uma violação de todos os compromissos que os nossos parceiros ocidentais assumiram no quadro da OSCE, assim como do tratado sobre o comércio internacional de armas.

– O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg, falou em repetidas ocasiões na presença de tropas russas no leste da Ucrânia. A aliança terá provas da alegada presença militar russa?

— Eles não têm nenhumas provas. O fato de as tropas russas não estarem combatendo na Ucrânia já foi confirmado mesmo pelo chefe do Estado-Maior da Ucrânia. É triste que semelhantes declarações saiam da boca de quem não é qualquer politiqueiro de marca, mas sim o chefe do organismo que por definição deve proporcionar dados exatos e fidedignos em vez de divulgar propaganda. Quando as organizações político-militares se deixam envolver neste tipo de jogos, tudo se torna muito mais perigoso do que as declarações de alguns políticos ocidentais irresponsáveis.

– Então, isso é um jogo para o público?

— Com certeza, é uma guerra de informação que os nossos parceiros ocidentais estão promovendo ativamente.

– À luz das recentes conversações com o secretário-geral da OTAN, neste momento existem premissas para retomar a relação anterior ou já passámos o ponto de não retorno?

— Espero que o ponto de não retorno não tenha sido ultrapassado, mas ainda é cedo para emitir quaisquer estimativas otimistas.

– Na sua opinião, há uma necessidade de reconsiderar o Ato Fundador do Conselho Rússia-OTAN? Ele não terá perdido por acaso a sua relevância? Moscou já tem anunciado a violação das cláusulas do Ato Fundador por parte da OTAN.

— A OTAN está violando o Ato Fundador. Mas estou convencido que a segurança europeia está interessada em que os nossos colegas da OTAN retornem ao âmbito político do Ato Fundador, o qual, embora não seja juridicamente vinculativo, é um documento que veio a ser, em geral, a base do nosso relacionamento com a OTAN nas últimas décadas.

– O senhor poderia nos contar uma história engraçada da prática diplomática?

— Na prática diplomática pode haver e há, realmente, muitas anedotas quotidianas. Na Conferência de Munique, que trabalhou em ritmo muito intenso, quase ninguém saía do hotel que era a sede do evento. A cada três minutos, vimos discursar os líderes de diferentes países, ministros dos Exteriores e outras personalidades. Quando a conferência já fechou, ao sair do meu quarto para ir para o aeroporto, deparei com um homem com vestido esportivo e sapatilhas que ia ao meu encontro. Eu pensei: como é possível que ele esteja vestido dessa maneira, quando nós estamos em uma conferência tão importante? Quando o homem se aproximou de mim, percebi que a nossa conferência realmente não era dele, porque ele era o Arnold Schwarzenegger.

Fonte: Sputnik