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Irã Apresenta oficialmente o seu caça Saeqeh 2

Iran unveils new Saeqeh 2 fighter jet 2

 

 

O Tradução e adaptação: E.M.Pinto

O Ministério da Defesa do Irã revelou o seu mais novo e avançado treinador supersônico e caça leve construído integralmente no Irã, a aeronave denominada Saeqeh 2 (Thunderbolt 2).

A aeronave Biplace Saeqeh 2 jato foi projetada e fabricada por especialistas e engenheiros da Aerospace Industries Organização do Ministério da Defesa e em cooperação com a Islamic Republic Iran Air Force (IRIAF), afirmou o ministro da Defesa Adjunto brigadeiro-General Amir Hatami nessa segunda-feira .O avião de combate cobrirá missões táticas de curto alcance, servindo de backup, também em missões de treinamento avançado de pilotos, acrescentou.

Iran unveils new Saeqeh 2 fighter jet 4

O comandante observou que o novo jato é a segunda geração do modelo Saeqeh que foi fabricado com capacidades de combate avançadas. A aeronave foi equipada com sistemas, aviônicos e armas  mais avançadas de modo a melhorar a formação de pilotos. Hatami acrescentou que o avião é capaz de se engajar em intensas missões aéreas.

Iran unveils new Saeqeh 2 fighter jet 3

A cerimônia de inauguração vem no 8º dos dez dias das comemorações do 36º aniversário da vitória da Revolução Islâmica em 1979. O Saeqeh 2 foi apresentado como protótipo em 2004 e mais tarde tornou-se operacional em 2006. O jato é o segundo caça internamente desenvolvido do Irã o qual muitos o chamam de “O F-18 iraniano”.

O caça possui a capacidade de rastrear aeronaves inimigas, entrar em combate, segmentar locais no terreno e transportar uma carga de armas e munições variadas.Iran unveils new Saeqeh 2 fighter jet 1

Nos últimos anos, o Irã tem feito grandes conquistas no setor da defesa e ganhou a auto-suficiência em sistemas essenciais de hardware e de defesa militar. O país anunciou repetidamente que sua defesa pode não representar qualquer ameaça para outros países e que a doutrina de defesa do Irã é totalmente baseada na dissuasão.

Fonte: PressTV

 

 

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Conflitos Destaques Geopolítica Opinião Rússia

Objetivo dos EUA é fragmentar a Rússia – Nikolai Patrushev

O secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Patrushev, opina que Estados Unidos tentam envolver a Rússia no conflito ucraniano para alcançar a mudança de poder na Rússia.

“Para os EUA a Ucrânia em si não representa interesse, o seu alvo é enfraquecer as nossas posições”, declarou Patrushev.

“Os norte-americanos tentam envolver a Rússia num conflito militar internacional, por meio dos acontecimentos na Ucrânia tentam mudar o poder e enfim fragmentar o nosso país”, disse Patrushev na entrevista publicada no site do jornal russo Rossiyskaya Gazeta.

As autoridades da Ucrânia têm repetidamente apelado aos Estados Unidos e outros países para que lhes forneçam armas. A adjunta do presidente dos EUA para a Segurança Nacional, Susan Rice, disse em 6 de fevereiro que os Estados Unidos estão considerando a possibilidade de conceder assistência militar direta à Ucrânia. Ela acrescentou que o assunto está pendente.

Rice também chamou o fornecimento de armas à Ucrânia de um passo importante, que os Estados Unidos querem tomar junto com os seus parceiros. Moscou adverte Washington de que o fornecimento de armas à Ucrânia só irá levar a uma escalada do conflito.

A maioria dos políticos europeus se pronuncia contra o fornecimento de armas à Ucrânia. Antes, o chefe da chancelaria alemã, Frank-Walter Steinmeier, declarou que o fornecimento de armas para sair do conflito ucraniano é uma via contraprodutiva que apresenta grandes riscos.

Fonte: Sputnik

 

 

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Conflitos Geopolítica Opinião Rússia Ucrânia

Rússia: Exercícios militares perto da fronteira com a Ucrânia

Imagem meramente ilustrativa

Na véspera de novo encontro de cúpula em Minsk, centenas de soldados iniciam manobras no sul da Rússia e na Crimeia. Combates no leste da Ucrânia continuam.

Centenas de soldados russos começaram a realizar exercícios militares perto da fronteira com a Ucrânia nesta terça-feira (10/02), um dia antes de uma reunião de cúpula sobre a crise no leste ucraniano, a ser realizada em Minsk.

Autoridades militares afirmaram que cerca de 2 mil soldados de tropas de reconhecimento iniciaram exercícios de larga escala no sul da Rússia. Mais de 600 soldados estão sendo treinados na península da Crimeia. Outros 2.500 estão de prontidão na Península de Kamchatka, no outro lado do país.

As manobras no sul da Rússia incluem treinamento para o uso de dispositivos que rastreiam o movimento inimigo em condições de pouca visibilidade. Na Crimeia, soldados são submetidos a exercícios táticos e de tiro, segundo agências de notícias.

Os líderes da Ucrânia, da Rússia, da França e da Alemanha reúnem-se nesta quarta-feira em Minsk, em Belarus, na tentativa de encontrar uma solução para o conflito no leste da Ucrânia, que já deixou mais de 5.300 mortos. O Ocidente acusa a Rússia de apoiar a recente ofensiva dos separatistas, que aniquilou um cessar-fogo acordado em setembro passado. A Rússia nega envolvimento.

Combates continuam

Enquanto líderes mundiais pressionam por uma solução militar para o conflito entre separatistas pró-Rússia e tropas de Kiev, ambos os lados afirmam ter feito conquistas nesta terça-feira.

Tropas ucranianas lançaram uma ofensiva contra os rebeldes na cidade portuária de Mariupol, a cerca de 90 quilômetros do bastião rebelde Donetsk, e assumiram o controle de três vilarejos. Combates intensos estão em curso em outras duas localidades, segundo o Ministério do Interior da Ucrânia.

Ao mesmo tempo, tanto o ministério da Defesa de Kiev quanto os rebeldes separatistas afirmam ter tomado a cidade de Debaltseve – centro ferroviário estratégico e conexão rodoviária entre Donetsk e Lugansk. Os combates desta terça-feira no leste do país deixaram ao menos 12 mortos.

LPF/rtr/afp/ap/dpa

Fonte: DW.DE

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Acidentes e Catástrofes Conflitos Geopolítica Terrorismo

Assad: ‘EUA só falam com fantoches’

Reuters
Assad disse receber informações por terceiros das operações da coalizão lideradas pelos EUA contra o ‘Estado Islâmico’

O presidente da Síria, Bashar al-Assad, disse que seu governo está sendo informado sobre as operações da coalizão liderada pelos Estados Unidos contra o grupo autodenominado “Estado Islâmico” (EI).

Em entrevista exclusiva à BBC, Assad disse não ter havido nenhuma cooperação direta com os americanos desde o início dos ataques aéreos na Síria em setembro, mas que outros países da coalizão – como o Iraque – estariam transmitindo informações.

“Às vezes, eles transmitem uma mensagem. Uma mensagem geral, mas nada sobre táticas”, disse Assad, na conversa com o editor de Oriente Médio da BBC, Jeremy Bowen, no palácio presidencial em Damasco.

“Não há diálogo. Há, digamos, informação, mas não diálogo.”

Leia mais: Quanto avançou a luta contra o ‘Estado Islâmico?’

Leia mais: O Estado Islâmico vai substituir o Talebã no Afeganistão?

‘Sem diálogo’

Muitos países da coalizão se recusam a cooperar com Assad, que desde 2011 enfrenta rebeldes que querem tirá-lo do poder.

Mas a tomada de grandes partes da Síria e do Iraque pelo ‘Estado Islâmico’ no ano passado, que deu sequência à criação de um autoproclamado “califado”, geraram uma situação em que estes países hoje consideram trabalhar com o líder sírio para combater o grupo.

Apesar disso, Assad descartou participar da coalizão internacional contra o ‘EI’. “Não, definitivamente não podemos e não temos a vontade e não queremos, por uma simples razão – porque não podemos estar numa aliança com países que apoiam o terrorismo”, disse.

Ele não entrou em detalhes do argumento, mas o governo sírio, em linhas gerais, classifica militantes jihadistas e membros da oposição política como “terroristas”.

AFP
Assad minimizou os esforços dos EUA de treinar e equipar rebeldes “moderados” para lutar contra o ‘EI’
Reuters
O presidente negou que forças do governo tenham atacado indiscriminadamente áreas civis

Assad ressaltou não ser contra cooperar com outros países na questão do ‘EI’. Mas declarou que se recusaria a conversar com autoridades americanas porque, segundo ele, elas “não falam com ninguém, a não ser com fantoches” – numa aparente referência a líderes da oposição apoiados pelo Ocidente e países árabes do Golfo Pérsico.

“Eles facilmente atropelam o direito internacional, a nossa soberania. Então não falam conosco, e nós não falamos com eles.”

Assad rejeitou esforços dos EUA para treinar e equipar forças rebeldes “moderadas” para enfrentar o ‘Estado Islâmico’ na Síria, qualificando a ideia de “sonho”. Para o líder sírio, não há forças moderadas no conflito, apenas extremistas do ‘EI’ e do braço da Al-Qaeda na Síria, a Frente al-Nusra.

Conflito sírio

O conflito na Síria, que teve início há quatro anos com protestos pacíficos contra o regime de Assad, já deixou cerca de 200 mil mortos e 3,2 milhões de refugiados.

Na entrevista, Assad negou que forças do governo sírio tenham lançado as chamadas “bombas de barril” – tambores com estilhaços e explosivos – indiscriminadamente em áreas controladas por rebeldes, matando milhares de civis. Ele rejeitou a alegação como uma “história infantil”.

“Temos bombas, mísseis e balas… Não há bombas de barril, não temos barris”, disse. “Eu conheço o Exército. Eles usam balas, mísseis e bombas. Não ouvi falar do Exército usando barris – ou, talvez, panelas.”

Para Bowen, as declarações de Assad são altamente controversas, já que a morte de civis por ataques de bombas de barril estão bem documentadas.

Ativistas de direitos humanos afirmam que as bombas de barril são normalmente lançadas de helicópteros em altas altitudes para evitar fogo antiaéreo.

Acredita-se que apenas forças do governo tenham capacidade de operar as aeronaves. E segundo as organizações, destas alturas, é impossível alvejar com precisão. Mas, segundo Assad, “não há armas (de uso indiscriminado)”.

“Quando você atira, você mira; e quando mira, mira nos terroristas para proteger os civis. Você não pode ter uma guerra sem vítimas”, disse.

Reuters
Douma, sob comando dos rebeldes, tem sido alvo das forças do governo sírio
Reuters
Assad negou o uso de bombas de barril contra civis

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Análise: Jeremy Bowen, editor de Oriente Médio da BBC

Para muitos inimigos de Assad, o presidente está por trás de uma máquina de matar que tem castigado sírios.

Agora que o conflito civil sírio entra no seu quinto ano, as chamadas bombas de barril tornaram-se a arma mais notória do arsenal do regime.

Dois ou três anos atrás, vi o que supostamente uma delas causou em Douma, subúrbio de Damasco tomado pelo rebeldes pouco depois do início da guerra.

Assad insistiu que o Exército sírio nunca usaria tais bombas em locais onde pessoas vivem. Foi uma resposta irreverente.

A menção a panelas foi ou insensibilidade, numa tentativa desajeitada de humor, ou um sinal de que Assad está totalmente desconectado da realidade.

Mas ele parecia relaxado para um homem no centro de uma catástrofe mundial. Estava cordial e risonho. Mas quando o assunto foi defender o seu legado ou a conduta das forças sírias, ele foi firme.

O fato de que Assad tenha voltado a dar entrevistas a jornalistas estrangeiros deve ser um sinal de que ele se sente mais seguro. A queda do seu governo foi previsto diversas vezes desde o início da guerra. Ao contrário, ele parece se sentir mais seguro do que nunca.

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Assad também negou que as forças do governo tenham utilizado cloro como arma, apesar de investigadores da Organização para a Proibição de Armas Químicas terem apoiado alegações de que pelo menos 13 pessoas morreram numa série de ataques de helicópteros em três aldeias no ano passado.

O presidente defendeu o cerco a áreas controladas pelos rebeldes em toda a Síria. Ativistas dizem que a medida deixou moradores civis em situação de fome.

“Na maior parte das áreas onde os rebeldes assumiram, os civis fugiram e chegaram a nossas áreas”, disse. “Ou seja, na maioria das áreas que cercamos e atacamos, existem apenas militantes.”

Fonte: BBC Brasil

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Defesa Geopolítica Opinião

Quais as razões dos exercícios militares dos EUA na Tailândia?

Os exercícios militares Cobra Gold, que os EUA finalmente decidiram realizar na Tailândia, “mostram as prioridades dos Estados Unidos” e revelam o seu interesse na região da Ásia-Pacífico, diz Angelo Segrillo, especialista em História e professor na USP.

Em entrevista à Sputnik, o professor Segrillo destacou a envergadura dos exercícios, de que participam mais de 10 mil efetivos de 24 países. Segundo o especialista, há uma forte sensação de que os EUA estão tentando criar uma versão asiático-pacífica da OTAN:

“É mais ou menos como a OTAN fez em relação ao Atlântico, neste caso em relação ao Pacífico. Esse tipo de exercício militar é o equivalente a se tentar fazer uma ponte entre os Estados Unidos e os países que lhe são mais chegados na região da Ásia do Pacífico, especialmente neste momento”.

O momento é de reforço significativo do poder econômico da China. É por isso, avalia o historiador, que os Estados Unidos querem organizar um “cerco” em torno ao maior país da Ásia e futura maior economia do mundo.

O doutor Angelo Segrillo afirma que a economia da China já ultrapassou a dos EUA. Se calculado com base na paridade do poder de compra (sem dependência da taxa de câmbio do dólar estadunidense), o Produto Interno Bruto (PIB) chinês já é maior que o estadunidense.

“A economia é uma ciência lúgubre”, comenta Segrillo esta “surpresa” para os EUA.

A China, claro, terá que se esforçar para crescer mais e aumentar o seu PIB per capita, principal referência mundial. Mas “apesar de o crescimento ter diminuído, continua aumentando duas ou três vezes mais rápido do que os EUA”, comenta o historiador.

Democracia e prioridades atuais

Os exercícios Cobra Gold foram realizados pela primeira vez em 1982 com a participação dos EUA e Tailândia, país anfitrião.

Na segunda metade de 2014, não se sabia se os Cobra Gold 2015 iriam ter lugar. Em meados do ano passado, na Tailândia ocorreu um golpe de Estado, e os EUA começaram a pressionar, ainda que de um modo ligeiro, o seu parceiro asiático. A decisão final de realizar os exercícios anuais veio depois de uma “aproximação com a China” por parte da Tailândia, comenta o doutor Segrillo:

“Isso mostra um pouco as prioridades dos Estados Unidos. Existe a retórica da questão da democracia, mas na hora H os interesses estratégicos prevalecem sobre esta questão da democracia, direitos humanos et cétera. Esses exercícios são muito interessantes, porque os EUA voltaram atrás em relação a esta questão da Tailândia, a questão da democracia ficou no segundo plano e os interesses estratégicos prevaleceram”.

O professor ainda lembra que a Tailândia “sempre foi um aliado tradicional dos Estados Unidos desde os tempos da Guerra Fria e da guerra do Vietnã”.

Segundo o historiador, tudo isso é consequência do desejo dos EUA de manter a sua autoridade política e econômica na região, onde pelo menos um “tigre asiático” está caminhando meio tranquilo:

“A China crescendo a esta velocidade, parece um Leviatã crescendo. A China que certamente já está com o poder de enfrentar os Estados Unidos frente a frente. Não digo militarmente, mas simplesmente ser efetivo. E por isso os EUA querem se precaver fazendo aliança com diversos países em volta da China”.

Questão da China e da Rússia

Não é só a China que preocupa os EUA. Angelo Segrillo opina que 2015 é “um ano de tensões”, inclusive por causa do confronto entre os EUA e a Rússia. É também por isso, acha o professor, que esses exercícios militares são um acontecimento importante deste ano.

Fonte: Sputnik

 

 

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AH X- Brasil Artigos Exclusivos do Plano Brasil Defesa Destaques Sistemas de Armas Tecnologia

AH-X BR: Airbus Helicopters EC-665 Tiger

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Resposta Franco-Germânica para a ameaça das forças blindadas do “Pacto de Varsóvia”, o EC-665 Tiger foi desenvolvimento ainda nos finais da Guerra Fria para atuar como uma plataforma de armas anti-carro de combate. 

 

downloadAutor: Carlos Emílio Santis Junior

Matéria produzida em parceria com o Site Warfare

Acompanhe a série de matérias clicando em AH-X Brasil

 

Prefácio

Resposta Franco-Germânica para a ameaça das forças blindadas do “Pacto de Varsóvia”, o EC-665 Tiger foi desenvolvimento ainda no final da Guerra Fria para atuar como uma plataforma de armas anti-carro de combate. Em meados de 1984, os governos da França e da Alemanha Ocidental emitiram um requisito para um helicóptero avançado criando assim uma joint venture constituída pela então “Aerospatiale” e “MBB” e após sofrer cortes e até mesmo o seu cancelamento temporário,  o programa renasceu das cinzas e agora não mas se destinava a conter as poderosas divisões de carros de combate das forças aliadas da extinta URSS, mas sim, renasceria como uma plataforma multi-propósito destinada a cumprir uma mais variada gama de missões. Desenvolvido para operar em ambiente saturado de emissões e interferências eletromagnéticas, a aeronave foi projetada para possuir significativa descrição no campo de batalha. O Tigre foi o primeiro helicóptero todo-compósito desenvolvido na Europa, a primeira aeronave Glass-Cocpit; agregando furtividade e grande agilidade,  pioneiramente projetando uma aeronave até então inexistente em quaisquer inventários de forças armadas no mundo. Após entrar em serviço, equipado com motores mais potentes e compatíveis com uma vasta gama de armas os Tigres têm sido usados ​​em combate no Afeganistão, Líbia e Mali, provando a  sua excelência em operação a qualquer tempo.

 

O Helicóptero

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O Tigre foi o primeiro helicóptero todo-compósito desenvolvido na Europa, a primeira aeronave Glass-Cocpit
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Os EC 665 têm sido usados ​​em combate no Afeganistão, Líbia e Mali, provando a sua excelência em operação a qualquer tempo.

O avançado helicóptero  EC-665 Tiger desenvolvido pela Eurocopter GMBH, hoje Airbus Helicopter, é resultado de uma coincidência de necessidades entre franceses e alemães para uma nova geração de helicoptero de ataque dedicado.

No fim dos anos 60 do século passado a França estava em busca de um helicóptero com capacidade antitanque cujo projeto foi chamado de Helicoptere Anti-Char (HAC) (helicoptero antitanque) e através de sua empresa Aérospatiale se juntou com a Westland, uma das maiores empresas britânicas no setor aeronáutico para desenvolver uma variante do excelente helicóptero LYNX.

Porém, os franceses pularam fora desse projeto que acabou sendo cancelado com sua saída. Nesse momento, a Alemanha estava atrás de um helicóptero de ataque de segunda geração sob o projeto PanzerAbwehr Hubschrauber 2 (PAH-2) que iria substituir os BO-105 que equipava o exército alemão.

Em 1984, a Alemanha e a França assinaram um memorando de entendimento em que os dois países desenvolveriam em conjunto o helicóptero HAC/ PAH-2. Depois de algumas dificuldades e uma suspensão de quase um ano entre 1986 e 1987, o projeto foi repensado e seguiu para a produção de protótipos sendo que o primeiro voo do Tiger se deu em 27 de abril de 1991. Pouco depois desta data, já em 1992, houve a criação da Eurocopter, através da fusão da Aerospatiale, MBB e outras empresas, o que ajudou na consolidação do Tiger.

 

A França já opera as suas aeronaves de ataque embarcadas nos seus BPC classe Mistral.
A França já opera as suas aeronaves de ataque embarcadas nos seus BPC classe Mistral.

Os dois países colocaram uma encomenda de 160 exemplares dos Tiger em 3 versões sendo ela a UH Tiger alemã,  usado como helicóptero de ataque multi-missão; Tiger HAP francês para escolta e apoio de fogo e a versão HAD que é uma versão de apoio e ataque desenvolvido seguindo algumas mudanças solicitadas pelo exército espanhol que usa uma motorização com 14% mais potencia e melhor proteção balística.

Variantes
Variantes das aeronaves Francesas e alemãs, atualmente a Espanha desenvolve o seu modelo próprio.

Cada operador do Tiger solicitou modificações que melhor atendessem os requisitos de cada força. O modelo HAP, porém, serviu de base para 3 das 4 versões.

Esta versão também é usada pela França e a Espanha foi o primeiro cliente externo do Tiger.  Posteriormente uma quarta e ultima versão, a ARH, foi projetada e construída. Esta versão opera em missões de reconhecimento armado e foi desenvolvido para um pedido feito pelo governo australiano para seu exército. Esta versão é, essencialmente um modelo da versão HAP francesa com modificações no motor, um designador a laser e a integração de mísseis antitanque de origem norte americana AGM-114 Hellfire. Ao todo, os quatro operadores do Tiger somam 208 unidades do modelo em operação.

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O Tiger foi projetado para ser consturído em materiais leves, modernos e resistentes, a aeronave é constituída em 80 % por materiais compostos.

O Tiger foi projetado para ser consturído em materiais leves, modernos e resistentes, a aeronave é constituída em 80 % por materiais compostos, tais como polímeros reforçados, Nomex (estrutura em favos de mel), kevelar, fibra de carbono e fibra plástica, cerca de 11 % de seu material é produzido em alumínio, 6% em titânio e 3% em Vidro, plexiglass, Cobre, bronze entre outros materiais.

A estrutura do Tiger é construída em laminados de carbono e Kevelar, já os painéis da fuselagem são construídos em polímero reforçado com fibra de carbono e kevlar. O cockpit e sistemas críticos são reforçados com blindagens compostas de Nomex, fibra de carbono e Kevelar,  já os rotores são construídos em fibra plástica reforçada e fibra de carbono, projetadas para absorver impactos diretos de aves.

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A aeronave foi projetada para operar no cenário de guerra saturado de ondas eletromagnéticas, para tal possui expressiva redução de RCS e emissões IR.

O Tiger concebido para ser capaz de voar e combater em ambientes noturnos com elevada capacidade de sobrevivência. Todas as variantes foram projetadas para possuírem baixíssima assinaturas visuais, de radar (RCS) e infravermelho IR. As aeronaves foram construídas em grande parte, com materiais compostos reduzindo o  RCS do vetor no quadrante frontal, em se tratando das emissões IR,  foram integrados supressores IR, que resfriam e direcionam o fluxo dos gases gerados pelos propulsores para longe da fuselagem do vetor, reduzindo assim sua assinatura infravermelha.

Propulsão

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As aeronaves são propulsadas por um par de turbinas MTR-390.

O Tiger é uma aeronave relativamente leve e sua versão básica UH Tiger alemã e a versão francesa Tiger HAP é propulsionada por dois motores MTR-390, fabricado pelo consórcio MTU (Alemanha), Turbomeca (França) e Rolls & Royce (Inglaterra) que desenvolve, segundo seu fabricante, 1464 hp de força e poderia, em situações de emergência, elevar essa força para até 1774 hp, porém, por estar fora da especificação, depois desse esforço, o motor teria que passar por uma revisão para avaliar possíveis danos ou desgastes excessivos.

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Na imagem u detalhe do motor e da estrutura que o comporta

As versões desenvolvidas para a Espanha Tiger HAD e a australiana Tiger ARH receberam uma versão deste mesmo propulsor, com 14% mais potência, chegando a 1668 hp. Com essa propulsão, o Tiger voa a uma velocidade máxima de 315 km/ h e conseguem manter uma velocidade de cruzeiro de 271 km/ h.

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Devido à confiabilidade e potência advindas das turbinas MTR-390, os Tiger adquiriram significativa capacidade de manobra, na imagem, uma sequência superposta de fotos de um Tiger realizando uma manobra difícil de ser executada por outras aeronaves.

Sua relação potência peso, permite que o Tiger execute manobras complexas em segurança dando agilidade em voo.

Seu alcance, apenas com o combustível interno, chega a 740 km, o que representam um desempenho superior ao encontrado no helicóptero de ataque pesado AH-64D Apache dos Estados Unidos, que é uma referência quando comparamos desempenho de helicópteros de combate. Este alcance pode ser ampliado para 1130 km se forem removidos os armamentos e instalados tanques externos.

As turbinas MTU Turbomeca Rolls-Royce MTR390, um motor modelo  turboshaft desenvolvido para aplicações  nos helicópteros de ataque foi projetado para alimentar helicópteros na faixa de massa entre 05 e 07  toneladas. Atualmente apenas os Airbus Helicopters Tiger operam este motor cujos ensaios de avaliação foram iniciados em 1989.

O primeiro voo com o motor ocorreu em 1991 sendo que o MTR390 recebeu a certificação militar apenas em maio de 1996 e aprovação civil, em junho de 1997.

Recentemente uma nova versão designada MTR390-E, está sendo desenvolvida para as aeronaves espanholas.

 

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Após um parafuso o Tiger da imagem retoma o seu voo normalizado, estas manobras ocorrem graças aos refinamentos aerodinâmicos e potencia adicional dos motores MTR-390.

 

Galeria de imagens (Turbosquid)

Sensores

cockpit
O cockpit da Direita é o do piloto, disposto na frente do Tiger enquanto que o artilheiro fica na cabine traseira, mostrada no lado esquerdo desta foto.

Um ponto interessante a se observar na configuração do Tiger é o posicionamento de seu piloto, que, ao contrário dos helicópteros de sua categoria, fica posicionado na cabina da frente, enquanto o artilheiro  fica na cabine de trás.

Tiger UHT helicópteros de apoio multi-função de fogo têm uma visão Osiris mastro montados de SAGEM, com infravermelho Charge Coupled Device (IRCCD) câmera e telêmetro laser.
Os helicópteros de apoio multi-função Tiger UHT, possuem um sistema de visão Osiris montados no mastro SAGEM, que possuem sensores infravermelho Charge Coupled Device (IRCCD) e câmera e telêmetro laser.

As variantes do Tiger diferem entre si em sistemas de aviônicos e sensores. O modelo alemão UH Tiger, por exemplo, tem seu principal sensor montado acima do rotor principal. Trata-se do sistema multisensor SFIM Osiris que parece como a cabeça de um “ET” em cima do helicóptero.

O Osiris é composto por uma câmera infravermelha CCD e um telêmetro laser. Este sistema é usado para aquisição  e designação de alvo para artilheiro do Tiger.

Na frente do UH Tiger alemão existe um sistema FLIR que é usado pelo piloto para auxiliar a navegação em condições desfavoráveis de luminosidade e visibilidade.

Variante ARH com seu sistema de visão e  designação de alvos.
Variante ARH com seu sistema de visão e designação de alvos.

As outras variantes do Tiger usam um sistema multisensor como no modelo alemão, porém ele fica montado no teto do artilheiro, a frente dos motores do Tiger.

O modelo desse sistema é o SFIM Strix que incorpora os mesmos componentes do sistema Osiris usado no Tiger alemão, porém com o incremento do FLIR na mesma torre.

A suíte de contramedidas eletrônicas instalada no Tiger é fornecida pela EADS Defense Eletronics e é composta por um sistema de alerta de radar RWR e um sistema de alerta laser LWR.

A EADS DE fornece o sistema de detecção de lançamento de míssil MILDS que alerta o piloto que um míssil foi lançado contra a aeronave agilizando a tomada de decisão do piloto para tentar se evadir do ataque.

visores
Comparativo de ambos os visores utilizados nas variantes da aeronave.

A MBDA forneceu o sistema de contramedidas contra mísseis guiados por calor e radar Flare e Chaff, respectivamente, com o lançador SAPHIR-M. O sistema pode operar automaticamente integrado ao sistema MILDS agilizando a resposta e defesa, ou através do comando do artilheiro.

Capacete e sistema integrado de visada TopOwl

A tripulação do Tiger opera a aeronave usando um capacete com mira tipo HMS, porém de diferentes modelos sendo que o alemão usa um modelo inglês da BAe enquanto que os franceses usam um modelo TopOwl desenvolvido pela Thales Avionique.

Vídeo

Armamento e Carga

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Embora as versões do Tiger difiram levemente na configuração de armamento, o fato é que, invariavelmente, seu armamento é pesado.

 

Na hora de mostrar os dentes, o Tiger faz jus a seu nome. Embora as versões do Tiger difiram levemente na configuração de armamento, o fato é que, invariavelmente, seu armamento é pesado. Dentre as 4 versões, a única a não estar equipada com um canhão móvel a frente do helicóptero é a versão UH Tiger alemã.

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Variada gama de armas que equipam os Tiger.

As outras três versões estão armadas com um canhão GIAT-30M-781 em calibre 30X113 mm com cadência de 750 tiros por minuto e com alcance de carca de 2000 metros. A caixa de munição tem capacidade de transportar 450 munições deste potente canhão. O arsenal de mísseis que o Tiger pode usar é amplo porém representa uma das diferenças entre todas as versões pois cada uma está integrada a um tipo específico de míssil de acordo com a necessidade do cliente. O UH Tiger está armado com o míssil antitanque europeu Trigat LR, desenvolvido por um consórcio entre a Diehl BGT Defence e a MBDA Deutschland GmbH., ambas da Alemanha.

missil
Momento de lançamento de testes de míssil por um Tiger. A aeronave pode se servir nas suas variantes, de uma extensa lista de mísseis da ataque a superfície e anti-carro.

O Trigat LR tem guiagem dual por infravermelho IR e câmera CCD, sendo seu alcance de 7 quilômetros. Sua ogiva tem 9 kg de alto explosivo e é capaz de superar blindagens reativas ERA ou até 1000 mm de blindagem de aço laminado. Os Tigers franceses e australianos estão integrados ao potente míssil antitanque norte americano AGM-114K Hellfire II guiado por laser e capaz de readquirir o alvo caso a iluminação a laser for perdida. Este míssil tem alcance de 8 quilômetros e sua ogiva é de 9 kg de carga moldada em tandem de alto explosivo.

Não existe um carro de combate conhecido que sobreviva ao ataque deste míssil, atualmente. Já o Tiger espanhol usa o moderno míssil antitanque israelense Spike ER guiado por sistema IR e CCD passivo, para capacidade dispare e esqueça, com alcance que chega a 8 km. Nos três mísseis mencionados, a quantidade que pode ser transportada chega a 8 mísseis em dois cabides com quatro mísseis cada.

O Míssil PARS3LR também equipa a suite de armas disponível aos Tiger.
O Míssil PARS3LR (Trigat LR) também equipa a suite de armas disponível aos Tiger.

Por ultimo, a Alemanha tem a opção de usar ainda o antigo míssil HOT 3, ainda em operação no exército alemão. O HOT 3 usa um sistema de guiagem conhecido como comando de linha de visada, onde o operador de armas do Tiger mantém o alvo sob um ponto em seu sistema de designação de alvos e envia o dado de posicionamento para o míssil através de um cabo de fibra óptica enquanto este se encontra voando contra o alvo. O alcance do HOT 3 é bem mais limitado que os outros mísseis antitanque mencionados nesse artigo, chegando a 4,3 km.

Os Tiger HAP, HAD e ARH possuem armamento orgânico na forma de um potente canhão automático GIAT-30M-781 em calibre 30 X 113 mm capaz de impor pesados estragos a viaturas inimigas.
Os Tiger HAP, HAD e ARH possuem armamento orgânico na forma de um potente canhão automático GIAT-30M-781 em calibre 30 X 113 mm capaz de impor pesados estragos a viaturas inimigas.

Ainda tratando do arsenal disponível para o Tiger, há diversos  tipos de lançadores de foguetes não guiados como o SNEB que pode ser de 7 ou 19 foguetes de 70 mm ou 22 foguetes de 68 mm, além do lançador de foguetes Hydra  de 70 mm com 19 foguetes. Esses foguetes, lançados em alta cadência, permitem saturar uma área relativamente grande, negando aquele ponto as tropas inimigas a distancias até no máximo de 8 km.

Para combate ar ar (sim, o Tiger pode ser empregado para destruir helicópteros ou aeronaves de baixo desempenho em voo) o Tiger pode ser armado com mísseis MBDA Mistral guiados por infravermelho (IR) com alcance de 6 km ou o modelo norte americano AIM-92 ATAS, versão ar ar do míssil antiaéreo lançado do ombro FIM-92 Stinger, que também é guiado por infravermelho, mas seu alcance é limitado a 4,5 km no máximo.

Tiger Stinger
Tiger equipado com o míssil de modelo norte americano AIM-92 ATAS, versão ar ar do míssil antiaéreo lançado do ombro FIM-92 Stinger

O Tiger foi projetado com uma blindagem composta de polímero reforçado com fibra de carbono, Kevlar, titânio e alumínio que permite ao Tiger sobreviver a impactos direto de munição calibre 23 mm. É interessante notar que essa capacidade de proteção acabou levando ao encarecimento do helicóptero a um nível particularmente alto. O Tiger está entre os mais caros helicópteros de combate do mundo, atualmente, com um preço de prateleira de U$ 50 milhões de dólares cada um.

Quando visto de frente, o Tiger tem pouca área dado a sua pequena largura da cabine, o que o torna um alvo difícil de engajar quando atacado deste angulo.
Quando visto de frente, o Tiger tem pouca área dado a sua pequena largura da cabine, o que o torna um alvo difícil de engajar quando atacado deste angulo.

Caso você, caro leitor, não tenha ideia de quanto isso é caro, vamos usar como parâmetro o helicóptero de combate norte americano AH-64D Apache, cujo já elevado custo chega a U$ 41 milhões cada um, e reparem que o Apache é uma aeronave mais pesadamente armada que o Tiger. Outro parâmetro que pode ser usado é que o custo do Tiger sobre o preço de um caça F-16C block 50 que custa cerca de U$ 34 milhões cada um, considerando o preço da aeronave limpa, de prateleira.  O próprio desenho do Tiger, bastante fino quando observado pela frente, representa uma forma de defesa da aeronave também por dificultar o engajamento dele.

EC-665 Tigre (10)

FICHA TÉCNICA 

Peso: 3060 kg (vazio).

Altura: 3,84 m.

Comprimento: 14,77 m.

Propulsão: 2 motores MTU Turbomeca Rolls-Royce MTR390 com 1464 hp de potência cada.

Velocidade máxima: 315 Km/h.

Velocidade de cruzeiro: 271 Km/h.

Alcance: 740 km com combustível interno e 1130 Km com combustível externo.

Razão de subida vertical: 642 m/min.

Fator de carga: +3.5/ -0,5 G.

Altitude máxima: 4000 m.

Armamento: Um canhão  GIAT-30M-781 de 30 mm com 450 tiros, Misseis antitanque AGM-114 Hellfire,  mísseis PARS-3LR, HOT-3 e Rafael Spike ER. Casulos lançadores de foguetes SNEB de 68 e 70 mm com opções para 7, 19 e 22 foguetes. Para autodefesa pode ser usado mísseis ar ar AIM-92 Stinger em dois lançadores duplos ou o modelo francês Mistral

Tiger
Provado em combate e recentemente extensivamente empregado nos mais recentes conflitos, o Tigre europeu tem provado o seu valor, confirmando as expectativas de seus projetistas e operadores.

 

CONCLUSÃO

O mercado de armas está repleto de opções. Alguns segmentos, como o dos helicópteros de combate, particularmente se encontra saturado de opções.

De certa forma, todos os helicópteros executam bem suas missões, cabendo a cada cliente  escolher o modelo mais adequado a suas necessidades baseando-se na facilidade de linha de apoio logístico, interesse político, transferência de tecnologia e off sets, que cada um possa exigir. Tecnicamente falando, focando apenas nas características da aeronave, o EC-665 Tiger é um moderno helicóptero de ataque, escolta e reconhecimento, capaz de infringir danos sérios a um inimigo bem equipado, fornecendo fogo pesado sobre o campo de batalha.

Embora seu fabricantes seja um dos maiores players do mercado mundial em helicópteros e tenha um histórico altamente positivo de suporte e qualidade de serviços pós venda, é importante se pesar o fator custo benefício na hora de se optar pelo Tiger.

Com um custo maior que de alguns aviões de caça, o Tiger acabou sendo um produto elitizado que cabe no bolso de poucos. Caso o exército brasileiro leve a cabo seu interesse de um dia ter um esquadrão de helicópteros de ataque dedicados, o Tiger, certamente seria um concorrente natural, uma vez que a Helibras, fabricante de helicópteros do Brasil, é uma subsidiária da Airbus Helicopters, fabricante do Tiger, porém, seria necessário se pesar os elevados custos relacionados a aquisição e operação do Tiger para um país onde o orçamento de defesa não é, exatamente, uma prioridade e sofre de contingenciamentos frequentes.

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Corte esquemático do Airbus Helicopters EC-665 Tiger.
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Conflitos Geopolítica Opinião Rússia

Caos no Oriente Médio é parte da estratégia antirrussa e antichinesa dos EUA

O líder do partido de oposição de esquerda na Síria Vontade Popular, Qadri Jamil, disse à agência Sputnik que os conflitos armados no Oriente Médio são parte da estratégia de longo prazo dos EUA contra a Rússia e a China a fim de segurar seu domínio econômico.

“O verdadeiro plano dos EUA no Oriente Médio inclui a criação de um caos construtivo apoiando guerras e conflitos locais”, disse Jamil adicionando que as “intenções reais de Wahington são pôr obstáculos à Rússia e à China para proteger a hegemonia do dólar”.

O político participou de reuniões recentes entre representantes do governo sírio e da oposição realizadas em Moscou.

“A Rússia é um ‘pedaço saboroso’ para os estadunidenses por causa dos seus recursos naturais”, acredita Jamil acrescentando que a estratégia dos EUA pode incluir a fragmentação da Rússia.

Segundo o político, a tática de dividir para reinar  dos EUA “pode ser implementada organizando a desestabilização junto com uma presença militar elevada perto das fronteiras russas”.

O secretário-geral da OTAN, Jens Stoltenberg,  declarou na quinta-feira, 5 de Fevereiro, que a Aliança tem a intenção de aumentar a sua Força de Reação Rápida de 13.000 para 30.000 homens.

O secretário-geral também disse que espera que os ministros decidam sobre a criação de seis unidades de comando e controle, a serem localizadas em Bulgária, Estônia, Letônia, Lituânia, Polônia e Romênia, servindo como ligação entre a defesa nacional dos países e as forças da OTAN.

Fonte: Sputnik

 

 

 

 

 

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Unasul: Sanções unilaterais dos EUA contra a Venezuela afetam estabilidade da região

Os chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) afirmaram hoje (9) que as sanções unilaterais de Washington contra Caracas afetam a estabilidade da região.

A reunião ministerial foi feita em Montevidéu, capital do Uruguai, a pedido do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, que solicitou a colaboração da organização multilateral para analisar a situação interna e as relações do país com os Estados Unidos.

O chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, disse que a Unasul quer “evitar que os países de fora da região possam afetar a paz e a estabilidade dos Estados-membros”, reiterando a necessidade de defender a Venezuela e os países da região de qualquer ameaça externa que afete a prosperidade e a paz na América do Sul.

Além do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, e dos chanceleres da Colômbia, María Ángela Holguín, e do Equador, participaram da reunião na capital uruguaia a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, bem como o secretário-geral da Unasul, Ernesto Samper.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, no último dia 2, uma série de novas restrições de visto contra funcionários do governo de Caracas, após declarações de Maduro de que o vice-presidente norte-americano, Joe Biden, estaria “por trás de um plano para derrubá-lo”.

Em julho do ano passado, a Casa Branca já havia imposto sanções unilaterais a 24 integrantes do regime venezuelano. Washington acusa o governo Maduro de ter agido de maneira violenta na repressão a protestos contra sua gestão. A Venezuela nega todas as acusações.

Fonte: Sputnik

 

 

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EUA divide o Ocidente, a Rússia divide a Europa

Acirrar as sanções contra Moscou? Fornecer armas a Kiev? O que está em jogo na cúpula de Minsk é nada menos do que a coesão ocidental perante o conflito na Ucrânia, opina o correspondente em Bruxelas, Bernd Riegert.

Bernd Riegert, correspondente da DW em Bruxelas

Fica cada vez mais difícil para a União Europeia (UE) manter coesas as próprias alas no contexto da crise da Ucrânia. Tanto em relação às sanções contra a Rússia quanto ao eventual fornecimento de armas a Kiev, cada vez mais as opiniões dos ministros do Exterior divergem entre si.

No momento, toda uma série de países-membros, sobretudo do Leste Europeu, está pronta a seguir o caminho proposto pelos Estados Unidos: eles conseguem conceber o abastecimento do Exército ucraniano com armamentos modernos, para que este possa se defender contra as ofensivas dos rebeldes e mercenários equipados pela Rússia. A maioria da UE, porém, ainda é contra o fornecimento, repetindo o mantra alemão de que armas adicionais só agravariam a guerra.

Até agora, uma das poucas vantagens do Ocidente diante da conduta imperialista do presidente Vladimir Putin é sua coesão na política para a Ucrânia. No entanto, os EUA estão prestes a colocar essa coesão em risco caso consigam convencer ao menos uma parte dos europeus a apoiar o reforço armamentista e a elevar a severidade contra Moscou.

Se a cúpula de mediação desta quarta-feira (11/02) em Minsk falhar e os EUA decidirem entregar armas a Kiev, Moscou terá o prazer de constatar que o front diplomático ocidental está se esfacelando.

Além disso, o Kremlin teria, assim, um bem-vindo pretexto para interferir oficialmente na guerra no leste ucraniano e enviar ainda mais reforço aos separatistas. Provavelmente seria impossível evitar um novo acirramento, e o resultado seria uma guerra por procuração, travada à custa da Ucrânia.

Quem fornece armas deve estar ciente de que, se é para elas serem empregadas com eficácia, geralmente também é necessário enviar equipes de consultoria e apoio técnico. No fim das contas, pode ser que tropas terrestres do Ocidente e do Leste Europeu venham a se defrontar no leste ucraniano. Ninguém na Europa – e, na verdade, ninguém nos EUA – pode seriamente desejar tal coisa.

Armas puramente defensivas são algo que não existe. A Rússia certamente responderia com mais armamentos a um abastecimento pelos Estados da Otan. E depois, o que virá? Não, a União Europeia deve se ater à política de rejeitar todo e qualquer aprofundamento da violência.

Um resultado possível da cúpula de Minsk é afastar o leste da Ucrânia do governo central, mantendo-o ligado numa espécie de federação, mas com mais autonomia. Isso seria uma vitória parcial para o presidente russo e, portanto, doloroso, mas qual é a alternativa? Mais combates, mais mortos? O perigo de uma guerra de verdade entre a Rússia e o Ocidente?

A Rússia deliberadamente destruiu a ordem até então vigente na Europa. A UE e também os EUA precisam reconhecer que só são capazes de se defender disso de forma insuficiente, a não ser que assumam riscos incalculáveis.

A linha vermelha continuam sendo os limites externos da Otan: a Rússia não pode ultrapassá-los. Caso contrário, isso significa que a Ucrânia (leste), a Geórgia, Moldávia e Belarus caíram de volta na zona de influência de Moscou. O Ocidente não pode e não deve defendê-los com armas – no máximo, com palavras. A Europa está à beira de uma nova divisão.

Fonte: DW.DE