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A carta da discórdia

Hillary, Obama, Bush e Sarkozy nas memórias de Celso Amorim

por Claudia Antunes

Celso Amorim se aprontava para sair de casa na manhã de 11 de maio de 2010 quando soube que a secretária de Estado americana Hillary Clinton queria falar com ele urgentemente. No dia seguinte, o então chanceler partiria com o presidente Lula para uma viagem que, terminando em Teerã, seria coroada com o gesto mais ousado e controvertido da política externa lulista. Os dois ambicionavam convencer o presidente Mahmoud Ahmadinejad e o aiatolá Ali Khamenei a aceitar um acordo sobre o programa nuclear do Irã, proposto pelos Estados Unidos em outubro do ano anterior, por intermédio da agência atômica da ONU.

Como relata Amorim no livro Teerã, Ramalá e Doha – a ser lançado em março –, Lula e o premiê turco Recep Erdoğan haviam discutido a questão com Barack Obama, em Washington, no início de abril. No encontro, Obama se comportara de forma brusca e dera a entender que, naquela altura, sua prioridade era impor novas sanções ao Irã. Alegou que, com isso, queria evitar um ataque de Israel ao país persa. Lula ficou tão irritado com o tom do americano que cogitou ir embora dos Estados Unidos, onde participava de uma cúpula sobre segurança nuclear.

No dia 20 de abril, porém, Obama voltou atrás. Em cartas idênticas enviadas a Lula e a Erdoğan, disse que a proposta de acordo continuava na mesa. O Irã deveria enviar ao exterior 1 200 quilos de urânio enriquecido; em troca, receberia combustível para seu reator que produz elementos radiativos de uso medicinal. Os iranianos relutavam em despachar o urânio, alegando temer uma quebra de contrato. Na carta, Obama reiterava que havia uma “solução de compromisso”: a Turquia seria a receptadora do material, assim garantindo a barganha. A operação visava criar “confiança mútua” para o início de negociações mais amplas. Também impediria que o Irã continuasse com  urânio suficiente para a fabricação de uma bomba.

O presidente brasileiro não respondeu a Obama imediatamente. Esperou que seu chanceler voltasse de uma visita ao Irã e à Turquia com notícias mais frescas. Quando chegou ao Brasil, Amorim contou ter sentido alguma flexibilidade na posição iraniana – e foi isso que Lula escreveu à Casa Branca, no dia 10 de maio. Talvez o vislumbre de um acordo tenha acendido a luz vermelha para Hillary. Na conversa do dia 11 com Amorim, a secretária de Estado acrescentou novas condições às expostas por Obama. Na prática, disse que os termos da carta estavam ultrapassados, porque desde outubro o estoque de urânio enriquecido iraniano havia aumentado.

O ex-ministro afirma que apontou “sem meias palavras” a contradição entre o que Hillary dizia e a palavra do chefe dela. Depois de um “longo silêncio”, ela mudou de assunto e pediu ajuda para soltar três jovens americanos que estavam presos no Irã (a única mulher do trio foi libertada em seguida, depois de gestões brasileiras). “Ela não podia achar que a gente ia dizer: ‘Desculpe, secretária, eu acreditei na carta do seu presidente’”, comentou Amorim numa entrevista no final de janeiro, em Brasília, onde ainda estava para efetuar a transição do Ministério da Defesa, pasta que chefiou no governo Dilma.

Como se sabe, a Declaração de Teerã, de 17 de maio de 2010, atendia aos requisitos da carta, mas foi rejeitada pelos Estados Unidos. Um dia antes, China e Rússia haviam concordado em aprovar na ONU novas sanções contra o governo iraniano. No seu segundo mandato, sem a pressão da reeleição, sem a rival Hillary na diplomacia e com um novo presidente no Irã, mais palatável à opinião pública do que Ahmadinejad, Obama retomaria as negociações com o Irã – que agora tem urânio para fazer não uma, mas sete bombas, caso deseje.

Desde o episódio, no entanto, há uma disputa pela interpretação da correspondência. Sabe-se hoje que Hillary e sua equipe mais próxima foram contra o envio da missiva. Robert Einhorn – assessor especial da secretária de Estado em 2010, em contato direto com o assunto – esteve no Rio há três meses para um seminário na Pontifícia Universidade Católica. “A carta era muito polida, mas deveria ter sido mais honesta, mais franca, mais direta, para explicar que o acordo que havíamos proposto já não podia mais ser aceito”, disse ele à piauí.

Segundo Einhorn, a Casa Branca acreditava que o Irã jamais aceitaria a proposta. “Nesse caso”, continuou, “por que deveríamos adotar uma posição dura com nossos amigos brasileiros e turcos? Houve uma falha de comunicação, e infelizmente ela veio por meio de uma carta do presidente.” Perguntei a Amorim o que ele achava disso. “Se eu quis ser polido com você e te dei um relógio de ouro, eu dei o relógio, não interessa”, respondeu.

A relação entre Hillary e Amorim até que começara bem. Em meados de 2009, numa assembleia de chanceleres da Organização dos Estados Americanos, a secretária fez dele um escudo contra os bolivarianos ao se sentar a seu lado: “Vou me proteger por aqui”, avisou ela. No livro, porém, ele é mais simpático a Condoleezza Rice, responsável pela diplomacia no segundo mandato de George W. Bush.

Em 2007, Condoleezza convidou o Brasil para participar da Conferência de Annapolis, que naquele ano discutiu o conflito entre palestinos e israelenses. Para Amorim, foi um reconhecimento da legitimidade do país em tratar de temas do Oriente Médio – o segundo relato do livro detalha a aproximação promovida por Lula com os países árabes. “Condoleezza vinha do mundo acadêmico, não estava buscando voto. Ouvia com muita atenção, recolhia o que queria. Não vou dizer que Hillary não ouvisse, mas tinha sempre uma agenda política própria”, disse ele.

Apesar da oposição brasileira à política externa de Bush, Amorim é generoso com o republicano. Descreve-o como informal, franco e direto – “Tratava o Lula de igual para igual”. Já Obama tendia ao “paternalismo”. Nicolas Sarkozy, o ex-presidente da França, também sai mal. Ambivalente e dissimulado, fazia juras de amor a Lula, mas agia contra ele nos bastidores. O ex-chanceler disse que nunca discutiu esses antecedentes com Dilma quando ela optou por comprar o caça sueco – e não o francês ou o americano – para a Força Aérea.

O volume de mais de 500 páginas se baseou em notas que Amorim tomava no calor da hora. O ex-ministro se refere repetidamente à crença de Lula na vontade política para resolver problemas difíceis. Certa vez, o presidente sugeriu ao colega israelense Shimon Peres “colocar os cinco melhores chanceleres do mundo numa sala” para produzir um acordo aceitável para palestinos e israelenses. Quando Lula teve a ideia de promover um “jogo da paz” entre os dois lados, porém, Amorim observa que essa crença às vezes ia “além do razoável”.

Amorim volta em fevereiro para seu apartamento no Rio de Janeiro, ao lado do Copacabana Palace. Como único chanceler que ocupou o cargo mais tempo do que o barão do Rio Branco, continuará pondo no papel sua versão da história. O próximo livro deverá ser sobre a vizinhança sul-americana.

O retorno do ex-ministro ao Itamaraty chegou a ser cogitado no final do ano passado, mas o convite de Dilma não veio. Amorim disse que os jovens diplomatas estavam esperançosos de que isso acontecesse, mas logo acrescentou que Mauro Vieira, o escolhido, tem estilo “mais jeitoso e menos abrasivo” do que o dele, e “pode conseguir as coisas gradualmente”. As coisas são verbas e prestígio para o ministério, que anda à míngua. “É preciso levantar a autoestima do Itamaraty, que nunca esteve tão baixa”, afirmou. Na avaliação do ex-chanceler, Dilma manteve a linha geral da diplomacia lulista, mas faltou-lhe intensidade. “Como é a frase do Hegel? A quantidade se transforma em qualidade.”

Dois dos relatos do livro – sobre a Declaração de Teerã e a tentativa de fechar as negociações da Rodada Doha na Organização Mundial do Comércio – terminam em decepção. Ele não se sente frustrado? “Frustrado, sim; arrependido, não”, rebateu. Não por acaso, o ex-ministro reafirma sua célebre boutade no subtítulo – Memórias da Política Externa Ativa e Altiva. “As três narrativas mostram um esforço para criar um mundo multipolar, no qual o Brasil tenha uma posição de destaque”, disse.

Um paradoxo fica evidente nas memórias de Amorim. Dizia-se que o Brasil estava sendo ingênuo em relação ao Irã, que no entanto cumpriu as promessas que fez ao país. A ingenuidade, afinal, teria ocorrido em relação às grandes potências? “Em certas situações você tem que tomar as pessoas pela palavra, senão vai fazer o quê? Ficar de fora de tudo. Nos anos 60 houve um secretário-geral do Itamaraty que dizia que política externa dá bolo. Tem gente que até hoje acha isso, que política externa dá bolo. Então não faz.”

Fonte: piauí_101

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Acidentes e Catástrofes Conflitos Geopolítica

A Ucrânia está perto da ‘guerra total’?

(AP)
Conflito no leste da Ucrânia já matou 5,4 mil e deixou milhares de desabrigados, diz ONU

“Nós sempre pensamos que a guerra está distante. Ainda assim, a poucas horas de voo, no leste da Europa, há homens e mulheres ─ civis ─ que estão morrendo todos os dias.”

A declaração sombria do presidente francês, François Hollande, foi ouvida quando ele e a chanceler alemã, Angela Merkel, se preparavam para uma reunião com Vladimir Putin em Moscou na sexta-feira. Na pauta, o que o próprio Hollande definiu como possibilidade de uma “guerra total”.

Há quase um ano, a fuga do presidente ucraniano Viktor Yanukovich para a Rússia marcava a vitória do movimento pró-União Europeia na Ucrânia e, consequentemente, uma derrota da Rússia, cuja influência política, histórica, étnica e linguística na Ucrânia foram ignoradas em prol de um sonho ─ o de uma Ucrânia integrada aos seus vizinhos do oeste.

Leia mais: O que explica a escalada de violência na Ucrânia?

Mas o que se seguiu foi uma sinistra escalada militar sem precedentes na Europa desde o final da Guerra Fria, envolvendo duas visões irreconciliáveis do mundo pós-União Soviética, alimentada pelos fantasmas nacionalistas ucranianos e russos e pela incapacidade da diplomacia europeia e americana.

Com os rebeldes pró-Rússia mostrando vigor assustador, tendo conquistado cerca de 500 quilômetros quadrados de território em quatro meses, europeus e EUA agora voltam a se mexer e cogitam soluções radicalmente diferentes para paralisar o conflito, depois do fracasso imediato das sanções econômicas impostas a Moscou.

Resta saber se essas soluções serão eficientes ou se o mais provável é a “guerra total” ─ com envolvimento direto de outros países, escalada através de outras fronteiras e muito mais sangue.

Armas ou ceticismo diplomático

Richard Sakwa é considerado uma das maiores autoridades acadêmicas do mundo em política russa e pós-soviética, tendo escrito dezenas de ensaios e livros sobre a lógica por trás do “inimigo” do Ocidente no Kremlin.

Em seu livro recém-lançado na Grã-Bretanha, Frontline Ukraine – Crisis in the Borderlands (“Frente de Batalha Ucrânia ─ Crise na Fronteira”, em tradução livre), Sakwa resume as duas principais causas do conflito que hoje vemos ─ a incapacidade do Ocidente de criar uma nova ordem geopolítica inclusiva para a Federação Russa no pós-Guerra Fria e a divisão política ucraniana.

(Getty)
Confronto no leste da Ucrânia teve início após anexação da península da Crimeia pela Rússia

A primeira causa é associada ao fato de o Ocidente nunca ter sido capaz de superar as instituições “vitoriosas” da Guerra Fria, criando um ambiente inclusivo para Moscou. Pelo contrário, a Otan avançou para o leste, para perto da fronteira russa, no que Moscou sempre considerou uma ameaça a seu espaço de influência e existência.

A segunda causa tem íntima ligação com a formação da Ucrânia como nação ─ leste e sul russófonos, com forte influência do poderoso vizinho e favorável a um país multilinguístico, neutro, com boas relações com Moscou; oeste querendo ser “europeu”, com uma distinta identidade ucraniana, deixando para trás a “ocupação” russa – a região do oeste onde fica a cidade de Lviv só passou a ser soviética durante a 2ª Guerra Mundial.

Se concordarmos com Sakwa, qualquer solução para o atual conflito precisa contemplar as duas questões. E são tremendas questões, sem nenhuma solução fácil. A primeira envolve uma mudança radical de paradigmas em vigor desde 1991. A segunda, mudanças políticas profundas na Ucrânia que surgiu dos mortos na Praça Maidan, em Kiev, em 2013.

Do ponto de vista do Ocidente, o que vem acontecendo desde o ano passado é uma tentativa de um líder inescrupuloso, Vladimir Putin, de restaurar a glória da velha União Soviética. De se impor à força, sem diálogo, retomando práticas que todos esperavam que tivessem ficado no passado da Europa – a anexação da Crimeia, por exemplo.

Leia mais: Líderes mundiais se reúnem para tentar costurar acordo na Ucrânia

Para Putin, porém, o Ocidente quer se impor com sua visão de mundo, suas instituições, suas regras, e não deu a Moscou a real chance de participar, de forma conjunta, da construção dessa nova ordem. No pós-Guerra Fria, criou-se o que Sakwa chama de “Paz Fria” ─ com Moscou e o Ocidente mantendo uma lógica de competição sem, entretanto, reconhecer que ela existisse.

Evidentemente, a Europa e os Estados Unidos esperavam que, sob o peso das sanções econômicas do último ano, Putin perdesse apoio político internamente na Rússia. Não foi isso que aconteceu, pelo contrário ─ pesquisas mostram que o apoio a suas políticas continua alto e o ambiente doméstico russo é de crescente antagonismo com o Ocidente.

Gasolina na fogueira

Assim, a primeira solução que vem sendo cogitada no momento, a americana, é a que tem mais potencial para gerar uma “guerra total”. Os Estados Unidos cogitam destinar armamento defensivo ao exército ucraniano contra os rebeldes pró-Rússia.

Ao fazer isso, os EUA estarão jogando gasolina na fogueira anti-Ocidental de Putin. Se antes ele só podia sugerir que o Ocidente estava alimentando o conflito para impor sua vontade, nesse caso, ele terá um argumento palpável para, sim, enviar tropas abertamente a Lugansk e Donetsk.

A ideia americana foi criticada abertamente por Merkel. Ela disse que não poderia imaginar “qualquer situação em que, se o Exército ucraniano receber um melhor equipamento, o presidente Putin fique tão impressionado que venha a pensar que vai perder militarmente”.

Mas as declarações do governo americano dão a entender que essa saída está sendo considerada seriamente. Uma linguagem estranhamente evocativa da Guerra Fria vem sendo usada pelo vice-presidente, Joe Biden, da mesma forma que vem sendo usada por Putin.

“Vezes demais o presidente Putin prometeu paz e entregou tanques, soldados e armas”, disse no sábado Biden, que preferiu, no dia anterior, ficar em Bruxelas em vez de se juntar a Merkel e Hollande na viagem a Moscou.

“Então, vamos continuar apoiando a segurança da Ucrânia, não para incentivar a guerra, mas para permitir que a Ucrânia se defenda.

Leia mais: Escalada de violência no leste da Ucrânia é ‘catastrófica’, diz ONU

A segunda solução, um novo plano de paz europeu, foi o tema de conversas telefônicas entre Merkel, Hollande, Putin e o líder ucraniano Petro Poroshenko neste domingo, e voltará a ser discutida por eles, desta vez face a face, na quarta-feira, em Minsk.

Os detalhes do plano não foram revelados. Sabe-se que a base da proposta não é muito diferente da do acordo fracassado de Minsk, de setembro passado. Inclui a criação de uma zona desmilitarizada perto da linha de batalha e comprometimento de cessar-fogo dos dois lados.

O que não se fala é integrar a Rússia num processo real de diálogo político interno na Ucrânia, nem um compromisso europeu com a criação de novas instituições que levem em conta a visão russa de um mundo multipolar. Putin já mostrou inclusive sinais de desconforto e disse que a reunião de quarta só ocorrerá “se, até então, nós conseguirmos concordar em vários temas”.

A simples ideia de a solução americana estar sendo aventada, além da existência e ampliação das sanções, alimenta ainda mais a desconfiança dos russos, que só tendem a ficar cada vez mais inflexíveis, obstinados frente às imensas dificuldades, como em tantos momentos em sua história.

Incertezas

Ao contrário do que muitos pensam, a Rússia se beneficiaria muito mais de uma Ucrânia que mantenha sua união nacional.

Em um artigo publicado no jornal Moscow Times, Josh Cohen, ex-funcionário do Departamento de Estado dos EUA, enumera alguns motivos ─ entre eles, o problema do custo de reconstrução do leste ucraniano, que poderia ser dividido com o Ocidente.

(AP)
Moradores do leste da Ucrânia são obrigados a deixar suas casas em meio à escalada de confronto armado

Putin defende a federalização ucraniana, com Donetsk e Lugansk passando a ter poder de veto em qualquer aprofundamento das relações de Kiev com o Ocidente, mas na prática tendo imensa autonomia do governo central – podendo, inclusive, participar da União Euroasiática que a Rússia criou com ex-países soviéticos.

Mas a elite política que derrotou os russos em Kiev no ano passado está disposta a voltar atrás e dividir o poder?

Dadas as possíveis consequências de armar o exército ucraniano e os imensos problemas que Obama enfrenta na esfera internacional (o autodenominado ‘Estado Islâmico’, por exemplo), o mais provável é que, apesar da retórica, a ideia não se concretize.

A proposta europeia, com a continuidade das negociações diplomáticas, é a saída mais lógica, ainda que já venha sendo tentada desde o ano passado sem sucesso. Se a negociação continuar, a “guerra total” é evitada, mas o lento sangramento da Ucrânia prossegue até não se sabe quando.

O fator crucial, no final das contas, será o efeito cumulativo das sanções. Neste mês, o Ocidente pode banir a Federação Russa do Swift, o sistema que integra os bancos globalmente. Isso seria um imenso baque para os bancos do país.

O cálculo é que, em dado momento, o preço pago por Putin para manter seu envolvimento na Ucrânia seja tão alto que crie rachaduras na elite que o sustenta, potencialmente afastando─o.

Quando isso acontecerá? Primeiro, não se sabe nem se acontecerá. E, se acontecer, não se sabe quem o irá suceder. Nada impede que seja mais do mesmo.

*Rafael Gomez é mestre em estudos da Rússia e da Europa Oriental pela Universidade de Birmingham, no Reino Unido.

Fonte: BBC Brasil

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Defesa

CPqD é credenciado como empresa estratégica de defesa

images (2)Sugestão: Alex  Nicolau

Campinas, 06 de fevereiro de 2015 – A experiência e a competência para desenvolver projetos de inovação sob encomenda, com base em Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs), renderam ao CPqD o seu credenciamento como Empresa Estratégica de Defesa (EED), concedido pelo próprio Ministério da Defesa brasileiro. A portaria nesse sentido, assinada pelo ministro Jaques Wagner no dia 30 de janeiro (e publicada no Diário Oficial na segunda-feira, 02/02), torna o CPqD um parceiro preferencial para o desenvolvimento de projetos estratégicos de TIC na área de defesa.

“Há mais de dois anos, estamos consolidando nossa posição de parceria com as Forças Armadas visando a modernização da estrutura de defesa do país com base em tecnologia nacional”, afirma Everton Corrêa, gerente de Defesa e Segurança do CPqD. Segundo ele, essa modernização é o principal objetivo da Estratégia Nacional de Defesa, criada pelo Ministério da Defesa, que tem no credenciamento de EEDs um dos seus pontos fortes. “Para se tornar EED, no entanto, é preciso que a organização já tenha prestado serviços ou desenvolvido um produto estratégico de defesa para as Forças Armadas”, ressalva Corrêa.

Atualmente, o CPqD presta serviços tecnológicos para as três Forças Armadas do país. Em agosto de 2013, inaugurou o seu Núcleo de Desenvolvimento de Tecnologias de Defesa. Antes disso, porém, já vinha trabalhando em vários projetos nessa área – por exemplo, com o Centro de Análise de Sistemas Navais (CASNAV), da Marinha, ao qual presta serviços desde 2010.

Em janeiro de 2013, o CPqD iniciou o Projeto Rádio Definido por Software de Defesa (RDS-Defesa), que é coordenado pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx). Com duração prevista de três anos, o RDS-Defesa faz parte de um projeto estratégico e mais amplo do Ministério da Defesa, que deverá atender todas as Forças Armadas.

Em meados do mesmo ano, o CPqD assinou um contrato com o Comando da Aeronáutica visando dar suporte ao projeto de evolução do sistema de comunicações do controle do tráfego aéreo brasileiro – sob a coordenação da Comissão de Implantação do Sistema de Controle do Espaço Aéreo (CISCEA). Como parte importante desse projeto, foi inaugurado, em outubro do passado, o Laboratório de Qualificação de Sistemas para o Controle do Espaço Aéreo (LQCEA). Montado nas instalações do CPqD, em Campinas, o LQCEA permitirá que novos equipamentos, tecnologias e sistemas sejam testados e validados antes de serem inseridos no Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro.

“Com sua vocação para a inovação baseada nas TICs, o CPqD pode dar uma contribuição importante para a modernização da estrutura de defesa do país e o fortalecimento da base tecnológica nacional nessa área”, enfatiza Everton Corrêa. “É esse papel que pretendemos reforçar agora, como Empresa Estratégica de Defesa.”

Sobre o CPqD

O CPqD é uma instituição independente, com foco na inovação em tecnologias da informação e comunicação (TICs). As soluções do CPqD são utilizadas por empresas e instituições no Brasil e no mercado internacional, em setores como comunicação e multimídia, utilities, financeiro, indústrias, administração pública e defesa e segurança. Atuando há 38 anos, o CPqD conta com mais de 1.300 profissionais altamente capacitados, reconhecidos por sua criatividade e comprometimento com elevados níveis de qualidade. Possui hoje o maior programa de P&D da América Latina na sua área de atuação e tem como objetivo contribuir para a competitividade do País e a inclusão digital da sociedade, levando ao mercado tecnologias de produto, sistemas de missão crítica, serviços tecnológicos e consultorias que beneficiam grandes e pequenas empresas, aumentando a eficiência desses negócios e alavancando o empreendedorismo no Brasil.

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Novo helicóptero pesado Sino-Russo

ALHSugestão: Dragão Vermelho
Tradução e adaptação: E.M.Pinto
Leia também:

Rússia e China avançam em projeto conjunto de helicóptero pesado

 

Durante o terremoto de Wenchuan, em 2008, uma aeronave vermelha de fabricação russa, o helicóptero M-26, o maior helicóptero do mundo, foi frequentemente visto na TV transportando um grande número de bens e materiais extremamente necessárias para as áreas afetadas pelo desastre, as imagens das emissoras  de TV impressionaram o público.

No entanto, naquela época, só havia dois helicópteros M-26  na China e eles eram os únicos helicópteros capazes de transportar máquinas pesadas essenciais para o salvamento de vidas.
A dor de Wenchuan era também a dor da indústria de helicóptero na China. Depois disso, a China começou a acelerar o desenvolvimento de helicópteros pesados, bem como as negociações com a Rússia para o desenvolvimento conjunto de helicópteros pesados.
Uma fonte da indústria militar Russa informou em uma entrevista que o helicóptero pesado que está sendo desenvolvido em conjunto pela China e Rússia é ligeiramente menor do que o M-26 helicóptero. Com as necessidades da China levadas em consideração esta aeronave terá d epossuir capacidade de voo à grandes altitudes, informou a Interfax, a agência de notícias russa.
Com a ajuda da Rússia, que possui forte experiência técnica em helicópteros, este avançado helicóptero pesado para China começa a tomar forma.
Tão cedo quanto 2010, Andrei Shibitov, Chief Executive Officer da Russian Helicopters, declarou em uma entrevista coletiva que a Rússia e a China iriam desenvolver em conjunto um helicóptero que se posicionaria na faixa de 30-35 toneladas.
Os artigos nos últimos anos mostram que tal helicóptero pesado desenvolvido conjuntamente pela China e Rússia se tornará menor, mas mais prático.
Dmitry Rogozin, presidente russo da Comissão Preparatória para a Reunião Ordinária entre primeiros-ministros chineses e russos e vice primeiro-ministro da Rússia, disse que depois de conversar com o seu colega chinês, em agosto de 2013, afirmou que a Rússia e a China podem desenvolver em conjunto helicópteros extra-pesados capazes de transportar cargas duas vezes maiores que as do M-26.
Aleksandra Mikheyev, gerente geral do Russian Helicopters, disse na ocasião do Zhuhai Air Show, em novembro 2014 que o contrato seria assinado em dois ou três meses, e os parâmetros aerodinâmicos de configuração e desempenho de voo do helicóptero seriam determinados em fevereiro de 2015.
Mikheyev disse também que o modelo é desenvolvido a partir do helicóptero M-26T , e seu peso de descolagem e capacidade de carga são todos menores que as do M-26, mas que uma vez equipado com os novos motores D-136  do M-26, por conseguinte esta aeronave seria superior ao M-26 em termos da relação impulso-peso e mobilidade.
Na última cobertura dos meios de comunicação russas, no entanto, descrevem o helicóptero como “com um peso de descolagem de 38 toneladas e uma capacidade de carga de menos de 15 toneladas, ele pode ser utilizado em planaltos em condições climáticas adversas”, e que esta aeronave não seria um cópia e simples melhoria do helicóptero M-26.
Fonte: Asian Defence News

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Conflitos Geopolítica Rússia Ucrânia

Não consigo visualizar como uma Ucrânia mais armada convenceria Putin que ele poderia perder militarmente – Merkel

A chanceler alemã, Angela Merkel, avisou neste sábado que enviar armas para ajudar a Ucrânia a combater os separatistas pró-Rússia não resolveria a crise no país, atraindo uma resposta crítica de um senador norte-americano, que acusou Berlim de virar as costas para um aliado em apuros.

A discussão áspera em uma conferência de segurança em Munique demonstrou a fragilidade do consenso transatlântico sobre como confrontar o presidente russo, Vladimir Putin, sobre o conflito no leste da Ucrânia, que já matou mais de 5.000 pessoas.

A anexação russa da península da Crimeia, em março do ano passado, e evidências de que o país estaria apoiando as forças separatistas no leste do país, o que é negado pelo Kremlin, levaram as relações de Moscou com o Ocidente a um dos piores momentos desde o fim da Guerra Fria.

Uma recente ofensiva rebelde desencadeou uma série de intensas negociações diplomáticas, com Merkel e o presidente francês, François Hollande, viajando a Moscou para tentar convencer Putin a negociar um acordo de paz.

Mas autoridades europeias dizem que o líder russo tem poucos incentivos para negociar agora, e prefere sentar e assistir os separatistas ganharem mais território na Ucrânia, que desrespeitou um acordo de cessar fogo anterior, firmado em setembro em Minsk, capital de Belarus.

O Exército da Ucrânia disse no sábado que os separatistas pró-Rússia haviam aumentado os ataques às forças do governo, e pareciam estar reunindo forças para novas ofensivas na importante cidade ferroviária Debaltseve e na costeira Mariupol.

A líder alemã declarou em Munique, depois de retornar de Moscou no meio da noite, que era incerta a possibilidade de sucesso do plano de paz franco-alemão apresentado a Kiev e Moscou nesta semana.

Mas ela rejeitou diretamente a ideia de enviar armas para Kiev, considerada pelo presidente norte-americano, Barack Obama.

“Eu entendo o debate, mas acredito que mais armas não levarão ao progresso que a Ucrânia precisa. Eu realmente duvido”, disse Merkel, que está liderando uma iniciativa ocidental para resolver a crise através de negociações.

“O problema é que eu não consigo visualizar nenhuma situação na qual uma Ucrânia mais armada convenceria o presidente Putin de que ele poderia perder militarmente”, disse Merkel.

O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, também em Munique, disse que havia “um momento bom para otimismo” de que as negociações entre Merkel, Putin e Hollande possam chegar a um acordo.

Mas Lavrov também cutucou o Ocidente acusando a Europa e os Estados Unidos de apoiarem um golpe de Estado contra o líder deposto Viktor Yanukovich, um aliado de Moscou, um ano atrás, e virando as costas para os nacionalistas que ele dizia ter intenções de promover uma limpeza étnica no leste da Ucrânia.

“Há apelos crescentes no Ocidente para suportar a política de militarização de Kiev, encher a Ucrânia de armas letais e trazê-la para a Otan”, disse Lavrov.

Falando após Merkel, o senador dos EUA Lyndsey Graham, um veterano republicano, elogiou a chanceler por seu engajamento na crise, mas disse que era hora de ela acordar para a realidade do que ele chamou de agressões de Moscou.

“No final das contas, para os nossos amigos europeus, isso não está funcionando… Levantem-se para o que claramente é uma mentira e um perigo”, disse Graham.

Ele acusou Merkel de virar as costas para uma democracia em perigo ao rejeitar o pedido de Kiev por armas. “Isso é exatamente o que você está fazendo”, disse.

REUTERS

Fonte: Terra

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Segundo porta-aviões chinês: O que se esconde por trás das informações?

Vassily Kashin

Em 31 de janeiro, a prefeitura de Changzhou anunciou, através de sua conta oficial no microblog, que uma das empresas da cidade, especializada em fabrico de cabos elétricos, tinha vencido o concurso e iria fornecer sua produção para equipar o segundo porta-aviões chinês.

Retirada mais tarde da Internet, essa informação provocou uma avalancha de comentários de especialistas e amantes de equipamento militar.

A notícia chegada de Changzhou não é foi o primeiro “vazamento” de informação sobre a construção do segundo porta-aviões chinês. Já houve vários casos do mesmo gênero, incluindo uma declaração de Wang Mingyu, dirigente comunista da província de Liaoning, que já no início do ano passado se tinha referido aos preparativos para a construção de mais dois porta-aviões.

Ora, o que é que sabemos atualmente sobre este programa e seu andamento? O segundo porta-aviões chinês levará no seu casco o número de amura 17. O navio está sendo construído no estaleiro de Dalian, de acordo com o projeto modernizado do Liaoning, com o qual terá muita similitude no aspecto exterior. As diferenças internas, ao invés, deverão ser substanciais.

É lógico supor que os chineses não vão reproduzir o grupo motopropulsor do Varyag/Liaoning, já moralmente obsoleto e, além disso, pouco confiável e trabalhoso em manutenção. Aliás, a configuração técnica do novo grupo motopropulsor ainda é desconhecida. Pode-se esperar também grandes mudanças no equipamento radioeletrônico e melhorias importantes na organização dos espaços interiores do navio.

O projeto 17 envolve, grosso modo, os mesmos recursos humanos e as mesmas empresas que construíram e aparelharam o navio do projeto anterior, o Liaoning. Portanto, o atual projeto distingue-se por uma baixa taxa de riscos técnicos e não deve ser extraordinariamente caro. Todos os possíveis erros já foram feitos e corrigidos durante a construção do Liaoning. Por isso, os chineses poderão obter, no final, um navio muito melhor do que o Liaoning ou o Admiral Kuznetsov russo.

O terceiro porta-aviões, em que os engenheiros chineses, como podemos supor, estão trabalhando a toda a velocidade, será construído em Xangai. É um projeto de nível e complexidade tecnológica totalmente diferente. Pelo pouco que sabemos, podemos julgar que o navio do projeto 18 será completamente um porta-aviões nuclear de tipo norte-americano, com catapultas eletromagnéticas e propulsor nuclear. Uma vez construído, a China se tornará indiscutivelmente a segunda nação do mundo na área de construção naval militar (pelo menos, na classe de navios de superfície).

É possível que o navio tenha o deslocamento comparável com o dos porta-aviões norte-americanos de grande porte. Além disso, terá aviões embarcados mais eficientes e versáteis, ou seja, não só caças mas também aeronaves do sistema de vigilância aérea por radares, que estão sendo desenvolvidos na China.

Durante a construção do projeto 18, os chineses não poderão contar com as soluções técnicas prontas, emprestadas do exterior. O projeto é altamente arriscado do ponto de vista técnico, e os prazos reais de sua conclusão diferirão muito dos inicialmente planejados. Portanto, não se pode excluir que no futuro o programa de porta-aviões seja submetido a certos reajustes, por exemplo, em detrimento da construção de navios adicionais do tipo Liaoning.

Por que razão cresce o número de materiais publicados sobre o navio em construção? Evidentemente, dentro em breve estaremos testemunhando o mesmo fenômeno que foi observado na mídia chinesa durante a construção do Liaoning. Nos anos anteriores à sua entrada ao serviço na Marinha chinesa, o projeto de remodelação do navio era de conhecimento comum, embora o governo chinês não emitisse a esse respeito nenhuns comentários oficiais.

Na altura, a China não fez nenhum esforço prático para esconder o fato de estar executando o programa de construção do porta-aviões e, aparentemente, não vai o esconder agora. Ao rejeitar um secretismo hermético, as autoridades preparam gradualmente a opinião pública, tanto na própria China como nos países vizinhos, para o próximo reforço da Marinha chinesa.

Ao mesmo tempo, a falta de informação oficial sobre o assunto não permite aos adversários estrangeiros da China tirar o máximo proveito do que está acontecendo para promover a tese da “ameaça chinesa”. Além disso, a falta de contenção na divulgação dos projetos tecnicamente arriscados pode levar a consequências políticas desagradáveis no âmbito interno se tais projetos enfrentarem atrasos e custos adicionais (o que acontece muitas vezes).

Quanto a isso, a China consegue, portanto, evitar felizmente o erro que a Rússia às vezes comete no que concerne aos seus programas espaciais e técnico-militares.

Fonte: Sputnik

 

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Conflitos Destaques Geopolítica Opinião Rússia

Estratégia de segurança dos EUA promete “impedir a agressão russa”

Joan Faus

O relatório da estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos é um ritual que permite há três décadas medir a evolução das prioridades e ameaças em política externa da primeira potência mundial. O Governo de Barack Obama divulgou sua primeira estratégia em maio de 2010. E nesta sexta-feira apresentou a segunda e última de sua presidência, que se encerra em janeiro de 2017. Nesses quase cinco anos foram cumpridos alguns objetivos e previsões, mas outros fracassaram.

A relação com a Rússia é um dos melhores termômetros. Em 2010, aprofundar os laços com Moscou era uma prioridade. Era a época do chamado reset. Mas, agora, os fantasmas da Guerra Fria reapareceram e o objetivo é frear a ingerência russa de quase um ano na Ucrânia. “Vamos impedir a agressão russa, permaneceremos atentos a suas capacidades estratégicas e, se for necessário, ajudaremos nossos aliados e parceiros a resistir à coação russa no longo prazo”, assinala o relatório de 29 páginas.

A assessora de segurança nacional, Susan Rice, admitiu na sexta-feira essa guinada. “Grande parte de nossa atenção e recursos serão para a Rússia. Em 2010, tínhamos outra perspectiva e orientação”, afirmou em um evento sobre a nova estratégia no centro de estudosBrookings Institution. Rice insistiu na mensagem oficial que, se a Rússia não retroceder em sua ingerência na Ucrânia, os EUA, com seus parceiros europeus, ampliarão os “custos” contra Moscou.

A assessora de Obama explicou que Washington continua avaliando se entrega armas ao Exército ucraniano em sua luta contra os rebeldes pró-Rússia. “Estamos analisando os passos seguintes com nossos parceiros europeus”, disse. Mas, em uma significativa ressalva, acrescentou que gostaria de tomar a decisão de armar Kiev em “coordenação” com os parceiros. É um detalhe relevante porque alguns países europeus, como a França e a Alemanha, se opõem à entrega de ajuda militar letal, enquanto a Polônia e algumas nações bálticas optam pelo contrário. Até agora, os EUA têm coordenado com a União Europeia todas as sanções econômicas contra a Rússia.

A América lidera de uma posição de força. Mas isso não significa que possamos ou devamos tentar ditar a trajetória de todos os eventos. Poderosos como somos e continuaremos sendo, nossos recursos e influência não são infinitos  –  Barack Obama

A estratégia de segurança também está relacionada ao compromisso norte-americano de garantir a defesa dos países do centro e norte da Europa, membros da OTAN, ante qualquer ameaça russa. Mas Rice, por sua vez, afirmou que os EUA desejam continuar colaborando com a Rússia em outras questões mundiais, como a guerra síria ou as negociações nucleares com o Irã.

O documento apresentado nesta sexta-feira coincide em grandes linhas com a doutrina de política externa formulada por Obama em um discurso em maio na academia militar de West Point. A filosofia é que os EUA continuam sendo a nação indispensável que tem de liderar as grandes crises, e que elas não podem ser solucionadas unicamente com ações militares. Mas tem de ser uma liderança realista com um enfoque multilateralista e de longo prazo que lhe reserve o direito de agir unilateralmente. “A questão nunca é se a América deveria liderar, mas como lideramos”, enfatiza Obama na introdução do relatório.

O presidente sustenta que os desafios enfrentados por seu país requerem “paciência e persistência estratégica”, embora admita certa urgência: “Adotamos nosso papel e responsabilidade excepcional em um momento em que nossas contribuições e capacidades únicas são mais necessitadas.”

Obama, porém, impõe limites: “A América lidera de uma posição de força. Mas isso não significa que possamos ou devamos tentar ditar a trajetória de todos os eventos que ocorrem no mundo. Poderosos como somos e continuaremos a ser, nossos recursos e influência não são infinitos. E em um mundo complexo muitos dos problemas de segurança que enfrentamos não têm soluções rápidas e fáceis”.

EUA dizem que gostariam de decidir em “coordenação” com seus parceiros europeus, se armam Kiev, mas a maioria deles se opõe

As grandes linhas da doutrina externa da Casa Branca pouco variaram em relação ao discurso de maio, mas houve, sim, mudanças em alguns aspectos. Na época, o presidente não fez nenhuma referência direta ao grupo jihadista Estado Islâmico (EI) e descartou a possibilidade de uma intervenção militar na Síria. Mas a ascensão dos jihadistas obrigou em junho os EUA a enviarem assessores militares ao Iraque e iniciarem dois meses depois ataques aéreos contra as posições do EI no país. Em setembro os bombardeios se estenderam à Síria. Essa campanha se fundamenta nos princípios detalhados em West Point e reafirmados na nova estratégia de segurança: liderar uma ampla coalizão com parceiros na região.

O que também muda em relação a maio é o maior otimismo sobre o papel dos EUA, em conformidade com o discurso do Estado da União pronunciado por Obama em fins de janeiro. Um dos grandes objetivos da estratégia de 2010 era superar o colapso econômico e os EUA conseguiram isso de sobra. “Hoje, os Estados Unidos estão mais fortes e mais bem posicionados para conseguir as oportunidades deste novo século e proteger seus interesses contra os riscos de um mundo inseguro”, assinala a primeira frase do relatório. “A crescente força econômica da América é a base de nossa segurança nacional e uma fonte crucial de nossa influência no estrangeiro.”

Fonte: El País

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Negócios e serviços Opinião Rússia Tecnologia

Rússia e China poderão fazer concorrência à Boeing e à Airbus

A Rússia e a China vão investir 13 bilhões de dólares na criação conjunta de um avião de passageiros de longo curso. O primeiro voo da aeronave está planejado para dentro de cinco anos.

De acordo com o presidente da Corporação Unida de Construção Aeronáutica (OAK) Yury Slyusar, o avião de passageiros está sendo desenvolvido em parceria com a corporação pública chinesa Comac. O esforço financeiro será repartido de forma igual entre as partes.

Recordemos que o acordo para o desenvolvimento conjunto do projeto de um avião comercial de longo curso de fuselagem larga foi assinado pela Rússia e pela China em maio do ano passado. O primeiro voo da aeronave está planejado para dentro de cinco anos, informou Yury Slyusar:

“A Rússia e a China estão satisfeitas com os ritmos e o conteúdo dos trabalhos de fabrico conjunto do avião de fuselagem larga. As partes já definiram o conceito do negócio, existe um entendimento quanto ao aspeto do avião, sua capacidade, alcance, características técnicas e soluções tecnológicas que serão utilizadas.

“Nós acordamos que os trabalhos de fabrico da fuselagem, que neste momento são tradicionalmente executados em grande cooperação com a Boeing e a Airbus, serão uma área da responsabilidade da parte chinesa. Já as asas, cauda e empenagem, as áreas em que o nosso potencial e capacidades são bastante vastos, serão de responsabilidade russa. A capacidade do futuro avião será da ordem dos 280 lugares e sua autonomia de 12 mil quilômetros.”

Na opinião dos peritos, o projeto irá usar um novo conceito de construção. O mais provável é os construtores desistirem dos quatro motores habituais por consumirem demasiado combustível. Aliás, essa é a razão que está fazendo baixar a demanda por aviões que antes eram muito populares, como o Boeing 747 e o A-340. Um avião moderno, mesmo que possua uma grande capacidade, terá de ser bimotor. Ou seja, será também mais leve e mais tecnológico.

Já se sabe que o novo avião russo-chinês será fabricado usando compósitos em metade de sua estrutura. Em outros 15% serão usadas ligas de titânio e apenas um terço será composto por outros materiais. Se tudo correr bem, o projeto russo-chinês poderá concorrer com a Boeing e a Airbus.

Segundo as previsões da ICAO, até 2030 mais de 90% da demanda de aviões comerciais caberá ao segmento dos 200-350 lugares, ao qual pertence igualmente o futuro projeto russo-chinês. Até essa altura as necessidades totais em aviões de fuselagem larga serão de 8 mil aparelhos em todo o mundo. Entretanto, a maior demanda será na Europa, assim como na região da Ásia-Pacífico, na qual metade do volume total de vendas caberá à China com seu bilhão e meio de habitantes.

Fonte: Sputnik

 

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Defesa Sistemas de Armas Tecnologia Vídeo

Vídeo: AC-130 Gunship em preparação para usar o – “Martelo de Hefestos”

 

Uma variante do carguero C-130 Hercules Fabricado pela Lockheed, o AC-130 é uma aeronave de ataque ao solo e de apoio aéreo próximo. A Boeing é a responsável pela conversão para aeronave Gunship. Esta aeronave substituiu o AC-47 Spooky, da então Douglas Aircraft Company, durante a Guerra do Vietnã.

 

https://www.youtube.com/watch?v=-X4SODtiHQI

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Conflitos Geopolítica Opinião

EUA empurram China para confronto com Japão

Washington provoca Pequim a um confronto com Tóquio, para aumentar a presença militar estadunidense na Ásia, usando o pretexto de proteger os interesses dos seus aliados.

Foi justamente assim que especialistas russos comentaram a notícia de os EUA terem proposto ao Japão patrulhar conjuntamente as rotas de comércio no mar da China Meridional. Através dessas rotas, a China recebe a maior parte do petróleo procedente do Oriente Médio e da África. Uma forte reação chinesa à declaração dos EUA será inevitável, estimam os especialistas.

Segundo o Ministro da Defesa japonês, Gen Nakatani, o comando militar do país vai estudar a proposta norte-americana. No entanto, ele admitiu que uma resposta favorável de Tóquio poderia desagradar a Pequim.

Seja como for, ao propor a Tóquio o patrulhamento conjunto, Washington está perseguindo seus próprios objetivos. É que na prática não só a China, mas também o Japão, recebem os principais fluxos de petróleo importado através do mar da China Meridional. Essa é a opinião compartilhada pelo diretor adjunto do Instituto dos EUA e Canadá, Pavel Zolotaryov:

“Os norte-americanos têm inventado uma boa desculpa para ampliar sua presença militar na região. Eles nem tentam esconder que a sua principal preocupação tem a ver, sobretudo, com a China. É o que prima em todos os documentos deles. Inclusive o sistema de defesa antimísseis regional, se os lermos atentamente, é articulado por eles para neutralizar o potencial de mísseis chineses. Isto é claro e evidente, apesar de os estadunidenses associarem a sua DAM asiática principalmente com a Coreia do Norte.

 

“Se soube que o chefe da inteligência dos EUA, antes de ter renunciado a seu cargo, chamou a atenção para a crescente atuação chinesa na Ásia, incluindo na resposta às forças da Guarda Costeira japonesa nas zonas de litígio”.

O governo de Shinzo Abe se propõe aprovar parlamentarmente uma decisão que conceda às forças armadas do Japão o direito de efetuar operações conjuntas com os EUA muito para além do arquipélago japonês.

De acordo com a Constituição Pacifista, neste momento o Japão não tem esse direito. A proposta estadunidense de policiamento conjunto das vias militares e comerciais no mar da China Meridional empurra, pura e simplesmente, o Japão para a revisão de sua Constituição. Com isso se calcula envolver o Japão para fazer frente ao aumento da influência chinesa na região, acredita o diretor do Centro de Estudos Japoneses, Valery Kistanov:

“Os norte-americanos têm inventado uma boa desculpa para ampliar sua presença militar na região. Eles nem tentam esconder que a sua principal preocupação tem a ver, antes de mais nada, com a China. É o que prima em todos os documentos deles. Inclusive o sistema de defesa antimísseis regional, se os lermos atentamente, é articulado por eles a fim de neutralizar o potencial de mísseis chineses. Isto é claro e evidente, apesar de os estadunidenses ligarem a sua DAM asiática principalmente com a Coreia do Norte.

“Tornou-se sabido que o chefe da inteligência dos EUA, antes de ter renunciado a seu cargo, chamou a atenção para a crescente atuação chinesa na Ásia, incluindo no que respeita à resposta às forças da Guarda Costeira japonesa nas zonas de litígio”.

O governo de Shinzo Abe se propõe aprovar parlamentarmente uma decisão que conceda às forças armadas do Japão o direito de efetuar operações conjuntas com os EUA muito além do arquipélago japonês.

De acordo com a Constituição Pacifista, agora o Japão não tem esse direito. A proposta estadunidense de policiamento conjunto das vias militares e comerciais no mar do Sul da China empurra, pura e simplesmente, o Japão para rever a Constituição. Com isso se calcula envolver o Japão para fazer frente ao aumento da influência chinesa na região, acredita o diretor do Centro de Estudos Japoneses, Valery Kistanov:

“Os EUA enfrentam na região da Ásia-Pacífico só um problema, e este dor de cabeça tem origem no crescimento do poderio militar e econômico da China. É um desafio para o poder norte-americano, a sua dominação na região. Portanto, tal proposta, se os norte-americanos a fazem, tem a ver, antes de tudo, com a dissuasão da China, isso não suscita dúvidas.

É uma proposta provocativa, e não só por excitar mas também por conter provocação. Ela persegue o objetivo de provocar um confronto direto entre o Japão e a China, munindo os EUA de um novo pretexto para reforçar a sua presença na região a fim de, alegadamente, proteger seu aliado. A China irá se opor duramente a esse curso dos acontecimentos. Pequim, com certeza, vai se lembrar em seguida da agressão japonesa, dos desastres e danos que essa trouxe a países asiáticos. Tanto mais que este é o ano do 70º aniversário do fim da II Guerra Mundial. Na China, esta gesta é vista sob a óptica da vitória na guerra contra o Japão militarista”.

A presença da Marinha dos EUA no mar da China Meridional será uma perturbação forte no relacionamento entre os dois países. Pequim não descarta que, em caso de agravamento das relações bilaterais, Washington tente exercer pressão militar sobre a China precisamente nesta área. Em particular, com recurso ao bloqueio das vias marítimas usadas para transportar petróleo para a China.

Entretanto, o aparecimento de navios de guerra japoneses junto a belonaves da 7ª Frota dos EUA será capaz de colocar a China em uma situação complicada. E se os acontecimentos evoluírem dessa forma, a reação dos militares chineses poderá levar a sérias consequências.

Fonte: Sputnik

 

 

 

 

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Conflitos Geopolítica Rússia Ucrânia

Poroshenko admite referendo sobre federalização da Ucrânia

A questão da federalização e autonomia das regiões do país deve ser decidida por um referendo nacional, disse o presidente da Ucrânia, Pyotr Poroshenko.

A questão da federalização e autonomia das regiões deve ser decidida por um referendo nacional, disse o presidente da Ucrânia, Pyotr Poroshenko aos jornalistas em Munique,

Após o golpe de Estado no país, em fevereiro de 2014, uma parte da população na região leste ucraniana não reconheceu a legitimidade do atual governo e declarou a independência. Em maio, Poroshenko teria afirmado que Ucrânia não se tornaria uma federação, mas que o governo admitia a ideia de descentralização.

“Eu estou pronto para apresentar uma proposta de federalização, bem como a questão do idioma oficial. E eu já sei quais serão os resultados”, afirmou Poroshenko.

Poroshenko declarou em diversas ocasiões que a Ucrânia é, e continuará sendo, um estado unitário. Após a troca de poder, no ano retrasado, a população do leste do país passou a defender a federalização. O tema foi defendido por muitos políticos internacionais. No entanto, Kiev sempre relutou à admitir este cenário e, além disso, iniciou ações militares em Donbass. Como resultado disso, as regiões de Donetsk e de Lugansk declararam a independência. No presente momento, as autoridades das repúblicas autoproclamadas do leste ucraniano buscam o reconhecimento da sua independência e afirmam não ter mais interesse em federalização.

Fonte: Sputnik

 

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Conflitos Geopolítica Opinião Rússia

Putin critica sanções mas diz que Rússia não quer guerra com ninguém

O presidente russo Vladimir Putin disse no congresso da Federação de Sindicatos Independentes da Rússia que o país não está em guerra com ninguém, e não quer uma guerra contra ninguém, mas criticou bruscamente as sanções antirrussas implementadas pelo Ocidente.

“Não tem guerra, graças a Deus. Mas tem uma tentativa de conter nosso desenvolvimento com várias medidas… Mas nós não planejamos entrar numa guerra com ninguém, planejamos cooperar com todos”, declarou o presidente russo.

Quanto às sanções, Putin disse que elas no final “não farão ninguém feliz e não podem ser efetivas contra um país como o nosso”.

Parece que estas ideias também são às vezes partilhadas pelos países ocidentais. Durante a Conferência de Segurança de Munique, por exemplo, a chanceler alemã Angela Merkel disse que o Ocidente não quer construir a segurança na Europa contra a Rússia, mas sim com a Rússia.

A União Europeia impôs o primeiro conjunto de proibições de viagem e congelamento de bens contra pessoas e entidades supostamente responsáveis por desestabilizar a Ucrânia em março de 2014.

Ainda no ano passado, os Estados Unidos, a União Europeia e os seus aliados acusaram a Rússia de se intrometer no conflito ucraniano, inclusive prestando uma suposta assistência militar para os separatistas da região de Donbass, que haviam declarado independência por se recusarem a reconhecer a legitimidade do novo governo em Kiev, que subiu ao poder depois de um golpe de Estado em fevereiro.

Desde março de 2014, o Ocidente já impôs várias rodadas de sanções contra Moscou, visando não só indivíduos de alto escalão, mas também os setores bancários, de energia e de defesa da Rússia.

O Kremlin tem repetidamente negado qualquer envolvimento na crise interna da Ucrânia e qualifica a linguagem das sanções como contraproducentes. Em resposta às sanções ocidentais, Moscou impôs uma proibição de um ano sobre a importação de certos alimentos dos países que impuseram restrições.

Fonte: Sputnik