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New York Times: Se Rússia deixar de apoiar Assad, Arábia Saudita pode cortar produção de petróleo

Foto: Arquivo – Secretário de Estado dos EUA John Kerry converça com Ministro das Relações Exteriores saudita Saud al-Faisal na Suíça em 2014. – AP

Arábia Saudita pode cortar produção de petróleo, o que muito provavelmente conduzirá ao aumento dos preços mundiais, se as autoridades russas deixarem de apoiar o governo sírio, liderado por Bashar Assad, escreve o New York Times, citando autoridades sauditas e norte-americanas não identificadas.

Segundo os responsáveis, a liderança da Arábia Saudita nos últimos meses tem realizado uma série de conversações com a Rússia sobre esta questão, mas não havia sido alcançado “progresso significativo”. De acordo com o New York Times, as autoridades sauditas disseram a seus homólogos americanos que têm influência sobre a Rússia, devido à possibilidade de reduzir a oferta de petróleo no mercado mundial, o que conduzirá ao aumento de preços.

Ao mesmo tempo, acrescenta o jornal, as autoridades sauditas não disseram de que forma os representantes da Arábia Saudita relacionaram durante as conversações o tema de extração de petróleo, solução do problema sírio e apoio a Damasco.

O New York Times destaca que a Arábia Saudita é um dos maiores produtores mundiais de petróleo. Desde novembro de 2014, a Arábia Saudita tem promovido na OPEP a decisão de manter as quotas de produção de petróleo. Isso agravou o excesso de produção a nível mundial e contribuiu para uma maior deterioração dos preços da energia.

Anteriormente, o presidente sírio, Bashar Assad dissera em entrevista ao Foreign Affairs que a Rússia e o Irã, apesar das dificuldades econômicas associadas com a queda dos preços mundiais do petróleo, vão continuar a prestar apoio a Damasco.

Fonte: Sputnik

 

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Ex-premiê ucraniano fala do papel dos EUA e UE nos acontecimentos no país

Nesta quarta-feira o ex-premiê ucraniano Nikolai Azarov apresentou o seu livro “A Encruzilhada da Ucrânia” e respondeu às perguntas de jornalistas.

Ele disse nomeadamente que os representantes da Comissão Europeia exerceram pressão sobre as autoridades da Ucrânia na questão do acordo de associação com a União Europeia.

“Nunca ouvi de Putin ou Medvedev dizer que iríamos ter um outro presidente e governo se assinássemos o acordo mas ouvi muitas vezes do [comissário da UE para o Alargamento Stefan] Fuele/ que, se não assinássemos o acordo, um outro governo iria assinar.”

Ele acrescentou que os EUA tinham uma tática de afastamento gradual do então presidente Viktor Yanukovich do poder. A primeira etapa deste plano tinha como objetivo eliminar o governo ucraniano. Infelizmente os norte-americanos conseguiram envolver Yanukovich em negociações inúteis, ao mesmo tempo que radicais de todas as partes da Ucrânia chegavam a Kiev para a tomar o poder pelas armas.

Tomando tudo isso em conta, o ex-premiê ucraniano não considera as novas autoridades na Ucrânia legítimas.

Nikolai Azarov apelou aos dois lados do conflito em Donbass para cessarem as hostilidades.

Segundo o ex-primeiro-ministro, para resolver a crise ucraniana é preciso organizar uma cúpula internacional com a participação dos presidentes dos EUA, Rússia e a chanceler alemã. Azarov acha que com a mediação desses países se poderá criar um governo temporário de profissionais que consiga parar a guerra, elaborar uma nova constituição que pressuponha a federalização da Ucrânia e realizar eleições verdadeiramente democráticas.

A decisão do então presidente da Ucrânia Viktor Yanukovich de não assinar um acordo de associação com a União Europeia no final de 2013 desencadeou uma onda de protestos em massa em todo o país, que culminou com o golpe de Estado de fevereiro.

Kiev está realizando desde meados de abril uma operação militar para esmagar os independentistas no leste da Ucrânia, que não reconhecem a legitimidade das novas autoridades ucranianas. Segundo os últimos dados da ONU, mais de 5.000 civis já foram vítimas deste conflito.

Desde 9 de janeiro, a intensidade dos bombardeios na região intensificou-se, aumentou o número de vítimas do conflito.

Fonte: Sputnik

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Acidentes e Catástrofes Conflitos

Escalada de violência no leste da Ucrânia é ‘catastrófica’, diz ONU

(Reuters)
Nas últimas 24 horas, pelo menos 16 civis foram mortos e dezenas de outros ficaram feridos

A ONU classificou nesta terça-feira como ‘catastrófica’ a recente escalada de violência no leste da Ucrânia, em meio a novos confrontos armados entre forças do governo e rebeldes separatistas pró-Rússia.

Nas últimas 24 horas, pelo menos 16 civis foram mortos e dezenas de outros ficaram feridos.

O balanço dos mortos foi divulgado pelo governo e representantes dos rebeldes. Segundo eles, as mortes foram registradas em localidades próximas às regiões de Donetsk e Luhansk. O número exato, entretanto, não pôde ser confirmado de forma independente.

As Forças Armadas da Ucrânia também afirmaram que cinco soldados morreram em um confronto com rebeldes separatistas pró-Rússia perto da cidade de Debaltseve, considerada estratégia por sua localização.

Nas últimas semanas, as mortes de civis aumentaram significativamente em meio ao recrudescimento da ofensiva rebelde.

Segundo o jordaniano Ra’ad Al Hussein, Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, houve uma “clara violação da lei humanitária internacional que rege a condução de conflitos armados”.

“Pontos de ônibus e transporte público, mercados, escolas e jardins de infância, hospitais e áreas residenciais tornaram-se campos de batalha nas regiões de Donetsk e Luhansk da Ucrânia”, disse Hussein por meio de um comunicado.

“Qualquer nova escalada vai se revelar catastrófica para os 5,2 milhões de pessoas que vivem em meio ao conflito no leste da Ucrânia”, acrescentou ele.

Confrontos

Segundo a ONU, mais de 5 mil pessoas já morreram e outras 12 mil ficaram feridas em razão dos confrontos armados no país.

Rebeldes vêm tentando cercar as forças do governo na cidade de Debaltseve.

Autoridades ucranianas afirmaram que cinco soldados foram mortos em combate nas últimas 24 horas.

Desde a semana passada, confrontos pesados vêm ocorrendo em Debaltseve, importante entroncamento de importantes rodovias.

Segundo David Stern, correspondente da BBC em Kiev, há relatos de uma ‘crescente crise humanitária’ na cidade, que foi praticamente dividida pelo combate.

Testemunhas afirmam que Debaltseve foi praticamente destruída e muitos moradores estão presos na cidade ─ escondido dentro de porões, sem comida, eletricidade ou suprimentos de água.

Em outro desdobramento, o governo de Kiev anunciou novas regras limitando o acesso dos russos à Ucrânia, iniciativa que, segundo especialistas, deve aumentar ainda mais as tensões com Moscou.

Desde o dia 1º de março do ano passado, os russos precisam apresentar o passaporte a autoridades de imigração para entrar na Ucrânia. Antes disso, a entrada era permitida apenas com documentos de identidade.

Os rebeldes acusam as Forças Armadas da Ucrânia de matar civis durante o bombardeamento de áreas residenciais.

A cidade de Debaltseve está agora efetivamente dividida, sem comida, água ou eletricidade.

Cerca de 1,2 milhões de pessoas já foram obrigados a abandonar suas casas desde abril passado, quando os rebeldes conquistaram grandes extensões territoriais das regiões de Luhansk e Donetsk, após a anexação da Crimeia pela Rússia.

As últimas estatísticas sobre o número de mortos é divulgada em meio a temores da escala da violência no leste da Ucrânia.

Na segunda-feira, o líder dos separatistas pró-Rússia, Alexander Zakharchenko, afirmou que rebeldes estavam tentando aumentar seu efetivo para 100 mil homens. O governo da Ucrânia também anunciou uma grande mobilização, com planos para aumentar seu efetivo para 200 mil até o final deste ano.

Enquanto isso, autoridades nos Estados Unidos dizem estar considerando a possibilidade de enviar armas e outros armamentos letais às forças armadas da Ucrânia.

A Otan diz que os rebeldes estão sendo apoiados por centenas de tanques russos e veículos armados que cruzaram a fronteira em direção ao leste da Ucrânia.

O Kremlin negou envolvimento direto mas diz que alguns voluntários russos estão combatendo junto de rebeldes.

Fonte: BBC Brasil

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Jordânia executa jihadistas após morte de piloto pelo ‘EI’

Sajida al-Rishawi (Foto: Reuters)

A Jordânia executou nesta quarta-feira dois prisioneiros iraquianos condenados – incluindo uma jihadista – em retaliação a um vídeo que retrataria um piloto da Força Aérea do país sendo assassinado por militantes do autodenominado “Estado Islâmico”.

Sajida al-Rishawi, que falhou ao tentar cometer um atentado suicida a bomba, e Ziyad Karboli, um combatente da rede extremista al-Qaeda, foram enforcados durante a madrugada.

Leia mais: Piloto jordaniano teria sido queimado vivo pelo ‘Estado Islâmico’

As execuções ocorreram horas depois do “Estado Islâmico” divulgar um vídeo do piloto Moaz al-Kasasbeh sendo queimado vivo dentro de uma jaula. As imagens, cuja autenticidade ainda não foi completamente confirmada, mostram o homem de pé dentro da gaiola, com o corpo tomado pelas chamas.

O material foi distribuído por uma conta do Twitter conhecida como fonte de propaganda do EI.

O vídeo, que tem 22 minutos de duração, inclui uma sequência que mostra o piloto caminhando até o local onde foi morto em meio a destroços provavelmente resultantes de ataques aéreos da coalizão liderada pelos Estados Unidos contra jihadistas – da qual a Jordânia faz parte.

A notícia da morte do piloto vídeo veio à tona três dias depois de outro vídeo mostrar o suposto corpo do jornalista japonês Kenji Goto, também refém da milícia.

Manipulação

Crédito: EPA
Moaz al-Kasasbeh foi capturado pelo ‘Estado Islâmico’ após seu caça cair em dezembro do ano passado na Síria

O tenente Moaz al-Kasasbeh foi capturado após o caça que pilotava cair perto de Raqqa, na Síria, em dezembro do ano passado. Ele atuava na missão que apoia a coalizão militar liderada pelos Estados Unidos contra o “Estado Islâmico”.

A TV estatal jordaniana afirmou que a morte teria ocorrido há um mês – antes, portanto, de a Jordânia tentar negociar sua libertação por meio de uma troca de prisioneiros. A contrapartida das autoridades jordanianas seria libertar Sajida al-Rishawi.

Ela estava no corredor da morte por envolvimento nos ataques a bomba na capital jordaniana, Amã, em 2005.

Karboli, o outro prisioneiro, havia sido condenado em 2008 por matar um cidadão da Jordânia.

Segundo o correspondente diplomático da BBC, Jonathan Marcus, o vídeo que mostra a morte do piloto deixa claro que o “Estado Islâmico” nunca teve a intenção de libertá-lo.

“A manipulação do episódio pelo ‘Estado Islâmico’ mostra a importância que o grupo dá à guerra de informação”, afirmou Marcus. “Fica clara a tentativa de criar problemas para as autoridades jordanianas e enfraquecer a coalizão árabe-ocidental.”

Mamdouh al-Ameri, um porta-voz das Forças Armadas do país, disse na terça-feira que o tenente Kasasbeh “caiu como um mártir”.

“O sangue dele não será derramado em vão. A punição e a vingança serão tão grandes quanto a perda dos jordanianos.”

Fonte: BBC Brasil

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Guerra nos Bálcãs Sérvia e Croácia 1990: Veredicto da Corte Internacional de Justiça em Haia ‘não muda o que aconteceu’

Corte Internacional de Justiça afirma que nem sérvios nem croatas cometeram genocídio durante o conflito. Mas então, que nome se pode dar a tudo o que se passou?, questiona o articulista Dragoslav Dedovic.

Dragoslav Dedovic é articulista da redação sérvia da Deutsche Welle

De vez em quando, o jargão jurídico soa terrivelmente impessoal: as elites chauvinistas na então Iugoslávia em processo de desintegração não mostraram nenhuma intenção de aniquilar “um determinado grupo nacional, racial, religioso ou cultural”. Nem todo nem em parte. Assim decidiram, por clara maioria, os juízes da Corte Internacional de Justiça em Haia nesta terça-feira (03/02).

Dezenas de milhares de pessoas morreram no conflito servo-croata, entre 1991 e 1995. Equipados com armas, sérvios e croatas mataram, torturaram, estupraram e expulsaram civis do outro lado. No final, cidades inteiras estavam em ruínas. Comunidades desapareceram por completo de regiões que consideravam há séculos a sua terra natal. Para os juízes da mais alta corte das Nações Unidas, no entanto, isso não foi um genocídio.

Muitos “membros de um grupo” morreram ou tiveram que deixar para sempre suas casas somente por serem croatas ou sérvios. Muitos dos soldados, que até hoje são festejados em Belgrado ou Zagreb como heróis nacionais, foram certamente responsáveis por “graves danos físicos ou mentais a membros de um grupo”.

Os atuais fãs desses “heróis” uniformizados sabem disso. Veladamente, eles admiram seus “heróis” precisamente por essa “coragem” – e têm prazer com isso. Em público, eles enfatizam de forma um pouco mais suave que, ao lutarem por uma causa justa, honrados patriotas não podem ser, por definição, criminosos ou mesmo genocidas.

Agora que nenhum genocídio foi constatado naquele conflito, surge uma nova pergunta: Que nome se pode dar a tudo aquilo que aconteceu na guerra servo-croata? Por que tantos cidadãos tiveram que morrer ou ser expulsos na esteira da desintegração do Estado da Iugoslávia? Como se pode agora resumir o destino das vítimas com uma só palavra? Quem, além das famílias, sente falta dos desaparecidos, das pessoas sem túmulos? O conceito de “crimes contra a humanidade” ou até mesmo o eufemismo cínico “limpeza étnica” consegue chegar ao cerne da questão?

Segundo estimativas, por volta de meio milhão de pessoas participaram das guerras de desintegração da Iugoslávia como combatentes. Muitos deles estão cientes do quão pouco, naquela ocasião, valia a vida de um civil “inimigo”. Em vez disso, o conceito de “genocídio” tornou-se a bandeira predileta da casta política e das massas frustradas na era pós-Iugoslávia.

Os outros eram “genocidas” e nós éramos justos, por sermos vítimas inocentes – assim se pode resumir o pensamento em ambos os lados da fronteira servo-croata. E um olhar sobre os fóruns de internet na região da antiga Iugoslávia dá a impressão de que esse pensamento prevalece até hoje. E que, aparentemente, a guerra servo-croata ainda não chegou ao fim.

O veredicto da Corte Internacional de Justiça não vai mudar isso. É ilusório esperar que servos e croatas venham a entender o veredicto como um estímulo para mais consistência na acusação judicial de criminosos de suas próprias fileiras ou para um resgate histórico mais intenso.

É mais provável que o veredicto dos juízes de Haia venha a ser mal interpretado, em ambos os países, como uma carta branca para si e como um erro judicial com vista à absolvição do outro lado. Assim, mais uma vez, as vítimas de então são instrumentalizadas para a demonstração de força de nacionalistas sérvios e croatas.

Mas as contradições da Justiça internacional em Haia não podem esconder os fatos: mesmo que, de acordo com o veredicto, não tenha havido nenhum genocídio entre sérvios e croatas – na guerra que aconteceu há 20 anos houve crimes hediondos em massa. E eles foram cometidos intencionalmente! E somente alguns representantes das elites de então foram julgados até agora por eles. Isso não é justo.

Fonte: DW.DE

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Brasil: Segundo agência de notícias Reuters – Sai Graça Foster e a diretoria da Petrobras

A presidente Dilma Rousseff se reuniu com a presidente da Petrobras, Graça Foster, nesta terça-feira (03/02), no Palácio do Planalto. Segundo a agência de notícias Reuters, que citou uma fonte do governo, e os jornais Folha de São Paulo e O Globo, Dilma acertou a saída de toda a diretoria da Petrobras. Graça Foster e os diretores da companhia petrolífera estatal deixarão seus cargos em março, após a apresentação do balanço financeiro da Petrobras referente a 2014.

A decisão, no entanto, ainda não foi oficializada pelo Palácio do Planalto. O ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência, Thomas Traumann, disse apenas que “a saída de Graça [Foster] da Petrobras não foi tratada na reunião”. A própria Foster deixou o encontro sem falar com a imprensa.

Segundo a Reuters, uma fonte do governo, na condição de anonimato, disse que Dilma busca definir um nome para ocupar a chefia da Petrobras ainda em fevereiro. O perfil procurado é de um executivo que, preferencialmente, esteja ligado ao setor do petróleo. Ainda de acordo com a fonte, o governo pretende realizar mudanças também na diretoria da estatal.

As especulações sobre mudanças na cúpula da Petrobras repercutiram positivamente no mercado. As ações da estatal registraram a maior alta diária desde setembro de 1998. Os papéis da Petrobras fecharam o pregão desta terça-feira com alta de 15,47%. Desta forma, a companhia recuperou aproximadamente 16,5 bilhões de reais em valor na Bolsa.

Aécio: Dilma não terá mais a amiga para “limpar a cena do crime”

Ao comentar a possível demissão de Foster da presidência da Petrobras, o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, afirmou que, desta forma, Dilma perde a blindagem no escândalo da Petrobras e não poderá mais contar com a amiga para “limpar a cena do crime”.

“A vida da presidente Dilma hoje é muito mais difícil que a de seu adversário. Apesar de ter tido a maioria dos votos na urna, é um governo derrotado. É um governo […] incapaz de ousar e tomas as medidas necessárias, que quer resolver tudo distribuindo cargos em troca de apoio”, analisou o adversário de Dilma na última eleição pela presidência do Brasil.

Delator assume pagamento de 12 milhões de reais em propina

Também nesta terça-feira, o ex-consultor da empresa Toyo Setal, Júlio Gerin de Almeida Camargo, confirmou, em depoimento prestado perante à Justiça Federal, que pagou 12 milhões de reais ao ex-diretor de Serviços e Engenharia da Petrobras, Renato Duque. De acordo com delator, durante a gestão de Duque e do ex-gerente Pedro Barusco, as empreiteiras deveriam pagar 1% dos valores dos contratos com a estatal.

Camargo afirmou ainda que quem não pagasse propina às áreas de Abastecimento, “não teria sucesso e não obteria contratos” com a estatal. “Tinha como regra 1%, mas isso era muito flexível e, muitas vezes, era negociado. Paguei em torno de 12 milhões de reais. A maioria dos pagamentos era feita em contas indicadas no exterior e outra parte em reais, no Brasil”, disse Camargo.

Deflagrada no dia 17 de março, a Operação Lava Jato, da Polícia Federal investigou um esquema de lavagem de dinheiro e desvio de recursos públicos, que teria movimentado cerca de 10 bilhões de reais. O esquema, intermediado pelo doleiro Alberto Yousseff, envolvia pagamento de propina a políticos e funcionários da Petrobras.

Na sétima fase da Operação Lava Jato, em novembro, a Polícia Federal cumpriu uma série de novos mandados de prisão, envolvendo presidentes e diretores de grandes empresas como OAS, Camargo Corrêa Construções, IESA Óleo e Gás, Construtora Queiroz e Galvão e UTC.

Fonte: DW.DE

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Geopolítica

Dilma Faz primeira troca de comando Ministerial em seu segundo mandato

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Mariana Haubert

de Brasília

A presidente Dilma Rousseff decidiu nesta terça-feira (3) fazer a primeira troca ministerial do seu segundo mandato. O ministro Marcelo Neri, da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE), deixará o cargo. Em seu lugar, assumirá Mangabeira Unger, ex-ministro da pasta.

A informação foi divulgada na noite desta terça pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Thomas Traumann. Ele não deu mais detalhes sobre a troca de comando na pasta.

A presidente Dilma Rousseff convidou o professor Mangabeira Unger para assumir a Secretaria de Assuntos Estratégicos em substituição ao ministro Marcelo Neri. A presidenta agradeceu a competência, dedicação e a lealdade do ministro Neri", diz nota oficial divulgada por Traumann. A posse acontecerá na quinta (5), às 10h.

Mangabeira Unger foi o primeiro ministro da SAE. Ele assumiu a secretaria em 2007, quando ela ainda se chamava Secretaria de Planejamento de Longo Prazo, e permaneceu no cargo até 2009.

Desde 1971, Unger é professor da Universidade Harvard, nos EUA. Ele interrompeu seu período na academia para assumir o cargo e retornou assim que saiu do governo. Unger é filiado ao PMDB.

Dilma conversou com Neri na tarde desta segunda-feira (2). A reunião não foi registrada na agenda oficial da presidente e nem na do ministro. Neri estava na SAE desde 2013 e foi confirmado na pasta durante a reforma ministerial que a petista fez no fim de 2014 para compor seu segundo governo.

A SAE é responsável por assessorar diretamente o presidente da República no planejamento nacional e na formulação de políticas públicas de longo prazo voltadas ao desenvolvimento nacional. A secretaria é responsável pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Fonte: Folha de São Paulo

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Forças armadas não apoiaram tortura, diz presidente do STM

 Maria Elizabeth Rocha

Para a ministra Maria Elizabeth Rocha, primeira mulher a presidir o Superior Tribunal Militar, erros cometidos na ditadura não permitem generalizações sobre as Forças Armadas. Ela também afirma que o regime autoritário não foi comandado apenas por militares

O Superior Tribunal Militar (STM), a corte mais tradicional do Judiciário brasileiro, vai receber em Brasília os principais integrantes da Comissão e da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Eles vêm participar de um seminário, entre os dias 9 e 12 de fevereiro, sobre as relações entre as justiças militares do continente e a defesa dos direitos humanos. A iniciativa, inédita, deve-se sobretudo à presidente interina do STM, ministra Maria Elizabeth Rocha.

Desde que ascendeu ao cargo, em junho do ano passado, para completar o mandato do general Raymundo Cerqueira, ela diz que procura estimular debates e dar mais transparência às atividades da instituição. Segundo a ministra, a sociedade tem uma visão equivocada da corte militar.

Ao comentar os debates provocados pelo relatório final da Comissão Nacional da Verdade, entregue à presidente Dilma Rousseff em dezembro, ela observa que não se pode esquecer que a ditadura não foi exclusivamente militar e nega que Forças Armadas tenham apoiado a tortura. Ainda sobre a comissão, a ministra destaca que não era tarefa do grupo apontar responsabilidades, mas esclarecer fatos históricos. “Em todos os países onde houve ruptura democrática, com regimes ditatoriais, essas comissões têm tido o papel de demonstrar o que aconteceu, para que a história não se repita. O papel das comissões não é apontar culpados ou inocentes”, diz.

Para ela, a ditadura não foi apenas militar. “Esquecem a decisiva participação dos civis, do capital multinacional, da elite orgânica do País. Foi uma articulação para não permitir que o Brasil desse uma guinada para a esquerda e se transformasse numa Cuba continental”. A ministra ressalta que as Forças Armadas não são uma instituição de tortura. “Elas cometeram erros, como todas as instituições no Brasil, mas isso não permite generalizações. Quem aponta as Forças Armadas como instituição de tortura estará fazendo uma análise histórica incorreta”.

Em relação ao debate sobre uma possível revisão da Lei da Anistia, para punir graves violações de direitos humanos, diz que está dividida entre as posições defendidas pela Corte Interamericana de Direitos Humanos e o Supremo Tribunal Federal (STF). Sobre as restrições à presença de homossexuais nas Forças Armadas, afirma que considera inconstitucional qualquer tipo de restrição baseada na orientação sexual. “Acho a discriminação por orientação sexual intolerável, injustificável e inconstitucional”, diz ela. A ministra clheu uma vitória no caso de uma servidora que queria incluir a companheira no plano de saúde, antes do STF se manifestar sobre a questão da união afetiva. “Dei um voto favorável e fui acompanhada por todo o tribunal, por generais, almirantes e brigadeiros. Entenderam que era um direito devido.”

Procuradora federal, com doutorado em direito constitucional, Maria Elizabeth foi a primeira mulher a ocupar um cargo no STM, por indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2007. Também foi a primeira a chegar à presidência corte. O mandato interino acaba em março.

Fonte: Diário de Penambuco via NOTIMP