Defesa & Geopolítica

MBT BRASIL: ROTEM/ SAMSUMG K-2 BLACK PANTHER

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ROTEM SAMSUMG PANTHER
Rotem Sansung

Autor: Edilson Moura Pinto 

 

Matéria feita em parceria com o Site Warfare

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O mais novo produto da eficiente indústria de defesa Sul Coreana, o K2 Black Panther é a aposta da nação asiática para o combate no campo de batalha moderno



PREFÁCIO

 

Desde os anos 50, imersa em conflitos com a Coreia do Norte, a Coreia do Sul vive um clima de instabilidade e desconfiança. As hostilidades cessaram sem que houvesse, até hoje, um acordo de paz oficial.

Com forte apoio dos Estados Unidos a Coreia do Sul se desenvolveu, contrariamente a sua irmã do Norte que mantém-se em padrões tecnológico não muito diferentes dos que possuía após a 2ª guerra. A indústria de defesa Sul Coreana é uma das mais modernas do mundo e assim como as suas forças militares, uma das mais bem treinadas e bem equipadas do planeta, busca a todo momento a sua atualização. A florescente nação asiática se prepara constantemente para o futuro. Um exemplo de sua capacidade é o desenvolvimento dos carro de combate K-1, veículo que supera com folga o desempenho e poder de fogo dos veículos similares da Coreia do Norte e outros concorrentes regionais.

Para manter-se na vanguarda tecnológica, em meados dos anos 90 a jovem indústria de defesa sul coreana lançou-se para desenvolvimento de m novo carro de combate pesado. A nova arma seria extremamente moderna e visava entre outros interesses a exportação para países sobre embargo ou restrições de transferência de tecnologias e armas por parte dos Estados Unidos.

A nova arma blindada viria a inicialmente para completar a defesa coreana e posteriormente substituir os modernos K-1 a partir de 2011.

O novo projeto recebeu o nome código XK-2 e consiste num carro de combate equipado com as mais avançadas tecnologias aplicadas ao combate terrestre no momento.

O K-2 é visto por alguns analistas como sendo um carro de combate equivalente aos Norte americanos M-1A2 e Leopard 2A6 alemão, o que já demonstra, a maturidade tecnológica e o grande esforço dos engenheiros Sul Coreanos em produzir um veículo com capacidades militares e potencial para conquistar o mercado externo.

K2

Oriundo de um projeto totalmente novo e inovador, o K-2 Black Panther é visto pelos especialistas como um dos melhores e mais atuais carros de combate concebidos na atualidade.

A ORIGEM

 

Em 1995, a Agência para o Desenvolvimento de Defesa Sul-Coreano recebeu do Ministério da Defesa da Coreia do Sul a importante tarefa de desenvolver um moderno carro de combate blindado, com base em tecnologias nacionais coreanas em state-of-the-art.

Apesar da formidável capacidade dos seus carros K1 e K1A1 inegavelmente superiores aos projetos norte-coreanos existentes que em sua maioria consiste em envelhecidos carros T-55 e T-59, o Ministério da Defesa Coreano firmou-se em produzir o “veículo do Futuro” capaz de fazer frente aos outros carros de combate asiáticos que estavam em desenvolvimento, na Rússia, China e Japão.

A ênfase em tecnologias nacionais também permitiria que o veículo fosse proposto para entrar no mercado de exportação, sem problemas de liberações, esta mudança de visão por parte dos coreanos visava entre outras coisas, equacionar e reduzir os custos de desenvolvimento da nova arma que como se esperaria, seria elevado.

K2 Black Panther (14)

Concebido para o combate em qualquer tempo o K2 projeta a indústria de defesa sul coreana que busca potenciais exportações para o veículo.

O projeto do XK-2 coube então à agência de Desenvolvimento de Defesa conjuntamente com a projetista e construtora francesa, GIAT industries e a Alemã Diehl, que desenvolveram o projeto do carro XK-2. A construção e montagem seriada dos veículos foi destinada a Rotem, empresa do grupo Hyundai, fabricante dos carros K-1. A meta de nacionalização alcançada no projeto XK-2 supera 90% dos componentes existentes no veículo.

O projeto estava pronto para entrar em produção em 2006, 11 anos após o inicio do desenvolvimento, haviam sido envolvidos em projetos de pesquisa e desenvolvimentos, cerca de US$ 230 milhões, o veículo entrou em fase de produção, na planta produtora da Rotem em Changwon, Coreia do Sul em 2 de Março de 2007.

K2_Black_Panther_main_battle_tank_South_Korean_Army_South_Korea_011

Na imagem o segundo protótipo do veículo em demonstração ao público.

Em Março de 2011, a DAPA (Defense Acquisition Program Administration) da Coreia do Sul anunciou que a produção em massa do novo MBT K2 para o Exército Sul Coreano teria início em 2012, entretanto, foram detectados problemas com o sistema de motores e transmissão, que acabaram por atrasar o início da produção seriada do veículo, algo que não aconteceu até meados de 2013.

O problema segundo relatado, devia-se a falhas, confiabilidade e durabilidade dos motores produzidos domesticamente, os primeiros 100 K2 de produção usariam um motor estrangeiro, produzido pela MTU, atrasando a entrada em serviço do carro que só ocorrera em Março de 2014.

O projeto previa que o K2 seria movido por um motor nacional produzido pela Doosan Infracore Corporation, o motor seria concebido e baseado no Alemão MTU-890. O Motor diesel de 12 cilindros, deveria entregar 1.500 HP (1.100 kW) e seria acoplado a um sistema de transmissão C & T Dynamics Transmission. No entanto, este problema técnico recorrente, foi encontrado nos testes que se sucederam e levaram aos atrasos no desenvolvimento operacional do K2 em cerca de 2 anos.

K2 Black Panther (15)

Problemas no motor e sistemas de transmissão produzidos localmente atrasaram o lançamento do veículo, porém o projeto atingiu a sua maturidade e encontra-se em franca linha de produção.

Para muitos estes seriam problemas técnicos que fariam desmerecer o projeto, entretanto, ressalta-se que a Coreia buscou desenvolver alternativas próprias sempre que possível, a complexidade de tecnologias certamente são fatores a ser considerados, especialmente quanto a motorização e um veículo desta natureza.

Pode-se dizer que este atraso seria esperado, frente as variadas e complexas tecnologias que envolvem um veículo deste quilate. Basta dizer que na sua concepção, seus projetistas avaliaram a possibilidade de integrar-lhe tecnologias inovadoras.

Uma das variantes planejadas teria a torre da arma principal não tripulada, todas as armas seriam operadas remotamente, posteriormente esta solução foi descartada.

Em busca de maior poder de fogo e capacidade de destruição das blindagens compostas que se encontravam em franco crescimento, os projetistas imaginaram equipar o carro com uma arma de cano liso de 140 mm produzida pela Rheinmetall.

Segundo informações da época, o descarte desta arma alternativa só foi tomado devido ao desinteresse da Rheinmetall produtora do canhão, que por razões internas, resolvera abandonar o projeto concentrado esforços no desenvolvimento da sua arma mais atual, o canhão 120 mm – L55 que segundo o fabricante teria a mesma eficácia que a arma de 140 mm, sendo suficiente para contrariar ameaças de blindados potenciais num futuro previsível.

GALERIA DE IMAGENS

 

SISTEMAS DE ARMAS

 

K2 canon

Inicialmente proposta a arma de 140 mm projetada pela Rheinmetall deu lugar ao seu mais novo projeto o canhão L 55 de 120 mm.

Com o cancelamento do projeto do canhão de 140 mm, os projetistas buscaram junto ao fabricante a alternativa de arma mais poderosa que poderia existir no inventário internacional.

A Coreia do Sul não possui tecnologia para produção de um canhão com as especificações que desejava. Portanto, a solução viria por meio da Rheinmetall e seu novo modelo de canhão o L55 de 120 mm, uma arma de alma lisa que passou a ser produzida sob licença na Coreia do Sul.

O sistema de arma principal idealizado pelos projetistas Coreanos e Franceses, fazia uso de carregador automático, semelhante ao sistema que fora projetado para MBT Francês, Leclerc.

A arma coreana poderia assim disparar a uma cadência bastante elevada de até 20 tiros por minuto ou seja, um disparo à cada 3 segundos.

A munição para a arma principal é carregada em uma reserva de 16 estoques, com uma capacidade total de 40 munições.

L 55

Na imagem o canhão Reinmetall L 55- 120 mm

O Black Panther pode se utilizar de todo a sorte de munições 120 mm operadas pelos seus predecessores, os carros de combate K1 e K1 A1, em especial as munições APFSDS. Porém para a nova arma do exército Sul Coreano, os projetistas preparam duas surpresas especiais.

APFSDS

Perfeitamente intercambiáveis, as munições empregadas pelos veículos K1 e K1 A1 são igualmente operadas pelo K2.

tungsten-alloy-armour-piercing-01

Segundo o fabricante a nova munição perfurante não encontra equivalente no mundo e teria a capacidade de perfurar até mesmo as mais modernas blindagens compostas existentes nos modernos MBT.

Além das referidas munições de 120 mm o K2 pode operar uma munição anti-tanque principal de tungstênio (APFSDS) especial, produzida e desenvolvida localmente.

Esta nova munição consiste num penetrador de energia cinética, que oferece significativamente maior capacidade de penetração que qualquer arma semelhante atualmente em operação.

Segundo o fabricante, uma tecnologia própria permite que o núcleo da ogiva não se fragmente ou deforme, mantendo a sua integridade e capacidade de penetração.

Para atacar alvos não protegidos, o K2 pode usar munições multipropósito química HEAT, similares às americanas M830A1 HEAT MP-T, proporcionando boas capacidades ofensivas contra tropas, veículos sem blindagem  ou levemente blindados, bem como helicópteros em voo baixo.

Outra arma especial do veículo é a  Korean Smart Top-Attack Munition (KSTAM),  uma munição do tipo dispare e esqueça, que atinge o carro de combate por uma de suas regiões mais frágeis, o topo.

Esta munição anti-carro possui um alcance de funcionamento eficaz entre 2-8 km, e foi especificamente desenvolvida para o emprego nos veículos K2.

Ela é lançada como um projéctil de energia cinética, disparado da arma principal em um perfil de elevação maior.

KSATM

Demonstrativo da munição KSTAM.

Ao chegar a sua área de destino designado, um pára-quedas é aberto e é ai que um  radar banda milimétrica e sistemas de infravermelho bem como,  sensores radiométricos iniciam a busca por alvos fixos ou móveis.

Uma vez que o alvo é adquirido, uma carga explosiva com um penetrador é disparada a partir de uma posição de cima para baixo, atingindo a armadura do veículo oponente numa de suas regiões mais vulneráveis, o topo do casco e torre.

A busca pelo alvo pode também ser executada manualmente pela tripulação do carro, por meio de sistema de data link. Estas características permitem que o veículo de lançamento se esconda atrás de coberturas enquanto dispara sucessivas cargas para a localização de um inimigo conhecido, ou ainda, preste apoio efetivo com fogo indireto contra alvos escondidos atrás de obstáculos e estruturas.

k2 pantera negra

A nova geração de carros de combate sul coreana não destina-se apenas a substituir os antigos veículos, mas sim, anteceder aos perfis dos cenários de combate com forças blindadas no extremo asiático.

Além da ama principal o veículo utiliza-se armas secundárias como a metralhadora pesada  K-6 de 12,7 mm e metralhadora coaxial de  7,62 mm.

VÍDEO

 

BLINDAGEM E PROTEÇÃO

 

KAPS (1)

Nos círculos vermelhos da imagem pode-se notar os sistemas de auto-proteção KAPS.

O MBT coreano possui um sistema de blindagem composta cujos detalhes da armadura são sigilosos. Segundo os testes com fogo real, a armadura frontal do caco do veículo suporta eficazmente os disparos de munições APFSDS 120 mm lançados a partir do canhão L55. No futuro as novas versões do veículo terão também inclusas na armadura, sistemas de blindagem reativa explosivas, com a adição de Non-Explosive Reactive Armour (NERA) planejado para a versão K2 PIP.

Encontra-se em desenvolvimento um programa denominado KAPS ou Korean Active Protection System, que em suma, destina-se a desenvolver localmente um sistema de proteção ativa como o israelense “Trophy” ou o Russo “Arena” no qual o sistema se baseia.

KAPS (2)

Na Imagem as cargas explosivas do sistema KAPS.  E na sequência de três imagens, o sistema em ação contra uma munição anticarro.

O sistema proverá a defesa ativa dos veículos contra as armas anticarro. Segundo informações do fabricante o sistema utiliza-se da detecção tridimensional e acompanhamento por radar e um termovisor para acompanhar as ameaças.

Ogivas podem ser detectadas à 150 metros do veículo e após isso uma carga é disparada com vistas a destruir a ameaça num perímetro superior a 10 m do veículo. Segundo o fabricante o sistema encontra-se em fase final de testes e é capaz de neutralizar ameaças provenientes de lança-granadas anti-tanque e mísseis guiados.

O sistema pode ser instalado em outras plataformas no futuro, e seu valor unitário é estimado em cerca de US$ 600 mil.

Para auto-defesa o Black Panther faz uso de um sistema de radar de banda milímetros montada na torre que é capaz de operar como um sistema de alerta de ataques de mísseis, Missile Approach Warning System (MAWS). O computador do veículo por sua vez, pode triangular sinais de projéteis e avisar imediatamente a tripulação do veículo ao mesmo tempo que dispara o sistema de interferência a laser, por meio do lançamento de granadas de fumaça (VIRSS) 2×6, bloqueando assinaturas ópticas, infravermelho e de radar.

A torre do veículo projetada em conjunto com a GIAT industries agrega inúmeros sensores além das armas e possui armaduras especias contra disparos vindo do quadrante superior.

K2- torre

Na parte frontal da Torre localizam-se os sensores radares e os sistemas lançadores de granadas.

Uma vez que as medidas defensivas forem plenamente instaladas, o sistema de radar também será responsável pelo acompanhamento e orientação dos mísseis.

O veículo também é equipado com um sistema de identificação amigo ou inimigo (IFF).

O K2 também possui um Radar Warning Receptor (RWR) e um jammer de radar.

Quatro receptores de alerta laser (LWR) também estão presentes para alertar a tripulação quando o veículo está sendo “pintado” por um sistema de disparo.

O sistema é automático e dispara as granadas VIRSS na direção incidente do feixe laser.
Um sistema de supressão de incêndio automático é programado para detectar e apagar todos os fogos internos que podem ocorrer e os sensores atmosféricos alertam a tripulação sobre os perigos atmosféricos dentro e fora do carro.

Visor térmico KCPS

Visor termal KCPS, apesar de mais moderno e atualizado este sistema é semelhante ao utilizado pelos MBT K1 e K1A1 também coreanos.

KGPS Thales Samsung

Visor do artilheiro KGPS projetado pela  Thales -Samsung

O K2 está equipado com um avançado sistema de controle de fogo (FCS), ligado a um sistema de radar banda milimétrica, implantado no arco frontal da torre, junto com um identificador de laser e um sensor de velocidade de vento.

O sistema é capaz de operar em modo “lock-on“, de adquirir e seguir alvos específicos até uma distância de 9,8 km usando os sistemas ópticos e termais.

Isso permite que a tripulação dispare com precisão enquanto se move, bem como possa engajar efetivamente aeronaves voando baixo.

O FCS também está ligado a um estabilizador avançado de arma e a um mecanismo de disparo com atraso para otimizar a precisão enquanto se move em terreno irregular.

Se o gatilho da arma principal for puxado no momento em que o veículo se encontra em uma irregularidade no terreno, a oscilação do cano da arma vai causar desalinhamento temporário entre um emissor de laser na parte superior do cilindro e um sensor na base. Isto irá retardar o FCS de ativar, até que o feixe seja novamente realinhado, melhorando as chances de acertar o alvo pretendido.

Esquerda CPTS (K1 PIP) direito KCPS (K1A1) é. Comandante do plano K1 K1 PIP inclui a melhoria da visão. KCPS K1A1 tentar usar o original usado no último ano é o ano anterior, enquanto que a localização é pajeong abrangente haetneundi tem luta received'm.

Esquerda CPTS  que será empregado no K2 ao longo do programa (K2 PIP) à direito KCPS (K1A1) o PIP inclui a melhoria na capacidade de  visão.

O veículo é equipado com um visor primário para o artilheiro denominado Korean Gunner Primer Sight (KGPS), já o comandante do veículo possui um segundo sensor o Korean Commander Panoramic Sight (KCPS). Estes sistemas são os mesmos os quais empregam os carros K1 e K1 A1, porém, tratam-se de versões atualizadas e mais avançadas.

Para o Programa K2 PIP, uma nova gama de visores termais e sistemas eletro-ópticos estão sendo desenvolvidos, mas não serão tratados aqui pois não são o objetivo deste artigo.

O comandante do carro tem a capacidade de substituir o comando para assumir o controle da torre e arma do artilheiro. O veículo pode ser operado por apenas dois tripulantes, ou até mesmo um único membro da tripulação.

Especula-se que o FCS pode detectar automaticamente e rastrear alvos visíveis, compará-los usando o link de dados estabelecido com outros veículos para evitar a redundância de disparos da arma principal sem a entrada manual.

O K2 foi planejado para um ambiente de guerra centrado em redes e possui uma eleva gama de sistemas que amplificam a consciência situacional da tripulação, é plenamente imerso na filosofia C4I (Comando, Controle, Comunicações, Computadores e Inteligência) uplink, possui sistema de orientação por GPS (Global Positioning Satellite) uplink.  Possui sistema IFF / SIF (Identificação Friend or Foe / Selective Identification Feature) compatível com STANAG 4579 o sistema é localizado logo acima da arma principal e dispara um feixe de 38 GHz na direção da arma para uma resposta do alvo (veículo).

Nas duas imagens superiores é possível ver a disposição dos sensores ao longo da torre do MBT.

Se um sinal de resposta adequada é mostrada, o sistema de controle de fogo identifica automaticamente como amistoso ou não. Se o destino não responder ao sinal de identificação, este é automaticamente declarado como um hostil.

O Sistema de Gestão da Batalha (Similar ao Sistema de Informação Inter-Veicular usado no exército dos Estados Unidos) permite que o veículo compartilhe seus dados com unidades aliadas, incluindo veículos blindados e helicópteros.

Os coreanos trabalham agora para ampliar as capacidades do K2 integrando-o a um veículo XAV, um veículo de reconhecimento não tripulado de rodas que proverá a capacidade de explorar remotamente uma área sem expor a sua posição.

MOTORIZAÇÃO E MECÂNICA

 

MTU

Na imagem o motor MTU 833 produzido localmente pela Tognum.

O veículo equipado com um motor diesel 4 tempos, 12 cilindros e refrigerado a água de 1.500 hp (1.100 kW), o que permite trafegar a uma velocidade de 70 km / h em estradas.

Motorização K2 (3)

Detalhe da turbina a gás que foi adicionada ao sistema de propulsão do veículo.

O veículo é capaz de acelerar de zero à  32 km/h em 7 s e manter velocidades de até 52 km / h em condições off-road. Ele também pode  transpassar inclinações frontais de 60º e obstáculos verticais de 1,3 m de altura.

Motorização K2 (1)

Na imagem o motor e turbina completos.

Devido à concepção relativamente compacta do motor, os seus projetistas foram capazes de encaixar um mecanismo adicional no sistema de propulsão, uma turbina a gás Samsung Techwin que amplia a potência conferindo-lhe 100 cavalos de potência (75 kW) extras.

Esta turbina funciona também como uma unidade auxiliar de potência com a qual o carro pode ligar seus sistemas de bordo quando seu motor principal estiver desligado. Fora isso, permite uma economia de combustível quando em marcha lenta e minimiza as assinaturas térmicas e acústicas do veículo.

O veículo pode atravessar veios de água de 5 m de profundidade, usando um sistema especial de snorkel, que também serve como uma torre de comando para o comandante do veículo.

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Demonstração do Snorkel adaptável ao veículo durante testes de prova.

O sistema leva cerca de 30 minutos para ser preparado. A torre torna-se estanque, mas o chassis é carregado com até 500 litros de água para evitar a flutuação, mantendo o veículo em contato com o solo. O reservatório pode ser esvaziado permitindo ao veículo entrar em combate tão logo atinja a superfície

O veículo possui um avançado sistema de suspensão, chamado In-arm Suspension Unit (ISU), que permite o controle individual de cada bogie sobre os trilhos. Isso permite que o K2 possa “sentar”, “ficar” e “ajoelhar-se”, bem como “inclinar-se” para um lado ou um canto.

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Detalhes do sistema de motor e bugies da suspensão do veículo.

K2 Ajoelhado

A imagem demonstra a capacidade de ajoelhar do sistema de suspensão do veículo.

Este sistema lhe permite “sentar-se” diminuindo o seu perfil o que também lhe permite melhor dirigibilidade em estradas.

No perfil “ficar”, o veículo ganha maior distância ao solo permitindo melhor manobrabilidade em terrenos acidentados.

“Ajoelhado” o veículo alcança uma gama angular maior para o cano da arma, que pode elevar-se ou baixar-se, permitindo que ao veículo dispare a sua principal arma para baixo, bem como engajar aeronaves voando baixo de forma mais eficaz.

A unidade de suspensão também amortece o chassis a partir de vibrações ao se deslocar sobre terrenos irregulares, os bogies podem ser ajustados individualmente enquanto se desloca.

FICHA TÉCNICA

Dimensões e peso
Comprimento /m 10
Largura/m 3,6
Altura/m 2,5
Mass/ ton 55-61
Propulsão e Técnica
Motor MTU 4 tempos 12 Cilindros
Potência/ Hp 1500, 1100
Relação peso / potência / hp/ton 27,2
Tração
Suspensão In arm Suspension Unit
Performance
Velocidade Max/ km/h 70
Autonomia/ km 450
Inclinação máxima 60 º
Armamento e armadura
Sistemas de tiro Computadores de tiro digitais, estabilizadores, telêmetro laser, canhão automático
Armamento primário 1 canhão L 55 120 mm 40 projéteis
Armamento secundário 1 metralhadora K6 12,7mm com 3200 projéteisMetralhadora 7,62mm com 12000 projéteis
Armadura Composta com sistema ERA NERA e sistemas adicionais ativos KAPS.
Armadura frontal Capacidade de proteção contra munições APFSDS 120mm

Black Panther 2

Acompanhando a evolução tecnológica a ROTEM SAMSUNG estão trabalhando num programa de atualização para o K2 denominado K2 PIP.

CONCLUSÕES

Alcançando a vanguarda no desenvolvimento de armamentos de elevado valor estratégico, a Coreia do Sul projetou um carro de combate de primeira linha, construído sobre um princípio de constante atualização e adequação o que garante-lhe a sobrevivência nos mais variados cenários da guerra moderna.

Superando os seus Predecessores K1 e K1 A1 especialmente por ser mais adaptado aos conflitos assimétricos o K2 Black Panther não só demonstrou aos críticos do seu projeto a necessidade da “reinevenção” de um novo MBT baseado em novos critérios, como delimitou novos parâmetros necessários para os futuros MBT. Um veículo capaz de operar em ambiente centrado em redes, que transfere e recebe informações sobre o campo de batalha, que atua ativa e passivamente nas contra medidas eletrônicas interferindo e “escutando” o inimigo.

Fora isso o K2 passa agora por amplo programa de atualização denominado K2 PIP (product improvement program) que visa prover ao veículo melhorias que incluem:

  • Atualização da unidade de suspensão semi-Ativa.
  • Integração de um sistema de varredura de terreno de alta resolução para o sistema de suspensão do veículo.
  • Integração de defesa ativa KAPS.
  • Adição de blindagem Non-Explosive Reactive Armor (NERA).
  • Potencialmente o programa visa substituir a arma 120 mm / L55 por uma arma química-eletroquímica.

Todos estes itens por si só demonstram que embora seja moderno e especializado o MBT K2 Black Panther possui ainda um potencial de evolução que certamente o manterá no seleto grupo da linha de frente dos melhore carros de combate do mundo.

Fonte:

Defense Industry

Global Security e

Warfare 

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MBT Brasil

10 Comments

  1. Parabéns aos S.Coreanos, esse canhão de 120mm alma lisa é o bicho, mt bom..Sds. 😉

  2. Ótima matéria, maravilhosa, simples assim. Parabens ao Warfare, e claro, ao Plano Brasil. Vinha esperando esse texto ha um tempão já, e valeu a pena, como sempre. Achei interessante q ele me lembra o Lecrec frances — o carregador dele é automatico como o do frances nao é?

    So gostaria de saber o preço unitário do MBT.
    Lindo demais ele

  3. MalExGrimmjow says:

    Monstro!!!!!

    Pena que no mundo só a dois MBT’s de quarta geração legítimos. Type-10 e o K2…

    Se bem que, o AMX-56 Leclerc facilmente entraria nessa lista, se tivesse uma atualização parruda.

    Esse ano foi jogado no tabuleiro da guerra moderna a utilidade de um MBT. E pela primeira vez depois de algum tempo a mesa virou a favor dos MBT’s. O Hamas que o diga!! Gastou mais de uma dúzia de ATGM Kornet em uma tentativa de parar o avanço dos Merkavas, e viu mais de U$ 1 milhão de dólares ir pelo ralo por um dispositivo que custa (U$ 200,00 dólares a carga)** RPG-29 “Vampir” se mostrou totalmente ineficaz e meia dúzia de homens de esquadrão anti-tanque tiveram suas vidas ceifadas pelo contra-ataque direcionado pelo sistema.
    Vai ter nego desconfiado, então vamos às provas. By: Hamas 😉 😉 😉
    Kornet: https://www.youtube.com/watch?v=cTosByiPWMo
    RPG-29: https://www.youtube.com/watch?v=edIda2rqp2k
    Certa vez foi debatido que Israel provavelmente tinha a melhor doutrina de emprego de MBT’s em conflitos urbanos. E… depois do que esse comandante de CC “R.I.P”, fez no vídeo além de outros detalhes bisonhos do posicionamento no terreno dos Merkavas mostram um total despreparo em guerra urbana. Eles são totalmente dependentes dos ataques cirúrgicos** da IAF.
    Uma situação totalmente diferente do que acontece na Syria, onde a “Syrian Republican Guard” basicamente desenvolveu toda uma doutrina de emprego blindado em guerra urbana e que vem dando muito certo, reduzindo as baixas da Infantaria consideravelmente. E eles não possui nenhuma arma de precisão para “CAS”.
    https://www.youtube.com/watch?v=LTOqw9YNl1w

  4. Olha aonde vai a imaginação das pessoas 🙂

    https://www.youtube.com/watch?v=_PN60CTFc5w

  5. RobertoCR 31 de julho de 2014 at 23:00
    Olha aonde vai a imaginação das pessoas 🙂
    KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK

  6. O carro de combate K2 é uma derivação do carro de combate K1 (também conhecido como Tipo 88).

    Para complementar o que foi descrito no excelente texto acima, sobre o K2, vou descrever a história do K1.

    Este carro foi desenvolvido conforme uma especificação do Ministério de Defesa Sul Coreano em 1980, colocando como cabeça do projeto a firma Hyundai.

    Esta contratou a firma estadunidense Chrysler Defense (atual General Dynamics Land Systems) para os estudos de conceito e realização do K1. Os testes dos primeiros protótipos foram levados a cabo no polígono de Aberdeen (Maryland) e na Corea do do Sul. O primeiro K1 saiu da fábrica da GDLS em Detroit, em 1983, sendo os subsequentes fabricados na Corea.

    Suas características principais eram:

    Peso de combate: 51.100 kg
    Comprimento: 7,48 m
    Largura: 3,59 m
    Altura: 2,25 m
    Motor: MTU MB 871 Ka-501, V-8 diesel com 1.200 CV
    Transmissão: ZF LSG 3000 com 4 marchas para a frente e 2 para trás.
    Canhão: 105 mm modelo M68A1

    No K1A1 o canhão de 105 mm foi substituído pelo 120 mm da Rheinmetall, o que combinado com algumas alterações do sistema de tiro aumentou o peso do carro para: 53.200 kg.

    O que para mim é a característica principal deste carro, é o fato de que a suspensão contribui para a obtenção de tiro em depressão sem aumento da altura do carro (até pelo contrario, permite que este seja o mais baixo de todos os carros ocidentais).

    Com efeito, dos 6 pares de rodas, os 2 primeiros e o ultimo são comandados, e permitem que o carro se incline para a frente e para trás.

    Bacchi

    • Mestre Reginaldo, é uma honra recebê-lo aqui no Plano Brasil, nós do corpo editorial que somos leitores e admiradores do seu trabalho, desde os excelentes artigos publicados na renomada Revista Tecnologia&Defesa e que acompanhamos-lhe a tempos, estamos muito felizes e sinceramente agradecidos pela sua contribuição.
      Seja bem vindo ao Plano Brasil, sua participação em muito engrandece o blog. Muito obrigado pelas considerações.
      Edilson Pinto

    • Olá Reginaldo Bacchi

      Se possível gostaria que tirasse uma dúvida: qual a vantagem/efetividade do controle sobre as suspensões de um MBT? O que acrescenta (ou pode acrescentar) as capacidades do veículo?

      Abs

  7. Explicar este assunto sem ilustrações não é muito fácil. Vou tentar.
    Vamos ver cada caso:
    Inclinação lateral – este efeito serve para compensar a inclinação lateral do terreno onde está o carro. Esta inclinação acarreta problemas para a rotação da torre, já que o motor que aciona a mesma pode não ter potência suficiente para aciona-la, devido a momentaneamente ter que girar a torre contra o peso do canhão. Também o sistema de mira com o carro inclinado não funcionará com total eficiência.
    Variação de altura – útil no rebaixamento quando se procura esconder o carro atrás de um obstáculo vertical. Útil na elevação, para aumentar a altura livre em baixo do carro, para vencer obstáculo que possa impedir sua passagem.
    Inclinação para frente – permite aumentar o ângulo de tiro em depressão. Se o projetista desejar (caso do K1) pode suprimir a depressão do canhão na torre e obter toda depressão pelo “ajoelhamento” do carro. Com isto, pode-se diminuir a altura da torre.
    Inclinação para trás – permite aumentar o ângulo do tiro em elevação.
    Bacchi

    • Nem foi preciso utilizar figuras pois entendi perfeitamente já no primeiro parágrafo.
      As inclinações de frente, ré e altura são quase auto-explicativas, mas a lateral realmente eu não entendia qual seria a necessidade.

      Obrigado e Abs

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