Defesa & Geopolítica

Análise: “Um homem de guerra, pode ter sido o último capaz de fazer a paz”

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US-ISRAEL-PALESTINIAN-ARAFAT-SHARON-OBIT-FILES“Ariel Sharon pode ter sido o último capaz de fazer a paz”

Segundo análise de Crispian Balmer, da Reuters, ex-premier tinha a estatura para levar Israel a fazer os movimentos necessários a um acordo 

“Israel carece de um líder como o Trator para persuadir ou intimidar os colonos a saírem da Cisjordânia”

 

CRISPIAN BALMER

Reuters

Israel se prepara para enterrar o ex-primeiro-ministro Ariel Sharon, mas pode também estar dizendo adeus ao último homem capaz de tomar as decisões difíceis e necessárias para assegurar a paz com os palestinos. Oito anos após um acidente vascular cerebral agudo que o deixou em coma, israelenses e palestinos continuam tentando um acordo nos termos deixados por Sharon, um herói de guerra em casa e um criminoso de guerra para os árabes. Um profeta dos assentamentos nos territórios ocupados que de forma dramática abriu mão de Gaza no que chamou de uma oferta para a paz.

Pesquisas mostram que até dois de cada três israelenses aceitariam um Estado palestino. Mas a atual luta do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu para fazer uma coalizão com radicais contrários a abrir mão de qualquer território sugere que Israel carece de um líder como o Trator para persuadir ou intimidar os colonos a saírem da Cisjordânia.

Como ministro da Habitação na década de 1990, Sharon esteve por trás de muitos assentamentos judaicos da Cisjordânia, capturada na guerra de 1967. A barreira de segurança que iniciou em 2005 ainda está em construção nas terras ocupadas.

Mas, ao mesmo tempo, com seu movimento para tirar colonos israelenses da Faixa de Gaza mostrou a muitos que Israel poderia reverter sua ocupação. Sharon tinha uma posição única dentro de Israel que o ajudou a conduzir uma mudança pela força de sua personalidade — um soldado condecorado que desempenhou um papel decisivo em todas as guerras desde a fundação de Israel, em 1948. Sua imagem super linha-dura deu-lhe uma estatura que seus sucessores não conseguiriam igualar.

Analistas israelenses dizem que a reviravolta de Sharon em Gaza mostrou que ele passou a perceber a ocupação como uma ameaça de longo prazo para o Estado israelense. Mesmo que os grandes blocos de assentamentos ficassem como parte de Israel num acordo, muitos colonos ficariam isolados na Palestina. Segundo estimativas não oficiais, o número superaria os 150 mil. Em comparação, apenas 9 mil foram retirados da Faixa de Gaza. O movimento dos colonos ficou ressentido pela retirada de Gaza, mas, desde então, seus membros se reagruparam, aumentaram em número e ampliaram sua influência.

“Olhando em volta, não vejo o tipo de líderes carismáticos com as credenciais que Sharon teve”, pontifica Uri Dromi, porta-voz do primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin, assassinado em 1995. “Não são do tipo que poderiam fazer os ousados movimentos necessários para a paz e, ao mesmo tempo, ser capazes de convencer os israelenses de que eles não estão sendo vendidos barato para os árabes”.

Foto: Ariel Sharon (direita) ao lado do líder palestino, durante conversas de paz em Wye Mills, nos Estados Unidos, em 1998 AVI OHAYON / AFP

Fonte: O Globo 2ª Edição, Mundo, Página 34, Domingo, 12/01/2014

5 Comments

  1. Isso é notório… mas não gosto de falar em Israel e todas essa pendengas aí!!

  2. US-ISRAEL-PALESTINIAN-ARAFAT-SHARON-OBIT-FILES“Ariel Sharon pode ter sido o último capaz de fazer a paz” === É, até pode ser, …como o cara morreu…Sds.

  3. RobertoCR says:
  4. PÉ DE CÃO says:

    o matéria ridícula ,só podia ser feita pela rede esgoto de televisão !!!
    o sujeitinho sharon viveu fazendo guerra matando mulheres e crianças como um nazista e depois que morre vem uma matéria e fala ele era o único que podia fazer a paz
    quer saber sahron vai enganar o diabo voce e tua turminha sionista !!!!

  5. Deveriam começar a conversa pelo que seria bom para ambos os lados, como uma área de livre mercado para ambos os estados, talvez incluindo a Jordânia. Direitos políticos e econômicos semelhantes para residentes em qualquer parte do território. Moeda comum. Centros de estudo, fábricas, portos, estradas, administração comum de lugares sagrados.

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