Defesa & Geopolítica

Com desaceleração dos Brics, criador do termo agora aposta no ‘Mint’

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Loja da Ikea sendo construída na Indonésia

Primeira loja da Ikea na Indonésia mira o mercado de 28 milhões de moradores de Jacarta

Após a recente desaceleração dos Brics, O’Neill identificou outros quatro países – México, Indonésia, Nigéria e Turquia – que, segundo ele, também podem se tornar gigantes econômicos nas próximas décadas.

No texto abaixo, para a BBC, ele explica o novo grupo, que batizou de Mint (“menta” em inglês).

O que esses países Mint têm de tão especial? E por que só esses quatro países?

Um amigo que acompanha a trajetória dos Brics observou – com algum sarcasmo – que estes países são mais “frescos” do que os Brics. O que eles têm em comum, além de serem países com grandes populações, é que por pelo menos por 20 anos eles terão ótima demografia “interna” – em todos estes países haverá um aumento no número de pessoas capazes de trabalhar, em relação a aquelas que não trabalham.

Este é o desejo de muitos países desenvolvidos, e também de dois dos Brics: China e Rússia. Então, se México, Indonésia, Nigéria e Turquia conseguirem se organizar, alguns poderão atingir o padrão chinês de crescimento econômico de dois dígitos, registrado entre 2003 e 2008.

Tabela: Os países MINT

Outro fator em comum de três destes países, segundo me relatou o ministro mexicano das Relações Exteriores, José Antonio Meade Kuribreña, é a posição geográfica vantajosa em relação aos padrões do comércio mundial.

Por exemplo, o México fica ao lado dos Estados Unidos, mas também na América Latina. A Indonésia está no coração do Sudeste Asiático, mas também possui fortes relações com a China.

E como todos sabemos, a Turquia está no Ocidente e no Oriente. A Nigéria não segue este padrão por ora, em parte devido à falta de desenvolvimento na África, mas isso poderia mudar no futuro, se muitos países africanos pararem de brigar entre si e começarem a negociar comercialmente.

Isso pode ser a base para os países do Mint desenvolverem um clube econômico e político, assim como fizeram os Brics – uma das maiores surpresas no fenômeno dos Brics, para mim. Eu já consigo até sentir o “cheiro” de um clube dos Mints.

O que também percebi, ao falar com Meade Kuribreña, é que a criação da sigla Mint poderia pressionar para que a Nigéria seja incluída no G20 – como os demais países do grupo.

Esse é um assunto que a carismática ministra da Economia da Nigéria, Ngozi Okonjo-Iweala, gosta.

Jim O'Neill. Foto: BBCEconomista britânico Jim O’Neill visitou países ‘Mint’ para um programa de rádio especial da BBC

“Nós sabemos que nossa hora vai vir”, diz ela. “Nós achamos que eles estão perdendo algo por não nos incluir.”

Meade Kuribreña chega a dizer que, como um grupo de países, os Mints têm mais em comum do que os Brics. Eu já não tenho a mesma certeza, mas é uma ideia interessante.

Economicamente, três deles – México, Indonésia e Nigéria – são grandes produtores de commodities (apenas a Turquia não é). Isso contrasta com os Brics, onde o Brasil e a Rússia são produtores de commodities, mas China e Índia não.

Em termos de riqueza, México e Turquia estão no mesmo patamar, com renda per capita anual de US$ 10 mil. Isso é superior aos US$ 3,5 mil da Indonésia e US$ 1,5 mil da Nigéria – que está no mesmo nível da Índia.

Todos estão abaixo da Rússia (US$ 14 mil) e do Brasil (US$ 11,3 mil), mas ainda assim na frente da China (US$ 6 mil).

Expectativas e realidade

Uma grande questão que me intrigou ao visitar estes países em um especial para a BBC foi: como é o dia a dia real nestes países, comparado com as minhas expectativas e com a opinião consensual?

Quando as expectativas são baixas – como acontece geralmente com a Nigéria, por exemplo (apesar de a visão de investidores na África ser diferente) – é fácil ser surpreendido positivamente.

Mas o oposto também é verdade – e isso pode ser um problema no México, um país sobre o qual os investidores estão bastante animados.

Eu voltei de minhas viagens pensando que não será tão difícil para Nigéria e Turquia surpreender as pessoas positivamente, já que se coloca muita ênfase nos conhecidos pontos negativos – crime e corrupção na Nigéria e governo extremamente incisivo na Turquia.

Sobre a Indonésia, eu tenho menos certezas. Os desafios do país são grandes como eu imaginava, e eu não vi muitas coisas que me dessem a impressão “Uau!”. O país precisa ter um sentido comercial além das commodities, e precisa melhorar a sua infra-estrutura.

Na Turquia, visitas a empresas como Beko (fabricante de eletrodomésticos) e Turkish Airlines, a companhia aérea que mais cresce no mundo, definitivamente me fizeram exclamar “Uau!”. Na Nigéria, eu tive essa sensação o tempo todo.

A criatividade nigeriana é contagiante, pelo menos para mim, e eu voltei cheio de entusiasmo com diversos investimentos pessoais que pretendo seguir.

Plataformas de petróleo no MéxicoGrande reforma no setor energético foi prioridade para governo mexicano

No México, eu estava preparado para me decepcionar, já que as expectativas são muito altas, mas o presidente jovem e seus colegas de gabinete também joviais estão cheios de determinação para mudar o país.

Se você acha que a ex-premiê britânica Margaret Thatcher simbolizava reformas profundas, estes caras fazem ela parecer um gatinho. Eles estão reformando tudo – de educação, energia e política fiscal à própria instituição do governo.

E os desafios que geralmente assustam as pessoas? A corrupção é um tópico comum nos quatro países, e eu tive diversas discussões interessantes em cada um dos lugares.

Na Nigéria, o diretor do Banco Central, Lamido Sanusi, argumentou que corrupção raramente evita o desenvolvimento econômico – e que o crescimento da economia, acompanhado de melhoras na educação, vai levar a melhor governança e mais transparência.

Estas ideias são importantes de serem ouvidas, como alternativa às formas geralmente simplistas que temos no Ocidente de encarar os fatos. Para muitas pessoas de credibilidade nos países Mint, a corrupção é consequência de um passado fraco, mas não a causa de um futuro fraco – e certamente não é o desafio número um.

Geradores de energia na Nigéria. Foto: APGeradores de energia têm alta procura por empresas na Nigéria

Ela está no fim de uma lista que inclui custos de energia, a disponibilidade de energia e, é claro, infra-estrutura.

Resolver a política energética era a maior prioridade no México e na Nigéria, e ambos os países lançaram grandes iniciativas que – se forem mesmo implementadas – vão acelerar os índices de crescimento de forma significativa.

Eis uma estatística impressionante. Cerca de 170 milhões de pessoas na Nigéria dividem a mesma quantidade de energia que é consumida por 1,5 milhão de pessoas na Grã-Bretanha. Quase todas as indústrias precisam gerar a própria energia. Os custos são enormes.

“Você consegue imaginar, ou consegue acreditar, que esse país está crescendo 7% sem energia? É uma piada”, diz Akiko Dangote, o homem mais rico da África.

Ele tem razão. Eu imagino que a Nigéria poderia crescer de 10% a 12% se resolvesse só esse problema. Isso faria o tamanho da economia duplicar em seis ou sete anos.

Na Indonésia, o quarto maior país do mundo, eu diria que liderança e infra-estrutura são os maiores desafios, apesar de haver muitos outros. Mas desafios e oportunidades estão geralmente lado a lado.

Turkish Airlines. Foto: AFPTurquia tem a companhia aérea que mais cresce no mundo

Em uma das favelas de Jacarta, a Pluit, a terra está afundando 20 centímetros por ano por causa do uso excessivo de água. Mas em outros cantos da cidade, o preço dos imóveis está disparando.

Eu falei com um homem que está contruindo a primeira loja de móveis Ikea do país, e ele acredita que um terço da população de 28 milhões da grande Jacarta (a terceira maior aglomeração urbana do mundo) teria renda para consumir na sua loja.

“Nós simplesmente temos certeza de que vai dar certo”, diz ele.

Na Turquia, a combinação de política e fé muçulmana com algum desejo de fazer as coisas de forma mais ocidental é um desafio singular. Alguns podem argumentar que os mesmos desafios existem na Indonésia, mas eu voltei de lá pensando que não é o mesmo caso. Em Jacarta, a forma ocidental de fazer as coisas já parece ter sido assimilada – ao contrário da Turquia.

E então: os Mints podem se juntar às dez maiores economias do mundo, com Estados Unidos, China, resto dos Brics e talvez Japão? Eu acho que sim, apesar de que isso ainda pode levar 30 anos.

Espero poder voltar para cada um deles com mais frequência, agora que estou ajudando a colocá-los no mapa, assim como aconteceu com os Brics há 12 anos.

Fonte: BBC Brasil

15 Comments

  1. titulo do texto ,com a desaceleração dos brics ,agora é a vez do MINT ,e ai junta o ira
    e no final fica MiNTIRA rsrsrss!!!
    esses gringos e suas previsões contra o brics não se cansam !!!

  2. Opa, nenhum Bolivariano na lista?!

  3. Já acabou o voo dos BRICS, já! Rápido! 🙂

    • Blue Eyes, Na Resistência says:

      Voo de galinha… típico do Brasil… contaminou os demais… também, não investe no que realmente interessa: EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E FIM DO ESQUERDISMO ATRASADO E BOBO… todo país moderno e produtivo sabe que a única saída é produção e desenvolvimento de C&T próprias… o resto é mimimi de esquerdopata querendo um lugarzinho ao sol no erário público…

      • Julio Brasileiro says:

        Eu entendo você yanke, você fala em voo de galinha como se levar um país da 10ª economia mundial e leva-la a 5ª (quinta) fosse vergonhoso. Lógico sei que você tem memória, já que demonstra ser bem informado algumas vezes, apenas joga suas informações convenientemente de modo a confundir sem explicar,
        No fundo você continuará fazendo seu trabalhinho atrasado e bobo, com este discurso em prol de seu país, esse mi,mi,mi, ultra direita que não explica que seu país não fosse o lastro de sua moeda, uma das indecências criadas na segunda guerra, que faz com que países sustentem seus déficits, que hoje já são impagáveis, já estaria no limbo do terceiro mundo.
        Você não explica como é difícil para um país que não tem o poder para ter a moeda lastro, manter o equilíbrio do dinheiro circulante no país ainda mais quando se tem uma economia aberta e tem que se ter responsabilidade fiscal. Lá no seu país isso não é necessário o mundo lhes financiam. Podem falsear com um consumismo artificial mantido pelos demais país. Mas mesmo com tudo isso as vezes fazem agua, como agora, que tremem de pavor pela disposição de algumas nações de se livrarem do dólar como moeda lastro, e terem que organizar como qualquer outro país.
        Meus pêsames meu caro teu símbolo só continua símbolo por que ainda tem muito peso midiático para vender suas fantasias de heróis. Mas aos poucos o mundo muda e ficará muito mais multipolarizado, para seu terror.

      • Blue Eyes, Na Resistência says:

        Traduzindo: para ser brasileiro tem que ser necessariamente esquerdopata e burro… faz sentido… para ser esquerdopata tem que ser realmente muito burro… parabéns… conseguiu me convencer que sempre estive certo… sorry… 🙂

      • helveciofilho says:

        por LUCENA
        .
        .
        Sr.Brasileiiro,o patetão nunca fora um yanke,os americanos não merecem pior castigo,por mais sacanagem que eles fazer…rsrsrsr
        .
        O patetão não passa de um vira-lata que vive da bondade de quem ele detesta,o governo;
        .
        Na verdade ele bajula os americanófilos para vê se estes, apoiam as ideias fascistas deles,que é apaixonado pelas causas da ditaduras de 64 e do jogo baixo.
        .
        Sabe come é,aquele esquema do tipo;uma mão lava a outra e nunca ficam limpas por que se lavam com lama…rsrsrsr
        .
        O cara é o puxa saco de carteirinha daqui dos americanófilos.. 😀 😀

      • Julio Brasileiro says:

        Caro cidadão brasileiro Lucena, não caia nesse conto do vigário ele é yanke mesmo, aliás se for nacional do Brasil é mais yanke que os yankes, que fazem protestos a revelia por lá, só parados pelo poder “democrático” da policia deles e dos órgãos de segurança internos, que se apavoram a cada reunião com espirito critico as normas desse país país. Observe, seus diálogos, eles dão indicação de quem essa pessoa é. E de brasileiro ele quer distancia, meu caro, e ainda exibindo a tradicional arrogância yanke. Vai por mim não é brasileiro.

      • Julio Brasileiro says:

        Nacional do Brasil, desse tipo que você cita é um tal Zebu, ou melhor Nelore. Esse vive lá nos States, e luta para fazer de nós um novo Porto Rico. São como os anticastristas que torcem para a ilha acabar com mais uma estrela na bandeira yanke deles, só por que Guantanamo eles já ganharam na mão grande, sobre isso eles ficam caladinhos. O mesmo destino eles querem para a nossa Amazônia, queriam fazer dela uma Guantanamera.

      • Blue Eyes, Na Resistência says:

        Essa é a visão medíocre de mundo de vcs ???… tão assistindo muito filme by Holywood… 🙂

  4. Julio Brasileiro says:

    Meu prezado, assim como agencias de pesquisa de risco são altamente alinhadas com interesses yankes, e com a conjuntura que eles chamam ocidentais, por isso altamente tendenciosas, também essa analise o é.
    Analise friamente, tentando se manter isento, a China cresce continuamente e se recusa a reduzir seu padrão econômico mesmo sob intensas criticas yankes, que os quer crescendo conforme suas conveniências, a India vai seguindo no mesmo trilho, de crescimento e evolução continua de sua gente, coisa rara de se vê, tanto que já são parceiros de Russos até no desenvolvimento de Caças, e outras tantas novidades tecnológicas, o Brasil, se não cresce ao ritmo chines, também não descarilha sua economia ao ponto de ter que pedir penico aos Yankes para obter favores do FMI, isso aliado a um nível de emprego que é o que sustenta uma economia, como nunca vimos antes na história desse país, como dizia o Presidente Lula, adversários de todos os inimigos da cidadania brasileira, como já vimos no passado recente a alto custo para nossa cidadania.
    A África do Sul, bom, esse país foi incluído nos Brics menos por seu peso econômico e mais por questões de geopolítica, mas ainda assim na África é o que tem a melhor economia.
    Trazer o México, a Nigéria, a Indonésia e a Turquia para comparações com o outro grupo de países chega ser até covardia, agora acreditar que possam crescer suas economias não significa fazer um trabalho genial, todos os países buscam o melhor para seu povo, mas esse trabalho claramente vem viciado pelos interesses que esses países permitem ao “ocidente” principalmente os que criaram essas nomenclaturas para dividir o mundo conforme suas conveniências e interesses. Os outros, os BRICS, são independentes demais para merecerem propaganda positiva. Sds.

  5. De novo essa notícia?

    O “sonho” (entre aspas, antes que me venham julgar de esquerdista) dos EUA, Europa e de todos o sionistas é ver o BRICS se afundar, só que se esquecem que atualmente o BRICS é muito mais que uma mera sigla.

    • Só para ter uma noção maior sobre o que o BRICS são hoje:

      BRICS CALBE:

      BRICS Cable ficará a 34 000 km abaixo do mar, 2 pares de fibra, 12.8 capacidade Tbit / s, sistema de cabo de fibra óptica que ligará os 5 países membros do BRICS. O que se especula é que o BRICS planejam criar uma rede “segura” de internet, longe da dependência dos E.E.U.U.

      http://mudancaedivergencia.blogspot.com.br/2013/09/brics-cable-ligacoes-russia-china-india.html

      – Interessante é que nessa matéria, acima, destaca três fatos:

      1 – Para qualquer investidor global, não há crise – há uma abundância de crescimento. Não é apenas no Velho Mundo.

      2 – BRICS possuem aproximadamente 45% da população do mundial e 25% do PIB global.

      3 – Os BRICS apresentam profundas oportunidades em geopolítica mundial e do comércio.

  6. Blue Eyes, Na Resistência
    6 de janeiro de 2014 at 21:17

    Voo de galinha… típico do Brasil… contaminou os demais… também, não investe no que realmente interessa: EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E FIM DO ESQUERDISMO ATRASADO E BOBO… todo país moderno e produtivo sabe que a única saída é produção e desenvolvimento de C&T próprias… o resto é mimimi de esquerdopata querendo um lugarzinho ao sol no erário público… ==== Sem dúvidas, a base p o cresci/ passa pela educação de quali// no geral e qualificação dos professores…Educação, Saúde e segurança…e td isso p ontem.Sds.

  7. Blz .. em resumo .. a soma dos ”’MINTs” .. n da sequer um PIB de um Brasil …isso em 2013…… ja em 2050.. segundo o proprio estudo .. o MINT. vai geral algo em torno de 23.. tri… x BRICS … + de 96 tri… a ainda levam fe nessa noticia ?? piada ne …. materia paga pelo gov mexicano =) …. são matérias como essa q deixa claro q nego torce e sempre vai torcer contra o Pais .independente do partido da situação a vontade de criticar e rebaixar supera e mt a razão …apesar da ”boa vontade” do ”analista” .. n vi ….n li nada q comprove esse projeção tão otimista .. simplesmente n tem cabimento essa comparação ……. Mexico e mais desenvolvido q o Brasil (se o Brasil tem problemas .. o Mexico tem mt mais ) ?? .. alguém do ”MINT ”e mais desenvolvido q o Brasil atual ?? .. para ne .. n forcem a barra… ..

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