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Conflitos Geopolítica

Forças do governo avançam no Sudão do Sul apesar de morte de general

Soldados do Exército do Sudão do Sul (AFP/Getty)

Os combates nos arredores de Bor ocorrem entre dois exércitos treinados, diz correspondente da BBC

As forças do governo do Sudão do Sul avançaram mais neste domingo em direção à cidade de Bor, considerada estratégica, apesar de sofrer um ataque dos rebeldes que matou um general do Exército.

O repórter da BBC Alastair Leithead está acompanhando o comboio com os soldados do governo que saiu da capital, Juba, neste domingo, quando eles foram atacados a cerca de 25 quilômetros de Bor.

O general no comando, cujo nome não foi divulgado, foi morto na emboscada.

Os combates continuam no país enquanto os dois lados estão reunidos na Etiópia para tentar fechar um cessar-fogo.

A crise no país começou no dia 15 de dezembro depois que o presidente, Salva Kiir, acusou o ex-vice-presidente Riek Machar de tentar um golpe de estado no país, o que Machar nega.

No entanto, os rebeldes são liderados por Machar, que foi demitido do cargo de vice-presidente em julho pelo próprio Kiir.

O presidente Kiir pertence à etnia dinka, a mais numerosa do país, enquanto Machar é do grupo nuer, o segundo maior.

No passado, houve conflito entre as etnias, e a disputa política entre o presidente e seu vice, agora foragido, pode, segundo analistas desembocar em uma guerra étnica.

Pelo menos mil pessoas foram mortas e cerca de 200 mil tiveram que fugir durante o conflito.

Reforços

O governo está enviando reforços militares nos últimos dias para retomar Bor.

Uma divisão inteira do Exército do Sudão do Sul se juntou aos rebeldes, então os combates em Bor envolvem dois exércitos treinados, segundo o correspondente da BBC.

Alastair Leithead afirmou ainda que os combates estão intensos e tanques incinerados podem ser vistos à beira das estradas.

Os combates também continuam em outras áreas. O porta-voz do Exército Philip Aguer afirmou que ocorreram confrontos nos Estados produtores de petróleo no norte do país.

Quanto às negociações de paz em Adis Abeba, capital da Etiópia, parecem estar atrasadas. Até sexta-feira, elas estavam sendo conduzidas por mediadores.

Agora, equipes representando as facções opositoras devem negociar pessoalmente.

Uma reunião preliminar no sábado tentou tratar de questões como um cessar-fogo e a exigência dos rebeldes de libertação do que eles afirmam ser prisioneiros políticos.

Mas estas negociações não continuaram neste domingo, atrasadas por falta de acordo a respeito da programação e, de acordo com uma autoridade, “questões de protocolo”.

Agora, todos esperam que as negociações sejam retomadas nesta segunda-feira.

O Sudão do Sul é o mais novo país do mundo, votou pela independêndia em 2011, e faz fronteira com seis países da África Central.

O país é rico em petróleo, mas após décadas de guerra civil é também uma das regiões menos desenvolvidas do planeta – apenas 15% dos cidadãos têm telefone celular e há poucas estradas de asfalto em uma área maior do que a Espanha e Portugal juntos.

Fonte: BBC Brasil

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Artigos Exclusivos do Plano Brasil MBT Brazil Uncategorized

MBT Brasil- O futuro Carro de Combate do Exército Brasileiro

 

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E.M.Pinto

É de se supor que muito em breve o Exército Brasileiro dará início aos estudos e trabalhos de desenvolvimento do seu futuro carro de combate principal.

Diante disto e atendendo a uma série de pedidos dos nossos leitores, o Plano Brasil em colaboração com o trilogia Warfare iniciará uma série de reportagens e análises dos principais carros de combate hoje existentes, serão apresentados aqueles que julgamos serem os potencias veículos a uma hipotética substituição da arma blindada do exército Brasileiro que deve sofrer modificações na próxima década.

As reportagens visam apresentar os principais aspectos e peculiaridades dos mais recentes projetos de MBT hoje existentes. Deixamos para o público em geral as discussões a cerca dos modelos ideais, “as melhores máquinas”, “vantagens” e “desvantagens” dos projetos.

Na série de reportagens serão apresentados os veículos:

 

 

 

 

 

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Conflitos Geopolítica Inteligência

EUA apoiarão luta contra Al Qaeda no Iraque sem enviar tropas, diz Kerry

PhotoArshad Mohammed

JERUSALÉM ,5 Jan (Reuters) – Os Estados Unidos vão fornecer suporte ao governo do Iraque e às tribos que lutam contra militantes ligados à Al Qaeda na província de Anbar, mas não enviarão tropas ao Iraque, disse o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, neste domingo.

Militantes islâmicos ligados à Al Qaeda e guerrilheiros tribais assumiram o controle de Ramadi e Falluja, as principais cidades da província de Anbar, dominada por muçulmanos sunitas e que faz fronteira com a Síria, o que representa um desafio às autoridades do governo, liderado por xiitas.

Tropas iraquianas e líderes tribais aliados tentam retomar a província.

Ao falar com repórteres em Jerusalém, Kerry disse que os EUA estão preocupados com os acontecimentos em Anbar, que foi o principal centro de resistência contra os EUA após a invasão do Iraque pelos norte-americanos em 2003.

Enquanto alegou que irá ajudar o governo do primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, Kerry deixou claro não haver hipótese sobre o retorno de tropas dos EUA ao Iraque. Os EUA se retiraram do território iraquiano em 2011 após não conseguir chegar a um acordo com o governo de Maliki.

“Esta é uma luta que pertence aos iraquianos”, disse ele. “Nós não contemplamos colocar soldados em solo. Esse é um conflito deles, mas vamos ajudá-los em sua luta.”

Kerry negou fornecer detalhes sobre que tipo de assistência será prestada pelos EUA a Maliki, a quem Washington pediu repetidas vezes para compartilhar o poder com a minoria sunita -em parte com o intuito de prevenir uma nova insurgência sunita contra o governo central.

Fonte: Reuters

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Defesa Sistemas de Armas

Pilotos Russos iniciam em 2014 o estágio de conversão para as aeronaves modernizadas Il-38N

Il-38NTradução e adaptação: E.M.Pinto

Pilotos russos da Frota do Norte  passarão em 2014 por cursos de reciclagem para dominar os aviões anti-submarino moderniza Ilyushin Il-38N. O primeiro grupo já concluiu a parte teórica do programa e já começou o treinamento de voo prático, disse o capitão Vadim Serga, um representante da Frota do Norte.

“O avião foi aprimorado com uma nova geração sistemas hidroacústicos e magnéticos destacáveis ​​que superam os seus homólogos ocidentais em uma variedade de funções”, disse ele.

O Il-38N pode agir como uma aeronave de patrulha marítima capaz de realizar reconhecimento eletrônico, afirmou Serga. A nova aeronave é equipada com o sistema “Novella” que lhe permite detectar alvos até 320 quilômetros de distância, incluindo submarinos, navios e aviões equipados com radar.

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O Novella” é um sistema dispõe de um gerador de imagens  térmicas  de alta resolução e sensores para a detecção de anomalias magnéticas, junto com outros sensores que lhe permitem localizar submarinos e alvos de superfície, bem como a realização de pesquisa científica, disse Serga.

A novela é uma variação do sistema “Sea Dragon”, que foi instalado em cinco Il-38 ao serviço da marinha indiana durante a última década. O novo Il-38N pode ser usado para mapear cartas magnéticas e gravitacionais do Oceano Ártico.

Fonte: Ria Novosti

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Conflitos História

Ecos da Primeira Guerra

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Como as lições de um século atrás podem construir uma ordem internacional estável

“Com diferentes líderes, a Primeira Guerra poderia ter sido evitada.” Margaret MacMillan

Margaret MacMillan (*)

Oxford, England – A Primeira Guerra Mundial ainda nos assombra, em parte pela escala da carnificina — dez milhões de combatentes mortos e muitos mais feridos. Incontáveis civis também perderam suas vidas, seja por meio da ação militar, seja pela fome ou pela doença. Impérios inteiros foram destruídos e sociedades, brutalizadas.

Mas há uma outra razão: até hoje não chegamos a um consenso sobre por que ela aconteceu. Teria sido causada pelas ambições desmedidas de alguns dos homens no poder? O kaiser Wilhelm II e seus ministros, por exemplo, queriam uma Alemanha maior, com um alcance global, capaz de desafiar a supremacia naval britânica. Ou a explicação está nas ideologias conflitantes? Nas rivalidades nacionais? Ou no absoluto e, aparentemente, irreversível, momentum do militarismo? Ou será que o conflito jamais teria acontecido se um evento aleatório em paragens austro-hungaras não tivesse acendido o pavio? Essa é a mais desalentadora de todas as explicações: que a guerra foi simplesmente um erro estúpido que poderia ter sido evitado.

A busca por explicações começou praticamente junto com os primeiros tiros, no verão de 1914, e nunca parou. A proximidade do centenário do início da guerra (em junho deste ano) deve nos fazer refletir mais uma vez sobre a vulnerabilidade humana a erros, catástrofes repentinas e acidentes fatais. A História, numa frase atribuída a Mark Twain, nunca se repete, mas rima. Temos um bom motivo para voltar nosso olhar para trás, mesmo mirando adiante. Se não conseguimos determinar como um dos mais importantes conflitos aconteceu, como poderemos evitar uma catástrofe semelhante no futuro?

Período menos distante do que parece

Embora o período que antecedeu a Primeira Guerra — com sua iluminação a gás e suas carruagens puxadas a cavalos — pareça muito distante, ele é similar ao nosso de muitas maneiras. A globalização — que tendemos a pensar como um fenômeno moderno, criado pela difusão dos negócios e investimentos internacionais, o crescimento da internet e a migração generalizada — também era uma característica daqueles tempos. Mesmo as mais remotas partes do mundo estavam sendo interligadas pelos novos meios de transporte — de estradas de ferro a modernos navios — e pela comunicação, incluindo aí o telefone, o telégrafo e as comunicações sem fio.

As décadas anteriores a 1914 foram, como agora, um período de dramáticas mudanças e conflitos. Novos campos para o comércio e as manufaturas estavam sendo criados, como a rápida expansão da indústria química e elétrica. Einstein desenvolvia a sua teoria geral da relatividade; novas ideias radicais, como a da psicanálise, encontravam seguidores; e as raízes de ideologias predatórias, como o fascismo e o comunismo soviético, ganhavam terreno.

A globalização torna possível a disseminação de ideologias radicais com muito mais rapidez e o agrupamento de fanáticos em busca de uma sociedade perfeita. No período anterior à Primeira Guerra, anarquistas e revolucionários socialistas por toda a Europa e América do Norte liam os mesmo trabalhos e tinham o mesmo objetivo: derrubar a ordem social vigente. Os jovens sérvios que assassinaram o arquiduque Franz Ferdinand, da Áustria, em Sarajevo, foram inspirados por Nietzsche e Bakunin, da mesma forma que seus pares russos e franceses.

De Calcutá a Buffalo, terroristas imitavam uns aos outros nos métodos de jogar bombas nas Bolsas de Valores, explodir linhas de trem e atirar nos que vissem como opressores, fossem eles a imperatriz Elisabeth, do Império Austro-Húngaro, ou o presidente dos EUA, William McKinley. Hoje, as mídias sociais oferecem novos pontos de encontro para fanáticos, permitindo que disseminem suas mensagens para audiências cada vez maiores.

Com a nossa “Guerra ao terror”, corremos o mesmo risco de superestimar o poder de uma rede fraca, de poucos extremistas. Mais perigoso ainda podem ser nossos erros de interpretação sobre as mudanças na guerra. Há cem anos, a maior parte dos planejadores militares e dos governos civis entendeu a natureza do conflito que estava por começar de forma catastroficamente errada.

Os grandes avanços em ciência e tecnologia na Europa e a crescente abertura de fábricas durante o período de paz fizeram com que a entrada na guerra fosse muito mais custosa, em termos de baixas, do que se imaginava. Os rifles e armas atiravam com muito mais rapidez e eficácia, a artilharia tinha explosivos muito mais devastadores.

Um erro comparável em nosso tempo é presumir que, por causa de nossa tecnologia avançada, somos capazes de ações militares rápidas, focadas e de grande poder destrutivo — golpes cirúrgicos, com drones e mísseis — resultando em conflitos que seriam curtos e de impacto limitado, e em vitórias decisivas. Cada vez mais, vemos guerras assimétricas, entre forças bem armadas e organizadas de um lado, e insurgentes de outro, que podem se espalhar não apenas por toda uma região, mas por um continente inteiro e até pelo planeta. Ainda assim, não conseguimos ver soluções claras, em parte porque não há só um inimigo, mas coalizões de senhores da guerra locais, guerreiros religiosos e outras partes interessadas.

Pense no Afeganistão ou na Síria, onde agentes locais e internacionais estão misturados, e onde definir exatamente o que constitui uma vitória é algo difícil. Nessas guerras, aqueles que ordenam ações militares devem considerar não apenas os combatentes em solo, mas também a esquiva, mas fundamental, opinião pública. Graças às mídias sociais, cada ataque aéreo, bomba e nuvem de gás venenoso que atinge uma população civil é filmado e tweetado por todo o mundo.

A globalização pode ampliar rivalidades e medos entre países que, de outra forma, poderiam ser amigos. Pouco antes da Primeira Gurra, o Reino Unido, a maior potência naval, e a Alemanha, a maior potência terrestre, eram grandes parceiros comerciais. Mas isso não se traduziu em amizade.

Com a Alemanha dividindo tradicionais mercados britânicos e competindo por colônias, o Reino Unido se sentiu ameaçado. Em 1896, um famoso panfleto britânico, “Feito na Alemanha”, já pintava um quadro nefasto: “Um gigante estado comercial está surgindo para ameaçar a nossa prosperidade e disputar conosco o comércio mundial.” Quando o Kaiser Wilhelm e seu ministro da Marinha, almirante Alfred von Tripitz, lançaram um submarino militar para desafiar a supremacia naval britânica, o desconforto no Reino Unido se transformou em algo muito próximo do pânico.

Guerra poderia ter sido evitada

 

Como os nossos predecessores de um século atrás, presumimos que uma guerra mundial é algo que não fazemos mais. O líder socialista francês Jean Jaures, um homem que tentou, sem sucesso, barrar a escalada do militarismo nos primeiros anos do século XX, entendeu isso muito bem. “A Europa já passou por tantas crises e por tantos anos”, ele disse, logo antes do início da guerra, “já foi perigosamente desafiada tantas vezes sem que guerra alguma acontecesse, que praticamente parou de acreditar nessa ameaça e assiste ao interminável conflito nos Bálcãs com pouca atenção e reduzida preocupação”.

Com diferentes líderes, a Primeira Guerra poderia ter sido evitada. A Europa de 1914 precisava de um Bismarck ou de um Churchill, com força o suficiente para suportar a pressão e capacidade de enxergar o quadro estratégico de forma mais ampla. Em vez disso, as potências-chave tinham líderes fracos, distraídos e divididos. Hoje, o presidente dos EUA encara uma série de políticos na China que, como aqueles da Alemanha há um século, querem muito que sua nação seja levada a sério. No caso de Vladimir Putin, Obama lida com um nacionalista russo que é mais astuto e mais forte que o pobre czar Nicolau II.

Obama, como Woodrow Wilson, é um grande orador, capaz de apresentar uma visão de mundo e inspirar os americanos. Mas, como Wilson no final da guerra, lida com um Congresso pouco cooperativo. Talvez ainda mais preocupante seja o fato de que ele pode estar numa posição similar à do primeiro-ministro britânico em 1914, Herbert Asquith — que presidia um país tão dividido que não conseguia exercer uma liderança ativa ou construtiva no mundo.

Às vésperas de 2014, os EUA ainda são a maior potência mundial, mas não são mais tão poderosos quanto já foram. O país sofreu derrotas militares no Iraque e no Afeganistão, e vem encontrando dificuldades de encontrar aliados que o apoiem, como mostra a crise na Síria. Desconfortavelmente cientes de que têm poucos amigos confiáveis e muitos inimigos em potencial, os americanos consideram agora o retorno a uma política isolacionista. Estariam os EUA no limite de seu poder de influência, como o Reino Unido já esteve no passado?

Pode ser necessário um momento de real perigo para forçar as grandes potências a se unirem em coalizões capazes e dispostas a agir. Em vez de ficar pulando de crise em crise, talvez seja a hora de repensar as terríveis lições de um século atrás — na esperança de que nossos líderes, com o nosso apoio, repensem como podem trabalhar juntos para construir uma ordem internacional estável.

(*) Margaret MacMillan é autora do recém-lançado “The War that Ended Peace: The Road to 1914” (A guerra que acabou com a paz: o caminho para 1914, em tradução livre)

Foto: Soldados caminham na região de Somme, na França, durante a Primeira Guerra Mundial, que deixou dez milhões de combatentes mortos e muitos feridos; questionamento sobre se tal tragédia poderia ter sido evitada permanece até hoje AFP

Fonte: O Globo. História, Página 24, Sábado, 04/01/2014  

 

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Conflitos Geopolítica Inteligência

EUA descartam volta ao Iraque após tomada de Fallujah

o secretário de Estado americano, John Kerry

John Kerry descartou que tropas americanas voltem ao Iraque: ‘esta luta é deles’

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse neste sábado que os Estados Unidos vão ajudar o Iraque “no que for possível” a lutar contra a Al-Qaeda, mas descartou que tropas americanas voltem a pisar no país árabe.

Em declarações feitas quando partia de Jerusalém para Jordânia e Arábia Saudita, Kerry disse estar confiante de que o primeiro-ministro iraquiano, Nouri Maliki, pode derrotar os militantes, que no sábado ocuparam a cidade estratégica de Fallujah, a oeste de Bagdá.

“Vamos apoiar o governo do Iraque e todos os outros envolvidos em minar os esforços (dos militantes) de desestabilizar (o país)”, afirmou Kerry, em visita ao Oriente Médio para acelerar o passo das negociações de paz entre israelense e palestinos.

E acrescentou: “Não estamos cogitando enviar tropas. Esta luta é deles.”

No sábado, o governo do Iraque anunciou ter perdido o controle de Fallujah. Uma fonte do setor de segurança do país disse à BBC que o Estado Islâmico do Iraque e o Levante, ambos grupos ligados à Al-Qaeda, controlam a parte sul da cidade.

Um repórter iraquiano que está em Fallujah informou que o resto da cidade está sob controle de milicianos tribais ligados também à Al-Qaeda e militantes.

Neste domingo, atentados a bomba na capital Bagdá deixaram ao menos 19 mortos. Segundo fontes médicas e da polícia, o ataque mais sério matou nove pessoas e feriu 25 no distrito xiita de Shaab.

Os confrontos não se limitam apenas a Fallujah e ocorrem também em Ramadi

As duas cidades ficam na província de Anbar (oeste do país) e os combates envolvem membros da organização sunita Estado Islâmico do Iraque e do Levante, ligada também à Al-Qaeda.

Os choques começaram depois que os soldados do governo desmantelaram um acampamento de manifestantes árabes sunitas na cidade de Ramadi, na segunda-feira.

Os sunitas acusam o governo, liderado pelos xiitas, de marginalizá-los no Iraque.

Os sunitas também afirmam que a comunidade, que é minoria no país, está sendo alvo das medidas contra o terrorismo implementadas para acabar com a violência sectária.

O premiê iraquiano afirmou que o Exército não vai recuar até eliminar todos os grupos militantes na província de Anbar.

“Não vamos recuar até acabar com todos os grupos terroristas e salvar nosso povo em Anbar”, disse o premiê segundo o canal de televisão estatal Iraqiya.

‘Tomada pacífica’

Na terça-feira o primeiro-ministro Nouri Al-Maliki concordou em retirar o Exército de cidades da província de Anbar para permitir que a polícia retomasse o controle da segurança.

Mas, assim que os soldados saíram de seus postos, militantes ligados à Al-Qaeda apareceram em Ramadi, Fallujah e Tarmiya, invadindo delegacias, libertando prisioneiros e apreendendo armas.

No dia seguinte, Maliki reverteu a decisão e enviou os soldados de volta à Anbar.

Mas, na quinta-feira, os militantes em Ramadi e Fallujah hastearam bandeiras negras em prédios e usaram os sistemas de som das mesquitas para convocar os habitantes da cidade a se juntar à luta e apoiar uma “tomada pacífica”.

Nos últimos meses os militantes sunitas aumentaram o número de ataques em todo o Iraque. Os grupos xiitas, por sua vez, começaram a realizar represálias violentas, o que aumenta o temor de um conflito sectário no país.

A ONU diz que o ano passado foi o mais violento no Iraque desde 2008. Em 2013, pelo menos 7.818 civis e 1.015 membros das forças de segurança foram mortos em ataques sangrentos no país.

Fonte: BBC Brasil

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Defesa Destaques Geopolítica Negócios e serviços Opinião Sistemas de Armas Tecnologia

EUA lançam navio de guerra mais caro do mundo

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ROBERTO GODOY

O navio de guerra mais poderoso do mundo é, também, o mais caro: o novo destróier americano Zumwalt, o DDG 1000, custou US$ 7 bilhões – preço do desenvolvimento do projeto, mais a construção da primeira unidade de uma série de três. Descontado o investimento, só o navio saiu por US$ 1,4 bilhão.

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“É um ”drakar” da idade da tecnologia”, afirma Júlio Penteado, engenheiro naval com especialização militar, comparando o destróier às embarcações dos guerreiros vikings – os mais temidos da Europa há 1.200 anos. Para o engenheiro, o desenho revolucionário do Zumwalt e as inovações que incorpora, “estabelecem referências que não poderão ser ignoradas no planejamento das frotas modernas”.

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Nada é convencional no novo navio. O uso dos materiais compostos no casco e de nódulos de titânio (apenas na torre de comando) tornam o destróier quase invisível ao radar e a sensores eletrônicos. A representação nas telas de busca equivale à de um barco de pesca de pequeno porte. Nas máquinas, um sistema de troca de calor reduz a temperatura e evita a localização pela emissão de ondas térmicas.

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O DDG-1000 é definido pela Marinha dos EUA como um navio para múltiplas missões, lançador de mísseis, “dedicado a ataques contra alvos em terra”. É mais que isso. O lote pretendido inicialmente, de 32 unidades, deve chegar a 24 contratadas até 2030, com expectativa de vida útil além de 2060. “Ele será o suporte da política de Defesa dos EUA na região da Ásia e do Pacífico”, avalia o analista Jay Korman, lembrando que “o preço proibitivo dessas primeiras embarcações será inevitavelmente reduzido na sequência do contrato”.

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O processo de barateamento já começou. O segundo navio da classe, o Lyndon B. Johnson, terá a ilha de comando executada apenas em aço com revestimento especial para driblar o radar de um eventual inimigo. Jay acredita que a medida implicará “redução nos custos na faixa dos US$ 220 milhões”. Com 180 metros de comprimento – o tamanho de um campo e meio de futebol – o impressionante Zumwalt é o maior destróier americano.

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Escassamente tripulado, com 140 militares, tem grande poder de fogo. Ao menos 80 mísseis de cruzeiro Tomahawk – com alcance entre 800 e 1.300 quilômetros e ogiva de 450 quilos – de alta precisão, combinados com os Sparrow, antiaéreos, foguetes e torpedos, compõem o arsenal regular. A artilharia fixa usa granadas propelidas capazes de cobrir até 100 quilômetros. Dissuasão. O novo destróier é o sucessor de uma classe extremamente bem-sucedida, a Arleigh Burke, iniciada em 1991, e da qual foram entregues 62 navios. “Esperamos do DDG-1000 que seja invisível ao inimigo, que possa ver tudo com seu inacreditável sistema sonar-radar e, combinando tudo isso com a maciça capacidade de ataque, signifique um decisivo elemento dissuasivo – é o nosso futuro”, disse o então secretário de Defesa, Leon Panetta, no Congresso, em 2012.

Diferente de qualquer outro, o destróier (no Brasil, seria um contratorpedeiro) praticamente não tem estruturas externas. A tripulação raramente será vista. Para compensar esse regime, os estaleiros Huntington Ingalls e seu associado Bath Iron, garantem ter criado “espaços com a dimensão do conforto humano”, explicitado nos alojamentos, áreas de lazer e refeitórios. A façanha parece difícil em um casco estreito (máximo de 24 metros) e por isso sujeito a oscilações que exigem controle eletrônico em condições adversas de clima.

 

Fonte: Estadão

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Economia Geopolítica

O IRÃ OFERECE APOIO E COOPERAÇÃO COM A UNIÃO ADUANEIRA EUROASIANA.

Sugestão: Lucena

”O Irã quer cooperar com a União Aduaneira no futuro”, afirmou o recém-nomeado embaixador do Irã para a Rússia, Mehdi Sanaei em sua entrevista com a agência de notícias iraniana “Irna”.

O embaixador do Irã referindo-se ao processo de alargamento da União Aduaneira específicamente observou, “a decisão de Teerã parabeniza a Armênia por se juntar à União Aduaneira e, como país vizinho espera que a União venha a ser um sucesso.”

O Embaixador Sanaei, ao falar sobre a possibilidade de adesão do Irã à União Aduaneira, disse: “Não há dúvida, o nosso país vai cooperar com o UAE. Teerã atualmente trabalha no desenvolvimento de vários projetos de cooperação com o UAE. No momento o Irã não pretende fazer parte da UAE, mas está pronto para colaborar com todos os membros da região. “

Fonte: Global Research via Dinâmica Global

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Conflitos Geopolítica Opinião

EUA PASSARAM DA OFENSIVA À DEFENSIVA MAS O QUE MUDOU NO MUNDO EM 2013?

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Sugestão: Lucena

Desde o triunfo na guerra fria, os EUA militarizavam os conflitos. Não foi assim com Síria e Irã. Os EUA passaram da ofensiva à defensiva, a Rússia, de ator marginal, a agente central nas negociações de paz, a ponto que a Forbes, pela primeira vez, elegeu Vladimir Puttin como o homem mair forte do mundo, na frente de Obama.

2013: o que mudou de fato no mundo?

Como sempre, se acumulam uma quantidade de fatos – entre mortes, eleições, sublevações, etc. – que se destacam jornalisticamente no mundo, mas dificultam a compreensão das alterações nas relações de poder, as que efetivamente contam na evolução da situação internacional.

No emaranhado de acontecimentos, o mais importante foi a mudança de clima no cenário internacional. Desde que triunfou na guerra fria, os EUA tem tido como postura diante dos conflitos internacionais, sua militarização. Transferir para o campo em que sua superioridade é manifesta, tem sido a característica principal da ação imperial dos EUA. Foi assim no Afeganistão, no Iraque, por forças intermedias na Líbia. E se encaminhava para ser assim nos casos da Síria e do Irã.

De repente, pegando ao Secretario de Estado norteamericano, John Kerry, pela palavra, o governo russo propôs ao da Síria um acordo, que desconcertou o governo norteamericano, até que não pôde deixar de aceitar. Isto foi possível porque Obama não conseguiu criar as condições políticas para mais uma ofensiva militar dos EUA. Primeiro o Parlamento britânico negou o apoio a Washington.

Depois, foi ficando claro que nem a opinião publica, nem o Congresso noreamericano, nem os militares dos EUA, estavam a favor da ofensiva anunciada ou do tipo de ofensiva proposta.

O certo é que os EUA foram levados a aceitar a proposta russa, o que abriu as portas para outros desdobramentos, entre eles, combinado com as eleições no Irã, para a abertura de negociações políticas também com esse país por parte dos EUA. No seu conjunto, se desativava o foco mais perigoso de novos conflitos armados.

Como consequência, Israel, a Arábia Saudita, o Kuwait, ficaram isolados nas suas posições favoráveis a ações militares contra a Síria e até contra o Irã. Foi se instalando um clima de negociações, convocando-se de novo uma Conferência na segunda quizena de janeiro, em Genebra, para discutir um acordo de paz. Uma conferência que não coloca como condição a questão da saída do governo de Assad, como se fazia anteriormente.

A oposição teve que aceitar participar, mesmo nessas condições. E ainda teve a surpresa que os EUA e a Grã Bretanha suspenderam o fornecimento de apoio militar aos setores opositores considerados moderados, que foram totalmente superados pelos fundamentalistas, apoiados pela Arabia Saudita e pelo Kuwait.

Como dois pontos determinam um plano, as negociações sobre a Siria abriram campo para as negociações dos EUA com o Irã, aproveitando-se da eleição do novo presidente iraniano. Desenhou-se, em poucas semanas, um quadro totalmente diverso daquele que tinha imperado ao longo de quase todo o ano. Os EUA passaram da ofensiva à defensiva, a Rússia, de ator marginal, a agente central nas negociações de paz, a ponto que a Forbes, pela primeira vez, elegeu Vladimir Puttin como o homem mair forte do mundo, na frente de Obama. Isso se deve não ao poderio militar ou econômico da Russia, mas ao poder de iniciativa política e de negociação que o país passou a ter.

Autor: Emir Sader

Fonte: Dinâmica Global

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Conflitos Defesa Geopolítica Inteligência

Ataque dos EUA à Síria é repelido pela Rússia no Mediterrâneo

euaxrussiaSugestão: Lucena

O ataque dos EUA à Síria já começou e já acabou, segundo fonte diplomática ouvida por jornalistas em Beirute e Jerusalém. O diário israelense Haaretz, adiantou: “Tudo aconteceu no instante em que foram disparados aqueles dois mísseis balísticos, que ninguém sabia o que eram, porque Israel negava e a Rússia confirmava. A Rússia neutralizou os dois mísseis: um foi destruído em voo e o segundo foi desviado para o mar”.

Fonte diplomática bem informada decifrou a notícia ao afirmar ao diário de Beirute As-Safir, nesta sexta-feira, que “a guerra dos EUA contra a Síria começou e acabou no instante em que foram disparados aqueles dois mísseis balísticos, que ninguém sabia o que eram, porque Israel negava e a Rússia confirmava, até que surgiu uma declaração oficial dos israelenses, que dizia que teriam sido disparados no contexto de um exercício militar conjunto EUA-Israel, e que os mísseis caíram no mar e que nada tinham a ver com a crise síria.”

A fonte também informou ao diário libanês que “os EUA dispararam os dois mísseis de uma base da OTAN na Espanha. Os mísseis foram instantaneamente detectados pelos radares russos e foram repelidos pelos sistemas russos de defesa: um deles foi destruído em voo e o outro foi desviado em direção ao mar”. Nesse contexto, disse a fonte, “é que surgiu a declaração distribuída pelo Ministério de Defesa russo. A declaração falava sobre a detecção de dois mísseis balísticos disparados na direção do Oriente Médio, mas nada dizia nem sobre de onde os mísseis foram disparados os mísseis, nem que haviam sido abatidos. Por quê?”, pergunta a fonte, e ela mesmo responde:

– Porque no momento em que a operação militar estava sendo lançada, o chefe do Serviço de Inteligência da Rússia telefonou à inteligência dos EUA e disse que “atacar Damasco significa atacar Moscou. Nós omitimos na nossa declaração oficial a expressão “os dois mísseis foram derrubados”, para preservar as relações bilaterais e para impedir qualquer tipo de escalada. Assim sendo, é imperioso que os EUA reconsiderem suas políticas, abordagens, movimentos e intenções sobre a crise síria, porque os EUA já podem ter certeza de que não conseguirão eliminar nossa (dos russos) presença no Mediterrâneo.”

A mesma fonte continuou:

“Essa confrontação direta entre Moscou e Washington, que não foi divulgada, aumentou ainda mais a confusão reinante no governo Obama e a certeza de que o lado russo insistirá no alinhamento ao lado dos sírios. E, também, a evidência de que os EUA já não tinham outra saída, se não pela iniciativa dos russos, que ‘salvaria’ a imagem dos EUA.”

Desse ponto de vista, a mesma fonte diplomática explicou que “para evitar confusão ainda maior nos EUA, e depois que Israel negara saber do disparo dos dois mísseis (o que é verdade), Washington pediu que Telavive assumisse que teria disparado os mísseis, para não ferir a imagem dos EUA ante a comunidade internacional, sobretudo porque aqueles dois mísseis eram o primeiro movimento do ataque dos EUA à Síria e o anúncio do início das operações militares. O plano original previa que, depois do ataque, o presidente Obama viajaria para o encontro do G-20 na Rússia, para negociar o destino do presidente sírio Bashr Al-Assad. De fato, como depois se verificou, Obama teve de ir à Rússia para negociar o fim do impasse em que se viu preso.”

A fonte acrescentou também que “depois desse confronto EUA-Rússia, Moscou já trabalha para aumentar o número de especialistas militares, e já ampliou a presença se unidades de guerra e destróieres no Mediterrâneo. Os russos também decidiram marcar para depois do G-20 o anúncio de sua iniciativa para conter a agressão à Síria, depois de se criar um contexto de contatos às margens daquela reunião, e depois de duas visitas sucessivas dos ministros de Relações Exteriores do Irã e da Síria, nos quais se acertaram detalhes de um acordo com os russos, que incluía o anúncio, pela Síria, de que aceitava pôr suas armas químicas sob supervisão internacional e preparar a Síria para assinar o tratado de não proliferação de armas químicas.”

Aquela fonte diplomática acrescentou que “um dos primeiros resultados do confronto militar EUA-Rússia foi a rejeição, na Câmara dos Comuns britânica, de qualquer envolvimento na guerra contra a Síria. Em seguida vieram as posições europeias, todas na mesma direção, a mais significativa das quais foi a da chanceler alemã Angela Merkel”.

Caminho da paz

Frustrada a opção militar, a Rússia e os EUA concordaram nesta sexta-feira em retomar os esforços pela realização de uma conferência de paz sobre a Síria, ampliando o escopo da atual discussão voltada para a eliminação das armas químicas no país do Oriente Médio. Após uma nova reunião em Genebra para discutir o plano russo de desarmamento, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, e o chanceler russo, Sergei Lavrov, prometeram atuar conjuntamente para tentar acabar com um conflito que já dura dois anos e meio e causou mais de 100 mil mortes, além de provocar profundas divisões no Oriente Médio e entre as principais potências globais.

Uma nova reunião foi marcada para daqui a duas semanas, durante a sessão anual da Assembleia-Geral da ONU, em Nova York. Eles esperam obter avanços em Genebra na questão do desarmamento químico, para então marcar a data para uma conferência de paz.

– Estamos comprometidos em tentar trabalhar juntos, começando com esta iniciativa sobre as armas químicas, na esperança de que esses esforços possam ser recompensados e trazer a paz e a estabilidade para uma parte do mundo dilacerada pela guerra – disse Kerry numa entrevista coletiva conjunta.

O futuro dessa colaboração, acrescentou ele, “dependerá da capacidade de termos sucesso aqui nas próximas horas e dias a respeito do assunto das armas químicas”. Já Lavrov disse que a discussão sobre as armas químicas ocorrerá paralelamente ao trabalho preparatório para a conferência de paz de Genebra. A Síria aceitou nesta semana a proposta russa que coloca seu arsenal químico sob controle internacional. Em troca, o governo de Bashar al-Assad espera ser poupado de um ataque dos EUA, que desejam puni-lo pelo suposto uso de gás sarin contra civis em 21 de agosto. Assad nega ter cometido esse ataque, que matou cerca de 1.400 pessoas.

Depois de receberem a proposta russa, os EUA suspenderam os preparativos para uma ação militar, mas não dizem que essa hipótese não está afastada definitivamente.

Rússia e EUA já concordaram, meses atrás, em promover uma conferência de paz para a Síria, mas as duas potências divergem sobre quem deverá participar do evento. Moscou resiste aos apelos dos rebeldes sírios e de líderes ocidentais para que Assad dê lugar a um governo transitório.

Fonte: Correio do Brasil

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Conflitos Sugestão de Leitura

História Contemporânea: “Fiodor Dostoievski, “Diário de um Escritor”, 1877”

Ðåïðîäóêöèÿ êàðòèíû "Ïîðòðåò Ô. Ì. Äîñòîåâñêîãî"

Fiodor Dostoievski, “Diário de um Escritor”, 1877:

“A Rússia não terá inimigos maiores do que os povos eslavos”, Fiodor Dostoievski

 A Voz da Rússia publica hoje as reflexões do grande clássico da literatura russa, Fiodor Dostoievski, sobre as relações entre a Rússia e os povos eslavos vizinhos. A sua atualidade é pertinente.

 

“A Rússia nunca terá, e nunca teve ainda, inimigos tão injuriadores, tão invejosos, tão caluniadores e até tão declarados como todos esses povos eslavos, logo após a Rússia os ter libertado e de a Europa ter concordado em reconhecer a sua libertação! E não contestem, nem gritem comigo que eu exagero ou que odeio os eslavos!

Depois da libertação, eles começam a sua nova vida, repito, precisamente a pedir à Europa, Inglaterra e Alemanha, por exemplo, a garantia e a proteção da sua liberdade, e, embora no concerto das potências europeias esteja também a Rússia, eles fazem isso precisamente para se defenderem da Rússia.

Começam obrigatoriamente por dizer para consigo mesmos, ou até mesmo em voz alta, que não devem o mínimo agradecimento à Rússia. Pelo contrário, dizem que dificilmente se salvaram das ambições da Rússia.

Talvez durante um século, ou mais, eles irão tremer constantemente pela sua liberdade e temer as ambições da Rússia; eles irão procurar as boas graças dos Estados europeus, irão caluniar a Rússia, contar mexericos sobre ela e intrigar contra ela.

 frase-decididamente-nao-compreendo-por-que-e-mais-glorioso-fiodor-dostoievski-11821Será particularmente agradável para os eslavos libertados dizer e gritar ao mundo que eles são povos cultos, capazes de assimilar a mais alta cultura europeia, enquanto que a Rússia é um país bárbaro, um colosso nórdico sombrio, que nem sequer tem sangue eslavo puro, perseguidor e que odeia a civilização europeia. Claro que entre eles aparecerão, desde o início, regimes constitucionais, parlamentos, ministros responsáveis, oradores, discursos. Isso irá consolá-los e deleitá-los.

Todavia, quando chega alguma desgraça séria, eles pedem obrigatoriamente ajuda à Rússia. Eles irão de alguma forma odiar, queixar-se e caluniar-nos junto da Europa, mas sentirão sempre instintivamente (claro que quando chegar alguma desgraça, e não antes) que a Europa é o inimigo natural da sua unidade, foi e será sempre, mas se eles existem na terra, é porque existe um enorme imã: a Rússia, que, atraindo-os irreversivelmente a todos para si, mantém a sua integridade e unidade. Chegará até o momento em que eles estarão quase num estado de já concordar conscientemente que, sem a Rússia, o grande centro oriental e grande força atratora, a sua unidade ruirá num momento, será desfeita em pedaços e até a sua própria nacionalidade desaparecerá no oceano europeu, como desaparecem algumas gotas separadas de água no mar.

Claro que, hoje, se coloca a questão: qual é então o proveito da Rússia, por que é que ela lutou por eles durante 100 anos, sacrificou o seu próprio sangue, as suas forças, o seu dinheiro? Terá sido apenas para colher ingratidão e um ridículo ódio insignificante?”

Foto: RIA Novosti

Fonte: Voz da Rússia  

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Conflitos Geopolítica

Egito promete reprimir Irmandade Muçulmana “com toda a força”

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Após confrontos entre policiais e ativistas deixarem pelo menos 17 mortos, governo do país afirma que aumentará repressão a protestos. Por sua vez, partidários do ex-presidente Morsi convocam novas manifestações.

Um dia depois que confrontos entre policiais e manifestantes islâmicos provocaram a morte de pelo menos 17 pessoas, o governo egípcio prometeu neste sábado (04/01/2014) reprimir a Irmandade Muçulmana com “toda a força”. Os islamistas, por sua vez, convocaram novos protestos.

“A organização continua realizando suas atividades criminosas, apesar de ter sido classificada como grupo terrorista”, afirmou o governo, acrescentando que o Estado vai responder “com toda a força”.

Partidários do ex-presidente Mohammed Morsi, deposto por golpe militar no início de julho, protagonizaram embates violentos contra a polícia na sexta-feira, em protestos que exigiram a devolução do poder a Morsi.

De acordo com informações das autoridades locais, os protestos tanto na capital, Cairo, como em outras cidades, resultaram em 17 mortes, 62 feridos e 258 presos. Esses foram os piores tumultos no país nos últimos dois meses.

Desde a queda de Morsi, mais de mil ativistas islâmicos foram mortos e milhares foram presos no Egito. No final de dezembro, o governo de transição egípcio declarou a Irmandade Muçulmana uma “organização terrorista”, proibindo a participação do grupo em manifestações. Além disso, quem for pego com alguma publicação do grupo poderá ser punido.

“Passeata dos milhões”

A Irmandade Muçulmana convocou a “passeata dos milhões” para quarta-feira (08/01/2014), quando ocorre a próxima audiência do processo contra Morsi. O primeiro chefe de Estado democraticamente eleito do Egito está sendo julgado desde o início de novembro.

O ex-presidente é acusado, entre outros crimes, por incitação ao assassinato de sete manifestantes durante os protestos contra ele, em frente ao palácio presidencial, no Cairo, em dezembro de 2012.

O governo diz que os islamistas querem interferir no referendo sobre a nova Constituição egípcia, marcado para 14 e 15 de janeiro. Caso ela seja aprovada, novas eleições parlamentares e presidenciais deverão ser realizadas ainda no meio do ano. Os seguidores de Morsi convocaram um boicote à votação.

A sangrenta repressão dos protestos dos seguidores da Irmandade Muçulmana acarretou tensões diplomáticas entre Egito e Catar. O Ministério do Exterior egípcio convocou o embaixador do Catar no Cairo, depois que Doha criticou a violência das forças de segurança egípcias contra os manifestantes. Catar é considerado um dos maiores apoiadores da Irmandade Muçulmana.

MD/afp/dpa

Fonte: Deutsche Welle (DW)