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Conflitos Geopolítica

Acordo para evitar calote dos EUA será feito no prazo, diz Obama

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Sugestão: Gérsio Mutti

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, fez um pronunciamento rápido na noite deste domingo sobre a renegociação do aumento do teto da dívida dos Estados Unidos.

Em um período de aproximadamente cinco minutos, Obama declarou que o acordo será feito dentro do prazo (cuja expiração ocorre em 2 de agosto), e que “os líderes de ambos os partidos desejam o acordo”.

O presidente também disse que o corte de gastos do país deve ser de US$ 1 trilhão ao longo de dez anos. No total, os cortes devem extrapolar US$ 2 trilhões, em uma segunda etapa do plano ainda não detalhada. Tanto os republicanos quanto os democratas concordam com a meta, segundo o presidente.

“Não concluímos ainda. Eu quero alertar os membros de ambos os partidos para que tomem a atitude certa, e para que apoiem esse acordo”, declarou o presidente, que também classificou como “devastador” o efeito de um possível calote do país norte-americano.

Após o comunicado, Obama saiu sem falar com os jornalistas.

O Senado deve votar a proposta já na manhã de segunda-feira, segundo informou a Reuters.

Os mercados reagiram bem à declaração do presidente dos Estados Unidos: a bolsa japonesa teve ganho de 1,6%, enquanto o euro teve crescimento sobre o dólar e o iene, segundo o “The Wall Street Journal”.

Antes, o líder democrata Harry Reid declarou que a negociação com o presidente Barack Obama e com os republicanos para aumento do teto já chegara à conclusão. Agora, segundo informou o gabinete de Reid às emissoras NBC e CNN, o acordo dependeria apenas de ratificação dos parlamentares do Partido Democrata.

NOVELA

O aumento do teto da dívida deve acontecer a fim de evitar que o país entre em default (suspensão de pagamentos), ao atingir o limite de seu endividamento na terça-feira.

Também hoje, o Senado americano travou a tentativa do líder democrata, Harry Reid, de colocar sua nova proposta sobre o aumento do teto da dívida dos Estados Unidos em votação para evitar que o país entre em default (suspensão de pagamentos), ao atingir o limite de seu endividamento na terça-feira.

Com o resultado de 50 votos a 49, o plano do senador Harry Reid não conseguiu a maioria necessária (60 votos) para avançar.

Com a votação emperrada, as negociações sobre o assunto continuam hoje. A sessão, que estava prevista anteriormente para a 1h de hoje no horário local, havia sido adiada 12 horas dar mais tempo às conversas dos democratas com os republicanos sobre um acordo bipartidário.

Mesmo que a proposta passe no Senado, ela ainda precisará ser votada na Câmara de Representantes, onde a oposição republicana possui a maioria das cadeiras.

O líder republicano, Mitch McConnell, disse mais cedo que os negociadores do deficit estavam perto de um acordo de US$ 3 trilhões em cortes de gastos e que o plano incluiria um aumento de US$ 2,4 trilhões no limite do endividamento dos Estados Unidos –atualmente em US$ 14,3 trilhões. O novo valor seria suficiente para o governo arcar com suas obrigações até 2012.

Na sexta-feira, os senadores recusaram o plano republicano sobre o tema, que havia sido aprovado cerca de duas horas mais cedo pela Câmara de Representantes. A proposta, apresentada pelo presidente da Câmara, o republicano John Boehner, buscava elevar o teto da dívida americana em duas etapas.

Sem o aumento do teto da dívida até 2 de agosto, os americanos podem enfrentar elevação da taxa de juros e a queda do dólar. Com o aumento do custo das taxas de empréstimo, hipotecas e empréstimos estudantis ficam mais caros e o efeito é sentido por grande parcela da população.

As controvérsias, entretanto, prosseguiram no começo da noite. Democratas da Câmara de Representantes (deputados) dos Estados Unidos podem se opor ao acordo de teto da dívida, cuja finalização foi anunciada hoje pelo senador Harry Reid, também democrata. A declaração foi dada pela líder do partido na Câmara, Nancy Pelosi.

“Nós podemos não apoiar isso”, declarou a deputada a repórteres nos Estados Unidos.

TRÂMITE

Veja como, possivelmente, o aumento do teto se desenrolará no Parlamento:

– Assim que for alcançado um acordo sobre o limite do endividamento do país, o líder da maioria no Senado, Harry Reid, buscará o apoio unânime para incorporar ao acordo condições impostas ao plano.

– Se nenhum dos senadores fizer objeções, o Senado endossaria rapidamente a proposta revisada e a enviaria à Câmara dos Deputados, para votação.

– Normalmente, a Câmara leva três dias entre a introdução de um projeto e sua aprovação final, mas essa regra foi deixada de lado e a votação poderá ser realizada horas depois de o Senado dar seu aval.

– Assim que a Câmara aprovar a medida, a legislação sobre aumento do teto do endividamento do país será enviada para sanção do presidente Barack Obama.

– Num outro cenário, se apenas um senador impuser objeções, Reid convocaria uma votação sobre procedimentos para a matéria a 1h da terça-feira (2h da madrugada em Brasília) para que o projeto possa seguir adiante. Essa votação poderá ser realizada mais cedo, se nenhum senador se opuser.

– Se o projeto obtiver os 60 votos necessários para seguir adiante, uma votação final ocorreria às 7h de quarta-feira (8h em Brasília). Esse cronograma também poderá ser antecipado, se não houver objeções.

– Depois disso, o projeto aprovado iria para a Câmara e, em seguida, para a sanção de Obama.

Fonte: Folha

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Defesa Fotos do Dia Sistemas de Armas

FAB recebe avião de patrulha modernizado

Sugestão: Gérsio Mutti
Roberto Godoy – O Estado de S.Paulo

O Comando da Aeronáutica recebe na Espanha, ao longo desta semana, o primeiro avião de patrulha marítima P-3AM modernizado. O grupo de técnicos e pilotos da Força Aérea Brasileira (FAB) trabalha na Airbus Military, integrante do grupo EADS, contratada para revitalizar 9 aeronaves de um lote de 12. A empresa europeia fornece o novo sistema eletrônico, digital.

O valor do programa é estimado em US$ 500 milhões, cerca de R$ 1,3 bilhão pela cotação média do dólar em abril de 2005, quando o financiamento foi formalizado.


O pacote total envolve 12 aeronaves. Nove serão operacionais e as outras três, utilizadas como reservas de peças e componentes. Há uma boa razão para isso. Os P-3 foram fabricados pela americana Lockheed entre os anos de 1964 e 1965. Há uma certa dificuldade em obter material de reposição.

Os aviões vão ficar em Salvador, operados pelo 1.º/7.º Grupo de Aviação – Esquadrão Orungan. Os especialistas em aviação de patrulha da FAB poderão levar a observação oceânica até o limite da África, expandindo consideravelmente a capacidade de busca e resgate.

A Força considera a possibilidade de submeter a um programa de atualização tecnológica a frota de 20 bimotores P-95A/B, o Bandeirulha, versão de vigilância do mar montada sobre o velho Bandeirante, primeiro modelo produzido pela Embraer, em São José dos Campos.

A FAB comprou 22 unidades do tipo em dois lotes. Com 2,7 mil km de raio de ação e radares que, embora eficientes, não apresentam bom desempenho fora das missões de observação, o P-95A/B pode ser habilitado para cumprir tarefas específicas suplementares de inteligência e de coleta de informações.

Fonte: Estadão

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Fotos do Dia Negócios e serviços Tecnologia

Embraer planeja nova família de aeronaves de grande porte

Fabricante define até o fim do ano se estende o jato 195 ou desenvolve nova plataforma para ampliar opções aos clientes

Por Chico Pereira

A Embraer,  decide até o final do ano a estratégia futura que pretende adotar para o mercado de aviação comercial.

A empresa analisa as hipóteses de desenvolver um novo avião para disputar o segmento adjacente ao do jato 195, ou o alongamento desse modelo, o maior fabricado pela fabricante, que tem capacidade para 122 assentos.

A companhia consulta a sua base de clientes para tomar uma decisão.

“A Embraer estuda se ingressará ou não num segmento adjacente ao de seu jato 195. Nesse caso, poderia alongar o 195 –com modificações de motor e asa, entre outros componentes– ou partir para o desenvolvimento de uma nova plataforma”, afirmou ontem o diretor-presidente da fabricante, Frederico Fleury Curado, em teleconferência, ao comentar os resultados financeiros do segundo trimestre.

O executivo ressaltou que a Embraer acompanha a movimentação de outras fabricantes que atuam no segmento e anunciaram que vão colocar novos modelos no mercado.

Concorrência

A norte-americana Boeing anunciou que planeja colocar um novo motor no modelo 737, que permitirá maior economia de combustível, como forma de assegurar uma encomenda de 200 unidades para a American Airlines.

A europeia Airbus anunciou seu novo modelo, o A320neo, avião com novo motor baseado no A320.

Também a canadense Bombardier, concorrente direta da Embraer no mercado de aviões regionais, está desenvolvendo a família de jatos CSeries, de 100 a 149 assentos.

Custos

Segundo Curado, a opção pelo alongamento do jato 195 exigiria menos investimentos, pois aproveitaria a plataforma do jato, ao contrário da opção pelo desenvolvimento de um novo modelo.

“É evidente que quando se parte para um avião novo você tem muito mais flexibilidade de tamanho e pode incorporar aquilo que você quer. A contrapartida disso é que o investimento é muito maior”, afirmou o dirigente da Embraer.

Curado destacou que eventuais mudanças de rumo não significam que a companhia irá deixar de atuar no segmento de aeronaves de 70 a 120 assentos, em que é líder mundial.

“Temos uma base de 60 clientes. Essa base será protegida. A decisão será em consistência e em benefício dos nossos clientes atuais”, disse.

Segundo ele, a família de E-Jets da Embraer tem potencial de mercado para os próximos 30 a 40 anos.

Balanço

Sobre os resultados financeiros da companhia no segundo trimestre, Curado destacou que a revisão para cima da projeção da receita em dólares resultará principalmente dos segmentos da aviação comercial e de defesa.

A empresa projeta uma receita de US$ 5,8 bilhões, ante US$ 5,6 bilhões iniciais.
A fabricante fechou o segundo trimestre com um lucro líquido de R$ 153,8 milhões, com aumento de 51,2% em relação ao mesmo trimestre do ano passado. Foram entregues 48 aviões no período.

Fábrica chinesa inicia produção de modelos executivos em 2013

As negociações da Embraer com a China para a fabricante brasileira produzir jatos executivos no país devem ser concluídas em três meses.

A expectativa da empresa é chegar a um bom entendimento com o governo e parceiros chineses para formalizar o contrato do acordo que possibilitará à indústria dar continuidade aos planos de permanecer em território chinês.

O diretor-presidente da Embraer, Frederico Fleury Curado, disse ontem que, se tudo correr de acordo com os planos da empresa, os primeiros jatos executivos começarão a ser produzidos em 2013.

A fabricante pretende produzir modelos da família Legacy. Os modelos que poderão ser fabricados para o mercado chinês são o Legacy 600 e o Legacy 650.

“Foi assinado um memorando de entendimentos com a China. Agora estamos na fase de negociações”, afirmou.

A Embraer acertou em abril a continuidade de sua fábrica na cidade chinesa de Harbin, com a adaptação da unidade para montagem dos jatos executivos Legacy.

Fonte: O Vale

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Espaço Tecnologia

China quer lançar miniestação espacial até o fim deste ano

http://2.bp.blogspot.com/_xBJLaUGunHk/S7FbI6ZbTtI/AAAAAAAADMo/JT2IvTXA8Hc/s1600/23.jpgPor GIULIANA MIRANDA

Enquanto as superpotências espaciais -Estados Unidos e Rússia- e boa parte dos países ricos uniram esforços para criar a ISS (Estação Espacial Internacional), a China vai na contramão. O país está decidido a ter um cantinho só seu em órbita.

O objetivo é ter uma estação espacial completa por volta de 2022. Enquanto isso, no entanto, o país deverá lançar cápsulas menores para testar os sistemas e as tecnologias que serão utilizadas.

O primeiro passo do projeto bilionário -mas sem cifras confirmadas oficialmente por Pequim- é o lançamento de um módulo científico até o fim deste ano.

http://www.dailygalaxy.com/.a/6a00d8341bf7f753ef014e8a1d4a1b970d-800wiBatizado de Tiangong-1, (“Palácio Celestial”, em chinês), ele funcionará como uma miniestação espacial e passará dois anos em órbita.

Com cerca de 8,5 toneladas, o módulo deverá ser visitado inicialmente pela nave não tripulada Shenzhou-8. A acoplagem será a primeira feita em órbita pela China.

No ano que vem, uma nave levando três taikonautas (como são chamados os astronautas do país) também deve se acoplar ao módulo, que conta com um pequeno laboratório de experimentos.

Até 2015, outros dois módulos muito parecidos deverão ser lançados. O último deles, Tiangong-3, terá capacidade para abrigar três taikonautas por até 40 dias.

PRÓXIMO PASSO

Após os módulos Tiangong, a China espera lançar entre 2020 e 2022 sua estação espacial completa.

De acordo com a Xinhua, a agência de notícias estatal chinesa, a nave será composta de um módulo principal e de dois anexos, projetados para receber diferentes tipos de experimentos científicos.

No entanto, mesmo com três módulos e aproximadamente 60 toneladas, a nova estação será uma nanica perto da ISS, de 471 toneladas. Até a já aposentada estação russa Mir era maior do que o projeto chinês, com suas 130 toneladas.

Em um simpósio na França, em março, Jiang Guohua, engenheiro-chefe do Centro de Pesquisa e Treinamento em Astronáutica de Pequim, destacou que o China não pretende se isolar em seu cantinho no espaço.

“Nós vamos manter a política de nos abrirmos para o mundo”, disse ele.

Muita gente, no entanto, duvida que isso vá acontecer. A começar por uma questão básica: o sistema de acoplamento da futura estação.

Embora Jiang tenha afirmado que o projeto seguirá o modelo padrão da ISS, outras autoridades já sinalizam o contrário. A realidade estaria mais próxima de um sistema fechado chinês, uma espécie de Macintosh do espaço.

A principal declaração foi de Yang Liwei, que em 2003 se tornou o primeiro chinês no espaço e atualmente é o vice-diretor do programa tripulado do país.

Em uma audiência transmitida pela internet, ele afirmou que problemas técnicos “estão dificultando a adoção do sistema de acoplamento padrão da ISS”.

Representantes da Nasa já elogiaram publicamente o programa espacial chinês. Mas, questionada pela reportagem sobre o envio de astronautas para a futura estação, a agência espacial americana não se manifestou.

Fonte: Folha de S.Paulo

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Conflitos Geopolítica

Paul Krugman: “Podemos estar perto de reviver a crise de 1930”

Paul Krugman

25/07/2011

Esta é uma época interessante, e digo isso no pior sentido da palavra. Agora mesmo estamos vivendo, não uma, mas duas crises iminentes, cada uma delas capaz de provocar um desastre mundial. Nos EUA, os fanáticos de direita do Congresso podem bloquear um necessário aumento do teto da dívida, o que possivelmente provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais. Enquanto isso, se o plano que os chefes de Estado europeus acabam de pactuar não conseguir acalmar os mercados, poderemos ter um efeito dominó por todo o sul da Europa, o que também provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais.

Somente podemos esperar que os políticos em Washington e Bruxelas consigam driblar essas ameaças. Mas há um problema: ainda que consigamos evitar uma catástrofe imediata, os acordos que vêm sendo firmados dos dois lados do Atlântico vão piorar a crise econômica com quase toda certeza.

De fato, os responsáveis políticos parecem decididos a perpetuar o que está sendo chamado de Depressão Menor, o prolongado período de desemprego elevado que começou com a Grande Recessão de 2007-2009 e que continua até o dia de hoje, mais de dois anos depois de que a recessão, supostamente, chegou ao fim.

Falemos um momento sobre por que nossas economias estão (ainda) tão deprimidas. A grande bolha imobiliária da década passada, que foi um fenômeno tanto estadunidense quanto europeu, esteve acompanhada por um enorme aumento da dívida familiar. Quando a bolha estourou, a construção de residências desabou, assim como o gasto dos consumidores na medida em que as famílias sobrecarregadas de dívidas faziam cortes.

Ainda assim, tudo poderia ter ido bem se outros importantes atores econômicos tivessem aumentado seu gasto e preenchido o buraco deixado pela crise imobiliária e pelo retrocesso no consumo. Mas ninguém fez isso. As empresas que dispõem de capital não viram motivos para investi-lo em um momento no qual a demanda dos consumidores estava em queda.

Os governos tampouco fizeram muito para ajudar. Alguns deles – os dos países mais débeis da Europa e os governos estaduais e locais dos EUA – viram-se obrigados a cortar drasticamente os gastos diante da queda da receita. E os comedidos esforços dos governos mais fortes – incluindo aí o plano de estímulo de Obama – apenas conseguiram, no melhor dos casos, compensar essa austeridade forçada.

De modo que temos hoje economias deprimidas. O que propõem fazer a respeito os responsáveis políticos? Menos que nada. A desaparição do desemprego da retórica política da elite e sua substituição pelo pânico do déficit tem verdadeiramente chamado a atenção. Não é uma resposta à opinião pública. Em uma sondagem recente da CBS News/The New York Times, 53% dos cidadãos mencionava a economia e o emprego como os problemas mais importantes que enfrentamos, enquanto que somente 7% mencionava o déficit. Tampouco é uma resposta à pressão do mercado. As taxas de juro da dívida dos EUA seguem perto de seus mínimos históricos.

Mas as conversações em Washington e Bruxelas só tratam de corte de gastos públicos (e talvez de alta de impostos, ou seja, revisões). Isso é claramente certo no caso das diversas propostas que estão sendo cogitadas para resolver a crise do teto da dívida nos EUA. Mas é basicamente igual ao que ocorre na Europa.

Na quinta-feira, os “chefes de Estado e de Governo da zona euro e as instituições da UE” – esta expressão, por si só, dá uma ideia da confusão que se tornou o sistema de governo europeu – publicaram sua grande declaração. Não era tranquilizadora. Para começar, é difícil acreditar que a complexa engenharia financeira que a declaração propõe possa realmente resolver a crise grega, para não falar da crise europeia em geral.

Mas mesmo que pudesse, o que ocorreria depois? A declaração pede drásticas reduções do déficit “em todos os países salvo naqueles com um programa” que deve entrar em vigor “antes de 2013 o mais tardar”. Dado que esses países “com um programa” se veem obrigados a observar uma estrita austeridade fiscal, isso equivale a um plano para que toda a Europa reduza drasticamente o gasto ao mesmo tempo. E não há nada nos dados europeus que indique que o setor privado esteja disposto a carregar o piano em menos de dois anos.

Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, isso é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que tornou grande a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o impulso que a economia precisava.

Mencionei que o Banco Central Europeu – ainda que, felizmente, não a Federal Reserve – parece decidido a piorar ainda mais as coisas aumentando as taxas de juros?

Há uma antiga expressão, atribuída a diferentes pessoas, que sempre me vem à mente quando observo a política pública: “Você não sabe, meu filho, com que pouca sabedoria se governa o mundo”. Agora, essa falta de sabedoria se apresenta plenamente, quando as elites políticas de ambos os lados do Atlântico arruínam a resposta ao trauma econômico fechando os olhos para as lições da história. E a Depressão Menor continua.

Tradução: Katarina Peixoto

(*) Paul Krugman é professor de Economía em Princeton e Prêmio Nobel 2008.

Fonte: Sinpermiso, via Carta Maior

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Conflitos Geopolítica

Paul Krugman: "Podemos estar perto de reviver a crise de 1930"

Paul Krugman

25/07/2011

Esta é uma época interessante, e digo isso no pior sentido da palavra. Agora mesmo estamos vivendo, não uma, mas duas crises iminentes, cada uma delas capaz de provocar um desastre mundial. Nos EUA, os fanáticos de direita do Congresso podem bloquear um necessário aumento do teto da dívida, o que possivelmente provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais. Enquanto isso, se o plano que os chefes de Estado europeus acabam de pactuar não conseguir acalmar os mercados, poderemos ter um efeito dominó por todo o sul da Europa, o que também provocaria estragos nos mercados financeiros mundiais.

Somente podemos esperar que os políticos em Washington e Bruxelas consigam driblar essas ameaças. Mas há um problema: ainda que consigamos evitar uma catástrofe imediata, os acordos que vêm sendo firmados dos dois lados do Atlântico vão piorar a crise econômica com quase toda certeza.

De fato, os responsáveis políticos parecem decididos a perpetuar o que está sendo chamado de Depressão Menor, o prolongado período de desemprego elevado que começou com a Grande Recessão de 2007-2009 e que continua até o dia de hoje, mais de dois anos depois de que a recessão, supostamente, chegou ao fim.

Falemos um momento sobre por que nossas economias estão (ainda) tão deprimidas. A grande bolha imobiliária da década passada, que foi um fenômeno tanto estadunidense quanto europeu, esteve acompanhada por um enorme aumento da dívida familiar. Quando a bolha estourou, a construção de residências desabou, assim como o gasto dos consumidores na medida em que as famílias sobrecarregadas de dívidas faziam cortes.

Ainda assim, tudo poderia ter ido bem se outros importantes atores econômicos tivessem aumentado seu gasto e preenchido o buraco deixado pela crise imobiliária e pelo retrocesso no consumo. Mas ninguém fez isso. As empresas que dispõem de capital não viram motivos para investi-lo em um momento no qual a demanda dos consumidores estava em queda.

Os governos tampouco fizeram muito para ajudar. Alguns deles – os dos países mais débeis da Europa e os governos estaduais e locais dos EUA – viram-se obrigados a cortar drasticamente os gastos diante da queda da receita. E os comedidos esforços dos governos mais fortes – incluindo aí o plano de estímulo de Obama – apenas conseguiram, no melhor dos casos, compensar essa austeridade forçada.

De modo que temos hoje economias deprimidas. O que propõem fazer a respeito os responsáveis políticos? Menos que nada. A desaparição do desemprego da retórica política da elite e sua substituição pelo pânico do déficit tem verdadeiramente chamado a atenção. Não é uma resposta à opinião pública. Em uma sondagem recente da CBS News/The New York Times, 53% dos cidadãos mencionava a economia e o emprego como os problemas mais importantes que enfrentamos, enquanto que somente 7% mencionava o déficit. Tampouco é uma resposta à pressão do mercado. As taxas de juro da dívida dos EUA seguem perto de seus mínimos históricos.

Mas as conversações em Washington e Bruxelas só tratam de corte de gastos públicos (e talvez de alta de impostos, ou seja, revisões). Isso é claramente certo no caso das diversas propostas que estão sendo cogitadas para resolver a crise do teto da dívida nos EUA. Mas é basicamente igual ao que ocorre na Europa.

Na quinta-feira, os “chefes de Estado e de Governo da zona euro e as instituições da UE” – esta expressão, por si só, dá uma ideia da confusão que se tornou o sistema de governo europeu – publicaram sua grande declaração. Não era tranquilizadora. Para começar, é difícil acreditar que a complexa engenharia financeira que a declaração propõe possa realmente resolver a crise grega, para não falar da crise europeia em geral.

Mas mesmo que pudesse, o que ocorreria depois? A declaração pede drásticas reduções do déficit “em todos os países salvo naqueles com um programa” que deve entrar em vigor “antes de 2013 o mais tardar”. Dado que esses países “com um programa” se veem obrigados a observar uma estrita austeridade fiscal, isso equivale a um plano para que toda a Europa reduza drasticamente o gasto ao mesmo tempo. E não há nada nos dados europeus que indique que o setor privado esteja disposto a carregar o piano em menos de dois anos.

Para aqueles que conhecem a história da década de 1930, isso é muito familiar. Se alguma das atuais negociações sobre a dívida fracassar, poderemos estar perto de reviver 1931, a bancarrota bancária mundial que tornou grande a Grande Depressão. Mas se as negociações tiverem êxito, estaremos prontos para repetir o grande erro de 1937: a volta prematura à contração fiscal que terminou com a recuperação econômica e garantiu que a depressão se prolongasse até que a II Guerra Mundial finalmente proporcionasse o impulso que a economia precisava.

Mencionei que o Banco Central Europeu – ainda que, felizmente, não a Federal Reserve – parece decidido a piorar ainda mais as coisas aumentando as taxas de juros?

Há uma antiga expressão, atribuída a diferentes pessoas, que sempre me vem à mente quando observo a política pública: “Você não sabe, meu filho, com que pouca sabedoria se governa o mundo”. Agora, essa falta de sabedoria se apresenta plenamente, quando as elites políticas de ambos os lados do Atlântico arruínam a resposta ao trauma econômico fechando os olhos para as lições da história. E a Depressão Menor continua.

Tradução: Katarina Peixoto

(*) Paul Krugman é professor de Economía em Princeton e Prêmio Nobel 2008.

Fonte: Sinpermiso, via Carta Maior

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Geopolítica Opinião

A descoberta do mundo

http://chocolatesemcacau.files.wordpress.com/2010/11/l_o_pensador.jpgPor NELSON DE SÁ

O Brasil carece de uma rede vibrante de “think tanks”, os centros de pensamento que subsidiam e ajudam a direcionar a política externa nos EUA, na Europa ou na China. Os mais reconhecidos por aqui, Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), FGV (Fundação Getúlio Vargas) e Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais), intervêm com timidez no debate público e na mídia –em geral, por meio de opiniões individuais de seus integrantes, não por diagnósticos institucionais.

As ferramentas de comunicação dos laboratórios de ideias nacionais são rudimentares. Além disso, eles têm pouca ressonância no governo, ao contrário do que se observa, por exemplo, na China.

O ex-chanceler Celso Amorim diz que não há “influência diretamente perceptível dos nossos embrionários ‘think tanks'” na política externa. Relata ter “recorrido incidentalmente ao Ipea”, em negociações comerciais, e “mantido conversas com a FGV, que tem potencial para funcionar como um laboratório de idéias”. Nota que tem ªdificuldade até para encontrar uma tradução adequada para a expressão ‘think tank'”.

Matias Spektor, ex-pesquisador do Council on Foreign Relations (CFR), o mais influente dos EUA, e hoje coordenador do Centro de Relações Internacionais da FGV, no Rio, faz coro. “A caracterização ‘think tank’ ainda é muito incipiente no Brasil.” Ele elogia o Ipea, que “é do governo, mas faz pesquisa de interesse público e promove o debate”, mas cobra mais. “Há poucos ‘think tanks’. Isso precisa mudar. Aquilo que acontece no mundo afeta o Brasil cada vez mais, e vice-versa.”

TRADIÇÃO ENDOGENISTA

Marcio Pochmann, presidente do Ipea, frisa que o instituto criou há três anos uma divisão de relações internacionais e ampliou seus quadros. Segundo ele, o país “tem tradição muito endogenista e só agora começa a mudar”.

Não só o Brasil, aliás. Nas últimas décadas, “FMI e Banco Mundial orientavam [a política externa], mas agora há uma disputa de conhecimento”, diz Pochmann, citando os encontros de “think tanks” dos Brics realizados nos últimos dois anos, em Pequim e Brasília, nos quais o Ipea representou o Brasil.

O ex-chanceler Luiz Felipe Lampreia, que criou e ainda é a voz mais influente do Cebri, diz que “só com o tempo” os “think tanks” brasileiros terão o peso dos congêneres dos EUA e outros países. Ele lembra que o CFR, por exemplo, foi criado pela “elite da costa leste, preocupada com o papel dos EUA depois da Primeira Guerra”, quando o país despontou como grande potência.

O ex-ministro do Desenvolvimento Sergio Amaral, criador e diretor do Centro de Estudos Americanos na Faap (Fundação Armando Alvares Penteado), em São Paulo, acrescenta que a “demanda por uma informação mais ampla e de melhor qualidade sobre a questão internacional começa a surgir agora”.
Amaral lembra o chiste com que abria palestras como embaixador no exterior: “Vocês certamente sabem que o Brasil foi descoberto em 1500, mas talvez não saibam que ele só descobriu que o mundo existe faz uns dez anos”.

COMUNICAÇÃO

Há, no entanto, quem adote tom menos otimista. David Fleischer, professor de relações internacionais na Universidade de Brasília (UnB), ressalta que “os nossos ‘think tanks’ não cresceram o necessário, acompanhando o tamanho do Brasil”. Para ele, “o Itamaraty age praticamente no vazio” e mostra até “resistência”; de seu lado, as vozes do país no campo das relações internacionais são “individuais, não institucionais”.

Fleischer cobra, em especial, estratégias de comunicação que permitam participação cotidiana no debate de política externa. Lembra que, em Washington, “think tanks” como o Inter-American Dialogue produzem “análises diárias” que abastecem a imprensa.

Os centros de pensamento reconhecem o problema. Lampreia diz que o Cebri está “estudando ativamente” modelos americanos. “Na política de comunicação deles, blog e sites são fortes. Nós aqui quase não temos conteúdo próprio. Temos eventos.”

Spektor também relata um “debate muito intenso” na FGV, opondo uma corrente defensora da manutenção do foco em “pesquisa, não blog” a outra que pleiteia mais atenção à comunicação. Ele cita o modelo do CFR, que “tem um jornalista com grande traquejo de política internacional cujo trabalho é provocar os especialistas –acadêmicos que não escrevem necessariamente num estilo jornalístico– a produzir análises curtas que ele edita”.

Pochmann anuncia que o Ipea, que já lançou uma publicação, “Tempos do Mundo”, está em fase de remodelação, com um “novo plano de comunicação”. Mas a menina dos olhos atual é o “investimento em tecnologia”.

FINANCIAMENTO

Outro nó é o financiamento das atividades dos laboratórios brasileiros de ideias, hoje realizado em bases heterogêneas. Amorim indica que “o grande problema dos ‘think tanks’ –salvo aqueles que se querem claramente partidários ou de apoio a governos± é o de assegurar um mínimo de independência”.

Dono da maior estrutura, o Ipea é estatal e está ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, o que ajuda a entender a expansão recente.
Embora vinculado à PUC-RJ, também o recém-criado Centro de Estudos e Pesquisas dos Brics tem sustentação estatal (da Prefeitura do Rio). Já o Cebri recebia recursos federais quando foi criado, em 1998, e, “de repente, o governo do PT cortou”, diz Lampreia. Hoje, “é mais ou menos autossuficiente”, com apoio de empresas privadas.

A FGV e os centros de universidades têm o suporte de seus braços educacionais, além de acesso a linhas de financiamento nacionais, a saber, CNPq, Capes e Finep, e internacionais, como Carnegie e British Academy.

CURSOS

É na academia que se origina boa parte do entusiasmo com as perspectivas para os “think tanks” no Brasil. O interesse ficou claro no terceiro encontro da Associação Brasileira de Relações Internacionais, há duas semanas, na USP. “A associação viu um crescimento muito expressivo no número de filiados”, diz Spektor. “A gente fica muito esperançoso com a área. Houve um aumento exponencial no número de cursos de graduação e de pós-graduação.”

A procura pelos cursos de relações internacionais é hoje “muito maior”, atesta Lampreia. “Na década de 1970, havia um. Hoje, são 115. Já encontrei estudante de relações internacionais em Roraima, no Acre e nos lugares em que você menos suspeitaria.”

Amaral, que foi professor na UnB nos anos 80 e 90, relata que, “naquela época, a grande preocupação era se os alunos iriam encontrar mercado de trabalho”. Já hoje os encontros estudantis reúnem “2.500, 3.000 pessoas”. Em contraste, anota, “estamos engatinhando nos ‘think tanks'”.

Celso Amorim contemporiza, chamando atenção para “certa movimentação em torno de temas como Brics e China” nos laboratórios de ideias –o que, ele sugere, configura “um começo”.

Fonte: Folha de S.Paulo

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O RETORNO À TRIBO

http://static.euronews.net/images_news/img_606X341_2507-norway-attack-mourning.jpgLi, com pavor, o documento “A European Declaration of Independence – 2083”, assinado por Anders Behring Brejvik, o exterminador de adolescentes de Oslo. O texto, em seu todo, é incongruente, repetitivo e capenga. Mas em seu início, revela bom conhecimento histórico – sempre distorcido, é certo – e a leitura fundamental da filosofia política, sobretudo dos autores marxistas, com predileção pela Escola de Frankfurt, a que ele atribui a difusão do “marxismo cultural”. É difícil acreditar que Brejvik, aos 32 anos, dedicados, em sua maior parte à caçada, ao fisioculturismo e aos jogos eletrônicos, seja portador do conhecimento ali exposto.

Não parece provável que ele tenha sido o único redator do documento, a não ser nas instruções para a preparação de explosivos, a partir de substâncias fertilizantes, e para o uso de armas. Trata-se, pelo que se deduz, de um documento coletivo ou, pelo menos, redigido com a participação de algum teórico do racismo de extrema-direita. No conjunto, no entanto, o texto faz lembrar outros documentos dos nazistas e fascistas – como é o caso de Mein Kampf. Ele, equivocadamente, nomeia Lukacs entre os fundadores da Escola de Frankfurt. O pensador húngaro é autor de extraordinário ensaio sobre a insânia do nazismo, “Die Zerstörung der Vernunft” (A destruição da razão), publicado em 1954. Cita Erich Fromm, Horkheimer, Adorno e Marcuse, entre outros. O provável co-autor do texto deve ter lido as obras marxistas que cita.

Como todos os documentos dessa natureza, redigidos a partir de uma visão maniqueísta do mundo, o manifesto de Brejvik é capaz de apodrecer a razão de muitas pessoas, desprovidas dos postulados básicos do Humanismo. Daí o terrível paradoxo em ele se identificar como “fundamentalista cristão”. O cristianismo é o contrário do que ele prega. A mensagem do racismo é simples, e pode perverter os desavisados e, assim, a lógica histórica: todos os que são diferentes não pertencem à minha mesma natureza, logo, são inimigos que devo eliminar. O segundo momento do racismo, que tem raízes na pré-história, é o da ocupação de espaço. A idéia do “espaço vital”, como revelam os livros elementares de antropologia, vem da disputa do território de caça pelas tribos primitivas. O “espaço europeu”, na visão desses racistas herdeiros da confusão mental de Gobineau e outros, está invadido pelo Islã. Essa migração, como qualquer pessoa bem informada disso sabe, resulta não de um projeto de conquista – como poderia ter sido a dos muçulmanos que invadiram militarmente a Europa no século 8 – mas da exploração impiedosa pelos países europeus (e, mais recentemente, pelos Estados Unidos) dos recursos do Oriente Médio. Essa ânsia de saqueio do petróleo – e outros recursos – promoveu as guerras brutais contra os povos daquela região. É natural que busquem onde possam sobreviver.

O assassino de Oslo cita várias vezes o Brasil como exemplo do caos da miscigenação. Atribui, a essa promiscuidade “racial”, as desigualdades e a corrupção. Ele pode citar o seu próprio país como exemplo de coesão nacional e alguma igualdade social (da qual, como se sabe, estão excluídos os imigrantes), mas se esquece de que uma nação de grandes recursos naturais, de menos de cinco milhões de habitantes, equivalente a uma das capitais brasileiras, é quase tão fácil de governar como o rico Principado de Mônaco. E, ao contrário do que insinua o texto, não são os mestiços, pobres em sua maioria, os principais corruptos, mas, sim, a elite branca, que descende dos colonizadores europeus.

É um erro considerar o massacre de Oslo como ato isolado de um psicopata. A psicopatia de homens como Brejvik tem origem na patologia da injustiça da civilização contemporânea. Como apontou Melanie Philipps, do Daily Mall, “Brejvik talvez seja um psicopata desequilibrado, mas o que emerge agora de seu ato atroz é o delírio de uma cultura ocidental que perdeu a sua razão”.

Outra opinião importante, essa de um sociólogo norueguês, que se dedica ao estudo dos problemas da guerra e da paz, Johan Gulgag, é a de que “é fácil “psiquiatrizar” o ato de Brejvik, e não ver a gravidade das idéias” que devem ser combatidas agora e em todos os paises da Europa, antes que seja tarde.

A democracia não pode ser tolerante com os que proclamam o genocídio como ato político, e o assassinato em massa como virtude. Hitler não enganou ninguém. Quando havia ainda tempo de fechar-lhe o caminho, paises como a Grã Bretanha e da França foram cúmplices tolerantes da anexação da Áustria e dos Sudetos. Essa atitude promoveu a ereção dos fornos crematórios de Auschwitz e a morte, em combate e no massacre à população civil, de cerca de 50 milhões de seres humanos.

Como alguém lembrou, os muçulmanos de hoje são os judeus, os ciganos, os eslavos e os comunistas de ontem. E os judeus de Tel Aviv não são mais os que resistiram ao assalto ao Gueto de Varsóvia.

Fonte: MauroSantayana

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Espaço Tecnologia

Dupla planeja missão a Marte

http://michigantoday.umich.edu/2009/04/renno.jpgVale ‘exporta’ cientistas para a nasa

Por Filipe Manoukian
Duas das ‘cabeças’ responsáveis pela terceira expedição da Nasa (agência espacial norte-americana) a Marte são brasileiras e com ligações no Vale do Paraíba.

Nilton Renno, de São José, é um dos cientistas que vai controlar a Curiosity (nave que será enviada a Marte) para procurar vida no planeta vermelho.

Renno cresceu em São José, estudou engenharia na Unicamp, fez mestrado no Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e saiu do país em 1986 para fazer doutorado no MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos.

Nascido em Guaratinguetá, Ramon Perez de Paula é executivo da Nasa. O monitoramentos das missões espaciais e possíveis resolução dos problemas passam por seu crivo.

Lançamento. O lançamento do Curiosity está previsto para o fim deste ano e sua chegada ao planeta deve ocorrer por volta de agosto de 2012.

“Ela vai aterrissar num local que tem material argiloso, portanto, que teve muita água liquida no passado distante. É um local com bom potencial para se encontrar material orgânico, se a vida um dia se desenvolveu em Marte. A expectativa dos cientistas é grande”, afirmou Renno.

“As descobertas das missões poderão ajudar a humanidade a proteger a Terra e a entender melhor a historia do universo e nossa origem”, disse Ramon de Paula.

Fonte: OVale

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Defesa Fotos do Dia Infográfico INFOPLANO

Infográfico Plano Brasil: Vulcan Phalanx-MK 15 1A/1B

Vulcan Phalanx

O Plano Brasil apresenta aos seus leitores mais uma novidade, os infográficos Plano Brasil que estarão disponíveis para download em formato PDF, para acessar ao Infográfico basta clicar na imagem ou mesmo pelo link que sergue.

O leitor pode salvá-los e acessar aos links das imagens em maior definição clicando sobre elas.

Nesta semana apresentamos o sistema de defesa de Ponto norte Americano Vulcan Phalanx-MK 15 1A/1B.

Apenas uma nota corretiva,  muito bem observada pelo Bosco Jr.

“O  termo C-RAM é genérico e se aplica ao conceito como um todo, havendo vários sistemas que se prestam a interceptarem projéteis de artilharia, morteiros e foguetes.

Especificamento o Phalanx adaptado para a função C-RAM é o sistema Centurion“.

 

E.M.Pinto

Clique aqui para ler: Plano Brasil-VULCAN MK 15

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Defesa Fotos do Dia Sistemas de Armas Vídeo

Supermáquinas – veiculos de combate

MBT   Osorio II – ENGESA

Os vídeos não são muito recentes mas, quero chamar atenção para o prototipo americano de novo conceito de MBT no final do video – 2/5

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Espaço Tecnologia

Estudante do Ceará é escolhido para trabalhar na Nasa

Foto: Arquivo pessoal Ampliar

Daniel Aderaldo, iG Ceará

Eduardo Almeida estudou engenharia na Universidade Federal do Ceará e faz doutorado nos EUA. Ainda na sala de aula, conseguiu vaga na agência espacial.

A Agência Espacial Americana (Nasa) tem cerca de cinco mil funcionários. Um dos mais recentes a aportar por lá é o jovem engenheiro Eduardo de Brito Almeida, de 30 anos. Ele trabalha no Laboratório de Propulsão a Jato, na Califórnia, o centro tecnológico responsável pelo desenvolvimento de sondas espaciais não-tripuladas, uma das poucas áreas que devem continuar recebendo investimentos nos próximos anos – a agência entrou no pacote de corte de gastos do presidente Barack Obama.

Leia também: Estudantes brasileiros estagiam na Nasa

Eduardo se formou no curso de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Ceará (UFC) em 2004 e atualmente é aluno de doutorado em Engenharia Elétrica na Escola de Engenharia da Universidade Brown, em Rhode Island, nos Estados Unidos. Pela universidade americana, ele ganhou uma bolsa de três anos do Projeto Harriett G. Jenkins, mantido pela Nasa. É a segunda vez que ele consegue trabalhar na mítica agência antes de sair da sala de aula.

Eduardo Almeida no laboratório da Nasa, na Califórnia: o seu trabalho é ajudar os robôs a andar na Lua, em Marte ou em um asteroide

Em 2009, Eduardo participou do Programa de Verão Space Grant e trabalhou no setor que cria modelos tridimensionais a partir das imagens aéreas. A pesquisa em que ele está empenhado agora desenvolve modelos matemáticos para que robôs reconheçam o ambiente tridimensional ao seu redor e tome decisões de forma autônoma – seja na Lua, em Marte ou em um asteroide. “O robô terá capacidade de se locomover sem interferência humana, escolhendo as melhores trilhas e evitando obstáculos com mais segurança”, explica o pesquisador.

Carreira

Eduardo tem dupla nacionalidade, já que nasceu em Nova York quando o pai cursava o doutorado. “Mas cresci e morei em Fortaleza até terminar a graduação”, destaca. Depois ele cursou mestrado no Laboratório de Circuitos e Processamento de Sinais (Linse) na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Com o doutorado, mudou para os Estados Unidos, onde está há cinco anos.

Nunca tive metas claras. Como todo mundo, sempre me questionei sobre o que faria após a conclusão do curso. Felizmente, as oportunidades surgiram e tomei decisões das quais hoje não me arrependo”

“Fui apresentado pela minha orientadora de iniciação científica da UFC a um membro do corpo docente da Divisão de Matemática Aplicada da Universidade Brown, que me estimulou a aplicar para o programa de doutorado em engenharia, onde fui aceito com bolsa integral”, conta ele. “A oportunidade de colaborar com o Laboratório de Propulsão a Jato em 2009 veio ao mesmo tempo que apliquei para uma bolsa de estudos da Nasa. Meu projeto foi aprovado em um processo de seleção extremamente competitivo. Logo em seguida, apliquei para um emprego de verão no laboratório e, como bolsista, fui selecionado para o Programa de Verão Space Grant”, conclui.

Ele diz que nunca fez planos de trabalhar na Nasa. Segundo ele, as coisas simplesmente aconteceram à medida em que avançava com os estudos. “Nunca tive metas claras. Como todo mundo, sempre me questionei sobre o que faria após a conclusão do curso. Felizmente, as oportunidades surgiram e tomei decisões das quais hoje não me arrependo”, conta. Na Universidade Brown, ele passou a estudar assuntos com nomes complicados, como “visão computacional e reconhecimento de padrões para reconstrução de superfícies 3D”, “interpretação probabilística de cenas” e “detecção de mudança automática de pontos de vista arbitrários”.

Apesar dos nomes enigmáticos, essas áreas tentam transformar tarefas complicadas – como a caminhada de um robô em Marte – em algo tão simples quanto um passeio pela Praia do Futuro, em Fortaleza. Mas, antes de o robô andar, ele precisa que alguém que pense por ele e o ensine a se comportar direitinho pelas crateras lunares ou pelos inóspitos terrenos de Marte. É ai que entram Eduardo e os seus colegas.

O dinheiro

Mesmo sendo um engenheiro com mestrado, cursando doutorado em uma das melhores universidades americanas e trabalhando na Nasa, a vida de bolsista não difere muito da que os estudantes brasileiros levam. “A realidade é um pouco mais favorável, mas não muito mais vantajosa, pois tudo é relativo. O custo de vida aqui, e principalmente nas grandes cidades, é muito caro”, pondera.

As perspectivas de salários astronômicos também são quase inexistentes. Obama incluiu a Nasa no seu plano de corte de gastos. Com isso, os astronautas deixam o estrelato e as missões não-tripuladas ganham prioridade. Cada investimento agora tem de ser minimamente calculado, para trazer resultados práticos.

Isso tem provocado desemprego, claro. Hoje há 60 astronautas na Nasa. Nas década passada, era mais que o dobro: 149. O sonho de ser astronauta, realizado pelo coronel aviador da Força Aérea Brasileira (FAB), Marcos Pontes, está cada vez mais distante. A esperança então é se dedicar à pesquisa, como faz Eduardo. No laboratório onde trabalha, há outros brasileiros, como os engenheiros Alberto Elfes e Marco Figueiredo e as astrônomas Duília de Melo e Rosaly Lopes. Se não dá para chegar ao espaço, ao menos é possível ajudar a explorá-lo. Nem que seja pelas câmeras de um robô.

Fonte: Último Segundo