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Defesa Fotos do Dia Humor

Humor: Nem Apache, nem Tiger… nem Night Hunter… vem ai "COBRILO"

Mais uma do Oxygino.

“Cobrilo” – Somente uma brincadeira com photoshop fazendo um helicóptero leve de ataque baseado no HB-350 Esquilo da Helibrás, com um cockpit do AH-1 Cobra da Bell. Claro, isso é uma fictício!

As fotos utilizadas para essa composição foram adquiridas na internet a algum tempo atrás e fazia parte do meu acervo de referências. Não tomei o cuidade de guardas as fontes originais e portanto não conheço os autores dessas fotos. Se alguém reconhecer o autor, por favor me avisem para poder creditá-las.

Para saber mais sobre o site seus trabalhos clique aqui e acesse ao site Oxygin.com

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Defesa Negócios e serviços Sistemas de Armas

A China recusou vender 30 aviões JH-7 Flounder à Coreia do Norte

http://3.bp.blogspot.com/_VoabGNCjIxg/SpXsW9T80WI/AAAAAAAACt8/Z_vnB1VztLU/s400/jh7agoodpic3om.jpg

Um dos objetivos de uma das últimas visitas do líder norte-coreano ao seu patrono chinês teria sido a aquisição der assim como de mísseis anti-navio C-801 e C-802.

http://www.china-defense-mashup.com/wp-content/uploads/2009/07/jh-7-crash.jpgO JH-7 é um caça-bombardeiro que equipa hoje 4 regimentos da força aérea chinesa, num total de cerca de 70 aparelhos cumprindo aqui serviço desde a década de noventa. Não se trata de um avião sofisticado, mas é barato e simples de fabricar e tem um raio de ação de combate de 1800 km podendo transportar até 9 toneladas de armamento.

Contudo, o pedido norte-coreano por aviões JH-7 foi delicadamente negado. Segundo a imprensa sul-coreana (a partir de fontes no governo de Pequim) a recusa chinesa teria sido justificada com o facto de “Pyongyang não precisar de um avião com tão grande raio de ação tendo em conta a relativa pequenez do seu espaço aéreo” numa óbvia referência à justificada suspeição de Pequim de que a Coreia do Norte planeava usar estes aviões e mísseis em atividades ofensivas contra a Coreia do Sul e a frota norte-americana na região.

Fonte: Défense & Sécurité Internationale

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Defesa Negócios e serviços Sistemas de Armas

Taiwan compra 30 helicópteros AH-64 Block III Apache

http://www.aviationnews.eu/blog/wp-content/uploads/2008/07/smf08-129_blockiii_154.jpg

Taiwan vai receber 30 helicópteros Boeing AH-64 Block III Apache em um novo contrato assinado com o governo dos EUA, um anuncio feito pelo Exército Americano.É uma forma dos EUA dar apoio a Taiwan, apesar das objeções da China e confirma-se assim o primeiro cliente internacional o AH-64 Block III.

http://www.boeing.com/apachenews/2009/issue_01/images/innovation_s2.jpgO Block III incluiu atualizações do sistema de motor e transmissão, a velocidade de recuperação e elevação do desempenho perdido após duas décadas de serviço devido ao aumento de peso em relação á fuselagem original foi recuperada e melhorada.

Além de outros sistemas, a variante Block III introduz também um novo software e conectividade, permitindo aos pilotos controlar simultaneamente veículos aéreos não tripulados e suas “cargas”.
O Exército dos EUA tem previsto receber uma frota de 690 AH-64 Block IIIs ao longo dos próximos 15 anos, 56 aeronaves serão reconstruídos a partir de modelos anteriores e as restantes serão novas aeronaves que servirão para substituir os helicópteros perdidos em operações de combate ao longo da última década.

http://www.boeing.com/apachenews/2009/issue_01/images/army_s4_p2.jpg

Fonte: flightglobal via Planeta Militar

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Conflitos Geopolítica

Tropas de Kadafi aumentam ofensiva contra rebeldes em Misrata

http://theindependent.mu/wp-content/uploads/2011/05/Rebels-pin-down-Kadhafi-troops-in-Misrata.jpg

Segundo fontes médicas, ao menos 22 morreram e 61 ficaram feridos em bombardeios perto de cidade controlada por opositores.

Forças leais ao líder líbio, Muamar Kadafi, aumentaram a ofensiva contra a região de Misrata, cidade controlada por rebeldes, matando ao menos 22 pessoas.

De acordo com uma fonte médica do Hospital Hikma, forças de Kadafi usaram tanques, artilharia pesada e foguetes em bombardeios em Dafniya, cerca de 30 km a oeste de Misrata. Segundo o médico, que se identificou apenas como Ayman à Associated Press, ao menos 61 pessoas foram feridas nos ataques que tiveram início por volta das 10h locais.

Em meados de maio, os rebeldes conseguiram expulsar as tropas de Kadafi do centro de Misrata, intensamente assediada desde o início do conflito líbio, no fim de fevereiro. Desde então, combatentes leais a Kadafi se mantêm a cerca de dez quilômetros da cidade e continuam bombardeando seus arredores com mísseis de longo alcance.

Misrata, situada no litoral a cerca de 200 quilômetros a leste de Trípoli, é um dos principais redutos rebeldes no país. O contínuo assédio das tropas de Kadafi durante meses complicou a situação humanitária na cidade, onde faltam remédios e alimentos.

No fim do mês passado, a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) detectou um campo de minas instalado pelo regime de Kadafi nas proximidades de Misrata. De acordo com o tenente-general canadense Charles Bouchard, chefe da missão militar na Líbia, um relatório da Aliança Ocidental indicou que foram instaladas minas “contrárias à lei internacional, colocadas em uma área estratégica impedindo a movimentação da população”.

O chefe militar garantiu que a Otan está trabalhando para definir o contorno do campo de minas, mas admitiu que a tarefa de desativar os artefatos não corresponde ao mandato da aliança. A Otan assumiu o trabalho de desativar as minas marítimas, mas pelo fato de não possuir soldados no território não pode fazer o mesmo no caso das terrestres.

ONU

Desde o início do conflito na Líbia, um número estimado de 10 mil a 15 mil pessoas já morreram nos dois lados do confronto em quatro meses, segundo a Organização das Nações Unidas.

De acordo com Cherif Bassiouni, líder de uma missão do Conselho de Direitos Humanos da ONU que viajou a Trípoli e a áreas controladas pelas forças rebeldes no fim de abril, uma comissão encontrou evidências de crimes de guerra cometidos por Kadafi, incluindo ataques contra civis, grupos de ajuda humanitária e equipes médicas. A comissão também encontrou provas de crimes cometidos por forças da oposição.

Nesta sexta-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, que deixa seu posto no governo Obama em breve, afirmou a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) tornou-se uma Aliança pobremente equipada para lidar com seus desafios e com membros incapazes ou relutantes em cumprir com as missões no Afeganistão e na Líbia.

Particularmente, ele apontou um contraste entre os membros que “querem e são capazes de pagar o preço e aguentar o fardo dos compromissos da Aliança e aqueles que usufruem dos benefícios da participar da Otan, mas não querem compartilhar os riscos e custos”.

Gates criticou a falta de vontade política e de contribuição de recursos militares por parte de alguns países aliados à missão na Líbia, advertindo que podem comprometer a operação. “Ficou amplamente claro que as deficiências em cooperação e vontade política têm o potencial de comprometer a capacidade da Aliança de efetuar uma campanha integrada, eficaz e sustentada por ar e mar”, afirmou.

Fonte: Último Segundo

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Conflitos Fotos do Dia História

11 de Junho aniversário da "Batalha do Riachuelo"

http://farm4.static.flickr.com/3570/3393719958_f7e843f22b.jpg
Batalha naval do Riachuelo
Victor M. de Lima

Comissionado pelo Ministro da Marinha Afonso Celso, Victor Meirelles segue em 1868 para o teatro de guerra no Paraguai, montando seu ateliê a bordo do capitânia da esquadra, Brasil, onde trabalhou durante dois meses em croquis e esboços. Novamente no Rio executa, no Convento de Santo Antônio, Combate de Riachuelo e Passagem de Humaitá.

Em fins de abril, de 1865, duas divisões da esquadra brasileira subiram o rio Paraná, indo fundear em Bela Vista. Os paraguaios, tendo invadido o território correntino (Corrientes) com poderosa força, ao mando do general Robles, agora reforçados por mais 3.000 homens, apoderam-se da cidade, depois de haverem tomado de assalto dois vapores argentinos, e juntam-se ás tropas ali existentes, convertendo a indefesa cidade em poderosa praça de guerra, com um efetivo de 27.000 homens e 60 bocas de fogo.

http://www.brasil.gov.br/imagens/sobre/historia/fatos-historicos/batalha-do-riachuelo/image_previewSimultaneamente, outro exercito paraguaio ameaça invadir as fronteiras brasileiras pela lado de Itapua, ao mando do tenente coronel Estigarribia.

Sem que encontrassem embaraços á sua passagem, os paraguaios, com forças sempre numericamente superiores, dividem-se e subdividem-se, descendo a melhor parte até Riachuelo, em cujas barrancas se fortificam.; não obstante porém esse aparato todo, inesperadamente contra-marcham, obrigando Paunero, que ia ao seu encontro, a reembarcar suas tropas, vindo abarracar-se em Rincon del Soto.

Aquele simulacro de retirada não passara despercebido ao valente cabo de guerra argentino, que, sem ter receio do imprevisto, de plano com com o chefe Barroso, que o auxilia na temerária expedição, embarca novamente suas forças e, surgindo na capital correntina a 25 de Maio (quinta feira), ataca-a e retoma-a, estando a cidade defendida por 2.000 homens, ao mando de Martinez.

Os aliados tiveram fora de combate, entre mortos e feridos, 200 argentinos e 21 brasileiros; o inimigo 452 mortos fora 66 feridos e 86 prisioneiros; e , além de armamento e munições em considerável quantidade, tomamos-lhe mais três bocas de fogo, duas caixas de guerra e uma bandeira

Obtida esta vitória, Paunero, certo de que Robles, vendo assim surpreendida sua  linha de retirada, o atacaria com 25.000 homens sob seu comando, embarca as forças argentinas e brasileiras e desce, indo acampar no Rincon.

E com aquele predisposto, Lopez embarca precipitadamente no Taquari, a 8 de junho de 1865, uma quinta feira, com direção a Humaitá, e assiste em pessoa aos preparativos para a planejada expedição, marcando o dia 11, domingo, irrevogavelmente para o ataque e abordagem á esquadra, que ele supunha desprevenida e desguarnecida.

Aparentemente calmo, Lopez traia-se a cada instante, desenvolvendo frenética atividade para esconder os revezes que acabava de sofrer, e agora, sugestionado pelo feroz Diaz, resolve o ousado plano de um formidável combate naval, de que lhe adviriam vantagens imaginarias sobre os exércitos aliados.

Para atenuar, perante os seus soldados, o desastre de Corrientes, responsabiliza pela derrota o chefe Martinez, que faz passar pelas armas, não obstante ter-se valentemente  batido.

Apenas chegado ao forte de Humaitá, Solano Lopez, em veemente alocução, concita os oficiais e soldados do Sexto batalhão de infantaria naval, o mais valente dos seus batalhões, a se baterem sem tréguas; e á distribuição de sabres e machadinhas recomendou-lhes que lhe levassem prisioneiros vivos, ao que eles responderam que pouco lhes preocupavam prisioneiros, prometendo afirmativamente, que voltariam vitoriosos, rebocando os nossos vasos de guerra.

A despeito de tão eloqüente entusiasmo, Solano Lopez, como se não confiasse bastante no plano traçado pelo general Diaz, reforçou-o, mandando o coronel de artilharia Bruguez assestar uma bateria de 32 canhões, na margem direita da embocadura do Riachuelo; este, por iniciativa própria, estendeu no local denominado Barrancas, protegido por um montículo, poderoso contingente de infantaria, destinado não só a socorrer a abordagem sob o comando do coronel Aquino, mas ainda a auxiliar a artilharia com a sua fuzilaria.

Três mil homens ali estavam na tocaia. A margem direita da embocadura, de ponto em ponto, outros contingentes se abarracaram para fim idêntico.

A nossa força naval atingia, no local, a 2.287 combatentes, inclusive oficiais de mar e terra, sendo 1.113 de marinha e 1.174 do exercito, que se achavam a bordo para qualquer operação de desembarque, e 50 bocas de fogo; cumprindo assinalar que oficiais e praças de terra, segundo as comunicações do vários comandantes, muito concorreram para o resultados obtidos.

Formando ligeira curva, alerta se achavam os navios paraguaios: Tacuary, Igurey, Marquez de Olinda, Salto, Paraguary, Iporá, Jujuy e Iberá, na ordem em que os mencionamos.

Essa esquadra partira de Humaitá á meia-noite, dando-se logo ao sair um desarranjo na maquina do Iberá, que alterou um tanto o plano de ataque.

Abaixo de Corrientes, cerca de duas léguas, ostentava-se a nossa esquadra, composta dos vapores de guerra: Belmonte, Mearim, Beberibe, Ipiranga, Amazonas, Jequitinhonha, Parnaíba, Iguatemi e Araguari, ancorados á margem direita do Paraná, entre as pontas do mesmo nome e de Santa Catarina.

Importando executar á risca as ordens do ditador, a abordagem foi tentada logo ao dobrar a ilha Palomera. Aproaram os navios contra a corrente do Paraná, como para executá-la; o renhido canhoneio dos rodízios de popa dos vapores brasileiros, porém, fê-los recuar. Depois deste rechaço, a esquadra paraguaia, avançando, colocou-se em frente ás bocas do Riachuelo.

As 9 horas, distinguem-se nuvens de fumo anunciando a aproximação de navios inimigos. Do tope de vante de um dos nossos vasos de guerra ouvem-se vozes de Navio á proa! Em seguida de Esquadra inimiga á vista.

Imediatamente a Mearim, a cujo bordo se achava Barroso, iça o respectivo sinal.

Rufam tambores e trilam os apitos no convés de todos os vapores de nossa divisão. Barroso desfralda sinais, que ordenam: Preparar para combate! E manda despertar os fogos abafados; Largam-se as amarras sobre as bóias; acham-se em bateria as peças e rodízios; os encarregados da munição descem pressurosos aos paióis e voltam trazendo balas e metralhas, que empilham aos lados das baterias. Atiradores guarnecem as gáveas.

A esquadra inimiga apontou, indo na frente Paraguary, seguido de Igurey e depois Iporá, Salto, Pirabebé, Jujuy, Márquez de Olinda e Tacuary.

Neste embarcara, em Humaitá, o velho marinheiro Messa, com a senha de abordar violentamente e, segundo as circunstancias, um ou mais navios, sem medir sacrifícios.

A nossa esquadra põe-se em movimento, iniciando a marcha a canhoneira Belmonte, cuja guarnição se mostra ansiosa. Seguem após Amazonas, para cujo bordo de transferira Barroso, e, na mesma linha, avançam, Beberibe, Mearim, Araguari e os demais.

Já no tope do navio capitania vê-se o sinal de O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever e, em seguida, este outro Bater o inimigo que estiver mais próximo

A nossa esquadra ia, de fato, ao encontro do inimigo. Jequitinhonha, ao passar em frente á embocadura do Riachuelo, encalha, dando se então fortíssimo tiroteio entre as forças do navio e as de Bruguez, ao alto do barranco.

Três navios paraguaios tentam abordá-la; a canhoneira, porém, cuja tripulação a custo consegue safá-la, prossegue, obrigada a uma luta desigual, em que a nossa maruja se vê constantemente a beira das baterias inimigas. Quadro indescritível oferece, então, esse vaso de guerra, com a sua proa, as amurada, as vergas e os mastros, os escaleres, tudo, enfim, reduzido a estilhaços, que concorrem para por fora de combate os nossos soldados e oficiais mais ousados.

Morre Lima Barroso e, junto dele, tem a mesma sorte o pratico André Motta; 17 inferiores tombam quase de assentada. Recebem ferimentos o chefe Gomensoro, Freitas, Lacerda e Castro Silva, firmes nos seus postos.

Desce agora o Parnaíba: outra abordagem pelos navios Salto, Paraguary e Tacuary. Tão certeiros são os disparos da Jequitinhonha sobre Paraguary, que este retrocede logo.

Os outros navios atacantes encostaram-se, porém, a bombordo e a estibordo da Jequitinhonha; Garcindo, no passadiço, concita a tripulação á resistência; Firmino Chaves, em brados de entusiasmo, Pedro Afonso Ferreira e Maia, á frente dos seus navais, relutam com denodo.

O Marques de Olinda, vem em socorro dos seus e despeja no convés da Parnaíba centenas de bravios guaranis, armados de sabres, machadinhas e revolveres. Eram os famigerados do Sexto de infantaria, que já se haviam triste e indignamente celebrado nas carniçarias de Mato Grosso.

Dá-se, então, combate, peito a peito, pulso a pulso, que remata em horrível carnificina. Greenhalgh consegue derrubar, a tiro, um oficial paraguaio, que o intima a arriar o pavilhão; mas, logo após, cai morto ás arguçantes cutiladas de sabre a duas mãos; Pedro Affonso e Maia, defendendo-se, caem mutilados; Marcilio Dias, batendo-se contra quatro, mata dois de seus adversários, morrendo em seguida aos golpes de afiadas machadinhas dos outros dois. Após uma hora de nutrida e porfiante contenda, o inimigo consegue Apossar-se do convés desde a popa ao mastro grande. Os oficiais, escudados pelas peças, fuzilam-no, ás incessantes investidas. Mearim e Belmonte, respectivamente sob os comandos de Eliziario Barbosa e Abreu, acodem oportunos.

http://www.klickeducacao.com.br/Klick_Portal/Enciclopedia/images/Pa/11625/4110.jpgOs abordantes abandonam os companheiros, que haviam galgado o convés da Parnaíba, e fogem aos primeiros tiros daqueles navios. A bordo da Parnaíba chegara-se a vacilar um instante, quase se perdendo a esperança de repelir o inimigo, que se multiplicava com os ininterruptos esforços; Garcindo, seu brioso comandante, á iminente ameaça daqueles reforços, chega mesmo a combinar com o imediato Felippe Rodrigues Chaves que, em ultimo caso e como medida extrema, lançariam fogo ao paiol, fazendo voar o navio em estilhaços, e, como visse repletas chalanas inimigas se aproximarem, transmitiu aquelas ordens ao oficial, escrivão Correa da Silva, que acendendo o charuto, se dispôs a obedecer no instante; a guarnição, entretanto, reanima-se e, investindo contra os paraguaios, que em vertiginoso delírio se batiam á louca, aos gritos de – mata! degola! , tapetam o convés com seus cadaveres, que rolam por dezenas. O Amazonas, que até então sustentara vivíssimo fogo contra as baterias de Bruguez, percebe, através da espessa fumaça, o que se passa a bordo da Parnaíba, e vem-lhe em socorro, no momento mesmo em que o Márquez de Olinda chegava para reforçar a abordagem: contra este investe o Amazonas, que o afunda a proadas. O Tacuary tenta escapar-se a idêntica manobra do Amazonas; este, porém, persegue-o, e mete-o a pique, igualmente ás bicadas de proa. Ipiranga, sob o comando de Alvaro de Carvalho e que, bem como aquele, respondia ao tiroteio da baterias de Bruguez, vem, por sua vez, em defesa do Parnaíba, e com certeiros disparos arromba logo o costado e as caldeira do Salto, cuja tripulação, em alarido, atira-se na água, á fuzilada dos nossos.

Segue-se agora o Ipiranga no encalço do Paraguary, crivando-o de metralha.

http://4.bp.blogspot.com/_i_YdICPTytk/TAqgNFM7UZI/AAAAAAAABOM/IZ4ERO3VQDI/s1600/296.jpgA Beberibe, cujo comandante Bonifacio de Sant’Anna se mostrara de inaudita bravura, persegue os navios inimigos. O comandante da Iguatemi, ferido, é levado em braços para o camarote; o imediato Oliveira Pimentel, substituindo-o, é decapitado por uma bala; assume o comando o jovem Gomes dos Santos, que auxilia o tiroteio.

O Ipiranga, ao mando de Alvaro de Carvalho, faz submergir uma chata que, a distancia, dirige certeiros tiros aos costados dos navios: a tripulação, estilhaçada, trombulha, descendo na correnteza; no Araguary, Hoonholts bate-se com denodo; contra o navio de se comando voltam-se os que atacavam a Parnaíba, auxiliados agora pelo Tacuary, que recuara aos disparos dos rodízios do Ipiranga.

Os flancos dos navios brasileiros, despedaçados pelos canhonaços das chatas a lume d’agua, tornam iminente a submersão total da esquadra. Bombas metralhas esfuziam do alto dos barrancos: não é possível descrever o que se passa a bordo dos navios ao alcance das balas, que sibilam em chuveiros.

Entretanto, alguma coisa de providencial se passava, que cumpre não esquecer: quando o oficial-escrivão da Parnaíba, depois de haver tragado, para atiçá-lo, algumas fumaças do fatídico morrão que deveria comunicar o fogo ao paiol, pensa cumprir a sinistra ordem ouvem-se alvissareiros vivas que, irrompendo dos navios brasileiros em delírio, o detém estupefato. E  de pé, sobre a caixa das rodas, destaca-se afina, por entre densas nuvens de fumo, o vulto imponente de Barroso, que é o primeiro a bradar – Vitória!

E este triunfo naval, que tão diretamente influíra nos destinos de toda a campanha, mudou também, e inteiramente, a sorte dos adversários.

Robles não mais prosseguiu na invasão de Entre Rios; Estigarribia, isolado nas margens do Uruguai, depões as armas; Lopez, recolhendo-se a temporária defensiva, volta-se contra os seus: Robles ao regressar é fuzilado por covarde. As nossas perdas foram de 216 combatentes entre mortos e feridos, assim descriminados por navios:

Navios Mortos Feridos
Amazonas 13 13
Belmonte 9 23
Iguatemi 1 6
Jequitinhonha 8 33
Parnaíba 33 29
Beberibe 5 19
Araguari 2 5
Ipiranga 1 6
Mearim 2 8
Total 74 142

Total 216

O inimigo teve fora de combate, a bordo, entre mortos, feridos, afogados, comprimidos pelos costados dos navios e prisioneiros, 1.500 praças, aproximadamente; em terra, Bruguez perdeu 1.750, o tudo perfaz 3.250; mais elevada foi, entretanto, a estimativa de inteligentes oficiais prisioneiros. E a esquadra avança, avança sempre, em demanda de novas e estrondosas vitórias.

http://www.brasilescola.com/upload/e/Batalha%20Naval%20do%20Riachuelo%20-%20BR%20ESCOLA.jpg

Dr. Pires de Almeida

Fonte: Almanaque CNT

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Geopolítica Negócios e serviços

Setor de turismo dos EUA pede fim de visto para brasileiros

Foto: AE Ampliar

Representantes defendem que Brasil seja incluído em lista de países que não precisam da autorização, como Coreia do Sul e Portugal.

Representantes do setor de turismo norte-americano defenderam, em artigo publicado pela revista Time, que o Brasil entre para a lista de 36 países cujos cidadãos não precisam de visto para fazer viagens curtas aos EUA. O rol inclui nações como Lituânia, Malta, Coreia do Sul, Brunei, Cingapura, Letônia, Liechtenstein e Portugal – e não tem nenhum latino-americano. Para ser contemplado, um país precisa cumprir requisitos como compartilhar informações sobre os passageiros com autoridades americanas, possuir passaporte com chip eletrônico e ter um índice de aprovação dos pedidos de visto de 97% – nos consulados brasileiros, o número fica próximo a 95%.

“EUA têm grande interesse em turistas brasileiros, que gastam muito”, diz adido americano ao iG

“Se essas exigências são atingidas, os governos podem discutir a questão, mas essa negociação costuma ser muito fácil”, afirma Benjamin Chiang, adido de imprensa do consulado americano em São Paulo. “Os EUA têm grande interesse em receber turistas brasileiros, que gastam muito”, diz. De fato, os brasileiros gastam cada vez mais no exterior – somente em abril, eles deixaram R$ 2,2 bilhões em viagens fora do País, valor 83% maior que no mesmo período do ano passado. Mas o processo para conseguirem um visto para visitar os EUA ainda é caro e demorado.

Nos últimos cinco anos, o número de pedidos de vistou para viajar aos EUA cresceu 234% no Brasil, mais do que em qualquer outro país – superou até a alta chinesa, de 124%. Mas só quatro cidades brasileiras têm consulados americanos: Brasília, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Muitas famílias precisam se deslocar e pagar por hospedagem nesses locais para fazer a entrevista de visto, que custa US$ 140 cada. No consulado de São Paulo, que processa em média 2.300 vistos por dia – mais do que qualquer outro no mundo –, a espera para ser entrevistado pode chegar a 141 dias.

Para o setor de turismo, isso prejudica a competitividade dos EUA. A Associação Americana de Turismo (a U.S. Travel Association) propõe, de acordo com a Time, que seja feita uma reforma simples na lei, baseada em quatro pontos. Isso facilitaria a entrada de turistas de países como Brasil e Chile. Roger Dow, presidente da entidade, acredita que a medida traria US$ 10,3 bilhões à economia americana e geraria 95.100 novos empregos. Para ele, essa reforma não comprometeria a segurança dos cidadãos americanos – e até ajudaria na questão. “Quando você trata todos os viajantes como terroristas, [o trabalho de segurança nacional] fica mais difícil”, declarou.

Foto: Reprodução

Artigo da Time: “Todo mundo deveria amar os turistas brasileiros. Mas EUA fazem eles passarem por processo demorado e caro”

Martha Pantín, diretora de comunicação da American Airlines, afirma que a empresa “apoia fortemente” a ideia. Ela espera que a inclusão de Chile, Brasil e Argentina na lista de países com viajantes confiáveis ocorra “num futuro muito próximo”. Pantín acredita que a legislação posterior ao 11 de setembro, quando foi suspenso o programa Transfer Withou a Visa, fez com que muitos latinos trocassem os EUA por outros destinos turísticos. Segundo ela, o número de chilenos que viajam ao país caiu mais de 30% nos últimos dez anos, período em que aumentou em 50% a quantidade de chilenos que fazem turismo no exterior.

No tom geral, o texto da Time se mostra favorável ao fim do visto para países como o Brasil. “Todo mundo deveria amar os turistas brasileiros. Eles gastam mais dinheiro per capta que qualquer outra nacionalidade”, diz a revista. “Em vez de esticar um tapete vermelho (…), os EUA fazem os brasileiros passarem por um processo demorado e caro para conseguir um visto”, afirma. “No passado, a maioria dos brasileiros costumava ir aos EUA atrás de um emprego; agora, eles vêm gastar dinheiro e criar empregos”, conclui a publicação.

Fonte: Último Segundo

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Ciao Ciao Bambinas…

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Não é segredo que havia uma certa tendência na Marinha do Brasil pela escolha das fragatas Italianas do projeto FREMM e pelos OPV da Classe Cigala Fulgosi, bem como os navios tanque.

Relembro que nenhuma decisão oficial foi anunciada por qualquer fonte oficial Brasileira. Mas…

http://www.meretmarine.com/objets/500/30470.jpg

A Marinha do Brasil  intenta adquirir até 30 fragatas, cerca de 12 OPVs  e 5 navios tanque, num plano de execução quese extende apartir de 2012 até 2035.

Porém muitos acham que os atritos diplomáticos entre Brasil e Itália devido ao caso Cesari Batisti venham jogar um balde de água fria nestas negociações.

A Itália através do seu representante político Silvio Berlusconi afirma que tomará todas as medidas possíveis para tentar reverter o quadro, tempos atrás o parlamento italiano acenou com a possibilidade de suspender as cooperações militares com o Brasil.

Se esta idéia volta a tona, e se concretiza,  estariam ameaçados os contratos da Marinha? será de fato que as coisas chegarão a este nível?

Que importância tem Batisti nesta história (o embate político diplomático), porque  um embate destes levaria as coisas a este ponto?

http://digilander.libero.it/en_mezzi_militari/html/numc/numc-render03.jpg

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Vietnã anuncia manobras navais em meio a escalada de tensão com a China

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Secretário de Defesa dos EUA: Otan se arrisca à 'irrelevância militar'

http://i.huffpost.com/gen/258627/thumbs/r-ROBERT-GATES-LIBYA-large570.jpg

Sugestão: Gérsio Mutti

Segundo Robert Gates, Aliança Atlântica tem membros incapazes ou relutantes em cumprir com as missões no Afeganistão e na Líbia.

O secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, que deixa seu posto no governo Obama em breve, afirmou nesta sexta-feira que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) tornou-se uma Aliança  pobremente equipada para lidar com seus desafios e com membros incapazes ou relutantes em cumprir com as missões no Afeganistão e na Líbia.

Particularmente, ele apontou um contraste entre os membros que

“querem e são capazes de pagar o preço e aguentar o fardo dos compromissos da Aliança e aqueles que usufruem dos benefícios de participar da Otan, mas não querem compartilhar os riscos e custos”.

Em seu discurso de despedida perante o Conselho da Otan em Bruxelas, ele conclamou à ação urgente para “evitar a possibilidade muito real de irrelevância militar coletiva”.

Segundo ele,

“as nações devem ser responsáveis por sua parte da defensa comum”.

Afirmando que uma estimativa indicava que o gasto de Defesa europeu caiu quase 15% na década que se seguiu aos ataques do 11 de Setembro de 2001, Gates disse que apenas cinco dos 18 países-membros atualmente gastam 2% do PIB em Defesa – percentual que é estipulado pela organização.

Gates disse que a missão aliada no Afeganistão expôs significativas deficiências da ONU – em capacidade militar e vontade política.

“Apesar de mais de 2 milhões de soldados – sem contar o Exército americano -, a Otan encontrou dificuldades, às vezes desesperadamente, para manter um posicionamento de 25 mil a 40 mil soldados, não apenas em campo, mas em cruciais postos de apoio”,

disse.

Missão na Líbia

Gates criticou a falta de vontade política e de contribuição de recursos militares por parte de alguns países aliados à missão na Líbia, advertindo que podem comprometer a operação.

“Ficou amplamente claro que as deficiências em cooperação e vontade política têm o potencial de comprometer a capacidade da Aliança de efetuar uma campanha integrada, eficaz e sustentada por ar e mar”,

afirmou.

O chefe do Pentágono disse que essas deficiências se apresentam apesar da missão contar com um amplo apoio político e se tratar de uma operação sem tropas terrestres que se desenvolve no “quintal” da Europa. Segundo ele,

“menos da metade se uniu à missão e menos de um terço esteve disposto a participar dos bombardeios”,

afirmou.

A Noruega e a Dinamarca apresentaram 12% dos aviões que realizam bombardeios, mas os projéteis que lançaram só atingiram um terço dos alvos estabelecidos, afirmou. Bélgica e Canadá fizeram importantes contribuições à missão de bombardeios na Líbia, disse Gates, lamentando que

“esses exemplos são a exceção”.

O secretário admitiu que muitos dos países que se mantêm à margem da operação militar contra o regime do líder líbio, Muamar Kadafi, não o fazem porque querem, mas porque simplesmente não podem colaborar mais.

“As capacidades militares simplesmente não existem, em particular há uma deficiência nos ativos que servem para dirigir tarefas de inteligência”,

disse.

“Os aviões mais sofisticados servem para pouco se os aliados não puderem identificar, processar e eliminar alvos”,

afirmou.

Embora os aliados lutem contra um regime fracamente armado, em um país no qual a população não está muito concentrada, muitos países começaram a notar a escassez de munição após 11 semanas de operações, requerendo novamente a ajuda dos EUA, indicou.

“Apesar das necessidades urgentes para que se invista mais em equipamentos vitais e no pessoal adequado, necessidades que são evidentes há duas décadas, muitos países aliados não estão dispostos a fazer mudanças fundamentais na hora de definir as prioridades e localizar os recursos”,

disse.

Gates qualificou como “inaceitável” o abismo que existe entre aqueles que estão dispostos a compartilhar a carga da operação militar e a pagar o preço por isso e aqueles que mostram uma falta de vontade e de contribuição de recursos.

No entanto, Gates reconheceu que a Otan foi capaz de cumprir seus objetivos iniciais e que, apesar de a missão ter evidenciado algumas deficiências, também demonstrou o potencial que tem de executar uma operação liderada pelos países europeus com o apoio dos EUA.

Fonte: Último Segundo

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Conflitos Defesa

Parlamentares criticam contingenciamento de verbas da Marinha

http://fabgisel.sites.uol.com.br/sitedomarujo/frags.jpgDeputados e senadores criticaram nesta quinta-feira o contingenciamento de R$ 1,64 bilhão do orçamento da Marinha determinado pelo governo federal em fevereiro deste ano. O total de verbas da instituição foi reduzido de R$ 4,71 bilhões para R$ 3,07 bilhões – corte de 35%. A crítica foi feita durante sessão solene do Congresso Nacional em homenagem aos 146 anos da Batalha do Riachuelo, comemorados em 11 de junho (Dia da Marinha).

Para a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), uma das que propuseram a homenagem, a Câmara precisa garantir na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano os recursos para a Força. “Esta Casa tem que assumir o desafio de garantir na LDO recursos de atividades que dizem respeito à segurança da Pátria e ao desenvolvimento tecnológico da Marinha”, afirmou.

O senador João Pedro (PT-AM), que também propôs a realização da sessão solene, concordou com a necessidade de garantir os recursos para a instituição. “Um país que quer ter assento no Conselho de Segurança da ONU tem que ter Aeronáutica, Marinha, ciência e tecnologia e Exército fortes”, disse. A deputada Liliam Sá (PR-RJ) disse que apresentará emendas à LDO 2012 para garantir verbas para as Forças Armadas.

Submarino nuclear
Os parlamentares também elogiaram os programas de modernização da Marinha, em especial a construção do primeiro submarino de propulsão nuclear no Brasil. O líder do PSDB, deputado Duarte Nogueira (SP), disse que o equipamento ajudará a defender a área do pré-sal brasileiro.

Imagem Segundo o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), os recursos para os programas da Marinha podem vir da distribuição de royalties do petróleo, pois “ela terá papel fundamental na defesa e segurança nas reservas do pré-sal”.

Comissão da verdade
O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) criticou a composição de integrantes definida para a Comissão da Verdade (PL 7.376/10), que pretende esclarecer fatos ocorridos entre 1964 e 1985 que resultaram na morte e no desaparecimento de cidadãos brasileiros. “É um projeto que não quer verdade, senão seria uma comissão paritária”, disse. Pela proposta, os integrantes da comissão serão indicados pela Presidência da República.

Batalha do Riachuelo
A Batalha Naval do Riachuelo ocorreu em junho de 1865, às margens do arroio Riachuelo, um afluente do rio Paraguai, na província de Corrientes, Argentina. Ela é considerada pelos historiadores militares como uma das mais importantes batalhas da Guerra do Paraguai (1864-1870).

Fonte: Agência Câmara via Notimp

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Conflitos Geopolítica

Caso Battisti faz Itália chamar de volta embaixador

http://i0.ig.com/fw/ay/0f/jd/ay0fjd5frzh07244iogd2pdo9.jpgNo meio diplomático, a convocação de um embaixador para consultas é um forma de protesto contra um país.

O governo da Itália convocou hoje seu embaixador no Brasil para consultas, após a libertação do ex-ativista Cesare Battisti esta semana. Solto da prisão em que se encontrava em Brasília entre a noite de quarta-feira para quinta-feira, Battisti havia sido condenado na Itália pelo envolvimento em quatro homicídios na década de 1970. No meio diplomático, a convocação de um embaixador para consultas é uma forma de protesto diplomático contra um país.

Segundo o ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, a decisão do Brasil foi tomada sob princípios “políticos”, e não “jurídicos”. “Havíamos desejado uma decisão serena das autoridades brasileiras, mas foi uma decisão política, e não jurídica. Diante disso, não tem diplomacia que se sustente”, disse o chanceler.

Em nota, a Chancelaria italiana informou que a convocação do embaixador serve para analisar e “aprofundar, junto com as outras instâncias competentes, os aspectos técnico-jurídicos da aplicação dos acordos bilaterais existentes”. “Queremos saber em qual atmosfera ocorreu este procedimento jurídico”, afirmou Frattini.

O caso

Battisti conseguiu a libertação após o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar um pedido de extradição da Itália. O país europeu anunciou que pretende levar o caso ao Tribunal Internacional de Justiça da Organização das Nações Unidas (ONU), em Haia. Os grandes jornais italianos traziam hoje em suas capas fotos de Battisti deixando a prisão.

O presidente Giorgio Napolitano disse que “deplorava” a decisão brasileira e afirmou que apoiava ações para pressionar o Brasil a honrar um acordo de extradição que possui com a Itália. O primeiro-ministro Silvio Berlusconi também lamentou a decisão do STF. Um grupo que representa vítimas do terror sugeriu que a Itália não participe da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, enquanto outras entidades pediram um boicote aos produtos brasileiros.

Em dezembro, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu asilo ao italiano, que afirma ser inocente e se diz um perseguido político. Battisti escapou de uma prisão italiana em 1981, enquanto aguardada julgamento. Ele foi membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), nos anos 1970, quando teria tido envolvimento com os crimes, segundo os processos na justiça italiana pelos quais foi condenado.

* Com informações da Agência Estado e da ANSA

Fonte: Último Segundo

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Conflitos Geopolítica

Hesitação do Brasil em apoiar resolução contra a Síria na ONU irrita potências

http://www.estadao.com.br/fotos/inter_hesitacao_do_brasil.jpg

Sugestão: Lucena

Ministro Patriota dá sinais de que Itamaraty não se convenceu da necessidade de pressionar sírios.

O sinal de que o Brasil não deve apoiar a resolução contra o regime sírio de Bashar Assad no Conselho de Segurança das Nações Unidas irritou EUA, França, Grã-Bretanha e Alemanha. Diplomatas desses países disseram estar decepcionados com a posição brasileira de não votar a favor do texto que condena o governo sírio pela onda de repressão a opositores que já deixou mais de mil mortos.

Essa posição em relação ao Brasil foi informada ao Estado horas depois de o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, ter afirmado em entrevista na ONU que “a Síria é um país central quando se leva em conta a estabilidade no Oriente Médio”. “A última coisa que gostaríamos é contribuir para exacerbar as tensões no que pode ser considerada uma das regiões mais tensas de todo o mundo”, disse o ministro.

O chanceler evitou revelar o voto brasileiro, dizendo que o governo “seguirá monitorando a situação antes de adotar uma posição”. Mas, para os países defensores da resolução, levando em conta as consultas na tarde de ontem, há sinais de que o Brasil não votará a favor.

Um diplomata ocidental disse ontem que “a sensação é de incompreensão com a posição do Brasil”. “Conhecemos os valores democráticos dos brasileiros e esperávamos que eles se colocassem a favor da resolução. Tivemos a preocupação até mesmo de não colocar no texto nenhum trecho que pudesse dar chance para uma intervenção externa na Síria. Pedimos apenas reformas lideradas pelos próprios sírios, libertação dos prisioneiros e o fim da violência contra os opositores. Mas parece não ter sido suficiente para convencer os brasileiros”.

A resolução proposta por Grã-Bretanha, França, Alemanha e Portugal, com o apoio dos EUA, é bem mais branda do que as duas aprovadas contra o regime de Muamar Kadafi, na Líbia. Na primeira delas, que impôs sanções ao líder sírio, o Brasil votou a favor. Na segunda, que estabeleceu uma zona de exclusão aérea, os brasileiros se abstiveram – ao lado de China, Índia, Rússia e Alemanha.

Além dos brasileiros, apenas China, Rússia e Líbano já se manifestaram contra a resolução. A Índia também tende a seguir o caminho dos outros três membros dos Brics. A posição da África do Sul ainda é incerta.

Mesmo sem o apoio destes seis países, a resolução, ainda sem data para ser votada, poderia ser aprovada com os nove votos a favor, que é o mínimo necessário. O risco seria a Rússia e a China usarem o poder de veto para impedir a aplicação do texto. Os dois países são parceiros comerciais de Damasco e os russos mantêm relações políticas próximas com o regime dos Assads há décadas. O porto de Latakia, na costa síria, é o principal entreposto de Moscou no Mar Mediterrâneo.

De acordo com o ministro brasileiro, é importante prestar atenção em como têm atuado os países do mundo árabe, em especial o Líbano, que também é vizinho da Síria. Estes países não defendem a imposição de sanções a Damasco nem a adoção de uma resolução.

A posição contrasta com a adotada no caso de Muamar Kadafi. Na época, a Liga Árabe posicionou-se abertamente contra o regime líbio.

“A perspectiva deles (dos árabes) é fundamental. A ação na Líbia envolveu um pedido da Liga Árabe. Desta vez, a mensagem é menos clara”, disse o ministro. Segundo Patriota, a “posição brasileira será independente (de outros países), mas levará em conta a forma como os países da região lidam com a questão”.

Nota: Diferente do que foi publicado anteriormente no título daqui e da versão impressa de O Estado de S. Paulo, o Brasil hesita no apoio a uma resolução contra Damasco, conforme publicado no texto. Não há na resolução qualquer menção a sanções, diferentemente do que dizia o título no jornal.

Fonte: Estadão