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Brasil História

OEA condena Brasil por mortes na Guerrilha do Araguaia

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A Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o Brasil por não ter punido os responsáveis pelas mortes e desaparecimentos ocorridos na Guerrilha do Araguaia e determinou que sejam feitos todos os esforços para localizar os corpos dos desaparecidos. O Tribunal concluiu que o Estado brasileiro é responsável pelo desaparecimento de 62 pessoas, ocorrido entre 1972 e 1974.

Em uma sentença divulgada hoje, a Corte considerou que as disposições da Lei de Anistia brasileira não podem impedir a investigação e a sanção de graves violações de direitos humanos. Para ela, “as disposições da lei são incompatíveis com a Convenção Americana, carecem de efeitos jurídicos e não podem seguir representando um obstáculo para a investigação dos fatos do presente caso, nem para a identificação e punição dos responsáveis”.

A decisão, embora refira-se à Guerrilha do Araguaia, extrapola para outros casos quando a sentença diz que as disposições da lei “tampouco podem ter igual ou semelhante impacto a respeito de outros casos de graves violações de direitos humanos”. Este entendimento derruba a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerou que a Lei da Anistia, de 1979, também beneficia os agentes do Estado que praticaram torturas e assassinatos.

A sentença da Corte Interamericana foi provocada por três ONGs brasileiras – Centro Pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL), Grupo Tortura Nunca Mais do Rio de Janeiro (GTNM-RJ) e Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos de São Paulo (CFMDP-SP) – que protestaram em nome dos familiares dos mortos e desaparecidos na Guerrilha do Araguaia.

A decisão dos sete juízes estrangeiros e o juiz ad hoc (determinado) brasileiro determina ao Estado brasileiro “a investigação penal dos fatos do presente caso (Guerrilha do Araguaia) a fim de esclarecê-los, determinar as correspondentes responsabilidades penais” e punir criminalmente os responsáveis. Manda ainda o “Estado realizar todos os esforços para determinar o paradeiro das vítimas desaparecidas e, se for o caso, identificar e entregar os restos mortais a seus familiares”. Também dispõe que “o Estado preste atendimento médico e psicológico ou psiquiátrico”, às vítimas que o solicitem.

Nas 126 páginas da decisão, há determinações que certamente criarão constrangimentos, como a realização de um “ato público de reconhecimento de responsabilidade internacional, em relação aos fatos do presente caso, referindo-se às violações estabelecidas na presente Sentença”. Neste ato, segundo a decisão, devem estar presentes “altas autoridades nacionais e as vítimas do presente caso”. Outra determinação é a da implementação em um prazo razoável de “um programa ou curso permanente e obrigatório sobre direitos humanos, dirigido a todos os níveis hierárquicos das Forças Armadas”.

Legislação

Na área da legislação, a corte determina que se adote “as medidas que sejam necessárias para tipificar o delito de desaparecimento forçado de pessoas, em conformidade com os parâmetros interamericanos”. Estipula ainda que não adianta apenas apresentar o projeto de lei, mas também “assegurar sua pronta sanção e entrada em vigor”.

A decisão determinou ainda que o Estado pague US$ 3 mil dólares para cada família a título de indenização pelas despesas com as buscas dos desaparecidos. Estipulou também indenização a titulo de dano imaterial de US$ 45.000,00 a cada familiar direto e de US$ 15.000,00 para cada familiar não direto, considerados vítimas no presente caso. Determina também o pagamento pelo Estado de US$ 45 mil para as três ONGs, cabendo a maior parcela de US$ 35 mil para o Centro pela Justiça e o Direito Internacional, pelos gastos tidos até hoje com o caso.

Fonte: Estadão

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Defesa Opinião

Um senhor Chamado Jobim

http://images-mediawiki-sites.thefullwiki.org/11/9/6/8/3042632431674058.jpgSugestão: Cel. Paulo Ricardo Rocha Paiva para o Palno Brasil

Um senhor Chamado Jobim

Luís Mauro Ferreira Gomes

Em 8 de dezembro de 2010

Jobim critica Médici…

Nelson Jobim (Defesa) provocou mal-estar sábado, na Academia Militar das Agulhas Negras, durante a formatura da “Turma General Emílio Garrastazu Médici”, ao criticar indiretamente o patrono – elogiado antes pelo comandante do Exército pela “honradez, dignidade e patriotismo”. No discurso, que aliás não estava previsto, Jobim deixou claro que não aprovou a escolha do patrono, dizendo que o Exército “deve esquecer o passado”. Os generais nem o aplaudiram. E o convidado Roberto Médici, filho do ex-presidente, desceu do palanque e foi embora.

Cláudio Humberto, 07/12/2010 (1).

O Ministro da Defesa, aparentemente, está tão seguro de que o seu plano deu certo que voltou às bravatas iniciais dos tempos que se seguiram à nomeação para o cargo.

Relembraremos alguns fatos para os nossos leitores:

Jobim somente foi nomeado para ser “queimado”, como se costuma dizer.

À época, Lula estava eliminando da disputa qualquer pessoa que tivesse a pretensão de ser presidente da república. Nem os integrantes do PT escaparam, haja vista Jacques Wagner.

O Ministro, que pouco antes renunciara, para filiar-se a partido político, à presidência do Supremo Tribunal Federal – onde suas atitudes indicam, fora mais um militante político a serviço de seus interesses pessoais do que membro da Suprema Corte – devido à sua falta de autocrítica e a seu ego desmesurado, enquadrava-se nesse perfil.

Logo que assumiu o Ministério, deu vazão ao seu estilo arrogante e as bravatas se sucederam, umas depois das outras.

Uma das mais antológicas foi aquela praticada na cerimônia (?) de lançamento do escatológico e revanchista, ordinário e mentiroso livro “Direito à Memória e à Verdade”, lançado sob os auspícios da Presidência da República.

Jobim disse naquela oportunidade, que os militares teriam de aceitar o livro, que quem não o fizesse “teria resposta” e que o Exército de hoje não era como o de ontem.

O Alto-Comando do Exército enfrentou-o e criticou duramente o folheto ideológico em memorável nota oficial na qual reafirmou que todos sabemos: que só existe um Exército, o de Caxias.

Mais uma vez, dominado por seus delírios, desconhecendo os limites de sua competência, esbravejou o Ministro que iria destituir os integrantes do Alto-Comando.

Deve ter levado essa pretensão abusiva ao Presidente, que obviamente não a aceitou.

Reconhecendo a fragilidade de sua posição, Jobim “desistiu” da idéia e, perguntado por uma repórter como ficaria a situação, limitou a dizer que “o assunto estava resolvido”.

Como costuma acontecer com as pessoas de caráter parecido, confrontado diretamente, nada fez, apequenou-se e tratou de agir nos bastidores para reverter a situação desfavorável

Passou, então a usar técnica semelhante à do Ministro da Justiça, que se “blindara” contra a caneta do Presidente, servindo-se da Polícia Federal para conhecer todos dos “podres” das autoridades, inclusive do Presidente e de sua família, particularmente o fenomenal primeiro filho.

A Polícia Federal, transformada em KGB pessoal, teria passado a ser a fonte de poder ao ministro, mediante a sua extraordinária capacidade de coagir as pessoas.

Jobim passou, então, a defender posições muito parecidas com as das Forças Armadas, travestiu-se general genérico e abusou dos militares, apresentando-se como “amigo” deles, para também blindar-se contra a caneta presidencial.

As Forças Armadas e suas boas relações com os respectivos Comandantes passariam a ser o seu escudo que o defenderia de qualquer acidente de percurso.

Enquanto isso corria publicamente, tratou de assumir controle, cada vez maior sobre as Forças, com os documentos que produziu: a inútil e enganadora Estratégia Nacional de Defesa e a nova estrutura das Forças Armadas, em que usurpou, em seu beneficio, competências constitucionais exclusivas e intransferíveis do Presidente da República, tornando-se, inconstitucional, portanto.

Imaginando já ter o controle das Forças Armadas, aproveitou-se da quebra de um possível acordo, com fim eleitoral, entre o governo e a bandidagem do Rio de Janeiro, para envolver os militares em uma aventura sem o cumprimento dos ritos constitucionais indispensáveis a esses casos.

Mais uma vez, os riscos ficam com os militares e Jobim colhe os bônus das ações.

Isso lhe teria, quem sabe, assegurado a permanência no governo da guerrilheira “presidenta”.

Sentindo-se a cavaleiro da situação, julgou poder tirar a máscara e mostrar a sua verdadeira face inimiga, ao dizer, na cerimônia de formatura da AMAN, que o Exército deveria esquecer o passado, referindo-se à venerada figura do General Médici, escolhido pelos Aspirantes de 2010 como Patrono de sua turma.

Será que tal incluiria, também, esquecer que ele admitiu ter fraudado o texto constitucional, quando era deputado constituinte?

Que isso sirva para desiludir a quem, por ventura, pense que ele é o melhor ministro da defesa que tivemos.

Em verdade, ele é o pior, por ser o mais perigoso.

Tudo indica que somente pretende sair do ministério da defesa para a presidência da república, de um ou de outro modo.

Se não for neutralizado, será ele quem sepultará as nossas Forças Armadas, transformando-se em milícia a serviço dos seus devaneios.

Que essa falta de compostura e grande descortesia não fiquem sem resposta à altura.

Esse já seria um bom começo. O resto viria depois.

Talvez esteja na hora de esquecer o presente…

Observações

(1) Fonte: Claudio Humberto

(2) O autor é Coronel-Aviador reformado e, atualmente, Vice-Presidente da Academia Brasileira de Defesa;

(3) As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, o pensamento da Academia Brasileira de Defesa – ABD.

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Geopolítica

EUA se dizem otimistas com gestão Dilma

http://www.free-world-news.net/wp-content/uploads/2010/12/william-burns-e1292021707753.jpgIGOR GIELOW SECRETÁRIO DE REDAÇÃO DA SUCURSAL DE BRASÍLIA – FOLHA SP

Em visita ao Brasil, número três da diplomacia americana, William Burns, cita a “renovação” da relação com o país Americano falou sobre questões polêmicas da política externa dos dois países com Garcia e sobre caças com Jobim

Os Estados Unidos estão “otimistas” com o governo da presidente eleita, Dilma Rousseff, cujas críticas ao Irã foram “excelentes”, e esperam “renovar” a relação com governo brasileiro. Esse foi o relato feito à Folha com exclusividade pelo subsecretário para Assuntos Políticos do Departamento de Estado, William Burns.
Número três da diplomacia americana, ele esteve com o assessor internacional do Planalto, Marco Aurélio Garcia, e com o ministro Nelson Jobim (Defesa). Ambos permanecerão no governo.

“Nós nunca iremos concordar em tudo, mas sabemos que o melhor é trabalharmos juntos. Vocês têm muito para se orgulhar. A ascensão do Brasil é um sucesso nosso também, porque mostra ao mundo que a democracia dá certo”, disse.

Nos últimos anos, houve vários pontos de atrito entre os dois países -sendo o mais notável o apoio brasileiro ao Irã, arqui-inimigo dos EUA.Em tempo de vazamentos diplomáticos via WikiLeaks, a conversa foi franca. “Essa crise [da divulgação de telegramas secretos] nos deu uma nova definição para a palavra arrependimento.Eu mesmo deixei claro que nossa determinação é continuar um diálogo. Isso tudo atingiu o coração do nosso trabalho, mas reforcei que tomamos passos práticos para evitar o problema.”A agenda da conversa com Garcia foi ampla. Comércio, América Latina, Haiti, armas nucleares -todos pontos em que há discordâncias.

Burns citou a entrevista de Dilma ao jornal “The Washington Post”, um dos sinais emitidos pela eleita após o mal-estar da recusa dela em encontrar-se com Barack Obama antes da posse.
“Achei a entrevista ótima”, disse o diplomata, em referência à crítica de Dilma à abstenção do Brasil da sessão da ONU que apontou violações iranianas.
Indagado sobre o desconhecimento sobre Dilma na arena internacional, Burns foi elogioso: “Ela é bem comprometida com os sucessos do país, estou otimista”.

AVALIAÇÃO POSITIVA
Segundo a Folha apurou, o lado brasileiro considerou a conversa positiva e deixou claro que gostaria de ver mais iniciativas comerciais entre os dois países e um maior engajamento por parte de Washington em assuntos latino-americanos.Burns disse que Dilma está convidada a visitar Obama no começo do ano. A secretária de Estado, Hillary Clinton, estará na posse.O americano conversou com Jobim sobre a compra dos novos caças pelo Brasil.

A Defesa queria que o negócio de ao menos R$ 10 bilhões ficasse com os franceses, mas Dilma pediu mais tempo para analisar o tema.”Saio daqui convencido de que o negócio não está encerrado. Nossa proposta de ofertar o Boeing F-18 é sem precedentes”, afirmou.Burns evitou falar sobre compensações, embora a ideia de uma megacompra de 100 aviões brasileiros Supertucano pela Marinha americana siga no ar.

Fonte: Folha de S. Paulo – via Leituras Frave

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Geopolítica Opinião

Por que as guerras não são relatadas honestamente?

Por Luiz Lima

Excelente artigo, publicado originalmente no Guardian.  A tradução a seguir foi publicada em resistir.info.

Boa leitura a todos.

No manual do US Army sobre contra-insurgência, o general David Petraeus descreve o Afeganistão como uma “guerra de percepção … conduzida continuamente com a utilização dos novos media”. O que realmente importa não é tanto as batalhas do dia-a-dia contra o Taliban e sim o modo como o caso é vendido na América onde “os media influenciam directamente a atitude de audiências chave”. Ao ler isto, recordei-me do general venezuelano que dirigiu um golpe contra o governo democrático em 2002. “Tínhamos uma arma secreta”, jactou-se. “Tínhamos os media, especialmente a TV. Temos de ter os media”.

Nunca tanta energia oficial foi gasta para assegurar a conivência de jornalistas com os feitores de guerras de rapina as quais, dizem os generais amigos dos media, agora são “perpétuas”. Ao reflectir os mais prolixos senhores da guerra, tais como o waterboarding [*] Dick Cheney, ex-vice-presidente dos EUA, o qual previu “50 anos de guerra”, eles planeiam um estado de conflito permanente inteiramente dependente da manutenção à distância de um inimigo cujo nome não ousam dizer: o público.

Em Chicksands, Bedfordshire, o estabelecimento da guerra psicológica (Psyops) do Ministério da Defesa , treinadores de media dedicam-se à tarefa, imersos num mundo de jargões como “dominância de informação”, “ameaças assimétricas” e “ciber-ameaças”. Eles partilham instalações com aqueles que ensinam os métodos que levaram a uma investigação pública quanto à tortura militar britânica no Iraque. A desinformação e a barbárie da guerra colonial tem muito em comum.

É claro que apenas o jargão é novo. Na sequência de abertura do meu filme, A guerra que você não vê (The War You Don’t See), , há uma referência a uma conversação privada pré-WikiLeaks, de Dezembro de 1917, entre David Lloyd George, primeiro-ministro britânico durante grande parte da primeira guerra mundial, e C.P. Scott, editor do Manchester Guardian. “Se o povo realmente soubesse a verdade”, dizia o primeiro-ministro, “a guerra cessaria amanhã. Mas naturalmente não sabem, e não podem saber”.

Na sequência desta “guerra para acabar com todas as guerras”, Edward Bernays , um confidente do presidente Woodrow Wilson , cunhou a expressão “relações públicas” como um eufemismo para propaganda “à qual ganhou má reputação durante a guerra”. No seu livro, Propaganda (1928), Bernays descreveu as RP como “um governo invisível” o qual é o verdadeiro poder dominante no nosso país” graças à “inteligente manipulação das massas”. Isto era alcançado por “realidades falsas” e a sua adopção pelos media (Um dos primeiros êxitos de Bernay foi persuadir as mulheres a fumarem em público. Ao associar o fumo à libertação das mulheres, ele conseguiu manchete que louvavam os cigarros como “tochas da liberdade”.)

Comecei a entender isto quando era um jovem repórter durante a guerra americana no Vietname. Durante a minha primeira missão vi os resultados do bombardeamento de duas aldeias e da utilização do Napalm B , o qual continua a queimar debaixo da pela; muitas das vítimas eram crianças; árvores eram engrinaldadas com pedaços de corpos. O lamento de que “estas tragédias inevitáveis acontecem em guerras” não explicava porque virtualmente toda a população do Vietname do Sul estava em grave risco diante das forças do seu declarado “aliado”, os Estados Unidos. Expressões de RP como “pacificação” e “dano colateral” tornaram-se moeda corrente. Quase nenhum repórter utilizava a palavra “invasão”. “Emaranhamento” e depois “atoleiro” tornaram-se correntes num novo vocabulário que reconhecia a matança de civis meramente como erros trágicos e raramente questionavam as boas intenções dos invasores.

Nas paredes dos escritórios em Saigão das principais organizações americanas de notícias eram muitas vezes afixadas fotografias horrendas que nunca eram publicadas e raramente eram enviadas porque, diziam, “sensacionalizariam” a guerra ao inquietar leitores e visionadores e portanto não eram “objectivas”. O massacre de My Lai em 1968 não foi relatado a partir do Vietname, embora um certo número de repórteres soubesse dele (e de outros atrocidades afins), mas por um freelancer nos EUA, Seymour Hersh . A capa da revista Newsweek denominou-o uma “tragédia americana”, implicando que os invasores foram as vítimas: um tema de purgação entusiasticamente adoptado por Holliwood em filmes como O caçador (The Deer Hunter) e Platoon. . A guerra era imperfeita e trágica, mas a causa era essencialmente nobre. Além disso, foi “perdida” graças à irresponsabilidade de uma media hostil e não censurada.

Embora o oposto da verdade, tais falsas realidades tornaram-se as “lições” aprendidas pelos feitores das guerras actuais e por muita gente dos media. A seguir ao Vietname, jornalistas “incorporados” (“embedding”) tornaram-se centrais para a política da guerra em ambos os lados do Atlântico. Com honrosas excepções, isto teve êxito, especialmente nos EUA. Em Março de 2002, uns 700 repórteres incorporados e equipes de filmagem acompanharam as forças invasoras americanas no Iraque. Observem os seus relatos excitados e é a libertação da Europa mais uma vez. O povo iraquiano está distante, efémeros actores secundários; John Wayne ressuscitou.

. O apogeu foi a entrada vitoriosa em Bagdad e as imagens da TV de multidões a saudar a queda de uma estátua de Saddam Hussein. Por trás desta fachada, uma equipe americana de operações psicológicos (Psyops) manipulava com êxito o que um ignorado relatório do US Army descreve como um “circo dos media [com] quase tantos repórteres quanto iraquianos”. Rageh Omaar , que estava ali pela BBC, informou no noticiário principal da noite: “O povo saiu saudando [os americanos], mostrando sinais em V. Isto é uma imagem que acontece por toda a capital iraquiana”. De facto, na maior parte do Iraque, em grande parte não relatada, estava em marcha a conquista sangrenta e a destruição de toda uma sociedade.

Em The War You Don’t See, Omaar fala com franqueza admirável. “Realmente não fiz o meu trabalho adequadamente”, afirma ele. “Levanto a minha mão e afirmo que não pressionei os botões mais incómodos com força suficiente”. Ele descreve como a propaganda militar britânico manipulou com êxito a cobertura da queda de Bassorá, a qual a BBC New 24 informou ter caído “17 vezes”. Esta cobertura, afirma ele, foi “uma câmara de ressonância gigante”.

A simples magnitude do sofrimento iraquiano na carnificina tem pouco espaço nos noticiários. De pé em frente à Downing Street nº 10, na noite da invasão, Andrew Marr , então editor político da BBC, declarou: “[Tony Blair] disse que seriam capazes de tomar Bagdad sem um banho de sangue e que no fim os iraquianos estariam a celebrar, e em ambas as afirmações ele demonstrou estar conclusivamente correcto…” Pedi uma entrevista a Marr, mas não recebi resposta. Estudos da cobertura televisiva feitos pela Universidade de Gales, Cardiff e Media Tenor , descobriram que a cobertura da BBC reflectia esmagadoramente a linha do governo e que informações do sofrimento de civis foram relegadas. A Media Tenor coloca a BBC e a CBS dos EUA entre os principais de meios de comunicação ocidentais que permitiram a invasão. “Estou perfeitamente aberto à acusação de que fomos ludibriados”, disse Jeremy Paxman, ao falar no ano passado a um grupo de estudantes acerca das não-existentes armas de destruição em massa . “Nós o fomos claramente”. Como um profissional altamente pago da comunicação, ele deixou de dizer porque foi ludibriado.

Dan Rather, que foi a âncora dos noticiários da CBS durante 24 anos, foi menos reticente. “Havia um medo em toda sala de redacção da América”, contou-me, “um medo de perder o emprego … o medo de lhe afixarem alguma etiqueta, impatriótica ou outra”. Rather afirma que a guerra nos transformou em “estenógrafos” e que se jornalistas houvessem questionado os enganos que levaram à guerra do Iraque, ao invés de amplificá-los, a invasão não teria acontecido. Esta é uma visão não partilhada por um certo número de jornalistas sénior que entrevistei nos EUA.

Na Grã-Bretanha, David Rose, cujos artigos no Observer desempenharam um papel importantes ao ligar falsamente Saddam Hussein à al-Qaida e ao 11/Set, deu-me uma entrevista corajosa na qual afirmou: “Não posso dar desculpas … O que aconteceu [no Iraque] foi um crime, um crime em escala muito grande …”

“Será que isso torna os jornalistas cúmplices?”, perguntei-lhe.

“Sim … talvez inconscientes, mas sim”.

Qual o valor de jornalistas que falam assim? A resposta é dada pelo grande repórter James Cameron , cuja corajosa e reveladora reportagem filmada, feita com Malcom Aird, do bombardeamento de civis no Vietname do Norte foi proibida pela BBC. “Se nós, cuja missão é descobrir o que os bastardos estão a tramar, não informarmos o que descobrimos, se não falarmos alto”, disse-me ele, “quem é que vai travar toda essa guerra sangrenta acontecendo outra vez?”

Cameron não podia ter imaginado um fenómeno moderno tal como o WikiLeaks mas certamente teria aprovado. Na actual avalanche de documentos oficiais, especialmente aqueles que descrevem as maquinações secretas que levaram à guerra – tal como a mania americana sobre o Iraque – o fracasso do jornalismo raramente é notado. E talvez razão porque Julian Assange parece excitar tal hostilidade entre jornalistas que servem uma variedade de “lobbies”, aqueles a quem o porta-voz de imprensa de George Bush certa vez chamou de “possibilitadores cúmplices”, é que a WikiLeaks e o contar da verdade envergonha-os. Por que o público teve de esperar pelo WikiLeaks para descobrir como a grande potência realmente opera? Como revela um documento de 2000 páginas escapado do Ministério da Defesa, os jornalistas mais eficazes são aqueles encarados nas sedes do poder não como embebidos ou membros do clube, mas como um “ameaça”. Isto é a ameaça da democracia real, cuja “moeda”, disse Thomas Jefferson, é o “livre fluxo de informação”.

No meu filme, perguntei a Assange como WikiLeaks trataria das draconianas leis secretas pelas quais é famosa a Grã-Bretanha. “Bem”, disse ele, “quando olhamos para os documentos rotulados na Lei de Segredos Oficiais, vemos uma declaração de que é um delito reter informação e é um delito destruir a informação, de modo que a única resultante possível que temos de publicar a informação”. Estes tempos são extraordinários.

10/Dezembro/2010

[1] Waterboarding: Simulação de afogamento, método de tortura aprovado pelo vice-presidente Dick Cheney.

Fonte: Portal do Nassif

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Defesa Fotos do Dia Sistemas de Armas

França realiza lançamento noturno de míssil AASM

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Sujestão e Tradução: Justin Case Para o Plano Brasil

Defesa – 14 de dezembro de 2010

A Sagem (Grupo Safran) e a agência francesa DGA realizaram com êxito o primeiro lançamento noturno do armamento modular ar-solo AASM de 250 kg com orientação terminal por infravermelho, como parte dos testes de avaliação para exportação.

O ensaio foi realizado pelas forças armadas francesas, utilizando um caça multimissão Rafale operando a partir do centro de ensaio de mísseis da DGA em Biscarosse, no sudoeste da França.

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A arma foi lançada a uma distância de mais de 50 km do alvo, com trajetória final vertical.

Em operação noturna, o imageador infravermelho do AASM identificou seu alvo vários segundos antes do impacto, e seus algoritmos de processamento de imagem lhe permitiram atingir o alvo com erro inferior a um metro.

Este teste bem sucedido reflete a capacidade do AASM de realizar ataques com precisão de um metro de raio, de dia ou de noite, e também confirma a capacidade da família AASM para atender às necessidades operacionais das forças aéreas no mercado de exportação.

A família do armamento AASM, desenvolvida e produzida pela Sagem, utiliza um kit de orientação e um kit de aumento de alcance montados nas bombas existentes. Oferecendo um alcance superior a 50 km e capaz de ser disparado fora do eixo em relação ao alvo, de dia ou de noite, sob quaisquer condições atmosféricas, mesmo em baixa altitude, o AASM tem características de alta precisão e trajetórias terminais perfeitamente adaptadas a todos os tipos de alvos.

O armamento guiado AASM está sendo usado atualmente no Afeganistão pelos caças multiemprego Rafale operados pelas forças armadas francesas.

Fonte: Arabian Space

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Espaço Fotos do Dia Tecnologia

NASA apresenta conceitos dos aviões do futuro

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No começo do estudo havia projetos bem estranhos, para dar total liberdade aos visionários. Siga as setas para acompanhar o processo de seleção dos candidatos mais prováveis a aviões do futuro. [Imagem: NASA/Northrop Grumman Systems Corporation]

Aviões do futuro

A NASA acaba de concluir um estudo de 18 meses que reuniu seus próprios engenheiros e engenheiros da indústria privada para tentar visualizar como serão os aviões de passageiros do futuro.

No começo do estudo havia projetos bem estranhos, para dar total liberdade aos visionários. Na segunda etapa ainda havia pelo menos dois esquisitões, incluindo um “avião-linguado”, mais parecido com o peixe ou com um carrinho de rolimã com esteroides.

Mas o resultado final tinha que ser realista e factível a médio prazo.

Assim, você provavelmente não terá problemas em reconhecer um avião quando ver um modelo 2050 em algum aeroporto no futuro. Em termos de aparência externa, todos parecem bem familiares, longe de ideias exóticas saídas de algum filme de ficção científica.

Inovações nos aviões

Mas um mecânico de aviões terá dificuldades em se adaptar: tecnicamente, os aviões das próximas décadas serão muito superiores e muito diferentes dos aviões de hoje.

“Ficando ao lado do avião você poderá não ser capaz de apontar as diferenças, mas as melhorias serão revolucionárias,” disse Richard Wahls, cientista do Centro de Pesquisas Langley, da NASA. “A beleza tecnológica é bem mais do que uma pele bonita.”

As diferenças começarão pela superfície externa. Essa nova geração de aviões terá fuselagens duplas construídas com ligas de memória de formarevestimentos anticorrosão e capazes de autocicatrizar ultramodernas, cerâmicas e fibras de materiais compósitos. E sua superfície será coberta por quando ocorrem fissuras.

Os sistemas de controle e comunicação utilizarão um mínimo de fios metálicos, que serão substituídos por cabos de fibra óptica e de nanotubos de carbono.

“Embaixo do capô” as diferenças não serão menores: esses aviões terão estruturas e tecnologias de propulsão concebidas para deixá-los mais silenciosos, menos poluentes e menos beberrões – e oferecendo mais conforto aos passageiros.

As tradicionais turbinas serão substituídas por sistemas híbrido-elétricos. As asas serão dobráveis e altamente flexíveis.

Aviões do futuro: NASA mostra seus aviões-conceitoO híbrido H-Wing Body Series foi idealizado pelos engenheiros do MIT. Será um avião gigantesco, voltado para voos intercontinentais. Este avião é projetado para voar a Mach 0,83, carregando 354 passageiros por até 14.000 km. [Imagem: NASA/MIT/Aurora Flight Sciences]

O que esperar

Os objetivos da Nasa para os aviões que entrarão em operação a partir de 2030, em comparação com uma aeronave entrando em serviço hoje, são:

  • Uma redução de 71 decibéis abaixo da norma atual de ruído, o que fará com que o barulho de um avião decolando ou pousando não vá além dos limites do aeroporto.
  • Uma redução de 75 por cento em relação ao padrão atual para as emissões de óxidos de nitrogênio, melhorando a qualidade do ar em torno dos aeroportos.
  • Uma redução de 70 por cento no consumo de combustível, o que poderia reduzir as emissões de gases de efeito de estufa e os custos das viagens aéreas.
  • A capacidade de implementar um conceito chamado “metroplex”, que permitirá a melhor utilização das pistas em vários aeroportos em áreas metropolitanas, como forma de reduzir o congestionamento do tráfego aéreo e os atrasos.

Mais lentos e mais alto

Os engenheiros das diversas entidades envolvidas foram unânimes em alguns conceitos.

Por exemplo, os aviões comuns de passageiros deverão voar em velocidades de 5 a 10% mais lentas (Mach 0,7) do que os atuais, e a altitudes mais elevadas, com o objetivo de consumir menos combustível.

As pistas dos futuros aeroportos também deverão ser mais curtas, com 5.000 pés de comprimento em média. E, na opinião dos especialistas, a tendência de aviões cada vez maiores deverá se reverter: os aviões não deverão ser maiores do que os 737 atuais, e deverão fazer mais voos diretos, para diminuir os custos.

O próximo passo no esforço da Nasa para projetar os aviões de 2030 é uma segunda fase de estudos, para começar a desenvolver as novas tecnologias que serão necessárias para atender aos objetivos agora estipulados. As equipes começarão a trabalhar por volta de Abril de 2011.

Aviões do futuro: NASA mostra seus aviões-conceito[Imagem: NASA/MIT/Aurora Flight Sciences]

Bolha Dupla

O D8 é chamado de “bolha dupla” pelos seus projetistas do MIT (Massachusetts Institute of Technology).

A ideia é juntar dois tubos dos aviões comuns para fazer uma fuselagem mais larga e ganhar sustentação. As asas, em contrapartida, podem ser muito finas, diminuindo o peso e o arrasto. Para isso, os motores foram levados para a traseira.

O D8 foi projetado para voos domésticos, voando a Mach 0,74, carregando 180 passageiros e com autonomia de 5.500 km.

Aviões do futuro: NASA mostra seus aviões-conceito

[Imagem: NASA/The Boeing Company]

Ultra verde

O SUGAR Volt é uma das propostas da equipe da Boeing.

SUGAR é um acrônimo para Subsonic Ultra Green Aircraft Research, aeronave de pesquisas subsônica ultra verde.

O Volt vem do conceito de um sistema bimotor com propulsão híbrida que combina a tecnologia de turbinas a gás e baterias. Um sistema modular permite que o banco de baterias seja trocado, sem que o avião precise ficar parado esperando pela recarga.

Aqui também é possível ver o trabalho para tornar as asas mais delgadas: elas são sobrepostas ao corpo tubular do avião, com um apoio extra na parte inferior da fuselagem.

Este avião está sendo projetado para voar a Mach 0,79, carregando 154 passageiros, com autonomia de 6.500 km.

Aviões do futuro: NASA mostra seus aviões-conceito

[Imagem: NASA/Lockheed Martin Corporation]

Supersônico sem boom

Os conceitos supersônicos não poderiam ficar de fora. Mas os projetistas sabem que, para se tornar viável, um avião supersônico deverá superar a barreira do som sobre a terra, e não apenas sobre o oceano, longe de áreas habitadas, como acontecia com o Concorde.

A equipe da Lockheed Martin utilizou ferramentas de simulação para mostrar que é possível alcançar o voo supersônico sobre a terra reduzindo drasticamente o nível do ruído gerado quando se quebra a barreira do som.

Segundo os projetistas, isto pode ser obtido com a utilização de uma configuração de motores sobre as asas, que têm a forma de um V invertido. Outras tecnologias ajudam a alcançar a escala, a capacidade de carga e as metas ambientais.

Aviões do futuro: NASA mostra seus aviões-conceito

[Imagem: NASA/The Boeing Company]

Avião icônico

O Ícone II é o conceito de avião supersônico da Boeing.

Aqui também a principal preocupação é permitir o voo supersônico sobre a terra.

Os motores também foram levados para cima das asas, embora a empresa não comente as “tecnologias revolucionárias exigidas para reduzir o consumo de combustível e a redução no ruído”.

Fonte: Inovação Tecnológica

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Foguete brasileiro leva experimentos científicos ao espaço

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/imagens/010130101213-lancamento-vsb-30.jpgO foguete de sondagem brasileiro VSB-30 foi lançado com sucesso neste domingo (12), do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA).

Programa Microgravidade

O principal objetivo do lançamento foi levar experimentos científicos, tecnológicos e educacionais a um ambiente de microgravidade. A carga útil do foguete foi recuperada depois de sua reentrada.

O VSB-30 foi lançado às 12h35, atingiu um apogeu de 242 quilômetros e um alcance de 145 quilômetros. O tempo de voo foi de 16 minutos e o foguete permaneceu um pouco mais do que cinco minutos em ambiente de microgravidade.

“Todos os objetivos da operação foram atingidos. Conseguimos lançar, rastrear e recuperar a carga útil do foguete com sucesso”, afirmou o coordenador da Operação Maracati II, Cel. Eudy Carvalhaes.

A carga útil do foguete foi composta por projetos aprovados no Programa Microgravidade da Agência Espacial Brasileira (AEB), que tem o objetivo de viabilizar experimentos nacionais em ambiente de queda livre, onde se experimenta a aparente falta de peso.

Carga científica

A recuperação da carga útil foi parte crucial da campanha, já que, dos dez experimentos que voaram, sete precisavam da recuperação das amostras para serem estudados.

Desde que o programa da AEB foi criado nenhum foguete que voou com experimentos havia tido sua carga útil recuperada.

Por isso, uma equipe de 80 pessoas, dois helicópteros, duas aeronaves de patrulha e um navio de patrulha foram envolvidos na operação de resgate.

De acordo com o coordenador da recuperação da carga útil, coronel Renato Tamashiro, o avião patrulha avistou a carga útil antes dela atingir o ponto de impacto e, 33 minutos após o lançamento, ela foi recuperada.

“Somente com o resgate da carga útil conseguiremos dar continuidade às nossas pesquisas. Analisaremos as amostras e, em aproximadamente três meses, teremos os primeiros resultados”, disse o pesquisador do Centro Universitário Faculdade da Fundação Inaciana de Ensino (FEI) de São Paulo (SP), Alessandro La Neve.

Ele é coordenador de dois experimentos, o Estudo do Efeito da Microgravidade sobre a Cinética da Enzima Invertase, e o Nanotubos de Carbono. O primeiro projeto já havia voado em outra operação de microgravidade, mas como a carga útil do foguete não foi recuperada, ele teve que repetir o experimento.

Para o coordenador dos experimentos, Flávio Corrêa, “um voo como esse é capaz de render até cinco anos de estudos para as universidades”.

Esta operação envolveu experimentos de alunos da Secretaria Municipal de Educação de São José dos Campos (SP), o que, segundo Flávio, ajuda a divulgar a ciência e a tecnologia entre os mais jovens.

Participaram da operação unidades do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), destacando-se o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), os centros de Lançamento de Alcântara (MA) e da Barreira do Inferno (RN), além da Agência Espacial Alemã (DLR, sigla em alemão) e a Marinha do Brasil.

Projetos de Microgravidade

Veja quais foram experimentos científicos, tecnológicos e educacionais aprovados no Programa Microgravidade da AEB e que voaram no VSB-30.

Foguete brasileiro leva experimentos científicos ao espaçoA intenção deste projeto é testar a ação da enzima invertase em diferentes concentrações de sacarose, de tal forma que seja possível levantar a curva velocidade da reação. [Imagem: AEB]

Estudo do Efeito da Microgravidade sobre a Cinética da Enzima Invertase

A intenção deste projeto é testar a ação da enzima invertase em diferentes concentrações de sacarose, de tal forma que seja possível levantar a curva velocidade da reação.

O ambiente de microgravidade poderá alterar a velocidade da reação em função de parâmetros como a concentração de sacarose e fenômenos de transporte de massa.

O experimento é do Centro Universitário Faculdade da Fundação Inaciana de Ensino (FEI) de São Paulo (SP).

Nanotubos de Carbono

Projeto com objetivo de observar a deposição de um filme de nanotubo de carbono sob microgravidade, de modo a determinar, precisamente, o que pode ser atribuído à gravidade e o que deve estar sendo causado por outras variáveis, como correntes de convecção no líquido onde estão imersos os nanotubos livres, ou ainda pH e condutividade, entre outros fatores.

A instituição responsável pelo experimento é o Centro Universitário Faculdade da Fundação Inaciana de Ensino (FEI) de São Paulo (SP).

Influência da Microgravidade na Solidificação da Liga Eutética Chumbo e Telúrio (PbTe)

O experimento pretende estudar a solidificação de uma liga eutética – uma liga na qual a temperatura de fusão é menor do que a dos componentes isolados – em ambiente de microgravidade, na ausência de convecção natural e sedimentação.

Este material semicondutor possui importantes aplicações na área de nanotecnologia, envolvendo novos conceitos de dispositivos optoeletrônicos para as faixas do espectro das ondas eletromagnéticas que compreendem as regiões do infravermelho médio e termal (de calor).

O experimento foi realizado juntamente com o experimento Solidificação da Liga de Chumbo e Estanho (PbSn) em Microgravidade com a utilização do forno multiusuário, desenvolvido pelo Laboratório de Materiais (LAS), do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe).

O forno multiusuário, denominado Formu_S, já participou de duas missões de voos suborbitais (Operações Cumã I em 2002 e Cumã II em 2007). O experimento foi desenvolvido pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Solidificação de uma Liga de Chumbo, Estanho e Telúrio (PbSnTe) em Microgravidade

O experimento consiste na solidificação em microgravidade de uma liga semicondutora de chumbo, estanho e telúrio (Pb1-xSnxTe).

Este material possui importantes aplicações tecnológicas como detectores e diodos laser para a região do infravermelho termal.

O estudo permitirá melhorar a homogeneidade da liga pela eliminação dos fluxos convectivos dependentes da gravidade.

Este experimento foi realizado juntamente com o experimento Influência da Microgravidade na Solidificação da Liga Eutética PbTe, com a utilização do forno Formu_S. Este experimento é do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Foguete brasileiro leva experimentos científicos ao espaçoQuatro diferentes tecnologias de tubos de calor para controle térmico e dissipação de calor em ambientes de microgravidade, algumas delas inéditas foram avaliadas neste experimento da UFSC. [Imagem: AEB]

Minitubos de Calor em Microgravidade (TCM)

Tubos de calor têm sido rotineiramente utilizados para o controle térmico de veículos espaciais, visando principalmente viabilizar o funcionamento dos equipamentos eletrônicos, mantendo-os dentro de suas faixas pré-estabelecidas de temperatura.

No TCM estão sendo testadas quatro diferentes tecnologias de tubos de calor para controle térmico e dissipação de calor em ambientes de microgravidade, algumas delas inéditas.

As quatro tecnologias de minitubos de calor serão testadas em condições idênticas, permitindo a comparação de seus desempenhos, para que, em uma etapa futura, se possa selecionar a tecnologia que melhor se adapte no controle e dissipação de calor em equipamentos eletrônicos a bordo de satélites.

Os minitubos que serão utilizados nos testes de microgravidade possuem dimensões de 100 x 30 x 2 mm e 10 fios de cobre paralelos soldados entre duas finas chapas de cobre de 0,2 mm de espessura, como pode ser visto na Figura 1. A distância entre dois fios é de aproximadamente duas vezes o diâmetro do fio.

O experimento foi desenvolvido pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Espalhadores de Calor para Resfriamento de Componentes Eletrônicos em Satélites

O objetivo é a verificação e a posterior qualificação deste dispositivo para aplicações em microgravidade. Estes dispositivos de pequeno porte têm o papel de dissipar o calor e homogeneizar a temperatura de equipamentos eletrônicos.

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é a responsável pelo experimento.

Câmara de Ebulição sob Microgravidade

O objetivo do experimento foi analisar os mecanismos de ebulição nucleada (promover formação de bolhas em um ponto) sob microgravidade com a simulação das condições com confinamento e sem confinamento do fluido n-Pentano sobre um disco horizontal.

Para que isso seja possível serão feitas aquisições de temperatura e pressão em ambiente de queda livre.

Esse experimento é da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Experimentos Educacionais em Microgravidade (EEM)

Os experimentos foram desenvolvidos por alunos dos anos finais (sexto ao nono ano) das escolas municipais de São José dos Campos (SP).

O módulo de experimentação, sob a designação geral Experimentos Educacionais em Microgravidade (EEM) inclui três experimentos: Interação entre as Forças Magnética e Gravitacional (IMG) (interação entre imãs); Sistema Massa-Mola (SMM) (objeto preso por uma mola) e Sistema Massa-Corda (SMC) (pêndulo).

VGP – Análise de expressão gênica (dos genes) e proteica de plantas em condições de microgravidade

O objetivo do experimento é estudar o efeito da microgravidade em plantas, considerando que o efeito dessas condições no desenvolvimento das plantas sobre o DNA nos diferentes eventos fisiológicos e nas cascatas de transdução de sinais, não é conhecido.

O experimento foi desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Foguete brasileiro leva experimentos científicos ao espaçoNeste experimento foi avaliado o comportamento do hardware e software de um receptor de GPS que é capaz de manter o rastreio dos satélites. [Imagem: AEB]

GPS para Aplicações Aeroespaciais (GPS-AE)

O principal objetivo do experimento é avaliar o desempenho do receptor de GPS quando submetido a grandes velocidades e acelerações.

Grandes velocidades, como a de um foguete, imprimem um alto efeito doppler ao sinal recebido dos satélites – o comprimento de onda observado é maior ou menor conforme uma fonte se afasta ou se aproxima do observador.

Neste experimento foi avaliado o comportamento do hardware e software de um receptor que é capaz de manter o rastreio dos satélites, mesmo em condições de alto doppler.

Além disso, a influência de outras condições adversas, como vibração e altas temperaturas estão sendo avaliadas.

Os dados relevantes do experimento são as coordenadas do veículo (posição e velocidade) que foram recebidas em terra por meio da telemetria.

O experimento foi desenvolvido pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

Foguete VSB-30

O VSB-30 é um foguete de sondagem brasileiro. Ele possui dois estágios, mede aproximadamente 12,6 metros e utiliza propelente sólido.

Para experimentos em ambiente de microgravidade, o VSB-30 permite que a carga útil permaneça cerca de seis minutos acima da altitude de 110 km, sem resistência atmosférica, sem acelerações dos propulsores e em queda livre. Ele é o único foguete de sondagem brasileiro qualificado.

O VSB-30 já foi lançado sete vezes na Europa. Este é o terceiro lançamento do foguete no Brasil. O coordenador da Operação Maracati II, Eudy Carvalhaes, disse que todos os lançamentos do VSB-30 foram bem-sucedidos e que a Europa encomendou mais foguetes para apoiarem o programa de microgravidade deles.

Foguete Orion

A primeira parte da operação Maracati II aconteceu no dia 6 de dezembro, com o lançamento do foguete de treinamento Orion V3.

O foguete tem cerca de cinco metros de comprimento, alcançou o apogeu em 103,9 km, alcance de 73,6 km e tempo de voo de 316,9 segundos, conforme a trajetória prevista.

A atividade serviu como preparação para o lançamento do foguete de sondagem VSB-30. Foram testados os sistemas de telemetria localizados no CLA e no Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), em Natal (RN), que participou do monitoramento das atividades. Os radares também foram checados.

Veja outros experimentos brasileiros em ambiente de microgravidade, com fotos de cada um deles, na reportagem Foguete brasileiro fará experiências em microgravidade.

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Sistemas Navais Tecnologia

Robô submarino autônomo tem olhos de laser

http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/imagens/010180101214-auv-fraunhofer.jpgRobôs nos mares

Com larga margem de vantagem, as fábricas são as campeãs no uso de robôs – existem milhões de robôs industriais em operação em todo o mundo.

E você sabe qual é a segunda colocação nessa competição pelo uso de “trabalhadores automatizados”?

São os oceanos. Ou, talvez fosse melhor especificar, é o monitoramento ambiental marinho.

Já existem robôs monitorando todos os oceanos da Terra e há projetos que pretendem enviar enxames deles para desvendar os segredos da vida marinha.

Veículos submarinos autônomos

A grande vantagem dos robôs submarinos é que eles não precisam respirar, podendo ficar meses mergulhados a grandes profundidades, coletando dados inacessíveis aos mergulhadores humanos – eles só precisam vir à superfície para transmitir esses dados.

Contudo, esses “veículos submarinos autônomos” são excelentes para o trabalho em mar aberto, onde podem flutuar e mergulhar à vontade, mas não ajudam muito quando o trabalho a fazer é a inspeção de navios atracados, os canais de atracação dos portos ou instalações de cabos submarinos.

“Por enquanto, a tecnologia é cara demais para realizar trabalhos rotineiros, como a inspeção de represas ou o casco de navios,” diz o Dr. Thomas Rauschenbach.

Foi por isto que ele e sua equipe começaram a desenvolver uma nova geração de robôs submarinos autônomos, que possam ser programados para fazer tarefas muito específicas de forma independente – e precisa.

Robô com olhos, cérebro e ouvidos

O maior desafio encontrado foi dar aos robôs subquáticos uma visão com resolução suficiente para permitir a tomada de decisões e a navegação segura – na maioria dos locais onde eles deverão ser empregados, a água é turbulenta e turva.

Isso exigiu “olhos” bem mais complexos do que uma mera câmera digital. A “percepção óptica” dos robôs é baseada em um sistema que reúne um mecanismo especial de captura de imagens e um software de análise.

Primeiro, o robô determina a distância do objeto. A seguir, a câmera emite um pulso de laser, que será refletido pelo objeto – o muro de uma represa ou o casco de um navio, por exemplo.

Então, microssegundos antes que a luz refletida chegue de volta à câmera, ela abre seu diafragma, permitindo a captura precisa e seletiva do laser refletido.

Os dados são enviados para o “cérebro” do robô, que traça um quadro do ambiente ao seu redor, permitindo a navegação precisa, já que esses “olhos a laser” funcionam continuamente.

O robô também tem “ouvidos”: sensores de ultrassom que permitem a inspeção dos objetos. Em vez da tecnologia convencional de sonar, os pesquisadores estão usando ondas sonoras de alta frequência, que são refletidas pelos objetos e capturados pelos sensores – veja mais sobre o potencial de novas tecnologias nesta área nas reportagens Laser de som fica mais próximo da realidade e Equipamento dispara projéteis de som.

Ritual de maioridade

Se as baterias de lítio ameaçarem ficar sem carga no meio de uma missão, o robô automaticamente salva os dados, entra em modo de hibernação e volta para a superfície.

O protótipo, em formato de torpedo e com dois metros de comprimento, começou a ser testado em um tanque pequeno, mas suficiente para avaliar as funções-chave do robô.

Os pesquisadores planejam enviá-lo para sua primeira missão no segundo trimestre de 2011.

E não será um teste qualquer: eles pretendem verificar se seu robô é mesmo autônomo submetendo-o a um verdadeiro ritual de maioridade, fazendo-o mergulhar 6.000 metros.

Fonte: Inovação Tecnológica